MANTENHA sua mente limpa de qualquer pensamento menos digno.
A principal finalidade deste blog é a divulgação da Doutrina Espírita, codificada por ALLAN KARDEC, através de trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo, preces, orações, crônicas e comentários.Queremos, também, transformar esse blog em uma CASA ESPÍRITA VIRTUAL.
domingo, 28 de junho de 2009
MINUTO DE SABEDORIA
MANTENHA sua mente limpa de qualquer pensamento menos digno.
O QUE É O ESPIRIITISMO
CAPÍTULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPIRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
DIVERSIDADE NOS ESPÍRITOS
Terceira Parte
VISITANTE – Se assim é, eu percebo uma grande dificuldade. Nesse conflito de opiniões diversas, como distinguir o erro da verdade? Eu não vejo que os Espíritos nos sirvam para grande coisa e tenhamos a ganhar com sua conversação.
A.K. – Não servissem os Espíritos senão para nos ensinar que há Espíritos e que esses Espíritos são as almas dos homens, não seriam de uma grande importância para todos aqueles que duvidam que têm uma alma e que não sabem em que se tornarão depois da morte?
Como todas as ciências filosóficas, esta exige longos estudos e minuciosas observações; é então que se aprende a distinguir a verdade da impostura, e os meios de afastar os Espíritos mentirosos. Acima dessa turba de Espíritos inferiores, há os Espíritos superiores que não tem em vista senão o bem e que têm por missão conduzir os homens ao bom caminho. Cabe a nós saber apreciá-los e compreendê-los. Estes nos ensinam grandes coisas, mas, não credes que o estudo dos outros seja útil; para conhecer um povo é preciso examiná-lo sob todas as suas faces. Disso vós mesmos sois a prova; pensáveis que bastaria aos Espíritos deixarem seu envoltório corporal para se despojarem de suas imperfeições. Ora, foram as comunicações com eles que nos ensinaram o contrário, e nos fizeram conhecer o verdadeiro estado do mundo espiritual, que nos interessa a todos no mais alto grau, uma vez que para lá devemos ir. Quanto aos erros que podem nascer da divergência de opinião entre os Espíritos, por si mesmos desaparecem, à medida que se aprende a distinguir os bons dos maus, os sábios dos ignorantes, os sinceros do hipócritas, da mesma forma como entre nós; então o bom senso faz justiça às falsas doutrinas.
(continua amanhã)
sábado, 27 de junho de 2009
PENSAMENTO DO DIA
"A invocação da fé por meio da oração pode mudar toda a vida do ser."
Anônimo
MINUTO DE SABEDORIA
DEUS está em toda parte ao mesmo tempo e, portanto, está também dentro de você, em redor de você, vendo o que você faz, sabendo até o que você pensa.
O QUE É O ESPIRIITISMO
CAPÍTULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPIRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
DIVERSIDADE NOS ESPÍRITOS
Segunda Parte
VISITANTE – Mas, então, por que os Espíritos não são todos perfeitos? DEUS, pois, os criou de todas as categorias.
A.K. – Igualmente gostaria de perguntar por que todos os alunos de um colégio não estão em filosofia? Os Espíritos têm, todos, a mesma origem e a mesma destinação. As diferenças que existem entre eles não constituem espécie distinta, mas diversos graus de adiantamento. Os Espíritos não são perfeitos porque são as almas dos homens e os homens não são perfeitos; pela mesma razão os homens não são perfeitos porque é a encarnação dos Espíritos mais ou menos avançados. O mundo corporal e o mundo espiritual se derramam incessantemente um sobre o outro; pela morte do corpo, o mundo corporal fornece seu contingente ao mundo espiritual e, pelo nascimento, o mundo espiritual alimenta a Humanidade. A cada nova existência, o Espírito realiza um progresso mais ou menos grande, e quando adquire sobre a Terra a soma de conhecimentos e elevação moral que comporta nosso globo, ele o troca para passar a um mundo mais elevado, onde aprende coisas novas.
Os Espíritos que formam a população invisível da Terra são, de alguma sorte, o reflexo do mundo corporal; encontram-se aí os mesmos vícios e as mesmas virtudes. Há entre eles sábios, ignorantes e falsos sábios, prudentes e estouvados, filósofos, raciocinadores e sistemáticos. Não se tendo desfeito de todos os seus preconceitos, todas as opiniões políticas e religiosas têm aí seus representantes. Cada um fala segundo as suas idéias e o que dizem, freqüentemente, não é senão sua opinião pessoal. Eis porque não é preciso acreditar cegamente em tudo o que dizem os Espíritos.
(continua amanhã)
sexta-feira, 26 de junho de 2009
PENSAMENTO DO DIA
"Quando a fé ainda não é firme, é preciso passar um tempo orando e clamando por ela."
Anônimo
MINUTO DE SABEDORIA
O QUE É O ESPIRIITISMO
CAPÍTULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPIRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
DIVERSIDADE NOS ESPÍRITOS
Primeira Parte
VISITANTE – Falais de Espíritos bons ou maus, sérios ou levianos; eu não me explico, confesso essa diferença. Parece-me que, deixando seu envoltório corporal, eles devem se despojar das imperfeições inerentes à matéria; que a luz deve se fazer para eles sobre todas as verdades que nos são ocultas e que eles devem estar isentos dos preconceitos terrestres.
