sexta-feira, 6 de julho de 2012

SOMBRAS DO PASSADO - Livro de Haroldo Freitas

CONTINUAÇÃO


     - Glória é Beatriz. Você não telefonou. Fiquei ansiosa por notícias. Liguei para o celular da Carol, mas está desligado.
     - A D. Cida bloqueou os telefonemas para chamadas, eles só recebem e tomou o celular da Carol. A senhora precisa, urgentemente, fazer alguma coisa. A coitadinha da Carol só faz chorar. Levei o almoço, mas ela nem tocou.
     - Glória transfira a ligação paras o quarto dela.
     - Não posso. A D. Cida desligou a extensão. Disse que ela vai ficar incomunicável, até resolver dizer o nome do rapaz.
     - Não é possível, a Cida está louca. Prender a filha no quarto e deixa-la incomunicável. Não acredito que na virada do ano dois mil, ainda, existam pessoas agindo como estivessem no século passado.
     - A senhora quer mandar algum recado paras ela? Está na hora de levar o lanche. Só posso entrar no quarto nos horários de refeições.
     - Diga para ela ficar calma e fazer as refeições. Diga, também, que vou falar com o meu filho, para trazê-la para morar comigo.
     - Darei o recado. Vou ter que desligar porque está passando o horário do lanche e logo a D. Cida vai descer para reclamar. A chave do quarto fica com ela e vai reclamar por ter passado do horário.
     - Está bem, antes vou pedir mais um favor. Quando o Ronaldo chegar diga que quero vê-lo e que amanhã, antes de ir para o Escritório, passe aqui. Quando voltar do Centro telefono novamente, deve ser por volta das dez horas. Procure estar perto do telefone neste horário. Até logo e cuide bem de Carol.
     - Até logo D. Beatriz, ficarei esperando o seu telefonema.
     Antes das cinco horas, D. Beatriz foi para o Centro, queria dividir suas apreensões com o Sr. Mário e Patrícia e, também, encontrar soluções, até porque, as pessoas de fora têm mais possibilidades, por agirem com a razão e não com o coração, como acontece com as pessoas que estão dentro do problema.
     Com estes pensamentos chegou ao seu destino e dirigiu-se à sala da Diretoria, onde os médiuns se reuniam para acerto dos últimos detalhes dos trabalhos do dia, apoio entre si e concentração espiritual, antes do inicio do atendimento aos necessitados.
     Na sala encontravam-se, além do Sr. Mário, mais cinco médiuns, porém Patrícia não tinha chegado. Dirigiu-se aos presentes dizendo:
     - Boa tarde para todos. Que a Paz de DEUS esteja conosco. Sr. Mário preciso falar com o senhor sobre o problema da minha neta, mas gostaria que a Patrícia estivesse presente. Como o senhor, ela é conhecedora de todo o caso.
     - Vamos aguardá-la mais um pouco, ela está para chegar. Enquanto isso, vamos acertar os detalhes para iniciarmos, hoje, o trabalho de desobsessão coletiva. O número de pacientes cresceu muito e, individualmente, não temos condições físicas para atender a todos.
     - Quantos médiuns efetivos nós temos – perguntou D. Mariana, uma das mais antigas médiuns do Centro.
     - D. Beatriz pode informar isso, ela controla a frequência dos médiuns.
     - Nós temos vinte e cinco cadastrados, mas, podemos contar com dezoito, que raramente faltam e quando assim o fazem, avisam com antecedência.
     - Muito bem. O que acham de começarmos atendendo quinze pessoas de cada vez? Em dez rodadas atenderíamos cento e cinquenta pessoas, que é, mais ou menos, o número de atendimentos em dia de desobsessão.
     - E qual o tempo de duração de cada rodada? – perguntou, novamente, D. Mariana.
     - Acho que, no máximo, demoraríamos sete minutos – respondeu o Sr. Mário.
     - Em quinze rodadas, gastaríamos uma hora e quarenta e cinco minutos, ou seja, terminaríamos por volta das nove e quinze, bem antes do horário de encerramento, ou seja, quinze minutos antes. Concordo, plenamente, com o novo sistema – complementou D. Mariana.
     D. Beatriz pediu licença aos presentes, agora já era mais de vinte médiuns presentes, inclusive a Patrícia e disse:
     - Antes de colocarmos em votação o novo sistema de atendimento, gostaria de sugerir, para aqueles mais necessitados, um atendimento individual, ou seja, após o atendimento coletivo faríamos o individual.
     - E quem escolheria os mais necessitados? A senhora sabe que todos querem atendimento especial – perguntou outra médium, a Ivete, também, colaboradora antiga do Centro.
     - Esta escolha, ou melhor, classificação, seria feito, criteriosamente, pelo dirigente do trabalho e  sempre levando em conta a necessidade e não a vontade do paciente.
     - Fiquei satisfeita com os esclarecimentos de D. Beatriz, acho que já podemos fazer a votação – complementou Ivete.
     - Meus queridos irmãos, como Presidente da Diretoria do Centro e, principalmente, como amigo, gostaria de fazer um apelo a vocês. Estão presentes vinte e três médiuns, com este número poderemos fazer atendimentos para vinte e três pacientes por vez, o que nos daria mais tempo para atendermos os mais necessitados, individualmente. Portanto, peço a vocês que façam um maior esforço para não faltarem nos dias de desobsessão.
     - Sr. Mário para realizarmos esse trabalho precisamos do mesmo número de doutrinadores

