A principal finalidade deste blog é a divulgação da Doutrina Espírita, codificada por ALLAN KARDEC, através de trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo, preces, orações, crônicas e comentários.Queremos, também, transformar esse blog em uma CASA ESPÍRITA VIRTUAL.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
CONSELHO DO DIA
Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
Grande coisa é viver na obediência, sob a direção de um superior, e
não dispor da própria vontade.
Muito mais seguro é obedecer que mandar.
Muitos obedecem mais por necessidade que por amor: por isso sofrem e
facilmente murmuram.
Esses não alcançarão a liberdade de espírito,
enquanto não se sujeitarem de todo o coração, por amor de Deus.
Anda por
onde quiseres: não acharás descanso senão na humilde sujeição e
obediência ao superior.
A imaginação dos lugares e mudanças a muitos tem
iludido. (Da obediência e submissão)
Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.
Mas isso só você saberá entender.
SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
fere com isso. No começo, o corte sangrava, mas coração calejado não sente. Habituei-me a detestá-la. Dar-lhe o dinheiro que exige, para que suma depressa, é hoje o que me consola... Por outro lado, Marina, cujo afeto poderia proporcionar-me algum reconforto, faz empenho de humilhar-me com a própria devassidão! Sou um homem falido. Dias surgem, nos quais me reconheço o palhaço mais desditoso da Terra...
Nesse ponto, sob o governo do obsessor, a voz de Cláudio entravara-se na garganta.
Alterara-se de todo, comovido na aparência.
Com isso, amolgara-se a jovem, sinceramente compadecida, e, concluindo que atingira o alvo a que se propunha, acrescentou, exaltado:
– Só você, somente você me prende ao lar infeliz. Ainda agora, o Banco me propôs excelente comissão em Mato Grosso; entretanto, pensei em você e desisti... Por você, filha, tolero os insultos de Márcia, as ingratidões de Marina, os dissabores da profissão, os aborrecimentos cotidianos. Conseguirá você compreender-me?
A moça suspirou, diligenciando expulsar de si as vibrações de sensualidade com que a “dupla” lhe envolvia a cabeça, e falou, calma:
– Sim, papai, entendo as dificuldades que são nossas...
– Nossas! – repetiu ele, ganhando novas energias para chegar à meta –, sim, minha filha, as dificuldades são nossas, mas é preciso que você saiba que nossas também devem ser as esperanças e as alegrias. Anseio pelo instante em que você me veja não exclusivamente por pai...
Atentando no olhar da infortunada menina que se tocara de
imenso espanto, acentuou num supremo esforço por revelar-se:
Nesse ponto, sob o governo do obsessor, a voz de Cláudio entravara-se na garganta.
Alterara-se de todo, comovido na aparência.
Com isso, amolgara-se a jovem, sinceramente compadecida, e, concluindo que atingira o alvo a que se propunha, acrescentou, exaltado:
– Só você, somente você me prende ao lar infeliz. Ainda agora, o Banco me propôs excelente comissão em Mato Grosso; entretanto, pensei em você e desisti... Por você, filha, tolero os insultos de Márcia, as ingratidões de Marina, os dissabores da profissão, os aborrecimentos cotidianos. Conseguirá você compreender-me?
A moça suspirou, diligenciando expulsar de si as vibrações de sensualidade com que a “dupla” lhe envolvia a cabeça, e falou, calma:
– Sim, papai, entendo as dificuldades que são nossas...
– Nossas! – repetiu ele, ganhando novas energias para chegar à meta –, sim, minha filha, as dificuldades são nossas, mas é preciso que você saiba que nossas também devem ser as esperanças e as alegrias. Anseio pelo instante em que você me veja não exclusivamente por pai...
Atentando no olhar da infortunada menina que se tocara de
imenso espanto, acentuou num supremo esforço por revelar-se:
– Marita, pareço um velho, mas você me fará jovem... O coração é seu, seu...
O obsessor, com trejeitos de lascívia, prelibava o lance final.
Marita, no entanto, percebendo a intenção inequívoca do homem apaixonado, que arrojava o rosto maduro e bem tratado sobre o dela, intentou recuar.
– Não, não! – gemeu, suplicante, ao sentir-lhe o hálito.
Cláudio, porém, cujas forças jaziam somadas à valentia do “outro”, enlaçava-lhe o busto, copiando o procedimento de um jovem mal comportado.
Qual se houvéramos combinado previamente a defesa, Neves e eu saltamos na direção dela, ofertando-lhe as mãos, para que pudesse arrancar-se, e a vítima, crendo apoiar-se nos próprios recursos, conseguiu levantar-se num prodígio de ligeireza, estacando, à frente dele, que a fitava, agora, com a expressão desconfiada de um animal repentinamente ferido.