A.K. – Sem dúvida, eles estão livres das imperfeições físicas, quer dizer, das doenças e enfermidades do corpo; mas as imperfeições morais são do Espírito e não do corpo. Entre eles há os que estão mais ou menos avançados intelectual e moralmente. Seria um erro crer-se que os Espíritos, deixando seu corpo material, são subitamente atingidos pela luz da verdade. Credes, por exemplo, que quando morrerdes não haverá nenhuma diferença entre vosso Espírito e o de um selvagem ou o de um malfeitor? Se fora assim, de que vos serviria ter trabalhado pela vossa instrução e aprimoramento, uma vez que um vadio seria tanto quanto vós depois da morte? O progresso dos Espíritos não se realiza senão gradualmente e, algumas vezes, bem lentamente. Entre ele, e isso depende da sua depuração, há os que vêem as coisas sob um ponto de vista mais justo que em sua vida física; outros, ao contrário, têm as mesmas paixões, os mesmo preconceitos e os mesmos erros, até que o tempo e novas provas lhes tenham permitido se esclarecerem, porque é assim que eles se apresentam a nós em suas comunicações. É, pois, um principio elementar do Espiritismo que, entre os Espíritos, há os de todos os graus de inteligência e de moralidade.
(continua amanhã)
quinta-feira, 25 de junho de 2009
PENSAMENTO DO DIA
25 de Junho de 2009
"A fé é o alicerce da oração. Mas é preciso alimentá-la com o ardor da entrega à Vontade Maior."
MINUTO DE SABEDORIA
O pensamento e a palavra têm poder curador.
O QUE É O ESPIRIITISMO
CAPÍTULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPIRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
OS MÉDIUNS E OS FEITICEIROS
Segunda Parte
VISITANTE – desse modo, todos os efeitos que certos médiuns acreditados obtêm, à vontade e em público, não seriam, segundo vós, senão hipocrisia?
A.K. – Eu não digo de um modo absoluto. Tais fenômenos não são impossíveis porque há Espíritos inferiores que podem se prestar a essas espécies de coisas, e nelas se divertem, talvez tendo já feito, em suas vidas, o trabalho dos prestidigitadores, e também médiuns especialmente propensos a esse gênero de manifestações. Mas, o mais vulgar bom senso repele a idéia de que os Espíritos, embora pouco elevados, venham fazer exibições para divertir os curiosos.
A obtenção desses fenômenos à vontade e, sobretudo, em público, é sempre suspeita; nesse caso, a mediunidade e a prestidigitação se tocam tão de perto que, freqüentemente, é bem difícil distingui-las. Antes de ver nisso ação dos Espíritos, é preciso minuciosas observações, e levar em conta seja o caráter e os antecedentes do médium, seja de uma multidão de circunstâncias, que só um estudo aprofundado da teoria dos fenômenos espíritas pode levar a apreciar. Anote-se que esse gênero de mediunidade, quando mediunidade há, é limitado à procura do mesmo fenômeno, com algumas variantes, o que não é de natureza a dissipar as dúvidas. Um desinteresse absoluto seria aí a menos garantia de sinceridade.
Qualquer que seja a realidade desses fenômenos, como efeitos mediúnicos, eles tem como bom resultado dar notoriedade à idéia espírita. A controvérsia que se estabelece a esse propósito provoca, em muitas, pessoas, um estudo mais aprofundado. Não é certo que é necessário ir buscar ai instruções sérias de Espiritismo, nem a filosofia da Doutrina, mas é um meio de forçar a atenção dos indiferentes e obrigar os mais recalcitrantes a falarem deles.
(continua amanhã)
quarta-feira, 24 de junho de 2009
PENSAMENTO DO DIA
"A oração é fonte de suprimento de todo bem e de toda Graça."
Anônimo
MINUTO DE SABEDORIA
Enfrente as dificuldades corajosamente.
Não pense abandonar a vida.
Não seja covarde!
Você pode vencer!
Você vai vencer!
Não recuse trabalho pelo fato de ser modesto.
O grande Ford começou a vida como simples mecânico.
Tenha coragem, porque o PAI não abandona ninguém.
O QUE É O ESPIRIITISMO
CAPÍTULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
OS MÉDIUNS E OS FEITICEIROS
Primeira Parte
VISITANTE – Desde o instante em que a mediunidade consiste em se colocar em comunicação com as forças ocultas, parece-me que médiuns e feiticeiros são mais ou menos sinônimos.
A.K. – Houve em todas as épocas médiuns naturais e inconscientes que, só porque produziam fenômenos insólitos e incompreendidos, foram qualificados de feiticeiros e acusados de pactuarem com o diabo. Ocorreu o mesmo com a maioria dos sábios que possuíam conhecimentos acima do vulgar. A ignorância exagerou seu poder e, eles mesmos, freqüentemente, abusaram da credulidade pública, explorando-a; daí a justa reprovação de que foram objetos. Basta comparar o poder atribuído aos feiticeiros e a faculdade dos verdadeiros médiuns, para estabelecer-lhes a diferença, mas a maioria dos críticos não se dá a esse trabalho. O Espiritismo, longe de ressuscitar a feitiçaria, a destruir para sempre, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, de seus livros de magia, amuletos e talismãs, reduzindo os fenômenos possíveis ao seu justo valor, sem sair das leis naturais.
