segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO

ao vê-la assim, aquela criatura, comumente silenciosa,
falou, submissa: – Irmãos, perdoai-me a comoção excessiva!... Cláudio é meu filho... Não choro de dor ao ver-lhe o corpo caído, mas sim de alegria por abraçar-lhe o espírito levantado!... Choro, irmãos, ao reconhecer que eu, mulher prostituída no mundo, hoje em serviço de minha regeneração depois de provas árduas, posso aproximarme do filho que Deus me confiou, a fim de pedir-lhe perdão pelos maus exemplos que lhe dei...
Diante daquele testemunho de humildade, Moreira e eu baixamos a fronte, envergonhados...
Quem deveria ali penitenciar-se por maus exemplos senão eu? Que não teria padecido aquela corajosa mulher, cujos laços de parentesco terrestre com Nogueira eu desconhecia até então, para expressar-se assim? Que martírios amargara na Terra e depois da desencarnação para senhorear a serenidade com que se acusava, ela, que eu aprendera a venerar, como sendo minha própria mãe, em dois anos de trabalho constante, invariavelmente interessada em compreender e servir? Não podia auscultar os sentimentos de Moreira. A emotividade sufocava-me. Sei apenas que ele e eu, num movimento instintivo de respeitosa afeição, inclinamos as cabeças, ao mesmo tempo, sobre a destra maternal que afagava o ferido, osculando-a com reverência...
Mais alguns minutos de expectativa e dávamos entrada no estabelecimento que nos era familiar.
O médico que se responsabilizara, de mais perto, pela assistência a Marita, a pedido de Nogueira foi chamado pelo fio. Atendeu sem delonga.
Expedíamos mensagem para irmão Félix; entretanto, não acabávamos a transmissão e o benfeitor, com a naturalidade de quem já sabia de tudo, surgiu rente a nós.

Informou que chegara ao Rio, minutos antes, mas, não desconhecendo que Nemésio se mantinha relegado ao próprio infortúnio, decidira-se a examiná-lo, de imediato, para considerar que espécie de socorro seria capaz de receber.
De minha parte, quis perguntar se Torres pai enlouquecera; entretanto, o olhar do instrutor, naquela hora, não encorajava indagações.
Ativou-se-nos o trabalho socorrista, em colaboração com a medicina terrestre. Apesar disso, Félix inteirou-nos de que Nogueira se achava prestes a desligar-se do corpo. Nenhuma providência humana conseguiria sustar a hemorragia interna em efusão crescente, O médico dedicado improvisava medidas de salvação, que redundavam infrutíferas.
Nogueira esmorecia. Diligenciava mentalizar a figura de Marita, reconhecer lugares, mas a cabeça não se aprumava. Aguçouse-lhe a atenção para o desequilíbrio e, inteligente, sondou o ânimo do facultativo, perguntando-lhe se julgava oportuno algum chamamento aos filhos. O interpelado concordou e, pelo olhar profundo que lhe dirigiu, adivinhou que o fim da atividade orgânica se aproximava... Rememorou as noites de vigília, nas quais se agasalhava no apoio de Agostinho e Salomão. Reportou-se de leve a isso. Agostinho demandara o mundo espiritual, semanas antes, mas, se possível, estimaria abraçar o amigo de Copacabana...
O médico entendeu e comunicou-se com Gilberto e Salomão, pelo fio. Viessem com urgência.
Sensibilizando-nos, Cláudio, em prece, rogava forças. Desejava apelar para o genro e para a filha, invocar-lhes a benevolência para Márcia e Nemésio... Félix redobrou esforços para sustar o fluxo hemorrágico, ainda que por minutos, e, colaborando intensamente com o médico, obteve o que procurava.
O ferido ganhou inesperada melhora. Raciocinava com firmeza, conseguia comandar-se.
Lúcido, viu quando Gilberto e Marina entraram, compungidos.
Daí a momentos, verificou a chegada de Salomão. Declarou-se reanimado e alegre, cunhando as palavras com a serenidade possível. Olhou, de maneira acariciante, para a filha ansiosa e avisou, com um sorriso forçado, que talvez fosse compelido a efetuar grande viagem para tratamento mais amplo.
Marina compreendeu a significação do gracejo e caiu em choro.
O genitor, no entanto, advertiu-a com doçura. Onde a fé que cultivavam? como não confiar em Deus que renova o Sol cada manhã, para que a vida permaneça triunfante? Tencionava falarlhes de assunto sério...
Marejaram-se-lhe os olhos de pranto e, com inflexão de súplica, rogou-lhes bondade e entendimento para Nemésio e Márcia.
Desconhecia o paradeiro de um e outro; contudo, quando a oportunidade aparecesse, que o lar do Flamengo se mantivesse repleto de carinho para eles, tanto quanto fora farto de amor para ele, Cláudio, que se aproveitava do momento para agradecer-lhes a abnegação incessante... Confessou que Márcia era excelente companheira, que ele, tão-somente, devia ser culpado pela separação...
Acentuou que não detinha qualquer motivo para mal-querer Nemésio, que o considerava um irmão, pessoa da família, com credenciais para ser acatado e compreendido em qualquer circunstância...
Entrementes, passou a respirar com dificuldade. – Mas, meu sogro – tartamudeou Gilberto, sopitando as lágrimas
–, como quer o senhor largar-nos assim?...

