terça-feira, 1 de maio de 2012

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER - CAPÍTULO 11 - BELARMINO, O DOUTRINADOR


CONTINUAÇÃO

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Belarmino, o doutrinador


As lições eram eminentemente proveitosas. Traziam-me novos conhecimentos e, sobretudo, com elas, admirava, cada vez mais, a bondade de Deus, que nos permitia a todos a restauração do aprendizado para serviços do futuro. 
Muitos de nós havíamos atravessado zonas purgatoriais de sombra e tormento íntimo, uns mais, outros menos. 
Bastara, contudo, o reconhecimento de nossa pequenez, a compreensão do nosso imenso débito e ali estávamos, todos, reunidos em “Nosso Lar”, reanimando energias desfalecidas e reconstituindo programas de trabalho. Eu via em todos os companheiros presentes o reflorescimento da esperança. 
Ninguém se sentia ao desamparo. 
Observando que numerosos médiuns prosseguiam, em valiosa permuta de idéias, referentemente ao quadro de suas realizações, e ouvindo tantas observações sobre doutrinadores, perguntei a Vicente, em tom discreto:
– Não seria possível, para minha edificação, consultar a experiência de algum doutrinador em trânsito por aqui? 
Recolhendo notícias de tantos médiuns, com enorme proveito, creio não deva perder esta oportunidade.
Vicente refletiu um minuto e respondeu:
– Procuremos Belarmino Ferreira. É meu amigo há alguns meses.
Segui o companheiro, através de grupos diversos. 
Belarmino lá estava a um canto, em palestra com um amigo. 
Fisionomia grave, gestos lentos, deixava transparecer grande tristeza no olhar humilde.
Vicente apresentou-me, afetuoso, dando início à conversação edificante. Após a troca de alguns conceitos, Belarmino falou, comovido:
– Com que, então, meu amigo deseja conhecer as amarguras de um doutrinador falido?
– Não digo isso – obtemperei a sorrir –, desejaria conhecer sua experiência, ganhar também de sua palavra educativa.
Ferreira esboçou sorriso forçado, que expressava todo o absinto que ainda lhe requeimava a alma, e falou:
– A missão do doutrinador é muitíssimo grave para qualquer homem. 
Não é sem razão que se atribui a Nosso Senhor Jesus o título de Mestre. Somente aqui, vim ponderar bastante esta profunda verdade. 
Meditei muitíssimo, refleti intensamente e concluí que, para atingirmos uma ressurreição gloriosa, não há, por enquanto, outro caminho além daquele palmilhado pelo Doutrinador Divino. 
É digna de menção a atitude dEle, abstendo-se de qualquer escravização aos bens terrestres. 
Não vemos passar o Senhor, em todo o Evangelho, senão fazendo o bem, ensinando o amor, acendendo a luz, disseminando a verdade. 
Nunca pensou nisso?
Depois de longas meditações, cheguei ao conhecimento de que na vida humana, junto aos que administram e aos que obedecem, há os que ensinam. 
Chego, pois, a pensar que nas esferas da Crosta há mordomos, cooperadores e servos. Muito especialmente, os que ensinam devem ser dos últimos. Entende o meu irmão?
Ah! sim, havia compreendido perfeitamente. A conceituação de Belarmino era profunda, irrefutável. 
Aliás, nunca ouvira tão belas apreciações, relativamente à missão educativa.
Após ligeiro intervalo, continuou sempre grave:
– Há de estranhar, certamente, tenha eu fracassado, sabendo tanto. 
Minha tragédia angustiosa, porém, é a de todos os que conhecem o bem, esquecendo-lhe a prática.
Calou-se de novo, pensou, pensou, e prosseguiu:
– “Faz muitos anos, saí de “Nosso Lar” com tarefa de doutrinação no campo do Espiritismo evangélico. Minhas promessas, aqui, foram enormes. Minha abnegada Elisa dispôs-se a acompanhar-me no serviço laborioso. 
Ser-me-ia companheira desvelada, abençoada amiga de sempre. 
Minha tarefa constaria de trabalho assíduo no Evangelho do Senhor, de modo a doutrinar, primeiramente com o exemplo, e, em seguida, com a palavra.
“Duas colônias importantes, que nos convizinham, enviaram muitos servos para a mediunidade e pediram ao nosso Governador cooperasse com a remessa de missionários competentes para o ensino e a orientação.