A semelhança que certas pessoas pretendem estabelecer provém do erro em que se encontram, de que os Espíritos estão às ordens dos médiuns, repugna à sua razão crer que possa depender de alguém, fazer vir à sua vontade e chamado, o Espírito de tal ou tal personagem mais ou menos ilustre; nisso estão perfeitamente com a verdade, e se, antes de atirar pedra ao Espiritismo, tivessem se dado ao trabalho de dele se inteirar, saberiam que ele diz positivamente que os Espíritos não estão ao capricho de ninguém, e que ninguém pode, à vontade, fazê-los vir a contragosto; do que se segue que os médiuns não são feiticeiros.
(continua amanhã)
terça-feira, 23 de junho de 2009
NÃO ponha limites à sua vida!
Procure ouvir as notas harmoniosas e sublimes do canto maravilhoso que se evola da natureza.
Viva sorridente e alegre, para espantar as preocupações, para aliviar as lutas.
Mergulhe a sua alma na alma da natureza: absorva a luz do sol, goze a suavidade da lua, contemple o esplendor das estrelas, aspire o perfume das flores.
A vida é bela, apesar das dores e dos contratempos.
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPÍTULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
OS MÉDIUNS INTERESSEIROS
Sexta Parte
Coloco de lado todo pensamento de fraude e de mistificação e suponho a mais completa lealdade. Para que um médium profissional pudesse oferecer toda segurança às pessoas que viessem a consultá-lo, seria preciso que ele possuísse uma faculdade permanente e universal, quer dizer, que pudesse se comunicar facilmente com todos os Espíritos e a qualquer momento, para estar constantemente à disposição do público, como um médico, e satisfazer a todas as evocações que lhe fossem pedidas. Ora, isso não ocorre com nenhum médium, não mais nos desinteressados que nos outros, e isso por causas independentes da vontade do Espírito, mas que não posso desenvolver aqui porque não vos estou dando um curso de Espiritismo. Eu me limitarei a dizer que as afinidades fluídicas, que são o próprio principio das faculdades mediúnicas, são individuais e não gerais, e que podem existir do médium para tal Espírito e não a tal outro; que sem essas afinidades, cujas nuances são muito diversificadas, as comunicações são incompletas, falsas ou impossíveis; que, o mais freqüentemente, a assimilação fluídica entre o Espírito e o médium não se estabelece senão com o tempo, é que não ocorre, uma vez em dez, que ela seja completa desde a primeira vez. Como verdes, senhor, a mediunidade está subordinada a leis, de alguma sorte orgânicas, às quais todo médium está sujeito.
Ora, não se pode negar que isso não seja um escolho para a mediunidade profissional, uma vez que a possibilidade e a exatidão das comunicações prendem-se a causas independentes do médium e do Espírito (ver adiante, cap. II, parágrafo Dos Médiuns)
Se, pois, repetimos a exploração da mediunidade, não é nem por capricho nem por espírito de sistema, mas porque os próprios princípios que regem as comunicações com o mundo invisível se opõem à regularidade e à precisão necessárias para aquele que se coloca à disposição do público, e que o desejo de satisfazer a uma clientela pagante conduz ao abuso. Disso não concluo que todos os médiuns interesseiros são charlatães, mas digo que o interesse de ganho conduz ao charlatanismo e autoriza a suposição de fraude se não a justifica. Aquele que quer se convencer deve, antes de tudo, procurar os elementos da sinceridade.
(continua amanhã)
segunda-feira, 22 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPÍTULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
OS MÉDIUNS INTERESSEIROS
Quinta Parte
VISITANTE – tudo isso é muito lógico, eu convenho, mas os médiuns desinteressados não estão a disposição dos que os buscam, e não é justo desviá-los do seu trabalho, enquanto que não se teria escrúpulos de procurar aqueles que se fazem pagar, porque se sabe não fazê-los perder seu tempo. Se houvesse médiuns públicos, seria mais fácil para as pessoas que querem se convencer.
A.K. – Mas se os médiuns públicos, como os chamais, não oferecem as garantias desejadas, que utilidade podem ter a convicção? O inconveniente que assinalais não destrói aqueles bem mais graves a que me referi, ir-se-ia até eles mais por divertimento ou para tirar a sorte, que para se instruir. Aquele que quer, seriamente, se convencer encontra, cedo ou tarde, os meios para isso, se tem perseverança e boa vontade. Mas não é porque assistiu a uma sessão que se convencerá, se para isso não está preparado. Se ela lhe dá uma impressão desfavorável, ficará pior que antes e talvez desanimado de continuar um estudo no qual nada viu de sério, isso é o que prova a experiência.
Mas ao lado das considerações morais, os progressos da ciência espírita nos mostram hoje uma dificuldade material que não supusemos no inicio, fazendo-nos conhecer melhor as condições sob as quais se produzem as manifestações. Essa dificuldade diz respeito às afinidades fluídicas que devem existir entre o Espírito evocado e o médium.