CONTINUA AMANHÃ

FELIZ ANO NOVO

domingo, 30 de dezembro de 2012

CONSELHO DO DIA




Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
 
Conchega-te a Jesus na vida e na morte; entrega-te à sua fidelidade, que só Ele te pode socorrer, quando todos te faltarem. 
 
Teu Amado é de tal natureza, que não admite rival: 
 
Ele só quer possuir teu coração e nele reinar como rei em seu trono. 
 
Se souberas desprender-te de toda criatura, Jesus acharia prazer em morar contigo. 
 
Quando confiares nos homens, fora de Jesus, verás que estás perdido. 
 
Não te fies nem te firmes na cana movediça: porque toda a carne é feno, e toda a sua glória fenece como a flor do campo (Is 40,6). (Do amor de Jesus sobre todas as coisas)

Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.


MOMENTO DE REFLEXÃO




Perversidade e violência
A onda crescente de delinquência que se espalha por toda a Terra assume proporções catastróficas, imprevisíveis, exigindo de todos os homens honestos e lúcidos acuradas reflexões.
Irrompendo, intempestivamente, faz-se avassaladora, em vigoroso testemunho de barbárie, qual se a loucura se abatesse sobre as mentes, em particular junto à inexperiente juventude, em proporções inimagináveis e aflitivas.
Sociólogos, educadores, psicólogos e religiosos preocupados com a expressiva quantidade de delinquentes de toda sorte, especialmente os perversos e violentos, aprofundam pesquisas, improvisam soluções, métodos mal elaborados.
Precipitadamente oferecem sugestões que triunfam por um dia e sucumbem no imediato, tudo prosseguindo como antes, senão mais turbulento, mais inquietador.
Enquanto a delinquência grassava entre os jovens das classes sociais menos aquinhoadas, era atribuída à falta de recursos financeiros e de educação.
Mas hoje, a mídia tem divulgado inúmeros casos de perversidade e violência praticados por jovens que pertencem a famílias abastadas, o que afasta a hipótese da falta de dinheiro ou de instrução.
Tudo isso nos leva a crer que a linhagem social e a tradição não são obstáculos à manifestação da delinquência, uma vez que dentro dessas famílias os exemplos nem sempre são salutares.
Percebe-se no seio das famílias ditas tradicionais, a inversão de valores, a corrupção dos costumes, o desprezo às leis, a imposição dos caprichos pessoais em detrimento da justiça, e assim por diante.
Ainda na mesma linha de raciocínio, percebe-se pais que transferem a educação a terceiros, porque não têm tempo para dedicar à prole, uma vez que precisam dedicar as horas aos compromissos sociais.
Não se dão conta, esses pais, que pela vivência estabelecem diretrizes de comportamento aos filhos, de cujas ações não podem se queixar mais tarde.
Ademais, devemos considerar que a leviandade de mestres e educadores imaturos, não habilitados moralmente para os relevantes misteres de preparação das mentes e caracteres em formação, contribui, igualmente, com larga quota de responsabilidades no capítulo da delinquência juvenil, da agressividade e da violência vigentes.
Devemos considerar ainda, que se quisermos eliminar o problema da perversidade e da violência da nossa sociedade, será preciso mais que medidas punitivas.
Será preciso reformular conceitos, repensar valores, reformar a intimidade, e adotar a Doutrina Cristã como diretriz segura para os nossos passos.
Ensinar à criança e ao jovem a valorização e o respeito pela vida, através do próprio exemplo.
E, por fim, apresentar Jesus aos nossos filhos. Apresentá-Lo como Modelo e Guia da Humanidade, como psicoterapeuta ideal que nos conduzirá a Deus, porque conhece o caminho.
* * *
O homem iluminado interiormente pela flama cristã da certeza quanto à sobrevivência do Espírito ao túmulo e da sua antecedência ao berço, sabendo-se herdeiro de si mesmo, modifica-se e muda o meio onde vive, transformando a comunidade que deixa de a ele se impor para dele receber a contribuição expressiva e retificadora.