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ATITUDES DE URGÊNCIA - EMMANUEL - CHICO XAVIER

quinta-feira, 5 de julho de 2012

CONSELHO DO DIA




Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
 
Verdadeiramente, da cruz tudo depende, e em morrer para si mesmo está tudo; não há outro caminho para a vida e para a verdadeira paz interior, senão o caminho da santa cruz e da contínua mortificação. 
Vai para onde quiseres, procura quanto quiseres, e não acharás caminho mais sublime em cima nem mais seguro embaixo que o caminho da santa cruz. 
Dispõe e ordena tudo conforme teu desejo e parecer, e verás que sempre hás de sofrer alguma coisa, bom ou mau grado teu; o que quer dizer que sempre haverás de encontrar a cruz. 
Ou sentirás dores no corpo, ou tribulações no espírito.

Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.





PENSAMENTO DO DIA


Nascer é uma possibilidade. 
Viver é um risco. 
Envelhecer é um privilégio. 
Transformar depende da vontade. 
Realizar é nossa responsabilidade.
 

MENSAGEM DIÁRIA



Feliz é quem for capaz de mudar a si mesmo, porque o mundo melhora a partir de cada um.
 

SOMBRAS DO PASSADO - Livro de Haroldo Freitas


CONTINUAÇÃO


passando a responsabilidade de pai para a senhora. Portanto, a partir deste momento, o problema vai ser resolvido a minha maneira.
     - O Ronaldo não passou nada para mim, fui eu quem o aconselhou a ir para o Escritório. Ele estava muito e não tinha condições psicológicas para conversar com a filha.
     - Não tinha condições psicológicas para resolver à sem vergonhice da filha, mas teve para ameaçar me abandonar. Provavelmente tem uma amante e vai aproveitar a oportunidade, dada por esta vagabunda, para passar a morar com ela. 
     - A sua raiva e revolta estão lhe tirando a razão. Você precisa ter calma, paciência e voltar a raciocinar com lógica e equilíbrio.
     - A senhora está querendo dizer que estou ficando louca?
     - Claro que não minha filha. A situação é que não a deixa agir com moderação. Parece que você está mais preocupada em esconder o problema dos vizinhos e amigos, do que resolvê-lo.
     - Por favor, vamos encerrar o assunto para que não nos ofendamos mutuamente. Carol suba para o seu quarto e não saia, sob qualquer pretexto.
     - A senhora poderá fazer o que quiser, até me matar de pancada, mas não direi o nome do pai do meu filho e nem farei aborto.
     Cida partiu para cima da filha, porém, D. Beatriz colocou-se à frente de Carol, protegendo-a contra a fúria da mãe.
     - D. Beatriz saia da frente que quero ensinar esta vagabunda a respeitar-me.
     - Se você bater nela, juro que tomarei providencia enérgica. Recorrerei a Policia e ao Juizado de Menores.
     - Era só o que faltava além desta vagabunda envergonhar a nossa família, a senhora quer aumentar o escândalo, colocando o nosso nome nas paginas policiais. Isto é o fim do mundo.
     - Você é quem está transformando a gravidez de sua filha em escândalo. Carol troque de roupa e vamos para minha casa, lá você será tratada como um ser humano, como uma pessoa normal.