– Papai, não me faça mais infeliz... Poupe-me a humilhação!...
O dono da casa, ao impacto da recusa imprevista, pareceu desligar-se do amigo desencarnado, lembrando a fera que se desvencilhasse, de inopino, do encantamento mantido pelo domador; entretanto, o parceiro trazia uma carga de paixão vigorosa demais para desistir facilmente. Retomou, impetuoso, o próprio
domínio, a ponto de antepor a máscara fisionômica ao semblante de Cláudio. Cerrava os punhos, despedia cólera letal. Estabeleciase pavoroso conflito na mente de cada um. Num deles, o desapontamento e o desespero, no outro, a malignidade e a agressão.
O pai adotivo, carregando o estranho fardo de angústia, mesclada de revolta, incapaz de compreender os sentimentos contraditórios que o faziam avizinhar-se da loucura, passou a clamar, inconsiderado:
O obsessor, com trejeitos de lascívia, prelibava o lance final.
Marita, no entanto, percebendo a intenção inequívoca do homem apaixonado, que arrojava o rosto maduro e bem tratado sobre o dela, intentou recuar.
– Não, não! – gemeu, suplicante, ao sentir-lhe o hálito.
Cláudio, porém, cujas forças jaziam somadas à valentia do “outro”, enlaçava-lhe o busto, copiando o procedimento de um jovem mal comportado.
Qual se houvéramos combinado previamente a defesa, Neves e eu saltamos na direção dela, ofertando-lhe as mãos, para que pudesse arrancar-se, e a vítima, crendo apoiar-se nos próprios recursos, conseguiu levantar-se num prodígio de ligeireza, estacando, à frente dele, que a fitava, agora, com a expressão desconfiada de um animal repentinamente ferido.
– Papai, não me faça mais infeliz... Poupe-me a humilhação!...
O dono da casa, ao impacto da recusa imprevista, pareceu desligar-se do amigo desencarnado, lembrando a fera que se desvencilhasse, de inopino, do encantamento mantido pelo domador; entretanto, o parceiro trazia uma carga de paixão vigorosa demais para desistir facilmente. Retomou, impetuoso, o próprio
domínio, a ponto de antepor a máscara fisionômica ao semblante de Cláudio. Cerrava os punhos, despedia cólera letal. Estabeleciase pavoroso conflito na mente de cada um. Num deles, o desapontamento e o desespero, no outro, a malignidade e a agressão.
O pai adotivo, carregando o estranho fardo de angústia, mesclada de revolta, incapaz de compreender os sentimentos contraditórios que o faziam avizinhar-se da loucura, passou a clamar, inconsiderado:
– Isto é a explosão de muitos sofrimentos acumulados. Fiz tudo para esquecer e não pude... Que fazer com esta inclinação que me arrasta? Sou palha no vento, minha filha! Desde que a vi menina, carrego esta idéia fixa... Se eu fosse religioso, diria que um demônio mora dentro de mim. Um demônio que me atira constantemente sobre você. Em sua presença, quero pensar em você, como sendo minha filha, crescida em meus braços e não posso... Li muitos livros de Ciência para saber o que se passa, mas o enigma continua. Quis procurar um médico; entretanto, senti vergonha de mim próprio... É só você que eu vejo em tudo! Odeio Márcia, desprezo Marina... Tenho acalentado a esperança de uma viuvez que nunca chega, a fim de oferecer-me a você, sem condições...
Tenho ciúmes, ciúmes que me afogam a alma em labaredas...
Detesto esse rapaz leviano, inconsciente...
A voz de Cláudio amaciara-se, adquirindo tom lacrimoso. Identificava-se-lhe o abalo sentimental. O perseguidor duplicou em desprezo tudo o que ele exprimia em emotividade, provocando inesperada reviravolta. O pai enternecido deu lugar ao enamorado violento. Avinagrara-se a ternura, semelhando calda azedada.
Revelando súbito transtorno, deitou à filha adotiva um olhar de escárnio, traumatizando-a de horror, a esbravejar, dementado:
– “Não, não posso humilhar-me assim. Você sabe que não sou nenhum tonto. Há quinze dias, acompanhei vocês dois a Paquetá, sem que me vissem... Segui-lhes o passo descuidado e feliz, como se eu fosse um cão escoiceado pelo destino... Ao cair da noite, vi quando vocês dois se enlaçaram, trocando promessas e falando bobagens, na Ribeira... Arrastei-me no matagal e vi tudo... Desde então, enlouqueci... Pelo jeito, vocês andam acanalhados, há muito tempo... Você! você, que eu supunha intangível, entregue a um menino doido!... Ingênua! Julga que não tenho motivos para expulsá-la! Você imagina que me falta coragem para chamar às contas esse filho de papai rico?”