PENSAMENTO DO DIA



O rio somente alcança seus objetivos porque aprendeu a superar os obstáculos, seja como ele.
 

MENSAGEM DIÁRIA



Procure ser um homem de valor em vez de procurar ser um homem de sucesso.
 

SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO

Novembro seguia, cálido. Aqui e ali, na paisagem, transeuntes encarnados e desencarnados, sem novidades que chamassem atenção...
Após o descanso, a volta.
Pai e filha, à beira da pista asfaltada, esperavam vez, notando os carros que desfilavam, velozes.
Locomovia-se Marina, pesadamente; em razão disso, reconhecido o sinal de passagem livre, iniciaram a travessia com vagar; no entanto, o imprevisto aconteceu.
Automóvel a deslocar-se de longe, com lentidão, adquiriu estranho movimento, qual se perdesse todos os controles e, quebrando as regras do trânsito, precipitou-se sobre pai e filha, em tremenda impulsão. Nogueira, rápido, dispôs simplesmente de um
segundo para arredar a filha e foi arremessado a distância, depois de sofrer o impacto da máquina à altura do tronco...
Percília, Moreira e eu, assombrados, vimos Nemésio ao volante, com a fisionomia de louco, mantendo o auto, qual avião em decolagem, desnorteando guardas e populares, que, debalde, se dispunham a segui-lo.
Marina, em gritos, foi imediatamente escorada por senhoras que acudiram, emocionadas. Sobreveio a agitação. Motociclistas dispararam no encalço do agressor. Funcionaram telefones próximos para o socorro urgente. O bolo crescia, em torno de Nogueira, que tombara em decúbito ventral. Bradava-se contra choferes desalmados, contra jovens inconscientes...
Cláudio, tonto a princípio, recuperou os sentidos e virou-se com dificuldade. Superando a resistência do corpo que se tornara rígido, conseguiu sentar-se, apoiando-se nos dois braços a se retesarem, forçando as mãos espalmadas no solo.
A filha!... Ansiava enxergá-la, sabê-la viva, salva!... O sangue pingava-lhe da boca, mas, sobrepondo-se à curiosidade dos circunstantes, perguntou por ela. Marina, firmando-se em benfeitoras anônimas, arrastou-se até ele. Não sofrera sequer um arranhão; todavia, aturdira-se. Receava desfalecer. No entanto, fitando o genitor a dominar-se para insuflar-lhe segurança, cobrou forças.
Cláudio ensaiou um sorriso quase alegre, que o sangue entristecia, e rogou-lhe calma. Ferira-se um pouco. Apenas isso, explicava.
Problema simples que a hospitalização de algumas horas viria resolver. Afligia-se tão-somente por ela. Ficasse boazinha, suplicou.
Confiasse em Deus. Tudo terminaria bem. Solicitou a presença do genro, que um dos cavalheiros presentes se prontificou a buscar, no endereço da Glória, que ele mesmo forneceu. Intentou prosseguir conversando, para consolo da filha, mas notou que as energias lhe escapavam...
Percília, acomodada no chão, resguardava-o em lágrimas. Desencarnados amigos que procediam das vizinhanças, satisfazendonos o apelo, protegiam a gestante, dispensando-lhe auxilio. Moreira e eu diligenciávamos fortificá-lo, conjugando recursos magnéticos.
Em derredor, a balbúrdia...
O acidentado, contudo, alheou-se, em reflexão.
Novembro... Lembrava-se de que dois anos jaziam transcorridos sobre o desastre no qual supunha haver Marita procurado a morte. Ela tombara perto do mar, ele também... Ambos atropelados por automóvel. Contemplou o céu e recordou que a filha caíra quando as estrelas se apagavam, ele, quando as estrelas se acendiam...
Fixou Marina que chorava, baixinho, e verificou que as lágrimas represadas lhe constringiam a garganta. Queria tanto viver para aquela filha, aguardava com tanta ternura a criancinha por nascer!... Nisso, sentiu que se lhe reconstituía na mente a visão em que se reconhecera visitado por Marita, e as palavras da prece que formulara lhe vieram, uma a uma, ao ádito da memória.

