A principal finalidade deste blog é a divulgação da Doutrina Espírita, codificada por ALLAN KARDEC, através de trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo, preces, orações, crônicas e comentários.Queremos, também, transformar esse blog em uma CASA ESPÍRITA VIRTUAL.
terça-feira, 15 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
MENSAGEM DIÁRIA
Viva com tanto amor no coração que, se por engano você for para o inferno, o próprio demônio lhe trará de volta ao paraíso.
Autor: Desconhecido
OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
CAPÍTULO 24
Dentro de poucos instantes, reuníamo-nos, de novo, ao grupo.
O administrador fez um sinal luminoso, em forma triangular,
e observei que todos os cooperadores se puseram de pé, em atitude
respeitosa.
– É o momento da oração, no Posto de Socorro – disse Alfredo,
gentil, como a prestar-nos esclarecimentos precisos.
O Sol desaparecera no firmamento, mas toda a cúpula celeste
refletia-lhe o disco de ouro, Os tons crepusculares encheram as
vizinhanças de maravilhosos efeitos de luz, muito visíveis agora
ao nosso olhar, porque Alfredo, sem que eu pudesse conhecer o
motivo, mandara apagar todas as luzes artificiais, antes da oração.
No centro dos pavilhões, a sombra se fizera, desse modo, muito
intensa, mas o novo aspecto do firmamento, banhado em tonalidades
sublimes, dava-nos a impressão da permanência em prodigioso
palácio, em virtude do imenso teto azul iluminado a distância.
Fundamente impressionado, procurei convizinhar-me mais do
pequeno grupo de companheiros.
Do quadro de colaboradores do castelo, apenas algumas senhoras
permaneciam junto de nós, como se estivessem fazendo
honrosa companhia à nobre Ismália.
Os demais, homens e mulheres,
mantinham-se nos lugares de serviço que lhes competiam, não
longe das criaturas mumificadas.
Notei que, embora instado, Aniceto esquivou-se à chefia espiritual
da oração, alegando que, por direito, essa posição cabia à
devotada esposa de Alfredo.
Ismália, então, num gesto de indefinível delicadeza, começou
a orar, acompanhada por todos nós, em silêncio, salientando-se,
porém, que lhe seguíamos a rogativa, frase por frase, atendendo a
recomendações do nosso orientador, que aconselhou repetir, em
pensamento, cada expressão, a fim de imprimir o máximo ritmo e
harmonia ao verbo, ao som e à idéia, numa só vibração.
“Senhor! – começou Ismália, comovidamente – dignei-vos
assistir os nossos humildes tutelados, enviando-nos a luz de vossas
bênçãos santificantes.
Aqui estamos, prontos para executar
vossa vontade, sinceramente dispostos a secundar vossos altos
desígnios.
Conosco, Pai, reúnem-se os irmãos que ainda dormem,
anestesiados pela negação espiritual a que se entregaram no mundo.
Despertai-os, Senhor, se é de vossos desígnios sábios e misericordiosos,
despertai-os do sono doloroso e infeliz.
Acordai-os
para a responsabilidade, para a noção dos deveres justos!... Magnânimo
Rei, apiedei-vos de vossos súditos sofredores; Criador
compassivo, levantai as vossas criaturas caídas; Pai Justo, desculpai
vossos filhos desventurados! Permiti caia o orvalho do vosso
amor infinito sobre o nosso modesto Posto de Socorro!... Seja
feita a vossa vontade acima da nossa, mas se é possível, Senhor,
deixai que os nossos doentes recebam um raio vivificante do Sol
da vossa bondade!...”
A voz de Ismália penetrava-me o recesso do coração.
Observando-a, por um momento, reparei que a esposa de Alfredo
se transfigurara. Luzes diamantinas irradiavam de todo o
seu corpo, em particular do tórax, cujo âmago parecia conter
misteriosa lâmpada acesa.
Em vista da ligeira pausa que imprimira à oração, observei a
nós outros, verificando que o mesmo fenômeno se dava conosco,
embora menos intensamente.
Cada qual parecia, ali, apresentar
uma expressão luminosa, gradativa.
As senhoras que acompanhavam
Ismália estavam quase semelhantes a ela, como se trajassem
soberbos costumes radiosos, em que predominava a cor azul.
Depois delas, em brilho, vinha a luz de Aniceto, de um lilás surpreendente.
Em seguida, tínhamos Alfredo, cuja luz era de um
verde suave e sugestivo, sem grande esplendor.
Depois dele,
vinham alguns servidores ostentando na fronte claridades sublimes,
expressas em variadas cores, e, logo após, Vicente e eu,
mostrávamos fraca luminosidade, a qual, porém, nos enchia de
júbilo intenso, considerando que a maioria dos cooperadores em
serviço apresentava o corpo obscuro, como acontece na esfera
carnal.
Com voz pausada e comovedora, Ismália prosseguiu:
“Temos, ao nosso lado, Senhor, infortunadas mães que não
souberam descobrir o sentido sublime da fé, resvalando, imprudentemente,
nos despenhadeiros da indiferença criminosa; pais
que não conseguiram ultrapassar a materialidade no curso da
existência humana, incapazes de ver a formosa missão que lhes
confiastes; cônjuges desventurados pela incompreensão de vossas
leis augustas e generosas; jovens que se entregaram, de corpo e
alma, aos alvitres da ilusão!... Muitos deles, atolaram-se no pantanal
do crime, agravando débitos dolorosos! Agora dormem, Pai,
à espera de vossos desígnios santos.
Sabemos, contudo, Senhor,
que este sono não traduz repouso do pensamento... Quase todos os
nossos asilados são vitimas de terríveis pesadelos, por terem
olvidado, no mundo material, os vossos mandamentos de amor e
sabedoria.
Sob a imobilidade aparente, movimenta-se-lhes o
Espírito, entre aflições angustiosas que, por vezes, não podemos
sondar.
São eles, Pai, vossos filhos transviados e nossos companheiros
de luta, necessitados de vossa mão paternal para o caminho!
Quase todos se desviaram da senda reta, pelas sugestões da
ignorância que, como aranha gigantesca dos círculos carnais, tece
os fios da miséria, enredando destinos e corações! Deprecando
vossa misericórdia para eles, rogamos, igualmente para nós, a
verdadeira noção da fraternidade universal!
Ensinai-nos a transpor
as fronteiras de separação para que vejamos em cada infeliz o
irmão necessitado do nosso entendimento!
