Saudade é aquilo que fica
enquanto o tempo vai.
A principal finalidade deste blog é a divulgação da Doutrina Espírita, codificada por ALLAN KARDEC, através de trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo, preces, orações, crônicas e comentários.Queremos, também, transformar esse blog em uma CASA ESPÍRITA VIRTUAL.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
MENSAGEM DIÁRIA
O êxito ou o fracasso de
sua vida não depende de quanta força você põe em uma tentativa, mas da
persistência no que fizer.
SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
CONTINUA AMANHÃ
amiga íntima e em cujo apartamento costumava telefonar, quando inevitável. Levantou-se, algo reanimada, para a busca de condução; entretanto, somente aí deu pela falta da bolsa que largara na fuga. Faltava o dinheiro, mas não desistiu. Acenou da calçada ao primeiro táxi disponível. Consultou o motorista se lhe podia fazer o favor de atender, com pagamento à porta de casa. Estava sozinha
e esquecera-se do horário, O profissional correto notou-lhe a tristeza e o acanhamento. Compadeceu-se. Alegou que recusava, sistematicamente, conduzir pessoas que encomendavam serviço, criando problemas; entretanto, no caso, faria exceção e aquiesceu.
A breve trecho, seguíamos, junto dela, para Copacabana.
No endereço indicado, saltou, fez-se acompanhar pelo condutor ao apartamento da amiga, sendo recebida com a lhaneza que esperava. Segredou, envergonhada, para Dona Cora que se achava em apuros, se ela não dispunha, naquela hora, de algum dinheiro para emprestar. Pagaria no dia seguinte. A dona da casa, espontânea e bondosa, não titubeou... Abriu pequena gaveta e falou sorrindo: “só quatrocentos cruzeiros”. O marido não estava. Marita, reconhecida, explicou que a importância bastava. Depois da corrida paga, disse para a senhora que andara em serviço extra, fora em seguida ao Leblon visitar um doente, afetando que somente naquele instante conseguiria tomar o ônibus para casa. Antes disso, porém, tinha necessidade de um telefonema. Conversação com pessoa muito íntima. Dona Cora cedeu-lhe a peça inteira e acrescentou, gentil, que ia arranjar um cafezinho. Falasse à vontade, ninguém a interromperia. As duas filhinhas dormiam, há muito, e o esposo que substituía um colega, no trabalho, não regressaria tão cedo. A dona da casa afastou-se para a cozinha, isolando a sala.
E, ali, diante de nós, sem que nos percebesse, de leve, os corações solidários, Marita discou, sofreando a emoção de modo a fantasiar a alegria da outra.
e esquecera-se do horário, O profissional correto notou-lhe a tristeza e o acanhamento. Compadeceu-se. Alegou que recusava, sistematicamente, conduzir pessoas que encomendavam serviço, criando problemas; entretanto, no caso, faria exceção e aquiesceu.
A breve trecho, seguíamos, junto dela, para Copacabana.
No endereço indicado, saltou, fez-se acompanhar pelo condutor ao apartamento da amiga, sendo recebida com a lhaneza que esperava. Segredou, envergonhada, para Dona Cora que se achava em apuros, se ela não dispunha, naquela hora, de algum dinheiro para emprestar. Pagaria no dia seguinte. A dona da casa, espontânea e bondosa, não titubeou... Abriu pequena gaveta e falou sorrindo: “só quatrocentos cruzeiros”. O marido não estava. Marita, reconhecida, explicou que a importância bastava. Depois da corrida paga, disse para a senhora que andara em serviço extra, fora em seguida ao Leblon visitar um doente, afetando que somente naquele instante conseguiria tomar o ônibus para casa. Antes disso, porém, tinha necessidade de um telefonema. Conversação com pessoa muito íntima. Dona Cora cedeu-lhe a peça inteira e acrescentou, gentil, que ia arranjar um cafezinho. Falasse à vontade, ninguém a interromperia. As duas filhinhas dormiam, há muito, e o esposo que substituía um colega, no trabalho, não regressaria tão cedo. A dona da casa afastou-se para a cozinha, isolando a sala.
E, ali, diante de nós, sem que nos percebesse, de leve, os corações solidários, Marita discou, sofreando a emoção de modo a fantasiar a alegria da outra.
