A principal finalidade deste blog é a divulgação da Doutrina Espírita, codificada por ALLAN KARDEC, através de trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo, preces, orações, crônicas e comentários.Queremos, também, transformar esse blog em uma CASA ESPÍRITA VIRTUAL.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
CONSELHO DO DIA
Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
É esta a verdade que afugenta toda a vanglória.
E se entrar em teu
coração a graça celestial e a verdadeira caridade, não sentirás mais
inveja alguma, nem aperto de coração, nem haverá mais lugar para o
amor-próprio.
Porque tudo vence a divina caridade, e multiplica as
forças da alma.
Se és verdadeiramente sábio, só em mim te alegrarás e
porás a tua confiança; porque ninguém é bom senão Deus (Mt 19,17), só
Ele cumpre seja louvado e bendito em tudo, acima de todas as coisas. (
Tudo se deve referir a Deus como ao fim último)
Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.
Mas isso só você saberá entender.
PENSAMENTO DO DIA
Sonhamos todas as noites e
acordamos em função destes sonhos, porém vivemos na mesmice por medo de fazer
uma escolha.
SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
Capítulo 2
CONTINUA AMANHÃ
Capítulo 2
Confrangido, mas sereno, Félix acercou-se de Nogueira, administrou-lhe energias de refazimento e, após levantá-lo, despediu-se, asseverando que voltaria.
Que não me inquietasse, falou, bondoso. Estaríamos juntos,enviaria cooperadores, tomaria providências.
Respondi, sossegando-o. Afeiçoara-me àquela menina que,afinal, era nossa filha em espírito. Não, não a deixaria na durafase da desencarnação.
Entrementes, Cláudio afastou-se, buscando o especialista.
Moreira, que me observava desde a chegada, fitava-me agoracom simpatia, que me empenhava em conservar.
Em dado momento, interpelou-me. Amaciou o tom de voz edisse reconhecer-me. Queixou-se. Vira diversos irmãos desencarnados,avizinhando-se da porta e acenando com asco. ApontavamMarita com desprezo, referiam-se a figurações despudoradas,traçavam gestos no ar, sugerindo quadros obscenos, e um deleschegara ao desplante de abordá-lo, indagando quem era aquela mulher que transpirava carniça.
Tratei de consolá-lo. Aquilo passaria. Esperávamos companheiros, abastecidos com os recursos necessários, a fim de que isolássemos o recinto.
Satisfazendo-lhe as perguntas, esclareci que, sem querer, assistira ao desastre e condoera-me daquela moça sozinha, jogada no asfalto.
Quis saber minudências; contudo, temendo embaraços, prometi-lhe que, logo aparecesse oportunidade, colheria informes seguros para nós ambos.
Que não me inquietasse, falou, bondoso. Estaríamos juntos,enviaria cooperadores, tomaria providências.
Respondi, sossegando-o. Afeiçoara-me àquela menina que,afinal, era nossa filha em espírito. Não, não a deixaria na durafase da desencarnação.
Entrementes, Cláudio afastou-se, buscando o especialista.
Moreira, que me observava desde a chegada, fitava-me agoracom simpatia, que me empenhava em conservar.
Em dado momento, interpelou-me. Amaciou o tom de voz edisse reconhecer-me. Queixou-se. Vira diversos irmãos desencarnados,avizinhando-se da porta e acenando com asco. ApontavamMarita com desprezo, referiam-se a figurações despudoradas,traçavam gestos no ar, sugerindo quadros obscenos, e um deleschegara ao desplante de abordá-lo, indagando quem era aquela mulher que transpirava carniça.
Tratei de consolá-lo. Aquilo passaria. Esperávamos companheiros, abastecidos com os recursos necessários, a fim de que isolássemos o recinto.
Satisfazendo-lhe as perguntas, esclareci que, sem querer, assistira ao desastre e condoera-me daquela moça sozinha, jogada no asfalto.