Tenho ciúmes, ciúmes que me afogam a alma em labaredas...
Detesto esse rapaz leviano, inconsciente...
A voz de Cláudio amaciara-se, adquirindo tom lacrimoso. Identificava-se-lhe o abalo sentimental. O perseguidor duplicou em desprezo tudo o que ele exprimia em emotividade, provocando inesperada reviravolta. O pai enternecido deu lugar ao enamorado violento. Avinagrara-se a ternura, semelhando calda azedada.
Revelando súbito transtorno, deitou à filha adotiva um olhar de escárnio, traumatizando-a de horror, a esbravejar, dementado:
– “Não, não posso humilhar-me assim. Você sabe que não sou nenhum tonto. Há quinze dias, acompanhei vocês dois a Paquetá, sem que me vissem... Segui-lhes o passo descuidado e feliz, como se eu fosse um cão escoiceado pelo destino... Ao cair da noite, vi quando vocês dois se enlaçaram, trocando promessas e falando bobagens, na Ribeira... Arrastei-me no matagal e vi tudo... Desde então, enlouqueci... Pelo jeito, vocês andam acanalhados, há muito tempo... Você! você, que eu supunha intangível, entregue a um menino doido!... Ingênua! Julga que não tenho motivos para expulsá-la! Você imagina que me falta coragem para chamar às contas esse filho de papai rico?”
CONTINUA AMANHÃ
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
CONSELHO DO DIA
Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
Grande honra e glória é servir-vos e desprezar tudo por vosso amor.
Porque copiosa graça alcançarão os que livremente se sujeitam ao vosso
santíssimo serviço.
Encontrarão suavíssima consolação do Espírito Santo
os que por vós desprezam todos os deleites carnais.
Conseguirão grande
liberdade da alma os que por vosso nome entram na vereda estreita e se
apartam de todos os cuidados mundanos.( Como, desprezando o mundo, é
doce servir a Deus)
Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.
Mas isso só você saberá entender.
SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
CONTINUA AMANHÃ
Alucinado de lascívia, envolveu-a em longo olhar, inferindo que, não fossem o temor de vê-la fugir em definitivo e o receio de verificar-se por ela própria desonrado, tomar-lhe-ia o colo entre os braços, qual guri destemeroso, buscando desentranhar-lhe a ternura.
Entanto, os derradeiros arrazoados esmaeciam. Esbarrondarase, dentro dele, a última trincheira que lhe cerceava os impulsos.
Sujeitou-se de todo à direção do vampirizador que o comandava.
Colaram-se, fundiram-se, enfim.
Marita ergueu para ele os olhos súplices, imitando as atitudes da ave perseguida, para quem não resta outra alternativa que não seja esperar pela piedade do atirador.
Jungido ao companheiro infeliz, Cláudio adiantou-se, acomodando-se, assumindo ares de protetor, resolvido a ultrapassar os limites da afeição pura e simples.
– Pelo que vejo, esse pilantra do Gilberto vem abusando... – sussurrou, adocicando a voz.
Em seguida, tomou-lhe a destra pequena entre as suas mãos nervosas, mal disfarçando a lubricidade duplicada que o possuía.
A jovem registrou o impacto das forças aviltadas a lhe requisitarem adesão, calando a repulsa. Escutara o apontamento, num misto de estranheza e revolta, mas, reprimindo-se, passou a responder, esforçando-se por desculpar o rapaz e atribuindo a si o desmantelo emotivo; entretanto, à medida que o pai adotivo dilatava a liberdade das atitudes, apagava-se-lhe a energia para a conversação, até que silenciou, como se o interesse, ao redor do problema, houvesse desaparecido de chofre. E, num átimo, realinhou
na mente as impressões amargas dos tempos últimos... Assinalara, havia meses, a reservada mudança do trato paterno. Desconcertava-se ao perceber que Cláudio demorava sobre ela o olhar insistente. Amedrontara-se. Reagira, porém, energicamente, con tra si mesma. Consagrava-lhe o respeitoso amor de filha reconhecida e não lhe cabia conspurcar sentimentos sempre mantidos
imáculos, desde a intimidade da infância. Opusera-se à suspeita. Lutara, não queria aceitar-se visada por ele, sob a inspiração de qualquer propósito menos digno.