“Não obstante meu passado culposo, candidatei-me ao serviço
com endosso do Ministro Gedeão, que não vacilou em auxiliarme.
Deveria desempenhar atividades concernentes ao meu resgate pessoal e atender à tarefa honrosa, veiculando luzes a irmãos nossos nos planos visível e invisível. 
Impunha-se-me, sobretudo, o dever de amparar as organizações mediúnicas, estimulando companheiros de luta, postos na Terra a serviço da idéia imortalista.
Entretanto, meu amigo, não consegui escapar à rede envolvente das tentações.
“Desde criança, meus pais socorreram-me com as noções consoladoras e edificantes do Espiritismo cristão. 
Circunstâncias várias, que me pareceram casuais, situaram-me o esforço na presidência de um grande grupo espiritista. 
Os serviços eram promissores, as atividades nobres e construtivas, mas enchi-me de exigências, levado pelo excessivo apego à posição de comando do barco doutrinário. 
Oito médiuns, extremamente dedicados ao esforço evangélico, ofereciam-me colaboração ativa; contudo, procurei colocar acima de tudo o preceito científico das provas insofismáveis. 
Cerrei os olhos à lei do merecimento individual, olvidei os imperativos do esforço próprio e, envaidecido com os meus conhecimentos do assunto, comecei por atrair amigos de mentalidade inferior ao nosso círculo, tão somente em virtude da falsa posição que usufruíam na cultura filosófica e na pesquisa científica.
“Insensivelmente, vicejaram-me na personalidade estranhos propósitos egoísticos. Meus novos amigos queriam demonstrações de toda a sorte e, ansioso por colher colaboradores na esfera da autoridade científica, eu exigia dos pobres médiuns longas e  porfiadas perquirições nos planos invisíveis. 
O resultado era sempre negativo, porque cada homem receberá, agora e no futuro, de acordo com as próprias obras. 
Isso me irritava. Instalou-se a dúvida em meu coração, devagarinho. 
Perdi a serenidade doutro tempo. 
Comecei a ver nos médiuns, que se retraíam aos meus caprichos, companheiros de má vontade e má fé.
Prosseguiam nossas reuniões, mas da dúvida passei à descrença destruidora.
“Não estávamos num grupo de intercâmbio entre o visível e o invisível? 
Não eram os médiuns simples aparelhos dos defuntos comunicantes? 
Porque não viriam aqueles que pudessem atender aos nossos interesses materiais, imediatos? Não seria melhor estabelecer um processo mecânico e rápido para as comunicações?
Porque a negação do invisível aos meus propósitos de demonstrar positivamente o valor da nova doutrina?
“Debalde, Elisa me chamava para a esfera religiosa e edificante,
onde poderia aliviar o espírito atormentado.
“O Evangelho, todavia, é livro divino e, enquanto permanecemos na cegueira da vaidade e da ignorância, não nos expõe seus tesouros sagrados.
Por isso mesmo, tachava-o de velharia. 
E, de desastre a desastre, antes que me firmasse na missão de ensinar, os amigos brilhantes do campo de cogitações inferiores da Terra arrastaram-me ao negativismo completo.
“Do nosso agrupamento cristão, onde poderia edificar construções eternas, transferi-me para o movimento, não da política que eleva, mas da politicalha inferior, que impede o progresso comum e estabelece a confusão nos Espíritos encarnados. 
Por aí, estacionei muito tempo, desviado dos meus objetivos fundamentais, porque a escravidão ao dinheiro me transformara os sentimentos.
“E assim foi, até que acabei meus dias com uma bela situação financeira no mundo e... um corpo crivado de enfermidades; com um palácio confortável de pedra e um deserto no coração. 
A revivescência da minha inferioridade antiga religou-me a companheiros menos dignos no plano dos encarnados e desencarnados, e o resto o meu amigo poderá avaliar: tormentos, remorsos, expiações...”
Concluindo, asseverou:
– Mas, como não ser assim? Como aprender sem a escola, sem retomar o bem e corrigir o mal?
– Sim, Belarmino – disse, abraçando-o –, você tem razão. Tenho a certeza de que não vim tão só ao Centro de Mensageiros, mas também ao centro de grandes lições.