Escutamos, transidos, o diálogo juvenil que nos ficaria, então, na memória, gravado frase a frase:
– Da residência dos Torres?
– Sim.
– Quem no aparelho? Gilberto?
– Sim, sim.
– Oh! meu bem, pois você não está conhecendo?
– Conhecendo quem?
– Eu, eu... Marina. Acabo de chegar...
– Ah! ah! Marina!... que surpresa boa!... por que essa demora?...
Estamos todos em casa, esperando... Telefonar por quê?
– Quis saber, meu amor, se você está bem, se passou bem o dia...
– Saudades!
– Eu também... Muita saudade...
– Venha.
– E a mamãe? Melhor?
– Pouquinho.
– Escute...
– Para que conversar? Corra para cá, venha logo...
– Um momentinho só... Escute. Passei rapidamente em casa, no Flamengo, para conversar com mãezinha certas coisas... Estive com duas amigas em Teresópolis que me encheram a cabeça...
Estou perturbada, ciumenta...
– Que é que há?
– Marita...
– Ora... Marita! Tenho nada com ela.
– Da residência dos Torres?
– Sim.
– Quem no aparelho? Gilberto?
– Sim, sim.
– Oh! meu bem, pois você não está conhecendo?
– Conhecendo quem?
– Eu, eu... Marina. Acabo de chegar...
– Ah! ah! Marina!... que surpresa boa!... por que essa demora?...
Estamos todos em casa, esperando... Telefonar por quê?
– Quis saber, meu amor, se você está bem, se passou bem o dia...
– Saudades!
– Eu também... Muita saudade...
– Venha.
– E a mamãe? Melhor?
– Pouquinho.
– Escute...
– Para que conversar? Corra para cá, venha logo...
– Um momentinho só... Escute. Passei rapidamente em casa, no Flamengo, para conversar com mãezinha certas coisas... Estive com duas amigas em Teresópolis que me encheram a cabeça...
Estou perturbada, ciumenta...
– Que é que há?
– Marita...
– Ora... Marita! Tenho nada com ela.
– Mas eu soube...
– Soube o quê?
– Que vocês dois estão em compromisso. Sei que vocês andavam juntos, mas tanto assim não sabia...
– Bobagem!
– É muita conversa que não pude desmentir...
– Perda de tempo. É muita gente biruta... Morou?7
– Estive com papai ainda agora...
Nesse ponto da conversação singular, a voz dela titubeou.
Ouvira o bastante para reconhecer-se desdenhada, batida. Entretanto, aspirava à lia do cálice. Necessário inteirar-se acerca de quanto Gilberto havia descido. Receava descobrir-se. Indispensável toda precaução, a fim de escalpelar o insulto de que fora vítima.
A pausa, no entanto, foi curta. Gilberto, no outro lado, pronunciou a deixa oportuna:
– Então...
– Explique-se.
– Bem, você naturalmente deve saber agora o que aconteceu.
O velho me procurou... Ele mesmo telefonou, sabe? Conversamos pessoalmente, acertamos tudo.
– Quer dizer que Marita...
– Imagine! escreveu-me pedindo encontro. O velho soube de tudo antes e me pediu dizer que iria, mas que eu não fosse. Entende?
– No fim de contas, como é que você se arranjou?
7 Expressão de gíria. “Morar” significando compreender.
– Soube o quê?
– Que vocês dois estão em compromisso. Sei que vocês andavam juntos, mas tanto assim não sabia...
– Bobagem!
– É muita conversa que não pude desmentir...
– Perda de tempo. É muita gente biruta... Morou?7
– Estive com papai ainda agora...
Nesse ponto da conversação singular, a voz dela titubeou.
Ouvira o bastante para reconhecer-se desdenhada, batida. Entretanto, aspirava à lia do cálice. Necessário inteirar-se acerca de quanto Gilberto havia descido. Receava descobrir-se. Indispensável toda precaução, a fim de escalpelar o insulto de que fora vítima.
A pausa, no entanto, foi curta. Gilberto, no outro lado, pronunciou a deixa oportuna:
– Então...
– Explique-se.
– Bem, você naturalmente deve saber agora o que aconteceu.
O velho me procurou... Ele mesmo telefonou, sabe? Conversamos pessoalmente, acertamos tudo.
– Quer dizer que Marita...
