71
Aproveita
“Se alguém diz: – eu amo a Deus, e aborrece a seu
irmão, é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, ao qual viu, como pode amar
a Deus, a quem não viu?” – (1ª Epístola de João, 4:20.)
A vida é processo de crescimento da alma ao encontro da
Grandeza Divina.
Aproveita as lutas e dificuldades da senda para a expansão de
ti mesmo, dilatando o teu círculo de relações e de ação.
Aprendamos para esclarecer.
Entesouremos para ajudar.
Engrandeçamo-nos para proteger.
Eduquemo-nos para servir.
Com o ato de fazer e dar alguma coisa, a alma se estende
sempre mais além...
Guardando a bênção recebida para si somente, o espírito, muitas
vezes, apenas se adorna, mas, espalhando a riqueza de que é portador, cresce
constantemente.
Na prestação de serviço aos semelhantes, incorpora-se,
naturalmente, ao coro das alegrias que provoca.
No ensinamento ao aprendiz, liga-se aos benefícios da lição.
Na criação das boas obras, no trabalho, na virtude ou na
arte, vive no progresso, na santificação ou na beleza com que a experiência
individual e coletiva se alarga e aperfeiçoa.
Na distribuição de pensamentos sadios e elevados, converte-se
em fonte viva de graça e contentamento para todos.
No concurso espontâneo, dentro do ministério do bem, une-se à
prosperidade comum.
Dá, pois, de ti mesmo, de tuas forças e recursos, agindo sem
cessar, na instituição de valores novos, auxiliando os outros, a benefício de
ti mesmo.
O mundo é caminho vasto de evolução e aprimoramento, onde
transitam, ao teu lado, a ignorância e a fraqueza.
Aproveita a gloriosa oportunidade de expansão que a esfera
física te confere e ajuda a quem passa, sem cogitar de pagamento de qualquer
natureza.
Se buscas o Pai, ajuda ao teu irmão, amparando-vos
reciprocamente, porque, segundo a palavra iluminada do evangelista, “se alguém
diz: – eu amo a Deus, e aborrece o semelhante, é mentiroso, pois quem não ama o
companheiro com quem convive, como pode amar a Deus, a quem ainda não conhece?”
72
Incompreensão
“Fiz-me fraco para os fracos, para ganhar os fracos.
Fiz-me tudo para todos para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.” –
Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 9:22.)
A incompreensão, indiscutivelmente, é assim como a treva
perante a luz, entretanto, se a vocação da claridade te assinala o íntimo,
prossegue combatendo as sombras, nos menores recantos de teu caminho.
Não te esqueças, porém, da lei do auxílio e observa-lhe os
princípios, antes da ação.
Descer para ajudar é a arte divina de quantos alcançaram
conscienciosamente a vida mais alta.
A luz ofuscante produz a cegueira.
Se as estrelas da sabedoria e do amor te povoam o coração,
não humilhes quem passa sob o nevoeiro da ignorância e da maldade.
Gradua as manifestações de ti mesmo para que o teu socorro
não se faça destrutivo.
Se a chuva alagasse indefinidamente o deserto, a pretexto de
saciar-lhe a sede, e se o Sol queimasse o lago, sem medida, com a desculpa de
subtrair-lhe o barro úmido, nunca teríamos clima adequado à produção de
utilidades para a vida.
Não te faças demasiado superior diante dos inferiores ou
excessivamente forte perante os fracos.
Das escolas não se ausentam todos os aprendizes, habilitados
em massa, e sim alguns poucos cada ano.
Toda mordomia reclama noção de responsabilidade, mas exige
também o senso das proporções.
Conserva a energia construtiva do exemplo respeitável, mas
não olvides que a ciência de ensinar só triunfa integralmente no orientador que
sabe amparar, esperar e repetir.
Não clames, pois, contra a incompreensão, usando inquietude e
desencanto, vinagre e fel.
Há méritos celestiais naquele que desce ao pântano sem
contaminar-se, na tarefa de salvação e reajustamento.
O bolo de matéria densa reveste-se de lodo, quando
arremessado ao poço lamacento, todavia, o raio de luz visita as entranhas do
abismo e dele se retira sem alterar-se.
Que seria de nós se Jesus não houvesse apagado a própria
claridade, fazendo-se à semelhança de nossa fraqueza, para que lhe testemunhássemos
a missão redentora? Aprendamos com ele a descer, auxiliando sem prejuízo de nós
mesmos.
E, nesse sentido, não podemos esquecer a expressiva
declaração de Paulo de Tarso quando afirma que, para a vitória do bem, se fez
fraco para os fracos, fazendo-se tudo para todos, a fim de, por todos os meios,
chegar a erguer alguns.
CONTINUA AMANHÃ
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