Quis saber minudências; contudo, temendo embaraços, prometi-lhe que, logo aparecesse oportunidade, colheria informes seguros para nós ambos.
Tentando harmonizá-lo com as exigências do serviço que nos defrontava, roguei-lhe permissão para cooperar. Ficaria contente se ele me aceitasse o concurso, ali, ao pé daquela jovem que a provação humilhava. Colhera alguma experiência em hospitais e poderia ser útil.
Moreira comoveu-se e aprovou a idéia. Sim, aclarou, devotava-se a ela, com ardente afeição, e me reconhecia o desinteresse em servi-la. Contaria comigo, reportou-se a compensações. Conhecia meios de auxiliar-me, defender-me-ia, ser-me-ia companheiro fiel.
Em seguida, examinou curiosamente o processo pelo qual a respiração de Marita era auxiliada e pediu-me instruções. Queria substituir-me. E com tanta diligência e humildade se colocou no meu posto que, em minutos breves, atendia à manutenção da jovem, com segurança superior àquela que me esforçava em cultivar.
Procurei adestrá-lo. Obedeceu docilmente e guardou nos braços aquele corpo amarrotado, que se transfigurara num fardo de dor, salpicado de fezes. O perseguidor da véspera, tocado no âmago, enlaçou-a com a dignidade de um homem piedoso que socorre uma irmã, empregando-se no trabalho de instilar-lhe energias e reaquecer-lhe os pulmões com o próprio hálito.
Sensibilizado, ao identificar-lhe a transformação, concluí que nem sempre é o salva-vidas, tecnicamente construído, a peça que assegura a sobrevivência do náufrago, e sim o lenho agressivo que teimamos em desdenhar.
Retirei-me, por instantes, à busca de Cláudio e encontrei-o em compartimento próximo. Valia-se do intervalo, em que era constrangido a esperar pelo médico, para telefonar.
A voz inconfundível de Dona Márcia vinha do outro lado. O esposo falava, sob traumatismo evidente; ela, no entanto, não respondia fora da destreza mental que lhe conhecíamos. Folgava em saber que a filha estava ainda viva. Melhor encerrassem o assunto. Se a Medicina já estava em cena, desistia de aumentar as aflições que lhe inçavam a casa.
Nogueira passou do noticiário às súplicas. Seria conveniente que ela viesse amenizar a situação.
A senhora, porém, mencionou compromissos inadiáveis. Estava de saída para a aquisição de linhas, destinadas à confecção de vários enfeites encomendados por Marina. Compreendia que a moça talvez não se recuperasse; entretanto, inclinava-se a crer que tudo não passava de episódio sem importância. Marita sempre fora exagerada em questões de sensibilidade, gostava da ostentação de ridículo. Além disso, se estivesse tão mal quanto o marido supunha, ele, na condição de pai, se achava lealmente junto da filha, eximindo a ela, Dona Márcia, de sacrifícios maiores do que aqueles que já lhe sobrecarregavam os ombros. Fez chiste, mascarando de sarcasmo o desapontamento com que recolhia a informação de que a filha adotiva não estava morta, impelindo todos os constrangimentos da família à estaca zero. Recordou ao esposo que o Rio não era interior e que doente algum se podia dar ao luxo de contar com mais de uma pessoa, acalentando o leito, numa capital que excedia o tamanho de Babilônia. Declarou-se cansada de bobagens e arrufos entre jovens namorados e afirmou preferir tricotar a fazer adulação para uma filha que não era dela e que sempre timbrara em loucura e faniquito. Rematava, aconselhando para que não se complicassem com despesas. Que ele ouvisse os médicos e removesse a menina, quanto antes, para casa.
Nogueira, desolado, insistiu, pintando o quadro em que se contristava; entretanto, a senhora encerrou a conversação, atirando-lhe uma frase que lhe despedaçou as últimas esperanças:
– Bem, Cláudio, tudo isso é problema seu.
Nogueira discou para a residência dos Torres.