– Imagine! escreveu-me pedindo encontro. O velho soube de tudo antes e me pediu dizer que iria, mas que eu não fosse. Entende?
– No fim de contas, como é que você se arranjou?
7 Expressão de gíria. “Morar” significando compreender.
(Nota do Autor espiritual.)
CONTINUA AMANHÃ
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
CONSELHO DO DIA
Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
Se fosses interiormente bom e puro, logo verias tudo sem dificuldade e
compreenderias bem.
O coração puro penetra o céu e o inferno.
Cada um
julga segundo seu interior. Se há alegria neste mundo, é o coração puro
que a goza; se há, em alguma parte, tribulação e angústia, é a má
consciência que as experimenta.
Como o ferro metido no fogo perde a
ferrugem e se faz todo incandescente, assim o homem que se entrega
inteiramente a Deus fica livre da tibieza e transforma-se em novo homem.
( Da mente pura e da intenção simples)
Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.
Mas isso só você saberá entender.
PENSAMENTO DO DIA
Sorria. Sorrir abre
caminhos, desarma os mal-humorados, contamina. Mas sorria com a alma, não
apenas com os lábios.
MENSAGEM DIÁRIA
Os nossos conhecidos podem
encher as províncias, mas nossos verdadeiros amigos só podem ser poucos.
SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
Capítulo 14
CONTINUA AMANHÃ
Capítulo 14
Adiantamo-nos, Félix e eu, ao encontro da jovem.
Marita estugava o passo, amarfanhada, aturdida.
Da Lapa, onde se localizava a habitação coletiva que vínhamos de deixar, até à Cinelândia, correra quase.
Sentia-se tangida por todos os ventos da adversidade, expulsa da Terra. Traída nos mais íntimos sentimentos de mulher, a injúria experimentada transcendia para ela toda a noção de sofrimento.
Teria agradecido ao homem que conhecera por pai o punhal ou o veneno, mas não dispunha de forças para perdoar-lhe aquela afronta. A revolta sacudia-lhe os membros. Tremia, desesperada.
Na cabeça, uma idéia só, ganhando extensão: o suicídio. Ansiava atirar-se sob os carros que deslizavam à frente. Morrer... desaparecer... meditava, chorando. Entretanto, era preciso viver um tanto mais. Restava um enigma: Gilberto. Por que se esquivara, a substituir-se, cruel? Que trama teria havido entre eles? Lera-lhe a missiva, conhecera-lhe a letra. Escrevera, afirmando vir... Por que
desistira? Como soubera Cláudio do encontro? Através de Crescina?
As interrogações sem resposta convulsionavam-na toda. Desvairava.
Rangia os dentes, querendo gemer.
A morte, a morte!... – pedia, mentalmente, tentando apertar os lábios que se abriam sem voz.
Ainda assim iria consultar Gilberto, sugeriam as últimas réstias do sonho desmantelado. Sim, aprovava no turbilhão dos pensamentos em descontrole, era necessário ouvir Gilberto... Uma vez só que fosse. Imperioso conhecer a verdade, morrer com a verdade...
Quem saberia? Talvez que o rapaz lhe estendesse um fio de luz, por onde se desvencilhasse da sombra... Se ele dissesse: “vive, vive para mim”, conseguiria esquecer o insulto daquela noite, continuando a viver... Ao contrário, tudo extinto...
Caminhando apressada e indiferente à aragem que lhe acarinhava os cabelos, repelia-nos, em espírito, as maiores demonstrações de ternura e consolo.
Nenhuma idéia que se lhe não afinasse com a repulsão.
Decididamente, se Gilberto participara da armadilha a que se arrojara, inocente, estava tudo acabado. Tão-somente lhe restaria o desprezo final.
Alcançou o Largo do Passeio e parou um momento... Fitou, angustiada, aquelas árvores frondejantes que tanto amava... Galharias balouçadas ao vento pareciam chamá-la para abraços de adeus... Marita soluçou, teve medo, mas seguiu adiante... Varou a massa risonha que deixava os cinemas, recordou Gilberto e a menina feliz que ela fora, vendo namorados saboreando pipocas; contudo, seguiu, seguiu sempre, vencendo encontrões. Atingindo a Praça Marechal Floriano, abancou-se, vasculhando o cérebro atormentado...
Sentia-se, enfim, absolutamente sozinha, completamente desamparada.