Ajudai-nos a compreensão,
a fim de que venhamos a perder todo impulso de acusação
nas estradas da vida!
Ensinai-nos a amar como Jesus nos amou!
Também nós, Senhor, que aqui vos rogamos, fomos leprosos
espirituais, cegos do entendimento, paralíticos da vontade, filhos
pródigos do vosso amor!...
Também nós já dormimos, em tempos
idos, nos Postos de Socorro da vossa misericórdia!... Somos simples
devedores, ansiosos de resgatar imensos débitos!
Sabemos
que vossa bondade nunca falha e esperamos confiantes a bênção
de vida e luz!...”
Fizera Ismália nova pausa, agora mais longa. Enxuguei os olhos
umedecidos de pranto.
Suave calor, todavia, apossava-se-me
da alma. E tão intensa era essa nova sensação de conforto, que
interrompi a concentração em mim mesmo, a fim de olhar em
torno.
Fixando instintivamente o alto, enxerguei, maravilhado,
grande quantidade de flocos esbranquiçados, de tamanhos variadíssimos,
a caírem copiosamente sobre nós que orávamos, exceto
sobre os que dormiam.
Tive a impressão de que eram derramados
do céu sobre nossa fronte, caindo com a mesma abundância sobre
todos, desde Ismália ao último dos servidores.
Não cabia em mim
de admiração, quando novo fenômeno me surpreendeu.
Os flocos
leves desapareciam ao tocar-nos, começando, porém, a sair de
nossa fronte e do peito grandes bolhas luminosas, com a coloração
da claridade de que estávamos revestidos, elevando-se no ar e
atingindo as múmias numerosas.
Ainda aí, reparava o problema da
gradação espiritual. As luzes emitidas por Ismália eram mais
brilhantes, intensas e rápidas, alcançando muitos enfermos de uma
só vez.
Em seguida, vinham as fornecidas pelas senhoras do seu
círculo pessoal.
Depois, tínhamos as de Aniceto, de Alfredo e dos
demais.
Os servos de corpo obscuro emitiam vibrações fracas,
mas visivelmente luminosas.
Cada qual, naquele instante de contacto com o plano superior, revelava o valor próprio na cooperação
que podia prestar.
Observando-me o assombro, Aniceto falou-me aos ouvidos:
– Na prece encontramos a produção avançada de elementosforça.
Eles chegam da Providência em quantidade igual para todos
os que se dêem ao trabalho divino da intercessão, mas cada Espírito
tem uma capacidade diferente para receber.
Essa capacidade é a conquista individual para o mais alto. E
como Deus socorre o homem pelo homem e atende a alma pela
alma, cada, um de nós somente poderá auxiliar os semelhantes e
colaborar com o Senhor, com as qualidades de elevação já conquistadas
na vida.
CONTINUA AMANHÃ
domingo, 13 de maio de 2012
CRÔNICA DOMINICAL
PARA SEMPRE
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
MENSAGEM DO DIA
Se você não tem motivos para sorrir, pelo menos não dê motivos para os outros chorarem.
Autor: Desconhecido
MENSAGEM DO DIA
MÃE
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Cora Coralina
OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
CAPÍTULO 23
PESADELOS
Enquanto Alfredo continuava dirigindo os serviços, nosso
instrutor, com a permissão dele, conduziu-nos aos leitos distantes,
onde se asilavam os enfermos desatendidos quanto ao auxílio
magnético.
– Precisamos acentuar experiências e aproveitar oportunidades
– afirmou Aniceto, sorridente.
Acompanhamo-lo, curiosos, identificando as expressões isoladas,
dolorosas ou terríveis, daquelas máscaras mortuárias.
Quando nos encontrávamos a regular distância da zona central,
o instrutor esclareceu, em tom grave:
– Desejaria conhecer a extensão dos benefícios colhidos por
vocês no Gabinete de Auxílio Magnético às Percepções.
Para
ajudar eficientemente aos nossos amigos encarnados, é necessário
saibamos ver com clareza e precisão.
Indicando os doentes imóveis, acrescentou:
– Todos os que dormem nestes pavilhões permanecem dentro
do mau sono.
– Mas teremos, porventura, nas zonas espirituais, os que estejam
em bom sono? – interrogou Vicente, de modo brusco.
– Sem dúvida – respondeu Aniceto, solícito –, temos na esfera
de nossas atividades os que repousam períodos curtos, quais
trabalhadores retos que esperam o repouso noturno, com a tranqüilidade
dos que sabem trabalhar e descansar, de consciência
aliviada.
Fez uma pausa, como quem estudava o melhor meio de sintetizar,
por não perder tempo, e acentuou:
– Mas esses não precisam estacionar, como filhos da sombra,
nas construções de emergência de um Posto de Socorro.
Em seguida, retomou o fio da lição e continuou:
– Quem dorme em desequilíbrio, entrega-se a pesadelos.
Todos
estes irmãos desventurados que nos cercam, aparentemente
mortos, são presas de horríveis visões íntimas.
Vejamos o aproveitamento
de vocês.
Procedamos a observações rápidas. Antigamente,
o inquérito anatômico, o exame das vísceras, a perquirição
científica nas células, também aparentemente mortas; agora, a
auscultação profunda da alma, a sondagem dos sentimentos, a
visão do plano mental.
E, com expressão decidida, concluiu, resoluto:
– Mãos à obra!
Designando-me um corpo envelhecido de mulher, recomendou:
– Você, André, examine detidamente essa irmã.
Abstenha-se
de todas as considerações do plano exterior. Observe-a com todas
as possibilidades e percepções ao seu alcance.
Sinceramente interessado em atender, não reparei nas ordens
que o nosso instrutor transmitia a Vicente.
Procurei esquecer os quadros externos, focalizando aquela
máscara feminina com todos os meus recursos mentais.
A medida
que me despreocupava dos interesses diferentes, observava a
sombra cinzento-escura que se lhe ia condensando em torno da
fronte.
A visão parecia auxiliar-me o poder de concentração.
Reconhecendo que o fenômeno se acentuava, não mais lembrei
qualquer objeto ou situação exterior.
Estupefato, comecei a divisar
formas movimentadas no âmbito da pequena tela sombria.
Surgiu uma casa modesta de cidade humilde.
Tive a impressão de
transpor-lhe a porta.
Lá dentro, um quadro horrível e angustioso.
Uma senhora de idade madura, demonstrando crueldade impassível
no rosto, lutava com um homem embriagado.