“Senhor, tu sabes que ela perdeu os sonhos de criança por minha causa... Se é possível, amado Jesus, permite agora que lhe dê minha vida!... Senhor, deixa que eu ofereça, à filha de minha alma, tudo o que eu tenho!...”
Quando esses trechos da oração se lhe rearticularam no pensamento, sorriu e compreendeu. Sim, considerou intimamente, devia regozijar-se. Acreditava que Marina e Marita ali se achavam juntas... juntas... Por que não dar alegremente a vida para que a filhinha prematuramente desencarnada, por culpa dele, viesse a refazer a existência? por que não agradecer ao Senhor o bendito instante em que pudera acautelar Marina contra o carro homicida?
Não seria aquela hora, para ele, Espírito endividado, a maior manifestação da bondade de Deus? Impelira a filha para a morte, incriminara-se sem que a justiça da Terra lhe infligisse punições.
Nas preces costumeiras, rogava aos amigos espirituais o ajudassem no resgate da falta cometida. Se lhe competia encetar o pagamento do débito assumido, apenas no curso de existências porvindouras, por que não iniciá-lo, mesmo ali, entre os rostos desconhecidos que Marita, igualmente, fora constrangida a defrontar?...
Soberana tranqüilidade se lhe instalou no espírito.
Diante da ambulância que chegara, pediu a própria internação no Hospital dos Acidentados. Que o serviço policial o favorecesse.
Carregado por braços generosos, despediu-se da filha, a recomendar-lhe otimismo, serenidade. Esperasse por Gilberto e lhe participasse o acontecido, sem exagerar as impressões. Nada de alarmes. Se necessário, pediria o concurso de alguém para dar noticias ao telefone. Que não se apoquentasse por sustos.
Dentro do carro, enquanto Nogueira pensava em Marita, ao viajar num carro igual àquele, nas mesmas circunstâncias, Percília, que o aconchegava de encontro ao colo, se desfazia em pranto copioso. Concluindo, porém, que Moreira e eu nos desassossegávamos

CONTINUA AMANHÃ

FELIZ ANO NOVO - DEUS CUIDA DE MIM