CONTINUA AMANHÃ

A CAMINHO DA LUZ - MENSAGEM DE CHICO XAVIER

segunda-feira, 30 de abril de 2012

PENSAMENTO DO DIA


Amigo não é aquele que seca as suas lagrimas, mas aquele que não as deixa cair.

 Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA


         Quando você se sentir sozinho, olhe para a Lua e o Sol e veja que eles também estão sozinhos e nem por isso deixam de brilhar.

Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER - CAPÍTULO 1 - A EXPERIÊNCIA DE JOEL

CONTINUAÇÃO

10
 A EXPERÊNCIA DE JOEL

 Afastando-nos para um canto do salão, acompanhei Vicente que se dirigiu a um velhote de fisionomia simpática. –
 Então, meu caro Joel, como vai? – perguntou, atencioso. O interpelado teve uma expressão melancólica e informou: – Graças à Bondade Divina, sinto-me bastante melhorado. Tenho ido diariamente às aplicações magnéticas dos Gabinetes de Socorro, no Auxílio, e estou mais forte. – 
Cederam as vertigens? – indagou o companheiro, com interesse. – 
Agora são mais espaçadas e, quando surgem, não me afligem o coração com tanta intensidade. Nesse instante, Vicente descansou os olhos muito lúcidos nos meus, e disse, sorrindo: – 
Joel também andou nos círculos carnais em tarefa mediúnica e pode contar experiência muito interessante. O novo amigo, que me parecia um enfermo em princípios de convalescença, esboçou melancólico sorriso e falou: – 
Fiz minha tentativa na Terra, mas fracassei.
 A luta não era pequena e fui fraco demais. – 
O que mais me impressiona no caso dele, porém – interpôs Vicente em tom fraterno –, é a moléstia que o acompanhou até aqui e persiste ainda agora. Joel atravessou as regiões inferiores com dificuldades extremas, após demorar-se por lá muito tempo, voltando ao Ministério do Auxílio perseguido de alucinações estranhas, relativamente ao pretérito. – 
Ao passado? – perguntei, surpreendido. – 
Sim – esclareceu Joel, humilde –, minha tarefa mediúnica exigia sensibilidade mais apurada e, quando me comprometi à execução do serviço, fui ao Ministério do Esclarecimento, onde me aplicaram tratamento especial, que me aguçou as percepções. Necessitava condições sutis para o desempenho dos futuros deveres. 
Assistentes amigos desdobraram-se em obséquios, por me favorecerem, e parti para a Terra com todos os requisitos indispensáveis ao êxito de minhas obrigações. Infelizmente, porém... – 
Mas porque – indaguei – perdeu as realizações? 
Tão só em virtude da sensibilidade adquirida?
 Joel sorriu e obtemperou: – 
Não perdi pela sensibilidade, mas pelo seu mau uso. – 
Que diz? – tornei, admirado. – O meu amigo compreenderá sem dificuldades. 
Imagine que, com um cabedal dessa natureza, ao invés de auxiliar os outros, perdi-me a mim mesmo. É que, segundo concluo agora, Deus concede a sensibilidade apurada como espécie de lente poderosa, que o proprietário deve usar para definir roteiros, fixar perigos e vantagens do caminho, localizar obstáculos comuns, ajudando ao próximo e a si mesmo. 
Procedi, porém, ao inverso. 
Não utilizei a lente maravilhosa, no mister justo. 
Deixando-me empolgar pela curiosidade doentia, apliquei-a tão somente para dilatar minhas sensações. 
No quadro dos meus trabalhos mediúnicos, estava a recordação de existências pregressas como expressão indispensável ao serviço de esclarecimento coletivo e beneficio aos semelhantes, que me fora concedido realizar, mas existe uma ciência de recordar, que não respeitei como devia. 
Interrompendo um instante a narrativa, aguçava-me o desejo de conhecer-lhe a experiência pessoal até ao fim. 
Em seguida, continuou no mesmo diapasão: – 
Ao primeiro chamado da esfera superior, acorri, apressado. 
Sentia, intuitivamente, a vívida lembrança de minhas promessas em “Nosso Lar”. 
Tinha o coração repleto de propósitos sagrados. 
Trabalharia. 
