135
O ouro intransferível
“Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo,
para que te enriqueças.” – (Apocalipse, 8:18.)
Sempre vulgares as aquisições de custo fácil.
Nada difícil ao homem comum perseguir as possibilidades
financeiras, aliciar interesses mesquinhos, inventar mil recursos para atingir
os fins inferiores; entretanto, os que adotam semelhante norma desconhecem o
caráter sagrado do mais humilde patrimônio que lhes vai às mãos, abusando da
posse para sentirem-se, depois, mais empobrecidos que nunca.
A recomendação divina é suficientemente clara.
Para que um homem se enriqueça, deve adquirir o ouro provado
no fogo, fortuna essa que procede das mãos generosas do Altíssimo.
Somente essa riqueza espiritual, adquirida nas situações de
trabalho árduo, de profunda compreensão, de vitória sobre si mesmo, de esforço
incessante, conferirá ao Espírito a posição de ascendência legítima, de
bem-estar permanente, além das transformações impostas pelo sepulcro, e apenas
levará a efeito tão elevada conquista após entregar-se totalmente ao Pai para a
grandeza do Divino Serviço.
O homem mobilizado pelo homem poderá, sem dúvida, receber
volumosos salários. Convenhamos, porém, que esses bens se transformam sempre ou
algum dia serão transferidos a outrem pelo detentor provisório. No entanto, quando
o trabalhador gasta suas possibilidades nos trabalhos do bem, com esquecimento
do egoísmo, desinteressado de si próprio, colocando acima dos caprichos da
personalidade os objetivos da Obra de Deus, lutando, amando, sofrendo e
entregando-se a Ele, adquire, indiscutivelmente, o ouro eterno e
intransferível.
136
Coisas terrestres e celestiais
“Se vos tenho falado de coisas terrestres, e não me
credes, como crereis se vos falar das celestiais? – Jesus. (João, 3:12.)
No intercâmbio com o mundo espiritual, é freqüente a
reclamação de certos estudiosos, relativamente à ausência de informações das
entidades comunicantes, no que se refere às particularidades alusivas às
atividades em que se movimentam.
Por que não se fazem mais explícitos os desencarnados quanto
ao novo gênero de vida a que foram chamados? como serão suas cidades, suas
casas, seus processos de relações comuns? através de que meios se organizam
hierarquicamente? terão governos nos moldes terrestres?
Indagam outros, relativamente às razões pelas quais os
cientistas libertos do plano físico não voltam aos antigos centros de pesquisas
e realizações, vulgarizando métodos de cura para as chamadas moléstias
incuráveis ou revelando invenções novas que acelerem o progresso mundial.
São esses os argumentos apressados da preguiça humana.
Se os Espíritos comunicantes têm tratado quase que somente do
material existente em torno das próprias criaturas terrenas, num curso metódico
de introdução a tarefas mais altas e ainda não puderam ser integralmente
ouvidos, que viria a acontecer se olvidassem compromissos graves, dando-se ao
gosto de comentários prematuros?
É necessário compreenda o homem que Deus concede os auxílios;
entretanto, cada Espírito é obrigado a talhar a própria glória.
A grande tarefa do mundo espiritual, em seu mecanismo de
relações com os homens encarnados, não é a de trazer conhecimentos sensacionais
e extemporâneos, mas a de ensinar os homens a ler os sinais divinos que a vida
terrestre contém em si mesma, iluminando-lhes a marcha para a espiritualidade
superior.
137
O banquete dos publicanos
“E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus
discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” –
(Mateus, 9:11.)
De maneira geral, a comunidade cristã, em seus diversos setores,
ainda não percebeu toda a significação do banquete do Mestre, entre publicanos
e pecadores.
Não só a última ceia com os discípulos mais íntimos se
revestiu de singular importância. Nessa reunião de Jerusalém, ocorrida na
Páscoa, revela-nos Jesus o caráter sublime de suas relações com os amigos de
apostolado. Trata-se de ágape íntimo e familiar, solenizando despedida afetuosa
e divina lição ao mesmo tempo.
No entanto, é necessário recordar que o Mestre atendia a esse
círculo em derradeiro lugar, porquanto já se havia banqueteado carinhosamente
com os publicanos e pecadores. Partilhava a ceia com os discípulos, num dia de
alta vibração religiosa, mas comungara o júbilo daqueles que viviam a distância
da fé, reunindo-os, generoso, e conferindo-lhes os mesmos bens nascidos de seu
amor.
O banquete dos publicanos tem especial significado na
história do Cristianismo. Demonstra que o Senhor abraça a todos os que desejem
a excelência de sua alimentação espiritual nos trabalhos de sua vinha, e que
não só nas ocasiões de fé permanece presente entre os que o amam; em qualquer
tempo e situação, está pronto a atender as almas que o buscam.
O banquete dos pecadores foi oferecido antes da ceia aos discípulos.
E não nos esqueçamos de que a mesa divina prossegue em sublime serviço. Resta
aos comensais o aproveitamento da concessão.
CONTINÚA AMANHÃ
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