Comprimindo a cabeça entre as mãos, queria idéias, alguma idéia que lhe ofertasse saída do antro pungente da angústia.
Debalde, irmão Félix, ao enlaçá-la, lhe assoprava conceitos de paciência e cordura, inutilmente se referia à bondade e ao perdão. Aquele coração juvenil, conquanto bondoso, figurava-se, agora, um lago límpido que vulcão oculto, de inesperado, fazia referver. Todas as orlas abertas, em bocas de incêndio, pelas quais as ondas do pensamento fugiam, precipitadas. Nenhum lugar exposto à receptividade, nenhum ponto marcado ao equilíbrio e ao silêncio.
No crânio tumultuado, uma idéia surdiu, ensejando-lhe tênue fio de esperança. Telefonar!... Poderia telefonar para a residência dos Torres. Gilberto, indubitavelmente, estaria ao pé da genitora enferma. Além disso, Marina viajara pela manhã. Uma razão a mais para que se não retirasse do carinho necessário à doente.
Ainda assim – refletiu –, seria muito provável que ele, a distância, lhe embaísse a boa-fé. Insopitável desconfiança amargava-lhe o coração qual raiz espinhosa. Não descortinava, contudo, saída melhor. Conversar! Ouvi-lo! Tinha sede da verdade, ansiava saber, saber!...
Raciocínios contundentes entrechocavam-se-lhe na cabeça atribulada...
Não, não retornaria ao lar do Flamengo... Entre voltar à casa dos Nogueiras e morrer, preferia morrer...
Perscrutou circunstâncias, analisou-se, meditou, meditou...
Pensamento estranho assomou-lhe, de súbito. Disfarçar-se, fingir. Para alcançar a verdade, mentiria.
Entraria, sim, no jogo com aquilo que se lhe apresentou à imaginação, como sendo a cartada final.
Marita concluía que ela e a irmã, pela intimidade e pela convivência, tinham vozes semelhantes, maneiras afins. Chamaria o rapaz como sendo Marina, imitar-lhe-ia, quanto possível, o tom de palestra, repetir-lhe-ia as palavras de uso mais freqüente no trato doméstico. Simularia estar voltando, inopinadamente, de Teresópolis.
O moço, assim abordado, confessaria, de modo inequívoco, tudo o que sentisse, com respeito a ela própria.
A sofredora criança consultou o relógio-pulseira. Dez minutos para as nove.
Desejava ambiente familiar para a ligação. Lembrou-se de Dona Cora, cliente da loja em Copacabana, que se lhe fizera
Marita estugava o passo, amarfanhada, aturdida.
Da Lapa, onde se localizava a habitação coletiva que vínhamos de deixar, até à Cinelândia, correra quase.
Sentia-se tangida por todos os ventos da adversidade, expulsa da Terra. Traída nos mais íntimos sentimentos de mulher, a injúria experimentada transcendia para ela toda a noção de sofrimento.
Teria agradecido ao homem que conhecera por pai o punhal ou o veneno, mas não dispunha de forças para perdoar-lhe aquela afronta. A revolta sacudia-lhe os membros. Tremia, desesperada.
Na cabeça, uma idéia só, ganhando extensão: o suicídio. Ansiava atirar-se sob os carros que deslizavam à frente. Morrer... desaparecer... meditava, chorando. Entretanto, era preciso viver um tanto mais. Restava um enigma: Gilberto. Por que se esquivara, a substituir-se, cruel? Que trama teria havido entre eles? Lera-lhe a missiva, conhecera-lhe a letra. Escrevera, afirmando vir... Por que
desistira? Como soubera Cláudio do encontro? Através de Crescina?
As interrogações sem resposta convulsionavam-na toda. Desvairava.
Rangia os dentes, querendo gemer.
A morte, a morte!... – pedia, mentalmente, tentando apertar os lábios que se abriam sem voz.
Ainda assim iria consultar Gilberto, sugeriam as últimas réstias do sonho desmantelado. Sim, aprovava no turbilhão dos pensamentos em descontrole, era necessário ouvir Gilberto... Uma vez só que fosse. Imperioso conhecer a verdade, morrer com a verdade...
Quem saberia? Talvez que o rapaz lhe estendesse um fio de luz, por onde se desvencilhasse da sombra... Se ele dissesse: “vive, vive para mim”, conseguiria esquecer o insulto daquela noite, continuando a viver... Ao contrário, tudo extinto...