     - Nada disso, ela é minha filha e ficará aqui até quando eu quiser.
     - Muito bem, mas não esqueça, se eu tomar conhecimento de qualquer agressão física contra ela, tomarei as providências necessárias para retirá-la da sua guarda. Vá para o seu quarto minha filha e qualquer coisa telefone para mim.
     - Está bem vovó, não se preocupe, eles nunca se interessaram por mim e não será agora que o farão.
     - Filha eles não estão interessados na sua situação e sim, principalmente a sua mãe, estão preocupados com o que irão falar os vizinhos e amigos – D. Beatriz falou baixinho em seu ouvido.
     Carol subiu para o seu quarto, seguida por Cida que queria certificar-se, realmente, se ela iria ficar no castigo. Depois que Carol entrou no quarto, Cida trancou a porta levando a chave.
D. Beatriz despediu-se de D. Glória, dizendo:
     - Glória a minha nora está fora de si. Vou para casa, mas gostaria que você me telefonasse se ela ou o Ronaldo fizerem alguma coisa com a Carol. Pode telefonar qualquer hora, se por acaso, eu não estiver em casa, diga o que está ocorrendo para a Janete, que ela me localizará onde eu estiver.
     - Pode deixar D. Beatriz, qualquer anormalidade eu lhe telefono. Acho, se a Carol ficar em seu quarto sem tentar pular a janela, eles não farão nada contra ela.
     D. Beatriz foi direto para casa. Pressentia que aquela situação iria se agravar. Cida muito apegada aos preconceitos e tabus da sociedade, jamais aceitaria a gravidez da filha. Se o rapaz fosse filho de família bem situada, tentaria fazer o casamento, caso contrário, obrigaria a filha fazer um aborto. Não, isto não poderia acontecer. Aqueles três estavam enredados pelos erros que cometeram em reencarnações passadas, precisando aproveitar a oportunidade, nesta reencarnação, para resgatarem suas dividas e reconciliarem-se entre si, não poderiam cometer mais um erro gravíssimo, praticando um aborto.
     Logo que chegasse ao Centro, conversaria com o Sr. Mário e Patrícia, para pedir conselhos e ajuda para o seu filho e a família. Precisava fazer alguma coisa para ajuda-los. Mais do que alguém, sabia o que estava acontecendo com aquela família, assim como, sem ajuda de fora, eles não encontrariam a reconciliação para a qual vieram para este Planeta.
     Após o almoço, deitou-se e adormeceu. Já passava das três horas da tarde quando acordou. Imediatamente procurou por Janete.
     - Janete alguém telefonou para mim? A Glória deixou algum recado?
     - Não senhora. Não telefonaram, nem a D. Glória.
     - Não é possível, já são quase três e meia. Vou telefonar para Carol.
     O telefone de Carol estava desligado. A chamada caia na caixa de mensagem. Resolveu telefonar para o telefone fixo, provavelmente, seria a Glória que iria atender, caso fosse a Cida, desligaria sem dizer nada.
     - Alô, residência do Dr. Ronaldo, boa tarde.

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