Espalharia muito longe a vibração das verdades eternas. Contudo, aos primeiros contactos com o serviço, a excitação psíquica fez rodar o mecanismo de minhas recordações adormecidas, como o disco sob a agulha da vitrola, e lembrei toda a minha penúltima existência, quando envergara a batina, sob o nome de Monsenhor Alexandre Pizarro, nos últimos períodos da Inquisição Espanhola. Foi, então, que abusei da lente sagrada a que me referi. 
A volúpia das grandes sensações, que pode ser tão prejudicial como o uso do álcool que embriaga os sentidos, fez olvidar os deveres mais santos. 
Bafejaram-me claridades espirituais de elevada expressão. 
Desenvolveu-se-me a clarividência, mas não estava satisfeito senão com rever meus companheiros visíveis e invisíveis, no setor das velhas lutas religiosas. 
Impunha a mim mesmo a obrigação de localizar cada um deles no tempo, fazendo questão de reconstituir-lhes as fichas biográficas, sem cuidar do verdadeiro aproveitamento no campo do trabalho construtivo.
A audição psíquica tornou-se-me muito clara; entretanto, não queria ouvir os benfeitores espirituais sobre tarefas proveitosas e sim interpelá-los, ousadamente, no capítulo da minha satisfação egoística. Despendi um tempo enorme, dentro do qual fugia aos companheiros que me vinham pedir atividades a bem do próximo, engolfado em pesquisas referentes à Espanha do meu tempo. Exigia notícias de bispos, de autoridades políticas da época, de padres amigos que haviam errado tanto quanto eu mesmo. 
“Não faltaram generosas advertências". Freqüentemente, os colegas do nosso grupo espiritista chamavam-me a atenção para os problemas sérios de nossa casa. Eram sofredores que nos batiam à porta, situações que reclamavam testemunho cristão. 
Tínhamos um abrigo de órfãos em projeto, um ambulatório que começava a nascer e, sobretudo, serviços semanais de instrução evangélica, nas noites de terças e sextas-feiras. Mas, qual! eu não queria saber senão das minhas descobertas pessoais. Esqueci que o Senhor me permitia aquelas reminiscências, não por satisfazerme a vaidade, mas para que entendesse a extensão dos meus débitos para com os necessitados do mundo e me entregasse à obra de esclarecimento e conforto aos feridos da sorte. 
“Contrariamente à expectativa dos abnegados amigos que me auxiliaram na obtenção da oportunidade sublime, não me movi no concurso fraterno e desinteressei-me da doutrina consoladora, que hoje revive o Evangelho de Jesus entre os homens". 
Somente procurei, a rigor, os que se encontravam afins comigo, desde o pretérito. 
Nesse propósito, descobri, com evidentes sinais de identidade, personalidades outrora eminentes, em relação comigo. Reconheci o senhor Higino de Salcedo, grande proprietário de terras, que me havia sido magnânimo protetor, perante as autoridades religiosas da Espanha, reencarnado como proletário inteligente e honesto, mas em grande experiência de sacrifício individual. Revi o velho Gaspar de Lorenzo, figura solerte de inquisidor cruel, que me quisera muito bem, reencarnado como paralítico e cego de nascença. 
“E desse modo, meu amigo, passei a existência, de surpresa em surpresa, de sensação em sensação".
Eu, que renascera recordando para edificar alguma coisa de útil, transformei a lembrança em viciação da personalidade. Perdi a oportunidade bendita de redenção e o pior é o estado de alucinação em que vivo. 
Com o meu erro, a mente desequilibrou-se e as perturbações psíquicas constituem doloroso martírio. Estou sendo submetido a tratamento magnético, de longo tempo.” 
 Nesse momento, porém, o interlocutor empalideceu de súbito. Os olhos, desmesuradamente abertos, vagavam como se fixassem quadros impressionantes, muito longe da nossa perspectiva. 
Depois cambaleou, mas Vicente o amparou de pronto e, passando-lhe a destra na fronte, murmurava em voz firme: – Joel! Joel! Não se entregue às impressões do passado! 
Volte ao presente de Deus!... 
Profundamente admirado, notei que o convalescente regressava à expressão normal, esfregando os olhos. 