Caminhando apressada e indiferente à aragem que lhe acarinhava os cabelos, repelia-nos, em espírito, as maiores demonstrações de ternura e consolo.
Nenhuma idéia que se lhe não afinasse com a repulsão.
Decididamente, se Gilberto participara da armadilha a que se arrojara, inocente, estava tudo acabado. Tão-somente lhe restaria o desprezo final.
Alcançou o Largo do Passeio e parou um momento... Fitou, angustiada, aquelas árvores frondejantes que tanto amava... Galharias balouçadas ao vento pareciam chamá-la para abraços de adeus... Marita soluçou, teve medo, mas seguiu adiante... Varou a massa risonha que deixava os cinemas, recordou Gilberto e a menina feliz que ela fora, vendo namorados saboreando pipocas; contudo, seguiu, seguiu sempre, vencendo encontrões. Atingindo a Praça Marechal Floriano, abancou-se, vasculhando o cérebro atormentado...
Sentia-se, enfim, absolutamente sozinha, completamente desamparada.
Comprimindo a cabeça entre as mãos, queria idéias, alguma idéia que lhe ofertasse saída do antro pungente da angústia.
Debalde, irmão Félix, ao enlaçá-la, lhe assoprava conceitos de paciência e cordura, inutilmente se referia à bondade e ao perdão. Aquele coração juvenil, conquanto bondoso, figurava-se, agora, um lago límpido que vulcão oculto, de inesperado, fazia referver. Todas as orlas abertas, em bocas de incêndio, pelas quais as ondas do pensamento fugiam, precipitadas. Nenhum lugar exposto à receptividade, nenhum ponto marcado ao equilíbrio e ao silêncio.
No crânio tumultuado, uma idéia surdiu, ensejando-lhe tênue fio de esperança. Telefonar!... Poderia telefonar para a residência dos Torres. Gilberto, indubitavelmente, estaria ao pé da genitora enferma. Além disso, Marina viajara pela manhã. Uma razão a mais para que se não retirasse do carinho necessário à doente.
Ainda assim – refletiu –, seria muito provável que ele, a distância, lhe embaísse a boa-fé. Insopitável desconfiança amargava-lhe o coração qual raiz espinhosa. Não descortinava, contudo, saída melhor. Conversar! Ouvi-lo! Tinha sede da verdade, ansiava saber, saber!...
Raciocínios contundentes entrechocavam-se-lhe na cabeça atribulada...
Não, não retornaria ao lar do Flamengo... Entre voltar à casa dos Nogueiras e morrer, preferia morrer...
Perscrutou circunstâncias, analisou-se, meditou, meditou...
Pensamento estranho assomou-lhe, de súbito. Disfarçar-se, fingir. Para alcançar a verdade, mentiria.
Entraria, sim, no jogo com aquilo que se lhe apresentou à imaginação, como sendo a cartada final.
Marita concluía que ela e a irmã, pela intimidade e pela convivência, tinham vozes semelhantes, maneiras afins. Chamaria o rapaz como sendo Marina, imitar-lhe-ia, quanto possível, o tom de palestra, repetir-lhe-ia as palavras de uso mais freqüente no trato doméstico. Simularia estar voltando, inopinadamente, de Teresópolis.
O moço, assim abordado, confessaria, de modo inequívoco, tudo o que sentisse, com respeito a ela própria.
A sofredora criança consultou o relógio-pulseira. Dez minutos para as nove.
Desejava ambiente familiar para a ligação. Lembrou-se de Dona Cora, cliente da loja em Copacabana, que se lhe fizera
CONTINUA AMANHÃ
terça-feira, 6 de novembro de 2012
CONSELHO DO DIA
Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado
obstinadamente à sua própria opinião; sabedoria é também não acreditar
em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou
suspeitamos.
Toma conselho com um varão sábio e consciencioso, e procura
antes ser instruído por outrem, melhor que tu, que seguir teu próprio
parecer.
A vida virtuosa faz o homem sábio diante de Deus e entendido em
muitas coisas.
Quanto mais humilde for cada um em si e mais sujeito a
Deus, tanto mais prudente será e calmo em tudo. (Da prudência nas ações)
Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.
Mas isso só você saberá entender.
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