CONTINUAÇÃO
21
Caminhos retos
“E ele lhes disse: Lançai a rede para a banda direita
do barco e achareis.” – (João, 21:6.)
A vida deveria constituir, por parte de todos nós, rigorosa observância
dos sagrados interesses de Deus.
Freqüentemente, porém, a criatura busca sobrepor-se aos
desígnios divinos.
Estabelece-se, então, o desequilíbrio, porque ninguém
enganará a Divina Lei. E o homem sofre, compulsoriamente, na tarefa de
reparação.
Alguns companheiros desesperam-se no bom combate pela
perfeição própria e lançam-se num verdadeiro inferno de sombras interiores. Queixam-se
do destino, acusam a sabedoria criadora, gesticulam nos abismos da maldade,
esquecendo o capricho e a imprevidência que os fizeram cair.
Jesus, no entanto, há quase vinte séculos, exclamou:
“Lançai a rede para a banda direita do barco e achareis.”
Figuradamente, o espírito humano é um “pescador” dos valores
evolutivos, na escola regeneradora da Terra. A posição de cada qual é o
“barco”. Em cada novo dia, o homem se levanta com a sua “rede” de interesses.
Estaremos lançando a nossa “rede” para a “banda direita”?
Fundam-se nossos pensamentos e atos sobre a verdadeira justiça?
Convém consultar a vida interior, em esforço diário, porque o
Cristo, nesse ensinamento, recomendava, de modo geral, aos seus discípulos:
“Dedicai vossa atenção aos caminhos retos e achareis o necessário.”
22
Que buscais?
“E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam,
disse-lhes: Que buscais?” – (João, 1:38.)
A vida em si é conjunto divino de experiências.
Cada existência isolada oferece ao homem o proveito de novos
conhecimentos. A aquisição de valores religiosos, entretanto, é a mais
importante de todas, em virtude de constituir o movimento de iluminação
definitiva da alma para Deus.
Os homens, contudo, estendem a esse departamento divino a sua
viciação de sentimentos, no jogo inferior dos interesses egoísticos.
Os templos de pedra estão cheios de promessas injustificáveis
e de votos absurdos.
Muitos devotos entendem encontrar na Divina Providência uma
força subornável, eivada de privilégios e preferências. Outros se socorrem do
plano espiritual com o propósito de solucionar problemas mesquinhos.
Esquecem-se de que o Cristo ensinou e exemplificou.
A cruz do Calvário é símbolo vivo.
Quem deseja a liberdade precisa obedecer aos desígnios supremos.
Sem a compreensão de Jesus, no campo íntimo, associada aos atos de cada dia, a
alma será sempre a prisioneira de inferiores preocupações.
Ninguém olvide a verdade de que o Cristo se encontra no
umbral de todos os templos religiosos do mundo, perguntando, com interesse, aos
que entram: “Que buscais?”
23
Viver pela fé
“Mas o justo viverá pela fé.” – Paulo. (Romanos, 1:17.)
Na epístola aos romanos, Paulo afirma que o justo viverá pela
fé.
Não poucos aprendizes interpretaram erradamente a assertiva.
Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias
exteriores dos cultos religiosos.
Freqüentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes,
respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem
sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. E, antes de tudo, é
necessário ser criatura de Deus, em todas as circunstâncias da existência.
Paulo de Tarso queria dizer que o justo será sempre fiel, viverá
de modo invariável, na verdadeira fidelidade ao Pai que está nos céus.
Os dias são ridentes e tranqüilos? tenhamos boa memória e não
desdenhemos a moderação.
São escuros e tristes? confiemos em Deus, sem cuja permissão
a tempestade não desabaria.
Veio o abandono do mundo? o Pai jamais nos abandona.
Chegaram as enfermidades, os desenganos, a ingratidão e a
morte? eles são todos bons amigos, por trazerem até nós a oportunidade de
sermos justos, de vivermos pela fé, segundo as disposições sagradas do
Cristianismo.
CONTINÚA AMANHÃ
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