– “Ana! Ana! pelo amor de Deus! não me mates!” – dizia ele,
súplice, incapaz de defender-se.
– “Nunca! Nunca te perdoarei!! – exclamava a mulher, acrescentando
em tom lúgubre – “Morrerás esta noite”. – vi o infeliz
cair, exausto.
– “Envenenaste-me com bebida mortal” – exclamava ele, lacrimoso
– “perdoa-me se te causei algum mal! Sou pai! Ana!
preciso viver para meus filhos! Não me mates, por piedade!”
Ela ouviu com frieza e respondeu duramente: – “Morrerás
mesmo assim.
Tenho a infelicidade de amar-te, a ti que pertences
a outra mulher! Não quiseste seguir-me e preciso vingar-me!”
Rebolcando-se no assoalho, tomava o infeliz: – “Deus sabe
que estou arrependido do meu criminoso passado! Quero viver
para o bem, Ana! Perdoa-me por amor do Eterno Pai! Quem sabe
poderei auxiliar-te como irmão? Ajuda-me para que te possa
ajudar! Não me mates! Não me mates!”
A mulher, porém, como se tivesse a maldade agravada, ao
ouvir a expressão da virtude, tomou de um pesado martelo e
exclamou: –
“Deus não existe! Deus não existe! Morrerás, infame!”
E, de súbito, crivou-lhe o crânio de marteladas surdas.
O homem
expirou sem um grito.
Logo após, vi a criminosa conduzindo
o cadáver em carrinho de mão, através de um trilho ermo.
Acompanhava-lhe os movimentos com interesse.
A noite estava muito
escura, mas observei a parada junto à via férrea.
Sondou os arredores,
certificou-se do insulamento em que se encontrava e depôs
a estranha carga sobre os trilhos.
Vi-a dispondo o cadáver para
que a cabeça fosse decepada à passagem do comboio, retirando-se
apressadamente, reconduzindo o pequeno carro vazio.
Não esperei
a máquina de ferro.
Segui a mulher que me pareceu inquieta e
pensativa.
Antes, porém, que depusesse o carrinho no extenso
quintal, vi que arregalava os olhos como louca, cercada de seres
que me pareceram bandidos de negras vestes.
Era ela, agora,
quem acusava estranha embriaguez de pavor.
Vencera um pobre
homem invigilante, mas, a meu ver, seria vencida por seres mais
perversos, talvez, que ela própria: – “Acudam-me! acudam-me!”
– gritava, espavorida.
E continuava a cena, em que a desventurada
golfava súplicas em vão.
Senti-me como espectador que precisasse movimentar qualquer
socorro.
E, graças à Bondade Divina, não experimentei pela
mulher infeliz senão a mais viva compaixão.
Ao primeiro impulso
de revolta pelo crime consumado, recordei as lições já recebidas
em “Nosso Lar” e pensei na possibilidade de ser a criminosa
alguma pessoa querida ao meu coração.
Se Ana estivesse no
mundo, ao meu lado, na família do sangue, não desejaria auxiliála?
Porque haveria de acusá-la, se não lhe conhecia o passado
total?
Ter-lhe-iam dado a educação na infância, a bênção do lar, a
segurança de um afeto sem manchas?
Quem sabe viera de longe,
como pedra incompreendida, rolando nos abismos do sofrimento?
Que laços a uniriam à vítima, igualmente digna de piedade fraternal?
Como teria começado o drama doloroso?
Não sabia. Enxergava
somente a pobre mulher rodeada de sombras agressivas,
implorando socorro.
Ignorava como ajudá-la, mas recordei que
Ana era minha irmã, filha do mesmo Pai, irmã que adoecera no
caminho comum, sem que eu pudesse, pelo menos por agora,
indagar a causa.
Procurava, comigo mesmo, algum meio de auxiliá-la, quando alguém me chamou de súbito.
Era Aniceto que exclamava, bondoso:
– Venha, André! Vicente e você têm sabido aproveitar alguma
coisa.
Estou satisfeito. Seus pensamentos de fraternidade e paz
muito auxiliaram essa irmã infeliz.
Guarde a certeza disso e continue buscando a compreensão para socorrer e ajudar com êxito.
Conforme observaram de perto, sabem agora que cada um dos que
aqui dormem sono atormentado, vivem estranhos pesadelos, de
que não podem isentar-se de um instante para outro.
Não precisamos
comentar qualquer episodio dessas existências vividas em
oposição à Vontade Divina.
Bastará lembrar sempre que a divida,
em toda parte, anda com os devedores.
E com expressivo olhar, acrescentou:
– Voltemos ao centro.
Devemos cooperar na oração.
CONTINUA AMANHÃ
sábado, 12 de maio de 2012
MENSAGEM DO DIA
Sorria! Sempre! Mesmo que a vida lhe diga não. Você não faz parte dos problemas , você é a solução.
Autor: Desconhecido
OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
CAPÍTULO 22
OS HOMENS QUE DORMEM
Seguimos através de longas filas de arvoredo acolhedor, rumo
às vastas edificações que obedeciam a linhas arquitetônicas singulares.
Sem que eu pudesse explicar o fenômeno, as luzes diminuíam
progressivamente. Que teria acontecido? Vicente e eu nos entreolhamos,
assustados.
Alfredo, Aniceto e os demais, todavia, caminhavam
sem surpresa.
A serenidade deles tranqüilizava-me o
íntimo, embora o espanto insofreável.
Mais alguns passos, atingimos os pavilhões diferentes, que se
estendiam em área superior a três quilômetros, pelos meus cálculos.
Lá dentro, contudo, as sombras se fizeram mais densas.
Conseguia
distinguir, vagamente, os quadros interiores, observando
que se tratava, a meu ver, de espaçosas enfermarias com teto
sólido, mas semi-abertas ao longo das paredes altas, dando livre
passagem ao ar.
Dezenas de operários, devotados e operosos, seguiam-nos em
absoluto silêncio.
Alfredo era o único a falar, notando-se, contudo, que se fizera
extremamente discreto nas palavras.
Tudo isso me dava a impressão de haver penetrado um cemitério
escuro, onde os visitantes fossem obrigados a guardar todo o
respeito aos mortos.
Com estranheza, notei que um dos servidores entregara ao
chefe do Posto pequenina máquina, que Alfredo nos deu a conhecer
gentilmente, explicando:
– Este é o nosso aparelho de sinalização luminosa.