Moreira comoveu-se e aprovou a idéia. Sim, aclarou, devotava-se a ela, com ardente afeição, e me reconhecia o desinteresse em servi-la. Contaria comigo, reportou-se a compensações. Conhecia meios de auxiliar-me, defender-me-ia, ser-me-ia companheiro fiel.
Em seguida, examinou curiosamente o processo pelo qual a respiração de Marita era auxiliada e pediu-me instruções. Queria substituir-me. E com tanta diligência e humildade se colocou no meu posto que, em minutos breves, atendia à manutenção da jovem, com segurança superior àquela que me esforçava em cultivar.
Procurei adestrá-lo. Obedeceu docilmente e guardou nos braços aquele corpo amarrotado, que se transfigurara num fardo de dor, salpicado de fezes. O perseguidor da véspera, tocado no âmago, enlaçou-a com a dignidade de um homem piedoso que socorre uma irmã, empregando-se no trabalho de instilar-lhe energias e reaquecer-lhe os pulmões com o próprio hálito.
Sensibilizado, ao identificar-lhe a transformação, concluí que nem sempre é o salva-vidas, tecnicamente construído, a peça que assegura a sobrevivência do náufrago, e sim o lenho agressivo que teimamos em desdenhar.
Retirei-me, por instantes, à busca de Cláudio e encontrei-o em compartimento próximo. Valia-se do intervalo, em que era constrangido a esperar pelo médico, para telefonar.
A voz inconfundível de Dona Márcia vinha do outro lado. O esposo falava, sob traumatismo evidente; ela, no entanto, não respondia fora da destreza mental que lhe conhecíamos. Folgava em saber que a filha estava ainda viva. Melhor encerrassem o assunto. Se a Medicina já estava em cena, desistia de aumentar as aflições que lhe inçavam a casa.
Nogueira passou do noticiário às súplicas. Seria conveniente que ela viesse amenizar a situação.
A senhora, porém, mencionou compromissos inadiáveis. Estava de saída para a aquisição de linhas, destinadas à confecção de vários enfeites encomendados por Marina. Compreendia que a moça talvez não se recuperasse; entretanto, inclinava-se a crer que tudo não passava de episódio sem importância. Marita sempre fora exagerada em questões de sensibilidade, gostava da ostentação de ridículo. Além disso, se estivesse tão mal quanto o marido supunha, ele, na condição de pai, se achava lealmente junto da filha, eximindo a ela, Dona Márcia, de sacrifícios maiores do que aqueles que já lhe sobrecarregavam os ombros. Fez chiste, mascarando de sarcasmo o desapontamento com que recolhia a informação de que a filha adotiva não estava morta, impelindo todos os constrangimentos da família à estaca zero. Recordou ao esposo que o Rio não era interior e que doente algum se podia dar ao luxo de contar com mais de uma pessoa, acalentando o leito, numa capital que excedia o tamanho de Babilônia. Declarou-se cansada de bobagens e arrufos entre jovens namorados e afirmou preferir tricotar a fazer adulação para uma filha que não era dela e que sempre timbrara em loucura e faniquito. Rematava, aconselhando para que não se complicassem com despesas. Que ele ouvisse os médicos e removesse a menina, quanto antes, para casa.
Nogueira, desolado, insistiu, pintando o quadro em que se contristava; entretanto, a senhora encerrou a conversação, atirando-lhe uma frase que lhe despedaçou as últimas esperanças:
– Bem, Cláudio, tudo isso é problema seu.
Nogueira discou para a residência dos Torres.
CONTINUA AMANHÃ
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
CONSELHO DO DIA
Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
Eia, alma fiel, para este Esposo prepara teu coração, a fim de que se
digne vir e morar em ti.
Pois assim ele diz:
Se alguém me ama, guardará a
minha palavra, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada (Jo
14,23).
Dá, pois, lugar a Jesus e a tudo mais fecha a porta.