(continua amanhã)
domingo, 21 de junho de 2009
CAPÍTULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
OS MÉDIUNS INTERESSEIROS
Quarta Parte
(continua amanhã)
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO
OS MÉDIUNS INTERESSEIROS
Terceira Parte
A.K. – Em primeiro lugar, é no interesse da causa que ele o faz ou é no seu próprio interesse? Se mudou a sua posição, é que não estava satisfeito e que esperava ganhar mais ou ter menos trabalho nesse novo ofício. Não há nenhum devotamento em dar seu tempo quando é para dele tirar proveito. É como se se dissesse que o padeiro fabrica o pão no interesse da Humanidade. A mediunidade não é o único recurso; sem ela eles seriam obrigados a ganharem a vida de outra maneira. Os médiuns verdadeiramente sérios e devotados, quando não tem uma existência independente, procuram os meios de vida em seu trabalho normal, e não mudam sua posição. Eles não consagram a mediunidade senão o tempo que podem dar-lhe sem prejuízo e se o tomam do seu lazer ou do seu repouso, espontaneamente, então são devotados e se os estima e respeita mais por isso.
A mediunidade de médiuns nas famílias, aliás, torna os médiuns profissionais inúteis, mesmo supondo-se que eles oferecem todas as garantias desejáveis, o que é muito raro. Sem o descrédito que se atribui a esse gênero de exploração, do qual me felicito de ter contribuído grandemente, ver-se-ia pularem os médiuns mercenários e os jornais se cobrirem dos seus anúncios. Ora, para um que tivesse podido ser leal, haveria cem charlatães que, abusando de uma faculdade real ou simulada, teriam feito o maior mal ao Espiritismo. É, pois, como principio que todos aqueles que vêem no Espiritismo alguma coisa além de exibição de fenômenos curiosos, que compreendem e estimam a dignidade, a consideração e os verdadeiros interesses da doutrina, reprovam toda espécie de especulação, sob qualquer forma ou disfarce que ela se apresente. Os médiuns sérios e sinceros, e eu dou esse nome àqueles que compreendem a santidade do mandato que DEUS confiou, evitam até na aparência o que poderia fazer pairar sobre eles a menor suspeita de cupidez. A acusação de tirar um proveito qualquer de sua faculdade seria para eles uma injúria.
(continua amanhã)
terça-feira, 16 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO
OS MÉDIUNS INTERESSEIROS
Segunda Parte
A natureza da faculdade mediúnica se opõe, pois, a que ela se torne uma profissão, uma vez que depende de uma vontade estranha ao médium, e ela poderia faltar-lhe no momento que dela tivesse necessidade, a menos que ele a supra pela agilidade. Mas, em se admitindo mesmo uma inteira boa fé, desde que os fenômenos não se obtém à vontade, seria um efeito do acaso se, na sessão que se tivesse pago, se produzisse precisamente aquilo que se desejaria para se convencer. Daríeis cem mil francos a um médium e na o faríeis obter dos Espíritos o que estes não quisessem fazer. Essa paga, que desnaturaria a intenção e a transformaria em um violento desejo de lucro, seria mesmo, ao contrário, um motivo para que este não tivesse sucesso. Se se está bem compenetrado dessa verdade, que a afeição e a simpatia são as mais poderosas motivações de atração dos Espíritos compreender-se-ia que eles não podem ser solicitados com o pensamento de os usarem para ganhar dinheiro.
Aquele, pois, que tem necessidade de fatos para se convencer, deve provar aos Espíritos sua boa vontade por uma observação séria e paciente, se quer por eles ser secundado. Mas, se é verdadeiro que a fé não se impõe, não o é menos dizer-se que ela não se compra.
VISITANTE – Eu compreendo esse raciocínio sob o ponto de vista moral; entretanto, não é justo que aquele que dá seu tempo no interesse de seu ideal, dele seja indenizado, se isso o impede de trabalhar para viver?
(continua amanhã)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
OS MÉDIUNS INTERESSEIROS
Primeira Parte
VISITANTE – Antes de se entregarem a um estudo de fôlego, certas pessoas gostariam de ter certeza de não perderem o seu tempo, certeza que lhes daria um fato concludente, mesmo obtido ao preço do dinheiro.
A.K. – Naquele que não quer se ao trabalho de estudar, há mais de curiosidade que o desejo real de se instruir. Ora, os Espíritos não gostam mais de curiosos que eu próprio. Aliás, a cupidez lhes é, sobretudo, antipática, e eles não se prestam a nada que possa satisfazê-la. Seria preciso ter deles uma idéia bem errada para crer que os Espíritos superiores, como Fenelon, Bossuet, Pascal, Santo Agostinho, por exemplo, se colocassem às ordens do primeiro que os solicitasse, a tanta por hora. Não, senhor, as comunicações de além-túmulo são uma coisa muito grave e exigem muito respeito, para servirem de exibição.