Estamos
no centro dos pavilhões a que se recolhem irmãos ainda adormecidos.
Temos aqui, presentemente, quase dois mil.
Os numerosos cooperadores dirigiam-se em ordem para a zona
de serviços que lhes competiam.
Depois de pequena pausa, falou o administrador com firmeza:
– Iniciemos o trabalho de assistência.
Ao primeiro sinal luminoso de Alfredo, acenderam-se numerosas
lâmpadas elétricas e, então, dominando, a custo, a primeira
impressão de horror, vi extensas filas de leitos ao rés do chão,
ocupados todos por pessoas mergulhadas em profundo sono.
Muitos tinham o semblante horrendo.
Eram muito poucos os que
traziam as pálpebras cerradas, parecendo tranqüilos.
Em quase
todos, estampavam-se-lhes nos olhos, aparentemente vitrificados,
o extremo pavor e o doloroso desespero da morte.
Cadavérica
palidez cobria-lhes a face.
Recordando a literatura antiga, pensei nos velhos túmulos egípcios.
Tínhamos, diante de nós, centenas de múmias perfeitas.
Raríssimos pareciam dormir um sono natural.
Aproximando-se de nós outros, Alfredo falou a Aniceto, em
particular:
– Infelizmente, não podemos atender a todos.
– Porquê? – indagou nosso orientador, comovido.
– Estamos aguardando pessoal adestrado. Tenho aqui a colaboração
de oitenta auxiliares para este gênero de serviço; entretanto,
não pode cada qual atender a mais de cinco doentes de uma
só vez.
A vista disso, dos nossos mil novecentos e oitenta abrigados,
separei os quatrocentos mais suscetíveis de próximo despertar,
a fim de submetê-los ao tratamento intensivo.
– E os demais?
– Recebem alimento e medicação mais densos uma vez por
dia.
Aniceto calou-se, pensativo.
Profundamente tocado pelo que via, inclinei-me instintivamente
para o abrigado mais próximo, tentando examinar-lhe o
estado fisiológico.
Identifiquei o calor orgânico, a pulsação regular
e os movimentos respiratórios, embora verificasse a extrema
rigidez dos membros, como que mergulhados em imobilidade
cataléptica.
Indescritível impressão apoderou-se de mim.
Levantei-me assustado,
dirigi-me a Aniceto com a máxima discrição, e interroguei:
Explicai-me, por Deus! que vemos aqui?
Estamos, acaso, na
moradia da morte, depois da morte?
O instrutor sorriu, complacente, e explicou em voz quase imperceptível:
– Sim, André, este sono é, verdadeiramente, avançada imagem
da morte.
Aqui permanecem, com a bênção do abrigo, alguns
milhões dos nossos irmãos que ainda dormem.
São as criaturas
que nunca se entregaram ao bem ativo e renovador, em torno de
si, e mormente os que acreditaram convictamente na morte, como
sendo o nada, o fim de tudo, o sono eterno.
A crença na vida
superior é atividade incessante da alma.
A ferrugem ataca a enxada
ociosa. O entorpecimento invade o Espírito vazio de ideal
criador.
Os que, nos círculos carnais, homens e mulheres, crêem
na vida eterna, ainda que não sejam fundamentalmente cristãos,
estão desenvolvendo faculdades de movimentação espiritual e
podem penetrar as esferas extraterrenas em estado animador, pelo
menos quanto à locomoção e juízo mais ou menos exato.
No
entanto, as criaturas que perseveram em negação deliberada e
absoluta, não obstante, por vezes, filiadas a cultos externos de
atividade religiosa, que nada vêem além da carne nem desejam
qualquer conhecimento espiritual, são verdadeiramente infelizes.
Muitos penetram nossas regiões de serviço, como embriões de
vida, na câmara da Natureza sempre divina.
Um amigo nosso
costuma designá-los por fetos da espiritualidade; entretanto, a
meu ver, seriam felizes se estivessem nessa condição inicial.
Temos a certeza, porém, de que muitos se negaram ao contacto da
fé, absolutamente por indiferença criminosa aos desígnios do
Eterno Pai.
Dormem, porque estão magnetizados pelas próprias
concepções negativistas; permanecem paralíticos, porque preferiram
a rigidez ao entendimento; mas dia virá em que deverão
levantar-se e pagar os débitos contraídos.
Eis porque os considero
sofredores.
Primeiramente, demoram no sono em que acreditaram,
mais tarde acordam; porém, a maioria não pode fugir à enfermidade
e à perturbação, como acontece aos irmãos dementados, que
vimos inda há pouco.
Grande o meu assombro. Como Vicente se aproximasse, também,
para ouvi-lo, falou Aniceto, esclarecendo a nós ambos:
– A fé sincera é ginástica do Espírito. Quem não a exercitar
de algum modo, na Terra, preferindo deliberadamente a negação
injustificável, encontrar-se-á mais tarde sem movimento. Semelhantes
criaturas necessitam de sono, de profundo repouso, até
que despertem para o exame das responsabilidades que a vida
traduz.
Observando que o nosso orientador se esquivava a comentários
longos, para que pudéssemos seguir, de mais perto, os trabalhos
de assistência, calei as muitas indagações que me escaldavam
a mente.
Com exceção de algumas senhoras que permaneciam junto de
Ismália, todo. os servidores se mantinham em posição de vigilância,
ao pé dos grupos mumificados.
A luz artificial iluminava os
leitos, que se perdiam de vista, mas observei que nenhum dos
albergados reagia à intensa claridade que se fizera.
Continuavam
rígidos, cadavéricos, prostrados.
Notei, então, que Alfredo começou a mover o aparelho de sinalização,
para emitir as ordens de serviço. Cada sinal determinava
operação diferente.
Vi os servidores do Posto distribuírem pequenas porções de
alimento líquido e medicação bucal, em profundo silêncio.
Em
seguida, forneceram reduzidas quantidades de água efluviada aos
infelizes, com exceção, porém, de muitos que pareciam preparados
a receber, tão somente, caldo e remédio.
Dois terços dos
quatrocentos abrigados em tratamento receberam passes magnéticos.
Alguns poucos receberam aplicações do sopro curador.
Todos os movimentos do trabalho eram transmitidos pela sinalização
luminosa, partida das mãos do administrador, que parecia
interessado na manutenção do máximo silêncio.
Impressionado
com o que via, perguntei ao orientador, em voz baixa, a razão
de alguns enfermos não terem sido beneficiados com a água e
com o socorro de forças novas, através do passe e do sopro vivificante.