Se
possuíres a Cristo, estarás rico e satisfeito.
Ele mesmo será teu
provedor e fiel procurador em tudo, de modo que não hajas mister de
esperar nos homens.
Porque os homens são volúveis e faltam com
facilidade à confiança, mas Cristo permanece eternamente (Jo 12,34), e
firme nos acompanha até ao fim. ( Da vida interior)
Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.
Mas isso só você saberá entender.
PENSAMENTO DO DIA
Se vir que seus esforços
não são reconhecidos, não desanime. Pois ao nascer do sol ele dá um de seus
mais belos espetáculos e encontra a maior parte da plateia dormindo.
MENSAGHEM DIÁRIA
Indecisão é quando você
sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria optar por outra coisa.
SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
CONTINUA AMANHÃ
numa torrente de lágrimas, semelhante a rocha que se partisse de repente para revelar uma fonte...
Rodou sobre os calcanhares e arrancou-se qual flecha.
Félix, confortado, explicou que, pelo visto, Cláudio não tardaria, informando-me de que, segundo lhe era lícito ajuizar, Marita conseguira pequena moratória. Mais alguns dias no corpo amarfanhado, quinze a vinte no máximo... Tempo de meditação, preparo valioso ante a vida espiritual... O cérebro seria protegido, mas não recuperado. Desorganizara-se. Dentro de algumas horas, a moça poderia pensar e ouvir com regularidade, reaver alguns recursos da sensibilidade e enxergar imprecisamente; entretanto, não mais contaria com o centro da fala. Naquele estado, aditou ele, permaneceria facilmente, na esfera física, por muito tempo ainda, mas o peritônio sofrera contusões de efeitos irreversíveis.
Não valeriam antibióticos, por maior fosse a carga. Ainda assim, sentia-se reconhecido aos supervisores espirituais, que haviam advogado a pequena dilação. As horas finais ser-lhe-iam preciosas.
Desfrutaria o ensejo de aprontar-se para a renovação, enquanto que Cláudio, Márcia e Marina talvez reconsiderassem caminhos.
Arrecadava-lhe o otimismo, comovidamente.
Transcorridos pouco mais de cinqüenta minutos, Cláudio, seguido por médico que se lhe afeiçoara à família e que conhecia Marita, desde muito, deu entrada no posto de assistência. Márcia, sob a pressão de Moreira e interrogada pelo marido, liberara as informações de que dispunha.
O facultativo recém-chegado deixou o bancário no vestíbulo para efetuar a inspeção, identificando a menina sem maiores dificuldades. Feito isso, tomou providências, junto aos colegas, para que a Jovem fosse imediatamente transferida para o Hospital Central dos Acidentados, com vistas ao tratamento urgente e minucioso. E depois de ligações telefônicas, no preparo da instalação necessária, determinou as medidas inadiáveis. Que limpassem Marita, que se lhe purificasse o ambiente, que mesmo acreditada em coma fosse tratada com o máximo apreço.
Seja dito, no entanto, que não se registrara, ali, qualquer desleixo.
As condições precárias da moça exigiam repouso, quietação.
Justo observá-la, antes de qualquer alteração suscetível de agravar-lhe os constrangimentos.
Com efeito, iniciada a laboriosa remoção que Cláudio e Moreira seguiram, de longe, a cabeça, pendida para trás, impeliu o sangue a movimento retrógrado e surgiu a possibilidade de asfixia.
Félix controlou, quanto pôde, as mãos dos condutores, e, tão logo a vimos ajustada em novo leito, vali-me do socorro magnético de profundidade que as circunstâncias exigiam. Sentei-me, de maneira a guardar aquele corpo abatido em meus braços, envolvendo-o no meu próprio hálito, numa operação que nos permitiremos
nomear aqui por adição de força, cujos resultados se destacam surpreendentes, quando a criatura retida no envoltório físico se mostra nos últimos lances da resistência.