CONTINUA AMANHÃ

O ENCONTRO DIVINO - VOZ DE CHICO XAVIER

domingo, 29 de abril de 2012

MENSAGEM DOMINICAL

ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO 

 Agradecemos-te Senhor. Pela glória de viver.
 Pela honra de amar!
 Muito obrigada Senhor, pelo que me deste, pelo que me dás!
 Muito obrigada pelo pão, pelo ar, pela paz!
 Muito obrigada pela beleza que meus olhos vêem no altar da natureza! 
Olhos que fitam o ar, a terra e o mar.
 Que acompanham a ave fagueira que corre ligeira pelo Céu de anil e se detém na terra verde salpicada de flores em tonalidades mil!
 Muito obrigada Senhor, porque eu posso ver o meu amor!
 Diante de minha visão, pelos cegos, formulo uma oração; Eu sei que depois dessa lida, na outra vida, eles também enxergarão! 
Obrigada pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
 Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro, as lágrimas que choram os olhos do mundo inteiro.
 Diante de minha capacidade de ouvir pelos surdos eu te quero pedir;eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também ouvirão!
 Muito obrigada Senhor, pela minha voz!
 Mas também pela voz que canta, que ensina, que alfabetiza.
 Que canta uma canção e teu nome profere com sentida emoção!
 Diante da minha melodia quero te rogar, pelos que sofrem de afazia, pelos que não cantam de noite e não falam de dia.
 Eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também cantarão!
 Muito obrigada Senhor, pelas minhas mãos!
 Mas também pelas mãos que oram, que semeiam, que agasalham.
 Mãos de amor, mãos de caridade, de solidariedade. Mãos que apertam mãos.
 Mãos de poesia, de cirurgias, de sinfonias, de psicografias...
 Mãos que acalentam a velhice, a dor e o desamor! 
Mãos que acolhem ao seio do corpo, um filho alheio, sem receio.
 Pelos meus pés, que me levam a andar sem reclamar.
 Muito obrigada Senhor, porque posso bailar! 
Olho para a terra e vejo, amputados, marcados, desesperados, paralisados...
 Eu posso andar!! Oro por eles!!
 Eu sei que depois dessa expiação, na outra reencarnação, eles também bailarão.
 Muito obrigada Senhor, pelo meu lar!
 É tão maravilhoso ter um lar...
 Não importa se este lar é uma mansão, um bangalô, seja lá o que for!
 O importante é que dentro dele exista o amor! 
O amor de pai, de mãe, de marido e esposa, de filho, de irmão...
 De alguém que lhe estenda a mão, mesmo que seja o amor de um cão, pois é tão triste viver na solidão!
 Mas se eu não tiver ninguém para amar, um teto para me acolher, uma cama para me deitar... mesmo assim, não reclamarei, nem blasfemarei. 
Simplesmente direi: Obrigada Senhor, porque nasci.
 Obrigada Senhor, porque creio em ti.
 Pelo teu amor, obrigada Senhor!

PENSAMENTO DO DIA

INTELIGÊNCIA + MORALIDADE

 “A inteligência nem sempre é penhor de moralidade e o homem mais inteligente pode fazer mau uso das faculdades. Por outro lado, a simples moralidade pode não ter capacidade. É, pois, necessária a união da Inteligência e da moralidade para haver legitima preponderância, a que a massa se submeterá, confiada em suas luzes e justiça. Será esta á última aristocracia, sinal do advento do reino do bem na Terra. 
“Ela virá naturalmente, pela força dos acontecimentos.” 