Aniceto, todo bondade, inclinou-se aos meus ouvidos, com a
ternura de um pai ansioso por tranqüilizar o filhinho inquieto, e
falou:
– Cada um na vida, meu caro André, tem a necessidade que
lhe é peculiar. Aqui, compreendemos com amplitude esse imperativo
da Natureza.
CONTINUA AMANHÃ
sexta-feira, 11 de maio de 2012
PENSAMENTO DO DIA
Jamais desista de seus sonhos, por mais que pareçam difíceis de consegui-los. Se tiveres coragem, conseguirás forças para alcançá-los e não serás conhecido como covarde.
Autor: Adriana
MENSAGEM DIÁRIA
A matéria mais complicada de se resolver é a vida, pois seus exercícios são longos e complicados de entender.
Autor: Rodrigo Ap.B.B.
OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
CAPÍTULO 21
ESPÍRITOS DEMENTADOS
Inúmeros servidores acompanhavam-nos ao serviço. Movimentavam-
se carregadores sem conta.
Conduziam grandes botijas
d'água, caldeirões de sopa, vasos de substância medicamentosa,
em galeotas diversas.
Mais alguns passos e notei que centenas de entidades se reuniam
em vastos albergues, olhos vagueantes e rostos sombrios,
parecendo uma assembléia de loucos em manicômio de amplas
proporções.
Alfredo aconselhou umas tantas providências de serviço à
maioria dos técnicos do sopro curativo, os quais se desviaram de
nós, rumo às edificações situadas em zona diferente.
Gentilmente nos explicava que os benfeitores de “Campo da
Paz” localizavam, ali, grande número de Espíritos enfermos, mais
desequilibrados que propriamente perversos.
Os doentes que
tínhamos sob os olhos permaneciam em melhores condições.
Já se
locomoviam e muitos deles já conversavam, apesar do desequilíbrio
que lhes assinalava as palavras e pensamentos.
Esclarecia-nos sobre as múltiplas obrigações do trabalho de
rotina, quando algumas entidades se acercaram, respeitosas:
– Senhor Alfredo – disse um velho de barbas muito alvas –,
estou aguardando o resultado da minha petição. Em que ficamos,
quanto às minhas terras e os escravos? Paguei bom preço ao Carmo
Garcia. Sabe o senhor que venho sendo perseguido durante
muitos anos, e não posso perder mais tempo.
Quando volto para
casa? Creio esteja o senhor ciente da necessidade de eu voltar ao
seio dos meus. Esperam-me a mulher e os filhos.
Como excelente médico da alma, Alfredo prestou a maior atenção
e respondeu, como se estivesse tratando com pessoa de
bom senso:
– Sim, Malaquias, você reclama com razão, mas sua saúde
não permite o regresso apressado. Você sabe que sua esposa,
Dona Sinhá, pediu fosse você aqui tratado convenientemente.
Creio que ela deve estar muito tranqüila a seu respeito.
Suas
idéias, porém, meu amigo, não estão ainda bem coordenadas.
Temos alguma coisa mais a fazer. Porque preocupar-se tanto,
assim, com as terras e os escravos? Primeiramente a saúde, Malaquias;
não esqueça a saúde!
O velho sorriu, como o doente apoiado na firmeza e no otimismo
do médico.
– Reconheço que as suas observações são justas, mas meus filhos
não se movem sem mim, são preguiçosos e necessitam da
minha presença.
Mas, doutrinando sutilmente o pobre velhinho, o administrador
objetou:
– Entretanto, donde vieram os filhos para os seus braços paternos?
Não vieram das mãos de Deus?
– Sim, sim... – afirmava o ancião, trêmulo e satisfeito.
– Pois é isso, Malaquias, chegam instantes na vida, em que
precisamos devolver a Deus o que a Ele pertence.
Além do mais,
seus filhos são também responsáveis e, se forem ociosos, responderão
pelos males que criarem em torno de si mesmos.
Por agora,
é indispensável que você se refaça, aclare as idéias e sossegue o
coração.
O velho sorriu, confortado, mas, antes que pudesse falar de
novo, um cavalheiro, denotando nobre aprumo, adiantou-se, exclamando:
– E a solução do meu processo, senhor Alfredo?
Sinto-me
prejudicado pelos parentes de má fé. Minha parte na herança dos
avós é cobiçada pelos primos.
Segundo já lhe fiz ver, meu quinhão
é superior aos demais. Soube, todavia, que o Visconde de
Cairu interpôs toda a sua influência contra mim.
Ninguém ignora
tratar-se de um grande velhaco.
Que não poderá ele fazer com as
artimanhas políticas?
Está mal informado a meu respeito.
O senhor
enviou meu pedido ao Imperador?
– Já expedi a mensagem – esclareceu Alfredo com carinho
fraternal –, o Imperador certamente levará em conta a solicitação.
– Entretanto, a demora é muito grande!... – falou o cavalheiro,
impaciente, como se estivesse diante de um subordinado vulgar.
– Mas, meu caro Aristarco – respondeu o administrador, muito
calmo –, acredito que você está sendo experimentado para
conhecer a grandeza da herança divina. Que valem os patrimônios
terrestres, ante os patrimônios imperecíveis?
Não pense no que
tem perdido; medite nos bens sublimes que poderá alcançar,
diante da Vida Eterna.
Esqueça os primos ambiciosos e o Visconde
que não o compreendeu.
Terão eles de deixar quanto possuem,
no campo transitório, a fim de prestarem contas à Divindade.
Nunca pensou nisto?
Aristarco pareceu perder, por momentos, a inquietação, sorriu
francamente e respondeu:
– É verdade! Os tratantes morrerão...
Uma senhora, mostrando-se aflita, pôs-se à nossa frente e interpelou,
altiva:
– Senhor Alfredo, peço-lhe não me retenha aqui.
Meu marido
é nosso próprio adversário.
Prometeu perseguir as filhas, tão logo
me ausentasse de casa.
Aqui permanecendo, estou certa de que ele
nos dissipará os bens, desmoralizar-nos-á o nome. Por favor,
autorize o meu regresso.
O coração me diz que as filhinhas estão
desesperadas. Convenço-me, cada vez mais, de que minha moléstia
teve origem neste estado de coisas...
– Já sei, minha irmã – respondeu o nosso amigo com a mesma
solicitude –; no entanto, que adiantaria regressar, tão fortemente
atormentada?