Aliás, sabemos que os fenômenos espíritas não se desenrolam como as engrenagens de um mecanismo, uma vez que dependem da vontade dos Espíritos. Mesmo admitindo-se a aptidão medianímica, ninguém pode responsabilizar-se de obtê-los em tal momento dado. Se os incrédulos são levados a suspeitarem da boa fé dos médiuns em geral, seria bem pior se estes tivessem um estimulante interesse; poder-se-ia suspeitar, com todo direito, que o médium retribuiria com simulação, porque ele precisaria, antes de tudo, ganhar seu dinheiro. Não somente o desinteresse absoluto é a melhor garantia de sinceridade, como repugnaria à razão evocar a peso de ouro os Espíritos de pessoas que nos são caras, supondo que eles a isso consentissem, o que é mais que duvidoso. Não haveria, em todos os casos, senão espíritos inferiores, pouco escrupulosos quanto aos meios, e que não mereceriam nenhuma confiança. Estes mesmo, ainda, freqüentemente, agem com um prazer maldoso, frustrando as combinações e os caçulos de seus evocadores.
(continua amanhã)
domingo, 14 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Quarta Parte
Seria, pois, um erro crer-se que todo Espírito pode atender ao apelo que lhe é feito e se comunicar pelo primeiro médium que encontra. Para que um Espírito se comunique, é preciso primeiro que lhe convenha fazê-lo; em segundo lugar, que sua posição ou suas ocupações lhe permitam; em primeiro lugar, que ele encontre no médium um instrumento propicio à sua natureza.
Em principio, pode-se comunicar com os Espíritos de todas as ordens, com seus parentes e seus amigos, com os Espíritos mais elevados, como com os mais vulgares. Mas, independentemente das condições individuais de possibilidade, eles vêm mais ou menos voluntariamente segundo as circunstâncias e, sobretudo, em razão de sua simpatia pelas pessoas que os chamam, e não pela requisição da primeira pessoa que tenha a fantasia de evocá-los por um sentimento de curiosidade; em caso semelhante eles não se importariam quando vivos e não o fazem mais depois da sua morte.
Os Espíritos sérios não vêm senão nas reuniões sérias, onde são chamados com recolhimento e por motivos sérios. Eles não se prestam a nenhuma questão de curiosidade, de prova, ou tendo um objetivo fútil; nem a alguma experiência.
Os Espíritos levianos vão por toda parte; mas nas reuniões sérias se calam e se afastam para escutar, como faria um escolar em uma douta assembléia. Nas reuniões frívolas eles se divertem, distraem-se com tudo e, freqüentemente, zombam dos assistentes, e respondem a todos sem se inquietarem com a verdade.
Os Espíritos ditos batedores, e geralmente todos aqueles que produzem manifestações físicas, são de uma ordem inferior, sem, por isso, serem essencialmente maus; eles têm uma aptidão de alguma sorte especial para os efeitos materiais. Os Espíritos superiores não se ocupam dessas coisas que nossos sábios de fazerem exibição de força; se disso tem necessidade, servem-se desses Espíritos de ordem inferior, como nós nos servimos de serviçais para o trabalho pesado.
(continua amanhã)
sábado, 13 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Terceira Parte
VISITANTE – O procedimento me parece dos mais simples. Ser-me-ia possível experimentá-lo em mesmo?
A.K. – Perfeitamente: eu digo mesmo que se estiverdes dotado da faculdade medianímica, esse seria o melhor meio de vos convencer, porque não poderíeis duvidar de vossa boa fé. Só que vos exorto vivamente a não tentar nenhum ensaio antes de ter estudado com atenção. As comunicações de além-túmulo estão cercadas de mais dificuldades do que se pensa; elas não estão isentas de inconvenientes, e mesmo de perigo, para aqueles a quem falta à experiência necessária. Ocorre aqui como ao que quisesse fazer manipulações químicas sem saber química: correria o risco de queimar os dedos.
VISITANTE – Há algum indício pelo qual se possa reconhecer essa aptidão?
A.K – Até o presente não se conhece nenhum diagnóstico para a mediunidade; todos os que se acreditou reconhecer, não tem nenhum valor. Ensaiar é o único meio de saber se se é dotado. De resto, os médiuns são muito numerosos e é muito raro que, quando não sejamos, que não encontremos entre os membros da família e das pessoas que nos cercam. O sexo, a idade e o temperamento são indiferentes; são encontrados entre os homens e entre as mulheres, as crianças e os velhos, as pessoas que se portam bem e as que estão doentes.
Se a mediunidade se traduzisse por um sinal exterior qualquer, isso implicaria na permanência da faculdade, ao passo que ela é essencialmente móvel e fugidia. Sua causa física está na assimilação, mais ou menos fácil, dos fluidos perispirituais do encarnado e do Espírito desencarnado. Sua causa moral está na vontade do Espírito que se comunica quando isso lhe apraz, e não na nossa vontade, do que resulta, em primeiro lugar, que todos os Espíritos não podem se comunicar indiferentemente por todos os médiuns e, em segundo lugar, que todo médium pode perder ou ter suspensa sua faculdade no momento em que menos o espera. Essas poucas palavras bastam para vos mostrar que há todo um estudo a fazer para poder se inteirar das variações que esse fenômeno apresenta.
(continua amanhã)
sexta-feira, 12 de junho de 2009
DOMINE sua agitação!