Ainda assim, por mais brandisse argumentos contra si própria, inexplicável sensação advertia-lhe o espírito, exortando-a a policiar as maneiras com que Cláudio agora a cercava. Pelos motivos mais fúteis, exagerava cuidados, multiplicando frases de dúbio sentido.
Torturada pela dúvida, afirmava a sua desconfiança e desdizia-se, intimamente.
Naquele instante, porém, o instinto de defesa sentenciava prudência, segredava-lhe vigilância. Pressentindo, em espírito, a presença do “outro”, arregimentou, sem querer, todas as suas forças na posição de alarma.
O contacto de Cláudio comunicava-lhe insegurança.
Batia-lhe o coração desritmado, ao senti-lo ensaiando meios de enlaçar-se a ela, ávido de carinho.
– Não negue, filha – entaramelou-se o pai, um tanto trêmulo –, não desejo contrariá-la, mas venho analisando, analisando...
Você não nasceu para esse meninão caprichoso. Compreendo você... Não sou apenas seu pai pelo coração, sou também seu amigo... Esse rapaz...
Marita cobrou ânimo e, antecipando-se-lhe às ilações reticenciosas, explicou ingenuamente que amava a Gilberto, que lhe hipotecava confiança, que o pai estivesse tranqüilo, e acentuou, sorrindo quase, que as lágrimas daqueles minutos não se reportavam a qualquer desgosto e sim a indisposição orgânica indefinível.
Deduziu, de relance, que seria justo desvelar-lhe mais ampla zona da alma, anulando mal-entendidos no nascedouro, e, intencionalmente, prosseguiu confidenciando, a expor-lhe, com lealdade, a expectativa com que aguardava o anel esponsalício, determinada a medir as reações de Cláudio, a fim de orientar, sem
tergiversações, a própria conduta.
Atrapalhava-se, todavia, ao consignar-lhe a indignação pintada no rosto. Na meia-luz do quarto, podia ver-lhe a face congesta, nos esgares da ira.
Compreendeu que a borrasca naquele espírito voluntarioso se mostrava prestes a estalar; no entanto, continuou apresentando razões para colher reações.
E a explosão do interlocutor não se fez demorar.
Cerrando os punhos, Cláudio cortou-lhe a conversa, exclamando, irritado:
– Percebo, percebo, mas não precisa maçar-me... Estimo, porém, que você me conheça melhor o devotamento.
Avançando na intimidade, qual se aspirasse a enredá-la no próprio hálito, continuou – agindo por si e pelo “outro” – na queixa primorosamente lavrada:
– Filha, é necessário que você me ouça, que me entenda...
E, assaltando-lhe a emotividade para esbater-lhe a resistência:
– Você não desconhece o que sofro. Imagine a tragédia de um homem que morre, a pouco e pouco, desolado, sozinho... de um homem que dá tudo, sem nada receber... Você cresceu, vendo isso... Infelicidade, solidão. É impossível que não se condoa. Esta casa é meu deserto. Chego esfalfado, diariamente, sem achar mão amiga. Márcia, embora quarentona, vive de jogatinas e festas...
Você está moça, inexperiente, mas deve saber. Desculpe-me o desabafo, mas os próprios amigos me lastimam o drama... Estará você em condições de avaliar os conflitos de um pobre diabo algemado a companheira de vida irregular? Ela, porém, não me
Entanto, os derradeiros arrazoados esmaeciam. Esbarrondarase, dentro dele, a última trincheira que lhe cerceava os impulsos.
Sujeitou-se de todo à direção do vampirizador que o comandava.
Colaram-se, fundiram-se, enfim.
Marita ergueu para ele os olhos súplices, imitando as atitudes da ave perseguida, para quem não resta outra alternativa que não seja esperar pela piedade do atirador.
Jungido ao companheiro infeliz, Cláudio adiantou-se, acomodando-se, assumindo ares de protetor, resolvido a ultrapassar os limites da afeição pura e simples.
– Pelo que vejo, esse pilantra do Gilberto vem abusando... – sussurrou, adocicando a voz.
Em seguida, tomou-lhe a destra pequena entre as suas mãos nervosas, mal disfarçando a lubricidade duplicada que o possuía.