Não será melhor curar-se, tranqüilizar o espírito
para ajudar as filhinhas com eficiência?
– Mas, nem sequer sei onde estou – reclamou a pobre senhora,
torcendo as mãos –, creio me tenham trazido ao fim do mundo,
para tratamento de uma simples perda de sentidos!
– Todavia, ninguém a maltrata – disse o interlocutor, bondosamente
– e seu caso não é tão simples como parece.
Tenha calma.
Os laços consangüíneos são edificantes, mas, acima deles,
vibra a família universal.
Há criaturas suportando fardos muito
mais pesados que o seu.
Aprenda, quanto esteja em suas possibilidades,
a desfazer-se de aquisições passageiras, para ganhar os
eternos bens.
A infeliz não sorriu como os outros.
Fechando-se em sombria
catadura, afastou-se pesadamente, olhos fulgurantes de cólera,
como se a mente estivesse cravada muito longe, incapaz de qualquer
compreensão.
Adiantaram-se outros enfermos, mas o administrador falou
em voz alta:
– Não posso atender a todos no momento.
Depois de amanhã,
serão recebidos para explicações.
E, voltando-se para nós, esclareceu a sorrir:
– No circulo carnal, seriam todos absolutamente normais; no
entanto, aqui, são verdadeiros loucos.
São desencarnados que, por
muito tempo, se agarraram aos problemas inferiores
. Reclamam
providências, sem falar no ensejo de iluminação que menosprezaram,
acusam os outros, sem relacionarem os próprios erros.
Procurei ouvi-los para lhes dar uma idéia do nosso trabalho, no setor
dos que se desequilibram mentalmente por excesso de centralização
em propósitos inferiores.
Não é crime interessar-se alguém
pelas atividades rurais, pela recepção de uma herança, pelo bemestar
da família; mas, no fundo, o velhinho que reclama terras e
escravos nunca pensou senão em tirania no campo; o cavalheiro,
que aguarda a herança, deseja lesar os primos; e a senhora, que se
revelou tão interessada pelo ambiente doméstico, desencarnou
quando pretendia envenenar o marido, às ocultas.
Conheço-lhes os processos, um a um. Acordaram de longo
sono, na inconsciência, e julgam-se ainda encarnados, supondo
igualmente que podem dissimular as pretensões criminosas.
Eu estava assombrado.
Expressando minha profunda admiração,
perguntei:
– Esses doentes demoram-se aqui? Como alcançaram o Posto?
Gentil, como sempre, Alfredo respondeu:
– Foram recolhidos em pior estado. Já estiveram em pesado
sono durante muito tempo e vão readquirindo a memória, gradativamente,
até que possam ser encaminhados aos Institutos Magnéticos
de “Campo da Paz”, a fim de receberem maiores auxílios e
necessários esclarecimentos.
CONTINUA AMANHÃ
quinta-feira, 10 de maio de 2012
MENSAGEM DIÁRIA
As coisas mais simples da vida são as mais extraordinárias, e só os sábios conseguem vê-las.
Autor: Paulo Coelho
OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUÇÃO
CAPÍTULO 20
DEFESAS CONTRA O MAL
Descemos as escadarias e, em frente dos muros altos, pude
observar a extensão das defesas do soberbo edifício.
Aquela construção
grandiosa era muito mais importante que a de qualquer
castelo antigo, transformado em fortaleza.
Novamente no exterior, podia detalhar a visão panorâmica
com mais exatidão.
Reconhecia, agora, que entráramos por um
baluarte avançado, identificando a imponência da construção
majestosa.
Apresentavam-se-me as linhas gerais com nitidez.
Impressionavam-me, sobretudo, as fortificações.
Via a torre
de mensagem, consagrada, por certo, ao serviço de resistência; o
baluarte agudo, elevando-se acima dos fossos que deixavam
transbordar a água corrente; a torre de vigia, esbelta e alterosa.
Observei o caminho da ronda, a cisterna, as seteiras e, em seguida,
as paliçadas e barbacãs, refletindo na complexidade de todo
aquele aparelhamento defensivo.
E as armas? Identificava-lhes a
presença na maquinaria instalada ao longo dos muros, copiando
os pequenos canhões conhecidos na Terra. Entretanto, vi com
emoção, no cume da torre de vigia, a enorme bandeira de paz,
muito alva, tremulando ao vento como largo penacho de neve...
O administrador percebeu a estranheza que se apossara de
Vicente e de mim.
– Já sei a impressão que a nossa defesa lhes causa – disse Alfredo,
detendo-se para explicar.
Fixando-nos com o olhar muito lúcido, continuou:
– Naturalmente, não imaginavam necessárias tantas fortificações.
Conforme vêem, nossa bandeira é de concórdia e harmonia;
no entanto, é imprescindível considerar que estamos em serviço
que precisaremos defender, em qualquer circunstância.
Enquanto
não imperar a lei universal do amor, é indispensável persevere o
reinado da justiça.
Nosso Posto está colocado, aqui, igualmente,
como “ovelha em meio de lobos” e, embora não nos caiba efetuar
o extermínio das feras, necessitamos defender a obra do bem
contra os assaltos indébitos. As organizações dos nossos irmãos
consagrados ao mal são vastíssimas.
Não admitam a hipótese de
serem, todos eles, ignorantes ou inconscientes. A maioria se constitui
de perversos e criminosos.
São entidades verdadeiramente
diabólicas.
Não tenham disso qualquer dúvida.
– Deus meu! – exclamou Vicente, admirado – mas porque se
organizam deliberadamente para o mal? Não sabem, porventura,
que todos os patrimônios universais pertencem à Majestade Divina?
Não reconhecem o Soberano Poder?
– Ah! meu amigo – falou Alfredo em tom grave –, fiz as
mesmas perguntas quando aqui cheguei pela primeira vez. As
respostas que tive foram incisivas e concludentes.
Poderíamos,
Vicente, formular na Crosta as mesmas interrogações.
Os criminosos
que fazem as vítimas da guerra, os exploradores da economia
popular, os avarentos misérrimos, os sedentos de injustificado
predomínio e os vaidosos cheios de fatuidade sabem, tão bem
quanto os nossos adversários daqui, que tudo pertence a Deus, que
o homem é simples usufrutuário dos divinos bens.
Não ignoram
que os antepassados foram chamados à verdade e a contas pela
morte, e que eles seguirão os mesmos caminhos; entretanto, atormentam-
se na Crosta como verdadeiros loucos, amontoando
possibilidades para a ruína e abusando das oportunidades mais
santas.