Só as criaturas calmas podem ser totalmente eficientes.
A agitação cansa e produz tudo mal feito.
A pressa é inimiga da perfeição.
A calma é o segredo daqueles que realizam tudo bem feito.
Quanto mais trabalho, maior deve ser a nossa calma.
Domine sua agitação, permaneça sereno, e tudo lhe sairá bem.
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Segunda Parte
Os Espíritos se manifestam ainda, e podem transmitir seus pensamentos, por sons articulados que repercutem, seja no vago do ar, seja no ouvido, pela voz do médium, pela vista, por desenhos, pela música e por outros meios que um estudo completo faz conhecer. Os médiuns têm, para esses diferentes meios, aptidões especiais que se prendem ao seu organismo. Temos, assim, os médiuns de efeitos físicos, quer dizer, os que estão aptos a produzir fenômenos materiais como as pancadas, o movimento dos corpos, etc.; os médiuns audientes, falantes, videntes, desenhistas, musicistas, escreventes. Esta última faculdade é a mais comum e se desenvolve pelo exercício; é também a mais preciosa, pois é a que permite comunicações mais freqüentes e mais rápidas.
O médium escrevente apresenta numerosas variedades, das quais muito distintas. Para entendê-las é preciso inteirar-se da maneira pela qual se opera o fenômeno. O Espírito, algumas vezes, age diretamente sobre a mão do médium à qual imprime um impulso, independentemente da sua vontade, e sem que este tenha consciência do que escreve: é o médium escrevente mecânico. Outras vezes o Espírito age sobre o cérebro; seu pensamento atravessa o do médium que, então, embora escrevendo de uma maneira involuntária, tem uma consciência mais ou menos nítida do que obtém; é o médium intuitivo. Seu papel é exatamente o de um intérprete que transmite um pensamento que não é o seu e que, todavia, deve compreender. Ainda que, neste caso, o pensamento do Espírito e o do médium se confunda algumas vezes, a experiência ensina a distingui-los facilmente. Obtêm-se, igualmente, boas comunicações por esses dois gêneros de médiuns; a vantagem dos que são mecânicos é, sobretudo, para as pessoas que ainda não estão convencidas. De resto, a qualidade essencial de um médium está na natureza dos Espíritos que o assistem e nas comunicações que ele recebe, bem mais que os meios de execução.
(continua amanhã)
quinta-feira, 11 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
MEIOS DE COMUNICAÇÃO
PRIMEIRA PARTE
VISITANTE – Falastes de meios de comunicação; poderíeis dar-me uma idéia deles, porque é difícil compreender como esses seres invisíveis podem conversar conosco?
A.K. – De bom grado, todavia, o farei ligeiramente porque isso exigiria um desenvolvimento muito grande, que encontrareis notadamente em “O Livro dos Médiuns”. Mas o pouco que vos direi bastará para vos colocar a par do mecanismo e servirá, sobretudo, para compreenderdes melhor algumas experiências às quais poderíeis assistir até vossa iniciação completa.
A existência desse envoltório semi-material, ou perispírito, é já uma chave que explica muitas coisas e mostra a possibilidade de certos fenômenos. Quanto aos meios, eles são muito variados e dependem, seja da natureza mais ou menos depurada dos Espíritos, seja das disposições particulares às pessoas que lhes servem de intermediárias. O mais vulgar, aquele que se pode dizer universal, consiste na intuição, quer dizer, nas idéias e pensamentos que eles nos sugerem, mas esse meio é muito pouco apreciável na generalidade dos casos. Há outros mais materiais.
Certos Espíritos se comunicam por pancadas, respondendo por sim ou por não, ou designando as letras que devem formar palavras. As pancadas podem ser obtidas pelo movimento basculante de um objeto, de uma mesa, por exemplo, que bate o pé. Freqüentemente, eles se fazem ouvir na própria substância dos corpos, sem movimentos destes. Esse modo primitivo é demorado e dificilmente se presta ao desenvolvimento de idéias de uma certa extensão. A escrita a substituiu, obtendo-se esta de diferentes maneiras. Primeiro serviu-se, e algumas vezes se usa ainda, de um objeto móvel, como uma pequena prancheta, uma cesta, uma caixa, à qual se adapta um lápis cuja ponta repousa sobre o papel. A natureza e a substância do objeto são diferentes. O médium coloca as mãos sobre esse objeto, transmitindo-lhe a influência que recebe do Espírito, e o lápis traça os caracteres. Mas esse objeto não é, propriamente falando, senão um apêndice da mão, uma espécie deporta-lápis. Reconheceu-se depois a inutilidade desse intermediário, que é apenas uma complicação do processo, cujo único mérito é de constatar, de uma maneira material, a independência do médium, que pode escrever tomando ele próprio o lápis.
(continua amanhã)
quarta-feira, 10 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
MEIOS DE COMUNICAÇÃO
PRIMEIRA PARTE
VISITANTE – Falastes de meios de comunicação; poderíeis dar-me uma idéia deles, porque é difícil compreender como esses seres invisíveis podem conversar conosco?