A jovem registrou o impacto das forças aviltadas a lhe requisitarem adesão, calando a repulsa. Escutara o apontamento, num misto de estranheza e revolta, mas, reprimindo-se, passou a responder, esforçando-se por desculpar o rapaz e atribuindo a si o desmantelo emotivo; entretanto, à medida que o pai adotivo dilatava a liberdade das atitudes, apagava-se-lhe a energia para a conversação, até que silenciou, como se o interesse, ao redor do problema, houvesse desaparecido de chofre. E, num átimo, realinhou
na mente as impressões amargas dos tempos últimos... Assinalara, havia meses, a reservada mudança do trato paterno. Desconcertava-se ao perceber que Cláudio demorava sobre ela o olhar insistente. Amedrontara-se. Reagira, porém, energicamente, con tra si mesma. Consagrava-lhe o respeitoso amor de filha reconhecida e não lhe cabia conspurcar sentimentos sempre mantidos
imáculos, desde a intimidade da infância. Opusera-se à suspeita. Lutara, não queria aceitar-se visada por ele, sob a inspiração de qualquer propósito menos digno.
Ainda assim, por mais brandisse argumentos contra si própria, inexplicável sensação advertia-lhe o espírito, exortando-a a policiar as maneiras com que Cláudio agora a cercava. Pelos motivos mais fúteis, exagerava cuidados, multiplicando frases de dúbio sentido.
Torturada pela dúvida, afirmava a sua desconfiança e desdizia-se, intimamente.
Naquele instante, porém, o instinto de defesa sentenciava prudência, segredava-lhe vigilância. Pressentindo, em espírito, a presença do “outro”, arregimentou, sem querer, todas as suas forças na posição de alarma.
O contacto de Cláudio comunicava-lhe insegurança.
Batia-lhe o coração desritmado, ao senti-lo ensaiando meios de enlaçar-se a ela, ávido de carinho.
– Não negue, filha – entaramelou-se o pai, um tanto trêmulo –, não desejo contrariá-la, mas venho analisando, analisando...
Você não nasceu para esse meninão caprichoso. Compreendo você... Não sou apenas seu pai pelo coração, sou também seu amigo... Esse rapaz...
Marita cobrou ânimo e, antecipando-se-lhe às ilações reticenciosas, explicou ingenuamente que amava a Gilberto, que lhe hipotecava confiança, que o pai estivesse tranqüilo, e acentuou, sorrindo quase, que as lágrimas daqueles minutos não se reportavam a qualquer desgosto e sim a indisposição orgânica indefinível.
Deduziu, de relance, que seria justo desvelar-lhe mais ampla zona da alma, anulando mal-entendidos no nascedouro, e, intencionalmente, prosseguiu confidenciando, a expor-lhe, com lealdade, a expectativa com que aguardava o anel esponsalício, determinada a medir as reações de Cláudio, a fim de orientar, sem
tergiversações, a própria conduta.
Atrapalhava-se, todavia, ao consignar-lhe a indignação pintada no rosto. Na meia-luz do quarto, podia ver-lhe a face congesta, nos esgares da ira.
Compreendeu que a borrasca naquele espírito voluntarioso se mostrava prestes a estalar; no entanto, continuou apresentando razões para colher reações.
E a explosão do interlocutor não se fez demorar.
Cerrando os punhos, Cláudio cortou-lhe a conversa, exclamando, irritado:
– Percebo, percebo, mas não precisa maçar-me... Estimo, porém, que você me conheça melhor o devotamento.
Avançando na intimidade, qual se aspirasse a enredá-la no próprio hálito, continuou – agindo por si e pelo “outro” – na queixa primorosamente lavrada:
– Filha, é necessário que você me ouça, que me entenda...
E, assaltando-lhe a emotividade para esbater-lhe a resistência:
– Você não desconhece o que sofro. Imagine a tragédia de um homem que morre, a pouco e pouco, desolado, sozinho... de um homem que dá tudo, sem nada receber... Você cresceu, vendo isso... Infelicidade, solidão. É impossível que não se condoa. Esta casa é meu deserto. Chego esfalfado, diariamente, sem achar mão amiga. Márcia, embora quarentona, vive de jogatinas e festas...
Você está moça, inexperiente, mas deve saber. Desculpe-me o desabafo, mas os próprios amigos me lastimam o drama... Estará você em condições de avaliar os conflitos de um pobre diabo algemado a companheira de vida irregular? Ela, porém, não me
CONTINUA AMANHÃ
terça-feira, 16 de outubro de 2012
CONSELHO DO DIA
Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
Facilmente serás enganado, se só olhares para as aparências dos
homens.
Se procuras alívio e proveito nos outros, quase sempre terás
prejuízo.
Procura a Jesus em todas as coisas, e Jesus acharás.
Se te
buscas a ti mesmo, também te acharás, mas para a tua ruína. Pois o homem
que não busca a Jesus é mais nocivo a si mesmo que todo o mundo e seus
inimigos todos. ( Do amor de Jesus sobre todas as coisas)
Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.
Mas isso só você saberá entender.
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