ALLAN KARDEC

MENSAGEM DIÁRIA

“Se o direito é campo de elevação, aberto a todos os espíritos, o dever é zona de serviço peculiar a todos os seres da Criação”

 -Emmanuel-

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER - CAPÍTULO 9 - OUVINDO IMPRESSÕES


CONTINUAÇÃO

 9
 OUVINDO IMPRESSÕES

 Deixando Acelino em conversação mais íntima com Otávio, fui levado por Vicente a outro ângulo da sala. 
Muitos grupos se mantinham em palestra interessante e educativa, observando eu que quase todos comentavam as derrotas sofridas na Terra. 
– Fiz quanto pude – exclamava uma velhinha simpática para duas companheiras que a escutavam atentamente –; no entanto, os laços de família são muito fortes. Algo se fazia ouvir sempre, com voz muito alta, em meu espírito, compelindo-me ao desempenho da tarefa; mas... e o marido? Amâncio nunca se conformou. Se os enfermos me procuravam no receituário comum, agravava-se-lhe a neurastenia; se os companheiros de doutrina me convidavam aos estudos evangélicos, revoltava-se, ciumento. Que pensam vocês?
 Chegava a mobilizar minhas filhas contra mim. Como seria possível, em tais circunstâncias, atender a obrigações mediúnicas? 
– Todavia – ponderou uma das senhoras que parecia mais segura de si –, sempre temos recursos e pretextos para fugir às culpas. Encaremos nossos problemas com realismo. Há de convir que, com o socorro da boa vontade, sempre lhe ficariam alguns minutos na semana e algumas pequenas oportunidades para fazer o bem. 
Talvez pudesse conquistar o entendimento do esposo e a colaboração afetuosa das filhas, se trabalhasse em silêncio, mostrando sincera disposição para o sacrifício. 
Nossos atos, Mariana, são muito mais contagiosos que as nossas palavras. 
– Sim – respondeu a interlocutora, emitindo voz diferente –, concordo com a observação. Em verdade, nunca pude sofrer a incompreensão dos meus, sem reclamar. 
 – Para trabalharmos com eficiência – tornou a companheira, sensata –, é preciso saber calar, antes de tudo. Teríamos atendido perfeitamente aos nossos deveres, se tivéssemos usado todas as receitas de obediência e otimismo que fornecemos aos outros. 
Aconselhar é sempre útil, mas aconselhar excessivamente pode traduzir esquecimentos de nossas obrigações. Assim digo, porque meu caso, a bem dizer, é muito semelhante ao seu. 
Fomos ao círculo carnal para construir com Jesus, mas caímos na tolice de acreditar que andávamos pela Terra para discutir nossos caprichos. Não executei minha tarefa mediúnica, em virtude da irritação que me dominou, dada a indiferença dos meus familiares pelos serviços espirituais. Nossos instrutores, aqui, muito me recomendaram, antes, que para bem ensinar é necessário exemplificar melhor. 
Entretanto, por minha desventura, tudo esqueci no trabalho temporário da Terra. 
Se meu marido fazia ponderações, eu criava refutações. 
Não suportava qualquer parecer contrário ao meu ponto de vista, em matéria de crença, incapaz de perceber a vaidade e a tolice dos meus gestos. 
Das irreflexões nasceu minha perda última, na qual agravei, de muito, as responsabilidades. 
Quase mensalmente, Joaquim e eu nos empenhávamos em discussões e não trocávamos apenas os insultos contundentes, mas também os fluidos venenosos, segregados por nossa mente rebelde e enfermiça. 
Entre os conflitos e suas conseqüências, passei o tempo inutilizada para qualquer trabalho de elevação espiritual. Nesse instante, chamou-me Vicente para apresentar um amigo. 
Ao nosso lado, outro grupo de senhoras conversava animadamente: – Afinal, Ernestina – indagava uma delas à mais jovem –, qual foi a causa do seu desastre? 
– Apenas o medo, minha amiga – explicou-se a interpelada –, tive medo de tudo e de todos. Foi o meu grande mal.  
Os Mas, como tudo isto impressiona! Você foi muitíssimo preparada. Recordo-me ainda das nossas lições em conjunto. As instrutoras do Esclarecimento confiavam extraordinariamente no seu concurso. 
Seu aproveitamento era um padrão para nós outras. 
