27
Destruição e miséria
“Em seus caminhos há destruição e miséria.” Paulo.
(Romanos, 3:16.)
Quando o discípulo se distancia da confiança no Mestre e se
esquiva à ação nas linhas do exemplo que o seu divino apostolado nos legou,
preferindo a senda vasta de infidelidade à própria consciência, cava, sem perceber,
largos abismos de destruição e miséria por onde passa.
Se cristaliza a mente na ociosidade, elimina o bom ânimo no
coração dos trabalhadores que o cercam e estrangula as suas próprias
oportunidades de servir.
Se desce ao desfiladeiro da negação, destrói as esperanças
tenras no sentimento de quantos se a beiram da fé e tece vasta rede de sombras
para si mesmo.
Se transfere a alma para a residência escura do vício, sufoca
as virtudes nascentes nos companheiros de jornada e adquire débitos pesados
para o futuro.
Se asila o desespero, apaga o tênue clarão da confiança na
alma do próximo e chora inutilmente, sob a tormenta de lágrimas destrutivas.
Se busca refúgio na casa fria da tristeza, asfixia o otimismo
naqueles que o acompanham e perde a riqueza do tempo, em lamentações improfícuas.
A determinação divina para o aprendiz do Evangelho é seguir
adiante, ajudando, compreendendo e servindo a todos.
Estacionar é imobilizar os outros e congelar-se.
Revoltar-se é chicotear os irmãos e ferir-se.
Fugir ao bem é desorientar os semelhantes e aniquilar-se.
Desventurados aqueles que não seguem o Mestre que
encontraram, porque conhecer Jesus Cristo em espírito e viver longe dele será
espalhar a destruição, em torno de nossos passos, e conservar a miséria dentro
de nós mesmos.
28
Alguma coisa
“Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os
que estão enfermos.” – Jesus. (Lucas, 5:31.)
Quem sabe ler não se esqueça de amparar o que ainda não se
alfabetizou.
Quem dispõe de palavra esclarecida ajude ao companheiro,
ensinando-lhe a ciência da frase correta e expressiva.
Quem desfruta o equilíbrio orgânico não despreze a
possibilidade de auxiliar o doente.
Quem conseguiu acender alguma luz de fé no próprio espírito
suporte com paciência o infeliz que ainda não se abriu à mínima noção de
responsabilidade perante o Senhor, auxiliando-o a desvencilhar-se das trevas.
Quem possua recursos para trabalhar não olvide o irmão menos
ajustado ao serviço, conduzindo-o, sempre que possível, a atividade digna.
Quem estime a prática da caridade compadeça-se das almas
endurecidas, beneficiando-as com as vibrações da prece.
Quem já esteja entesourando a humildade não se afaste do
orgulhoso, conferindo-lhe, com o exemplo, os elementos indispensáveis ao
reajuste.
Quem seja detentor da bondade não recuse assistência aos
maus, de vez que a maldade resulta invariavelmente da revolta ou da ignorância.
Quem estiver em companhia da paz ajude aos desesperados.
Quem guarde alegria divida a graça do contentamento com os
tristes.
Asseverou o Senhor que os sãos não precisam de médico, mas,
sim, os enfermos.
Lembra-te dos que transitam no mundo entre dificuldades
maiores que as tuas.
A vida não reclama o teu sacrifício integral em favor dos
outros, mas, a benefício de ti mesmo, não desdenhes fazer alguma coisa na
extensão da felicidade comum.
CONTINUA AMANHÃ
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