Nesse ínterim, Félix aconselhou que eu me adensasse na apresentação, a fim de que Moreira me enxergasse os exercícios.
Conservava a esperança de vê-lo oferecer-se para manter a respiração da moça em boa ordem.
Orei, empenhando-me na consecução do objetivo, e quando Nogueira e o acompanhante vararam a porta do quarto em que a administração nos localizara, o vampirizador deitou-me olhar espantadiço.
Cambalearam sensibilizados, aflitos...
Incoercível emoção me tomou a alma.
Cláudio abeirou-se, trêmulo, da filha e rompeu em soluços.
Tanto quanto me era dado perceber, aquela hora significava para ele doloroso balanço de consciência.
Rodou sobre os calcanhares e arrancou-se qual flecha.
Félix, confortado, explicou que, pelo visto, Cláudio não tardaria, informando-me de que, segundo lhe era lícito ajuizar, Marita conseguira pequena moratória. Mais alguns dias no corpo amarfanhado, quinze a vinte no máximo... Tempo de meditação, preparo valioso ante a vida espiritual... O cérebro seria protegido, mas não recuperado. Desorganizara-se. Dentro de algumas horas, a moça poderia pensar e ouvir com regularidade, reaver alguns recursos da sensibilidade e enxergar imprecisamente; entretanto, não mais contaria com o centro da fala. Naquele estado, aditou ele, permaneceria facilmente, na esfera física, por muito tempo ainda, mas o peritônio sofrera contusões de efeitos irreversíveis.
Não valeriam antibióticos, por maior fosse a carga. Ainda assim, sentia-se reconhecido aos supervisores espirituais, que haviam advogado a pequena dilação. As horas finais ser-lhe-iam preciosas.
Desfrutaria o ensejo de aprontar-se para a renovação, enquanto que Cláudio, Márcia e Marina talvez reconsiderassem caminhos.
Arrecadava-lhe o otimismo, comovidamente.
Transcorridos pouco mais de cinqüenta minutos, Cláudio, seguido por médico que se lhe afeiçoara à família e que conhecia Marita, desde muito, deu entrada no posto de assistência. Márcia, sob a pressão de Moreira e interrogada pelo marido, liberara as informações de que dispunha.
O facultativo recém-chegado deixou o bancário no vestíbulo para efetuar a inspeção, identificando a menina sem maiores dificuldades. Feito isso, tomou providências, junto aos colegas, para que a Jovem fosse imediatamente transferida para o Hospital Central dos Acidentados, com vistas ao tratamento urgente e minucioso. E depois de ligações telefônicas, no preparo da instalação necessária, determinou as medidas inadiáveis. Que limpassem Marita, que se lhe purificasse o ambiente, que mesmo acreditada em coma fosse tratada com o máximo apreço.
Seja dito, no entanto, que não se registrara, ali, qualquer desleixo.
As condições precárias da moça exigiam repouso, quietação.
Justo observá-la, antes de qualquer alteração suscetível de agravar-lhe os constrangimentos.
Com efeito, iniciada a laboriosa remoção que Cláudio e Moreira seguiram, de longe, a cabeça, pendida para trás, impeliu o sangue a movimento retrógrado e surgiu a possibilidade de asfixia.
Félix controlou, quanto pôde, as mãos dos condutores, e, tão logo a vimos ajustada em novo leito, vali-me do socorro magnético de profundidade que as circunstâncias exigiam. Sentei-me, de maneira a guardar aquele corpo abatido em meus braços, envolvendo-o no meu próprio hálito, numa operação que nos permitiremos
nomear aqui por adição de força, cujos resultados se destacam surpreendentes, quando a criatura retida no envoltório físico se mostra nos últimos lances da resistência.
Nesse ínterim, Félix aconselhou que eu me adensasse na apresentação, a fim de que Moreira me enxergasse os exercícios.
Conservava a esperança de vê-lo oferecer-se para manter a respiração da moça em boa ordem.