A.K. – De bom grado, todavia, o farei ligeiramente porque isso exigiria um desenvolvimento muito grande, que encontrareis notadamente em “O Livro dos Médiuns”. Mas o pouco que vos direi bastará para vos colocar a par do mecanismo e servirá, sobretudo, para compreenderdes melhor algumas experiências às quais poderíeis assistir até vossa iniciação completa.
A existência desse envoltório semi-material, ou perispírito, é já uma chave que explica muitas coisas e mostra a possibilidade de certos fenômenos. Quanto aos meios, eles são muito variados e dependem, seja da natureza mais ou menos depurada dos Espíritos, seja das disposições particulares às pessoas que lhes servem de intermediárias. O mais vulgar, aquele que se pode dizer universal, consiste na intuição, quer dizer, nas idéias e pensamentos que eles nos sugerem, mas esse meio é muito pouco apreciável na generalidade dos casos. Há outros mais materiais.
Certos Espíritos se comunicam por pancadas, respondendo por sim ou por não, ou designando as letras que devem formar palavras. As pancadas podem ser obtidas pelo movimento basculante de um objeto, de uma mesa, por exemplo, que bate o pé. Freqüentemente, eles se fazem ouvir na própria substância dos corpos, sem movimentos destes. Esse modo primitivo é demorado e dificilmente se presta ao desenvolvimento de idéias de uma certa extensão. A escrita a substituiu, obtendo-se esta de diferentes maneiras. Primeiro serviu-se, e algumas vezes se usa ainda, de um objeto móvel, como uma pequena prancheta, uma cesta, uma caixa, à qual se adapta um lápis cuja ponta repousa sobre o papel. A natureza e a substância do objeto são diferentes. O médium coloca as mãos sobre esse objeto, transmitindo-lhe a influência que recebe do Espírito, e o lápis traça os caracteres. Mas esse objeto não é, propriamente falando, senão um apêndice da mão, uma espécie deporta-lápis. Reconheceu-se depois a inutilidade desse intermediário, que é apenas uma complicação do processo, cujo único mérito é de constatar, de uma maneira material, a independência do médium, que pode escrever tomando ele próprio o lápis.
(continua amanhã)
terça-feira, 9 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPIRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
ORIGEM DAS IDÉIAS ESPÍRITAS MODERNAS
Terceira Parte
Que eram os habitantes desse mundo? Eram seres à parte, fora da Humanidade? Eram bons ou maus? Foi ainda a experiência que se encarregou de resolver essas questões. Mas, até que numerosas observações deitaram luz sobre esse assunto, o campo das conjecturas e dos sistemas estava aberto, e DEUS sabe quantas surgiram! Alguns acreditaram serem os Espíritos superiores a tudo, outros não viam neles senão demônios. Foi por suas palavras e seus atos que se pôde julgá-los. Suponhamos que entre os habitantes transatlânticos desconhecidos, dos quais falamos, uns tivessem dito coisas boas, enquanto outros fossem notados pelo cinismo de sua linguagem, ter-se-ia concluído que haveria bons e maus. Foi a isso que se chegou com os Espíritos, reconhecendo-se entre eles todos os graus de bondade e de maldade, de ignorância e de saber. Uma vez sabedores dos seus defeitos e qualidades, cabe à nossa prudência distinguir o bom do mau, o verdadeiro do falso em suas relações conosco, absolutamente como nós fazemos com respeito aos homens.
A observação não só nos esclareceu sobre as qualidades morais dos Espíritos, mas também sobre sua natureza e sobre o que poderíamos chamar seu estado fisiológico. Soube-se, pelos próprios Espíritos, que uns são muito felizes e outros muito infelizes; que eles não são seres à parte, de uma natureza excepcional, mas que são almas daqueles que viveram sobre a Terra, onde deixaram seu envoltório corporal, que povoam os espaços, nos cercam e nos acotovelam sem cessar, e, entre eles, cada um pôde reconhecer, por sinais incontestáveis, seus parentes, seus amigos e aqueles que conheceram neste mundo. Pôde-se segui-los em todas as fases de sua existência de além túmulo, desde o instante em que deixaram seus corpos, e observar sua situação segundo o gênero de morte e a maneira pela qual viveram sobre a Terra. Soube-se, enfim, que não são seres abstratos, imateriais, no sentido absoluto da palavra, eles têm um envoltório, ao qual demos o nome de perispírito, espécie de corpo fluídico, vaporoso, diáfano, invisível em seu estado normal, mas que, em certos casos, e por uma espécie de condensação ou de disposição molecular pode tornar-se momentaneamente visível e mesmo tangível e, desde então, foi explicado o fenômeno das aparições e dos toques sobre elas. Esse envoltório existe durante a vida do corpo e é o laço entre o Espírito e a matéria; na morte do corpo, a alma ou o Espírito, o que são a mesma coisa, não se despoja senão do envoltório grosseiro, conservando o segundo, como quando nós tiramos uma roupa de cima para conservar apenas a de baixo, como o germe de um fruto se despoja do envoltório cortical e não conserva senão o perisperma. É esse envoltório semi-material do Espírito o agente dos diferentes fenômenos por meio do qual ele manifesta sua presença.