Aqui se verifica a mesma coisa. Querem dominar antes de
se dominarem, exigem antes de dar e entram em perene conflito
com o espírito divino da lei. Estabelecido o duelo entre a fantasia
deles e a verdade do Pai, resistem às corrigendas do Senhor e
transformam-se, esses desventurados, em verdadeiros gênios da
sombra, até que, um dia, se decidam a novos rumos.
Intrigado com as profundas observações, perguntei:
– Mas, como explicar as bases de semelhante atitude? Na
Terra, compreendemos certos enganos, mas aqui...
O generoso interlocutor não me deixou terminar e prosseguiu:
– Na Crosta, nossos irmãos menos felizes lutam pela dominação
econômica, pelas paixões desordenadas, pela hegemonia de
falsos princípios.
Nestas zonas imediatas à mente terrestre, temos
tudo isso em identidade de condições.
Entre as entidades perversas
e ignorantes, há cooperativas para o mal, sistemas econômicos
de natureza feudalista, baixa exploração de certas forças da Natureza,
vaidades tirânicas, difusão de mentiras, escravização dos que
se enfraquecem pela invigilância, doloroso cativeiro dos Espíritos
falidos e imprevidentes, paixões talvez mais desordenadas que as
da Terra, inquietações sentimentais, terríveis desequilíbrios da
mente, angustiosos desvios do sentimento.
Em todo o lugar, meu
amigo, as quedas espirituais, perante o Senhor, são sempre as
mesmas, embora variem de intensidade e coloração.
– Mas... e as armas? – perguntei – acaso são utilizadas?
– Como não? – disse Alfredo, pressuroso – não temos balas
de aço, mas temos projéteis elétricos.
Naturalmente, a ninguém
atacaremos.
Nossa tarefa é de socorro e não de extermínio.
– No entanto – aduzi, sob forte impressão –, qual o efeito
desses projéteis?
– Assustam terrivelmente – respondeu ele, sorrindo – e, sobretudo,
demonstram as possibilidades de uma defesa que ultrapassa
a ofensiva.
Mas apenas assustam? – tornei a interrogar.
Alfredo sorriu mais significativamente e acrescentou:
– Poderiam causar a impressão de morte.
– Que diz! – exclamei com insofreável espanto.
O administrador meditou alguns instantes e, ponderando, talvez,
a gravidade dos esclarecimentos, obtemperou:
– Meu amigo! meu amigo! se já não estamos na carne, busquemos
desencarnar também os nossos pensamentos.
As criaturas
que se agarram, aqui, às impressões físicas, estão sempre criando
densidade para os seus veículos de manifestação, da mesma forma
que os Espíritos dedicados à região superior estão sempre purificando
e elevando esses mesmos veículos. Nossos projéteis, portanto,
expulsam os inimigos do bem através de vibrações do medo,
mas poderiam causar a ilusão da morte, atuando sobre o corpo
denso dos nossos semelhantes menos adiantados no caminho da
vida.
A morte física, na Terra, não é igualmente pura impressão?
Ninguém desaparece.
O fenômeno é apenas de invisibilidade ou,
por vezes, de ausência.
Quanto à responsabilidade dos que matam,
isto é outra coisa.
E além desta observação, que é da alçada da
Justiça Divina, temos a considerar, igualmente. que, nesta esfera,
o corpo denso modificado pode ressurgir todos os dias, pela matéria
mental destinada à produção dele, enquanto que, para obter o
corpo físico, almas há que trabalham, por vezes, durante séculos...
Vicente e eu caláramos, estupefatos.
Alfredo sorriu serenamente e perguntou, bem humorado:
– Vocês conhecem a lenda hindu da serpente e do santo?
Ante a nossa expressão negativa, o administrador continuou:
– Contam as tradições populares da Índia que existia uma
serpente venenosa em certo campo.
Ninguém se aventurava a
passar por lá, receando-lhe o assalto.
Mas um santo homem, a
serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que
em si mesmo.
A serpente o atacou, desrespeitosa.
Ele dominou-a,
porém, com o olhar sereno, e falou: – Minha irmã, é da lei que
não façamos mal a ninguém.
A víbora recolheu-se, envergonhada.
Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente.
Procurou os lugares habitados pelo homem, como
desejosa de reparar os antigos crimes.
Mostrou-se integralmente
pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela.
Quando lhe
identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças
davam-lhe pedradas.
A infeliz recolheu-se à toca, desalentada.
Vivia aflita, medrosa, desanimada.
Eis, porém, que o santo voltou
pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la.
Espantou-se, observando
tamanha ruína. A serpente contou-lhe, então, a história
amargurada.
Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas
perseguiam-na e apedrejavam-na.
O sábio pensou, pensou e respondeu
após ouvi-la:
– Mas, minha irmã, houve engano de tua parte.
Aconselhei-te
a não morderes ninguém, a não praticares o assassínio e a perseguição,
mas não te disse que evitasses de assustar os maus.
Não
ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da
vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor.
Não mordas,
nem firas, mas é preciso manter o perverso a distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos.
Nesse momento, Aniceto sorriu de maneira expressiva.
O administrador fez longa pausa e concluiu:
– Creio que a fábula dispensa comentário.
CONTINUA AMANHÃ
quarta-feira, 9 de maio de 2012
PENSAMENTO DO DIA
Não importa quantos passos você deu para trás. Importa quantos passos você vai dar para frente.
Autor: Décio Melhem
OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER
CONTINUAÇÃO
CAPÍTULO 19
O SOPRO
Depois de interessantes considerações relativamente à situação
dos círculos carnais, Aniceto voltou a examinar nossas necessidades
de serviço.
Muito amável, Alfredo ponderou:
– Em virtude da tormenta iminente, poderiam demorar conosco
algumas horas, seguindo amanhã, ao alvorecer.
E, com profunda surpresa, ouvi-o afirmar:
– Poderão utilizar meu carro, até à zona em que se torne possível.
Fornecerei condutor adestrado e ganharão muito tempo com
a medida.
Não podia caber em meu espanto. Embora conhecendo as operações
dos Samaritanos em “Nosso Lar”, que empregavam
grandes veículos de tração animal, em trabalhos de salvamento
nas regiões inferiores e considerando as dificuldades de vulto que
defrontáramos na caminhada longa, rumo ao Posto de Socorro,
não supunha possível semelhante condução naquele instituto de
auxilio.