Orei, empenhando-me na consecução do objetivo, e quando Nogueira e o acompanhante vararam a porta do quarto em que a administração nos localizara, o vampirizador deitou-me olhar espantadiço.
Cambalearam sensibilizados, aflitos...
Incoercível emoção me tomou a alma.
Cláudio abeirou-se, trêmulo, da filha e rompeu em soluços.
Tanto quanto me era dado perceber, aquela hora significava para ele doloroso balanço de consciência.
Instintivamente, tornou à infância e à mocidade... Lembrou as leviandades primeiras. Irreflexões do passado corporificaram-se lhe na memória. Enfileirou na imaginação os desvarios sexuais das trilhas percorridas. Cada jovem que iludira, cada mulher de cujas fraquezas abusara repontavam-lhe na tela mental, como que a lhe perguntarem pela filha que a vida lhe trouxera...
Aquele homem que me inspirava sentimentos contraditórios e de quem teria desejado distanciar-me, tocado de aversão, me insuflava agora um enternecimento que somente as lágrimas exprimiam!...
Perante a enfermeira impressionada, Cláudio ajoelhou-se e, com ele, pôs-se Moreira genuflexo... Em choro convulso, o pai alisou aqueles cabelos despenteados, contemplou a fisionomia de cera que a morte parecia estar modelando, mirou a face e os lábios intumescidos por equimoses, aspirou o ar deteriorado que se lhe exalava dos pulmões e, mergulhando a cabeça nos lençóis, gritou, vencido:
– Ah! minha filha!... minha filha!...
Quase no mesmo instante, a fronte de Moreira vergou, como se esmagada de sofrimento... Ambos jaziam, ali, debruçados, rente aos meus joelhos, com a mesma rendição dentro da qual Marita se me conchegava ao regaço.
Reconheci que a Providência Divina, em seus desígnios, não me aproximava unicamente da vítima. Os verdugos também pediam amor. Segurando a moça inerme, à altura do peito, afaguei-os com a destra, sustentando-me em prece... E a prece clareava-me o pensamento, corrigindo-me a visão!... Sim, tentando consolar aqueles dois homens que o remorso dobrava em tormento indizível, refleti nos meus próprios erros e compreendi os propósitos da vida!... Não!... Eles não eram os estupradores, os obsessores, os inimigos, os carrascos que eu detestara na véspera!... Eles eram meus amigos, meus irmãos!...
Aquele homem que me inspirava sentimentos contraditórios e de quem teria desejado distanciar-me, tocado de aversão, me insuflava agora um enternecimento que somente as lágrimas exprimiam!...
Perante a enfermeira impressionada, Cláudio ajoelhou-se e, com ele, pôs-se Moreira genuflexo... Em choro convulso, o pai alisou aqueles cabelos despenteados, contemplou a fisionomia de cera que a morte parecia estar modelando, mirou a face e os lábios intumescidos por equimoses, aspirou o ar deteriorado que se lhe exalava dos pulmões e, mergulhando a cabeça nos lençóis, gritou, vencido:
– Ah! minha filha!... minha filha!...
Quase no mesmo instante, a fronte de Moreira vergou, como se esmagada de sofrimento... Ambos jaziam, ali, debruçados, rente aos meus joelhos, com a mesma rendição dentro da qual Marita se me conchegava ao regaço.
Reconheci que a Providência Divina, em seus desígnios, não me aproximava unicamente da vítima. Os verdugos também pediam amor. Segurando a moça inerme, à altura do peito, afaguei-os com a destra, sustentando-me em prece... E a prece clareava-me o pensamento, corrigindo-me a visão!... Sim, tentando consolar aqueles dois homens que o remorso dobrava em tormento indizível, refleti nos meus próprios erros e compreendi os propósitos da vida!... Não!... Eles não eram os estupradores, os obsessores, os inimigos, os carrascos que eu detestara na véspera!... Eles eram meus amigos, meus irmãos!...
CONTINUA AMANHÃ
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