Tai é, em poucas palavras, senhor, a história do Espiritismo; vedes e o reconhecereis ainda melhor, quando o tiverdes estudado a fundo, que tudo nele é o resultado da observação e não de um sistema preconcebido.
(continua amanhã)
segunda-feira, 8 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPIRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
ORIGEM DAS IDÉIAS ESPÍRITAS MODERNAS
Segunda Parte
Fenômenos espontâneos se produziram, tais os ruídos estranhos, pancadas, movimento de objetos, etc., sem causa ostensiva conhecida, e esses fenômenos puderam ser reproduzidos sob a influência de certas pessoas. Até ai nada autorizava a procurar a causa além da ação de um fluido magnético ou outro cujas propriedades eram ainda desconhecidas. Mas não se tardou em reconhecer, nesses ruídos e nesses movimentos, um caráter intencional e inteligente, do que se concluiu, como já disse, que: se todo efeito de uma causa, todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Essa inteligência não poderia estar no próprio objeto, porque a matéria não é inteligente. Era o reflexo da Inteligência da pessoa ou das pessoas presentes? Assim se pensou primeiro, como eu disse igualmente. Só a experiência poderia se pronunciar, e a experiência demonstrou, por provas irrecusáveis, em muitas circunstâncias, a completa independência dessa inteligência. Ela estava, pois, fora do objeto e fora da pessoa. Quem era ela? Foi ela mesma quem respondeu, declarando pertencer à ordem de seres incorpóreos, designados sob o nome de Espíritos, pois, não preexistiu nem foi mesma consecutiva; em uma palavra, ela não saiu do cérebro, mas foi dada pelos próprios Espíritos, e tudo o que soubemos depois a seu respeito, foram eles que nos ensinaram.
Uma vez revelada a existência dos Espíritos e estabelecidos os meios de comunicação, pôde-se ter conversações seguidas e obter esclarecimentos sobre a natureza desses seres, as condições da sua existência, seu papel no mundo visível. Se se pudesse interrogar assim os seres do mundo dos infinitamente pequenos, que coisas curiosas não se aprenderia sobre eles!
Supondo-se que, antes do descobrimento da América, existisse um fio elétrico através do Atlântico, e que na sua extremidade européia fossem notados sinais inteligentes se poderia concluir que, na outra extremidade, havia seres inteligentes procurando se comunicar; ter-se-ia podido questioná-los, e eles teriam respondido. Adquirir-se-ia assim, a certeza da sua existência, o conhecimento de seus costumes, dos seus hábitos, da sua maneira de ser, sem jamais tê-los visto. Ocorre o mesmo nas relações com o mundo invisível; as manifestações materiais foram como sinais, meios de advertências, que nos colocaram na trilha de comunicações mais regulares e mais continuadas. E, coisa notável, à medida que os meios mais fáceis de comunicação estão à nossa disposição, os Espíritos abandonaram os meios primitivos, insuficientes e incômodos, como o mudo que recupera a palavra e renuncia à linguagem dos sinais.
(continua amanha)
domingo, 7 de junho de 2009
O QUE É O ESPIRITISMO
CAPITULO PRIMEIRO
PEQUENA CONFERÊNCIA ESPIRITA
SEGUNDO DIÁLOGO – O CÉPTICO
ORIGEM DAS IDÉIAS ESPÍRITAS MODERNAS
Primeira Parte
VISITANTE – Uma coisa que eu desejaria saber, senhor, é o ponto de partida das idéias espíritas modernas; elas são o resultado de uma revelação espontânea dos Espíritos ou o resultado de uma crença anterior à sua existência? Compreendeis a importância da minha pergunta, porque, neste último caso, poder-se-ia crer que a imaginação não pode ser posta de lado.
A.K. – Esta questão, senhor, como o dissestes, é importante neste ponto de vista, embora seja difícil admitir-se, supondo-se que essas idéias tenham nascido de uma crença antecipada, que a imaginação tenha podido produzir todos os resultados materiais observados. Com efeito, se o Espiritismo estivesse baseado sobre o pensamento preconcebido da existência dos Espíritos, poder-se-ia, com alguma aparência de razão, duvidar da sua realidade, porque se a causa é uma quimera, as próprias conseqüências devem ser quiméricas. Mas as coisas não se passam assim.
Anotai primeiro que essa seqüência seria completamente ilógica. Os Espíritos são causa e não efeito; quando se vê um efeito, pode-se procurar a sua causa, mas não é natural imaginar uma causa antes de ter visto os efeitos. Não se poderia, pois, conceber o pensamento dos Espíritos se não estivessem presentes os efeitos que encontrassem sua explicação provável na existência de seres invisíveis. Pois bem, não foi assim que esse pensamento surgiu, quer dizer, não foi uma hipótese imaginada para explicar certos fenômenos; a primeira suposição que se fez deles foi de uma causa inteiramente material. Assim, longe de os Espíritos terem sido uma idéia preconcebida, partiu-se do ponto de vista materialista, o qual sendo incapaz de tudo explicar, a própria observação conduziu à causa espiritual. Eu falo das idéias espíritas modernas, uma vez que nós sabemos ser essa crença tão velha quanto o mundo. Eis aqui a seqüência das coisas.
(continua amanhã)