Soube, mais tarde, que os sistemas de transporte, nas zonas
mais próximas da Crosta, são muito mais numerosos do que se
poderia imaginar, em bases transcendentes do eletromagnetismo.
Nosso orientador, que parecia meditar gravemente a situação,
observou preocupado:
– Entretanto, temos serviços urgentes nos círculos carnais.
Vicente e André precisam iniciar aprendizado ativo.
Alfredo sorriu, bondoso, asseverando:
– Quanto a isso, não necessitaremos de maiores cuidados. Há
sempre quefazeres em toda a parte.
Onde houver espírito de cooperação
da criatura, existe igualmente o serviço de Deus.
Nossos
amigos poderiam colaborar conosco, ainda hoje, nas atividades de
assistência.
Acompanhar-nos-iam, por exemplo, nos trabalhos da
prece, nos quais há sempre muita coisa a fazer e muita lição a
aprender.
– Excelente sugestão! – exclamou nosso instrutor. – A oração
individual, ou coletiva, é sempre vasto reservatório de ensinos
edificantes.
– Aliás – falou Ismália, afetuosa –, não devemos demorar.
Estamos
quase na hora.
Nesse momento, como se fora chamado, de súbito, à lembrança
de grave compromisso de trabalho, falou o administrador,
dirigindo-se à companheira:
– É preciso prevenir Olívia e Madalena das providências que
se fazem imperiosas para a noite.
Necessitaremos a colaboração
de mais alguns técnicos do sopro.
Temos alguns irmãos em estado
grave, tomados de impressões físicas mais fortes.
– Técnicos do sopro? – indaguei, assombrado, antes que Ismália
pudesse fazer qualquer observação referente aos serviços.
– Sim, meu amigo – respondeu Alfredo, atenciosamente –, o
sopro curador, mesmo na Terra, é sublime privilégio do homem.
No entanto, quando encarnados, demoramo-nos muitíssimo a
tomar posse dos grandes tesouros que nos pertencem.
Comumente,
vivemos por lá, perdendo tempo com a fantasia, acreditando
em futilidades ou alimentando desconfianças.
Quem pudesse
compreender, entre as formas terrestres, toda a extensão deste
assunto, poderia criar no mundo os mais eficientes processos
soproterápicos.
– Mas, semelhante patrimônio está à disposição de qualquer
Espírito encarnado? – perguntou Vicente, compartilhando minha
surpresa.
Nosso interlocutor pensou alguns instantes e respondeu, atencioso:
– Como o passe, que pode ser movimentado pelo maior número
de pessoas, com benefícios apreciáveis, também o sopro
curativo poderia ser utilizado pela maioria das criaturas, com
vantagens prodigiosas. Entretanto, precisamos acrescentar que,
em qualquer tempo e situação, o esforço individual é imprescindível.
Toda realização nobre requer apoio sério.
O bem divino, para
manifestar-se em ação, exige a boa vontade humana.
Nossos
técnicos do assunto não se formaram de pronto.
Exercitaram-se
longamente, adquiriram experiências a preço alto.
Em tudo há
uma ciência de começar.
São servidores respeitáveis pelas realizações
que atingiram, ganham remunerações de vulto e gozam
enorme acatamento, mas, para isso, precisam conservar a pureza
da boca e a santidade das intenções.
Compreendendo o interesse que suas palavras despertavam,
continuou o administrador, depois de pequena pausa:
– Nos círculos carnais, para que o sopro se afirme suficientemente,
é imprescindível que o homem tenha o estômago sadio, a
boca habituada a falar o bem, com abstenção do mal, e a mente
reta, interessada em auxiliar.
Obedecendo a esses requisitos,
teremos o sopro calmante e revigorador, estimulante e curativo.
Através dele, poder-se-á transmitir, também na Crosta, a saúde, o
conforto e a vida.
E, como Vicente e eu não pudéssemos ocultar a perplexidade,
Alfredo considerou:
– Isto não é novo.
Jesus, além de tocar naqueles a quem curava,
concedia-lhes, por vezes, o sopro divino. O sopro da vida
percorre a Criação inteira.
Toda página sagrada, comentando o
principio da existência, refere-se a isso.
Nunca pensaram no vento,
como sopro criador da Natureza?
Quanto a mim, desde o ingresso
em Campo da Paz, quando fui ali recolhido em péssimas
condições espirituais, tenho aprendido maravilhosas lições nesse
particular.
Tanto assim que, chefiando este Posto, tenho incentivado,
com as possibilidades ao meu alcance, a formação de novos
cooperadores nesse sentido, oferecendo compensações aos que se
decidam iniciar a tarefa de especialização, nem sempre fácil para
todos.
A esse tempo, Ismália recebia algumas colaboradoras de importância,
que se preparavam para a tarefa.
Impressionado com o que ouvira, acompanhei de perto as
providências que se organizavam.
Encontrando-me, porém, mais a sós com Aniceto, transmitilhe
minha enorme surpresa, respondendo-me ele em tom confidencial:
– Esquecem-se vocês de que a própria Bíblia, aludindo aos
primórdios do homem, narra que o Criador assoprou na forma
criada, comunicando-lhe o fôlego da vida. Referindo-nos aos
nossos irmãos encarnados, faz-se preciso reconhecer, André, que,
mesmo partindo de homens imperfeitos, mas de boa vontade, todo
sopro com intenção de aliviar ou curar tem relevante significação
entre as criaturas, porque todos nós somos herdeiros diretos do
Divino Poder.
Aliás, é necessário observar também que não estamos
diante de uma exclusividade.
Você, por certo, passou muito
ligeiramente pelo nosso Ministério do Auxílio.
Temos, ali, grande
instituto especializado nesse sentido, onde nobres colegas se
votam a essa modalidade de cooperação.
No plano carnal, toda
boca, santamente intencionada, pode prestar apreciáveis auxílios,
notando-se, porém, que as bocas generosas e puras poderão distribuir auxílios divinos, transmitindo fluidos vitais de saúde e reconforto.
Esperava que Aniceto prosseguisse, mostrando-me as qualidades
magnéticas do sopro, mas Alfredo acercara-se de nós, operoso
e solícito, exclamando:
– Estamos no momento destinado aos trabalhos de assistência
e oração.
– Segui-lo-emos com prazer – respondeu nosso instrutor, sorrindo.
Era necessário interromper a lição, atendendo a deveres
CONTINUA AMANHÃ
Assinar:
Postagens (Atom)