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Na presença do amor
“Aquele que ama a seu irmão está na luz e nele não há
escândalo.” João. (1ª Epístola de João, 2:10.)
Quem ama o próximo sabe, acima de tudo, compreender. E quem
compreende sabe livrar os olhos e os ouvidos do venenoso visco do escândalo, a
fim de ajudar, ao invés de acusar ou desservir.
É necessário trazer o coração sob a luz da verdadeira fraternidade,
para reconhecer que somos irmãos uns dos outros, filhos de um só Pai.
Enquanto nos demoramos na escura fase do apego exclusivo a
nós mesmos, encarceramo-nos no egoísmo e exigimos que os outros nos amem. Nesse
passo infeliz, não sabemos querer senão a nós próprios, tomando os semelhantes
por instrumentos de nossa satisfação.
Mas se realmente amamos o companheiro de caminho, a paisagem
de vida se modifica, de vez que a claridade do amor nos banhará a visão.
Ama, pois, e assim como a lama jamais ofende a luz, a ofensa
não mais te alcançará.
Saberás que a miséria é fruto da ignorância e auxiliarás a
vítima do mal, nela encontrando o próprio irmão necessitado de apoio e
entendimento.
Aprenderás a ouvir sem revolta, ainda mesmo que o crime te
procure os ouvidos, e cultivarás a ajuda ao adversário, ainda mesmo quando te
vejas dilacerado, porque o perdão com esquecimento absoluto dos golpes recebidos
surgirá espontâneo em teu espírito, assim como a tolerância aparece natural na
fonte que acolhe no próprio seio as pedras que lhe atiram.
Ama e compreenderás.
Compreende e servirás sempre mais cada dia, porque então
permanecerás sob a glória da luz, inacessível a qualquer incursão das trevas.
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Na luta vulgar
“Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.”
– Paulo. (Gálatas, 6:7.)
Não é preciso morrer na carne para conhecer a lei das compensações.
Reparemos a luta vulgar.
O homem que vive na indiferença pelas dores do próximo,
recebe dos semelhantes a indiferença pelas dores que lhe são próprias.
Afastemo-nos do convívio social e a solidão deprimente será
para nós a resposta do mundo.
Se usamos severidade para com os outros, seremos julgados
pelos outros com rigor e aspereza.
Se praticamos em sociedade ou em família a hostilidade e a
aversão, entre parentes e vizinhos encontraremos a antipatia e a desconfiança.
Se insultamos nossa tarefa com a preguiça, nossa tarefa relegar-nos-á
à inaptidão.
Um gesto de carinho para com o desconhecido na via pública
granjear-nos-á o concurso fraterno dos grupos anônimos que nos cercam.
Pequeninas sementeiras de bondade geram abençoadas fontes de
alegria.
O trabalho bem vivido produz o tesouro da competência.
Atitudes de compreensão e gentileza estabelecem solidariedade
e respeito, junto de nós.
Otimismo e esperança, nobreza de caráter e puras intenções atraem
preciosas oportunidades de serviço, em nosso favor.
Todo dia é tempo de semear.
Todo dia é tempo de colher.
Não é preciso atravessar a sombra do túmulo para encontrar a
justiça, face a face. Nos princípios de causa e efeito, achamo-nos
incessantemente sob a orientação dela, em todos os instantes de nossa vida.
CONTINUA AMANHÃ
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