terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MOMENTO DE REFLEXÃO



SOMBRAS DO PASSADO

Vovó não aguento mais a minha mãe. Parece que ela não gosta de mim. Proibi-me de tudo, até de sair com meus colegas. Chegou ao cúmulo de querer ir à casa de uma amiga minha, para conversar com os pais dela, só porque disse que íamos para um aniversario e dormiria na casa dela.
Calma minha filha, ela só quer o seu bem.
Como o bem vovó? Ela não tem confiança em mim e quer levar-me ao ridículo. Já fiz quinze anos e tenho colegas de treze e quatorze anos que vão para onde querem e, sabe por quê? Os seus pais tem confiança nelas. A mamãe quer criar-me como foi criada.
E você acha que ela não foi bem criada?
Não é isso vovó, os tempos mudaram. Não estamos mais nos anos sessenta. Falta um pouco mais de um ano para entrarmos no terceiro milênio.
Minha neta, os anos passam, as modas mudam, mas o bom caráter e a boa moral, não.
Vovó é ridículo, toda vez que peço para sair à noite, com meus colegas.
Ela diz que só deixa se for junto. Já pensou eu chegar a um Barzinho com a minha mãe a tiracolo? Ia ser gozada o resto da vida. 

Você precisa entender a sua mãe. Converse com ela, uma conversa franca, sem pré julgamento. Garanto que, depois dela expor as suas razões, você a entenderá.
Acho muito difícil haver um diálogo entre nós. Ela não aceita o meu conceito de vida e eu não aceito o seu modo repreensivo de criação.
Carol prometo que irei falar com ela a seu respeito. Agora, conte-me como vai no novo Colégio? Os colegas são bons? E nas matérias, você está tendo dificuldades? 
Não vai adiantar nada a senhora falar com a mamãe. Acho que ela tem algum trauma de infância. Provavelmente, foi muito reprimida pela minha avó e, agora, está indo a forra contra mim. O colégio e os alunos são iguais ao anterior. Não adianta trocar de colégio, professores e colegas, o meu ideal não muda. Preciso, literalmente, de liberdade, para poder ter condições de escolher o que é melhor para mim. Não uma liberdade vigiada, ou melhor, policiada, como no tempo da Ditadura.
Caroline tinha quinze anos. Filha de Ronaldo e Maria Aparecida, que tinham mais um filho, Rodrigo, atualmente, com vinte e um anos e no quarto ano de Medicina.
 Rodrigo nunca dera trabalho aos pais, tanto nos estudos como na sua vida particular, inclusive na adolescência.
Carol, ao contrario, estava deixando os pais de cabelos brancos. Estava na sexta série há dois anos e andando com uma turma, do Colégio, nada recomendável. Para tentar mudar a situação, sua mãe, D. Cida, a transferiu para um Colégio mais rígido e administrado por Freiras. Todavia, quanto às amizades parece não ter dado resultado positivo. Carol continua saindo com os colegas do antigo Colégio.
O relacionamento entre mãe e filha era o pior possível. Não conseguiam conversar sem discutir. A cada dia o diálogo ficava mais difícil.
Ronaldo, executivo de uma Empresa Multinacional, devido a reuniões e viagens, passava pouco tempo em casa. A responsabilidade da casa e educação dos filhos, praticamente, ficava a cargo exclusivo da Cida.
Ronaldo e Cida formavam um casal feliz e amavam-se muito. Porém, há dois anos, a vida do casal estava tornando-se insuportável. Ronaldo fora promovido a gerente da filial do Brasil, cargo que lhe trouxe mais prestigio, privilégios, aumento de salário e poder.
(Primeira, Segunda e Terceira pagina do Livro SOMBRAS DO PASSADO)

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