17
Cristo e nós
“E disse-lhe o Senhor em visão: – Ananias! E ele
respondeu: Eis-me aqui, Senhor!” – (Atos, 9:10.)
Os homens esperam por Jesus e Jesus espera igualmente pelos
homens.
Ninguém acredite que o mundo se redima sem almas redimidas.
O Mestre, para estender a sublimidade do seu programa
salvador, pede braços humanos que o realizem e intensifiquem. Começou o
apostolado, buscando o concurso de Pedro e André, formando, em seguida, uma assembleia
de doze companheiros para atacar o serviço da regeneração planetária.
E, desde o primeiro dia da Boa Nova, convida, insiste e
apela, junto das almas, para que se convertam em instrumentos de sua Divina
Vontade, dando-nos a perceber que a redenção procede do Alto, mas não se
concretizará entre as criaturas sem a colaboração ativa dos corações de
boa vontade.
Ainda mesmo quando surge, pessoalmente, buscando alguém para
a sua lavoura de luz, qual aconteceu na conversão de Paulo, o Mestre não dispensa
a cooperação dos servidores encarnados. Depois de visitar o doutor de Tarso,
diretamente, procura Ananias, enviando-o a socorrer o novo discípulo.
Por que razão Jesus se preocupou em acompanhar o
recém convertido, assistindo-o em pessoa? É que, se a Humanidade não pode
iluminar-se e progredir sem o Cristo, o Cristo não dispensa os homens na obra
de soerguimento e sublimação do mundo.
“Ide e pregai.”
“Eis que vos mando.”
“Resplandeça a vossa luz diante dos homens.”
“A Seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros.”
Semelhantes afirmativas do Senhor provam a importância por
ele atribuída à contribuição humana.
Amemos e trabalhemos, purificando e servindo sempre.
Onde estiver um seguidor do Evangelho aí se encontra um
mensageiro do Amigo Celestial para a obra incessante do bem.
Cristianismo significa Cristo e nós.
18
Não somente
“Nem só de pão vive o homem.” – Jesus. (Mateus, 4:4.)
Não somente agasalho que proteja o corpo, mas também o
refúgio de conhecimentos superiores que fortaleçam a alma.
Não só a beleza da máscara fisionômica, mas igualmente a
formosura e nobreza dos sentimentos.
Não apenas a eugenia que aprimora os músculos, mas também a
educação que aperfeiçoa as maneiras.
Não somente a cirurgia que extirpa o defeito orgânico, mas
igualmente o esforço próprio que anula o defeito íntimo.
Não só o domicílio confortável para a vida física, mas também
a casa invisível dos princípios edificantes em que o espírito se faça útil,
estimado e respeitável.
Não apenas os títulos honrosos que ilustram a personalidade
transitória, mas igualmente as virtudes comprovadas, na luta objetiva, que
enriqueçam a consciência eterna.
Não somente claridade para os olhos mortais, mas também luz
divina para o entendimento imperecível.
Não só aspecto agradável, mas igualmente utilidade viva.
Não apenas flores, mas também frutos. Não somente ensino
continuado, mas igualmente demonstração ativa.
Não só teoria excelente, mas também prática santificante.
Não apenas nós, mas igualmente os outros.
Disse o Mestre: – “Nem só de pão vive o homem.”
Apliquemos o sublime conceito ao imenso campo do mundo.
Bom gosto, harmonia e dignidade na vida exterior constituem
dever, mas não nos esqueçamos da pureza, da elevação e dos recursos sublimes da
vida interior, com que nos dirigimos para a Eternidade.
CONTINUA AMANHÃ
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