– Sim, minha querida Benita, suas reminiscências fazem-me sentir, com mais clareza, a extensão da minha bancarrota pessoal. Entretanto, não devo fugir à realidade.
 Fui a culpada de tudo. Preparei-me o bastante para resgatar antigos débitos e efetuar edificações novas; contudo, não vigiei como se impunha. 
O chamamento ao serviço ressoou no tempo próprio, orientando-me o raciocínio a melhores esclarecimentos; nossos instrutores me proporcionavam os mais santos incentivos, mas desconfiei dos homens, dos desencarnados e até de mim mesma. Nos estudiosos do plano físico, enxergava pessoas de má fé; nos irmãos invisíveis, presumia encontrar apenas galhofeiros fantasiados de orientadores e, em mim mesma, receava as tendências nocivas. 
Muitos amigos tinham-me em conta de virtuosa, pelo rigorismo das minhas exigências; todavia, no fundo, eu não passava de enferma voluntária, carregada de aflições inúteis. 
– Foi uma grande infantilidade da sua parte – retrucou a outra –, você olvidou que, na esfera carnal, o maior interesse da alma é a realização de algo útil para o bem de todos, com vistas ao Infinito e à Eternidade.
 Nesse mister, é indispensável contar com o assédio de todos os elementos contrários. Ironias da ignorância, ataques da insensatez, sugestões inferiores da nossa própria animalidade surgirão, com certeza, no caminho de todo trabalhador fiel. 
São circunstâncias lógicas e fatais do serviço, porque não vamos ao mundo físico para descanso injustificável, mas para lutar pela nossa melhoria, a despeito de todo impedimento fortuito. 
– Compreendo, agora – disse a outra –; todavia, o receio das mistificações prejudicou minha bela oportunidade.  
– É, minha amiga – tornou a interlocutora –, é tarde para lamentar. 
Tanto tememos as mistificações, que acabamos por mistificar os serviços do Cristo. Eu ouvia a palestra, com interesse crescente, mas o companheiro levou-me adiante para novas apresentações. 
Atendia a esses agradáveis deveres da sociedade de “Nosso Lar”, mas, para não perder ensejo de instruir-me, continuava atento às conversações em torno. 
Alguns cavalheiros mantinham discreta permuta de pareceres. – Reconheço que fali – dizia um deles em tom grave – e muito já expiei nas regiões inferiores, mas aguardo novos recursos da Providência. 
– Faltou-lhe, porém, bastante orientação para o caminho? – perguntava um companheiro. 
– Explico-me – esclareceu o primeiro –, faltou-me o amparo da esposa. Enquanto a tive a meu lado, verificava-se profundo equilíbrio em minhas forças psíquicas. 
A companhia dela, sem que eu pudesse explicar, compensava-me todo gasto de energia mediúnica. 
Minha noção de balanço estava nas mãos de minha querida Adélia. Esqueci-me, porém, de que o bom servo deve estar preparado para o serviço do Senhor, em qualquer circunstância. 
Não aprendi a ciência da conformação e nem me resignei a percorrer sozinho as estradas humanas.
 Quando me senti sem a dedicada companheira, arrebatada pela morte, amedrontei-me, por sentir-me em desequilíbrio e, erradamente, procurei substitui-la, e fui acidentado.  Extremamente ligada a entidades malfazejas, minha segunda mulher, com os seus desvarios, arrastou-me a perversões sexuais de que nunca me supusera capaz.
 Voltei, insensivelmente, ao convívio de criaturas perversas e, tendo começado bem, acabei mal. 
Meus desastres foram enormes; entretanto, embora reconheça minha deficiência, entendo, ainda hoje, que o   triunfo, mesmo no futuro, ser-me-á muito difícil sem a companheira bem-amada. 
Tornara-se a palestra sumamente interessante. Desejava acompanhar-lhe o curso, mas Vicente chamou-me a atenção para outro assunto e era necessário acompanhá-lo.

CONTINUA AMANHÃ

CONVERSA COM JESUS - CHICO XAVIER

sábado, 28 de abril de 2012

PENSAMENTO DO DIA


Quando amares alguém e esse amor for impossível, lute, pois só quem ama pode vencer. 

 Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA



Quem espera por sapatos de defunto toda vida anda descalço.