segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

CONSELHO DO DIA



Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
 
Nunca sentir, porém, inquietação, nem sofrer moléstia alguma do corpo ou do espírito, não é próprio da vida presente, senão do estado do eterno descanso. 
 
Não julgues, pois, ter achado a verdadeira paz, se não sentires nenhuma aflição; nem que tudo está bem, se não tiveres nenhum adversário, ou tudo perfeito, se tudo correr a teu gosto. 
 
Nem penses que és grande coisa ou singularmente amado por Deus, se sentes muita devoção e doçura, porque não são estes os sinais pelos quais se conhece o verdadeiro amante da virtude, nem consiste nisso o aproveitamento e a perfeição do homem. ( Em que consiste a firme paz do coração e o verdadeiro aproveitamento)

Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.



PENSAMENTO DO DIA



Vida e morte são os dois lados da mesma moeda, quanto maior e mais claro o entendimento de um lado, maior e mais claro tornar-se-á o entendimento do outro.
 

MENSAGEM DIÁRIA



Um homem valente não é um homem sem medo, é aquele que não se deixa paralisar por sua insegurança, e segue em frente.
 

SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO

os bons ofícios. Que o rapaz esquecesse os agravos e aceitasse em Nemésio um enfermo da alma.
Gilberto rememorou os segredos de Dona Márcia, condoeu-se do interlocutor e entrou em lágrimas. Aquele homem, muito mais ofendido que ele mesmo pelo pai prepotente, aquele homem espoliado no coração, impetrava benevolência para o seu próprio verdugo.
Marina, que sazonara o entendimento da vida, exortava também à concórdia e ao olvido. E tanto se adestrava em renovação que, após o curativo nos lábios de Gilberto, sugeriu ao pai fosse o rapaz conduzido sem delonga ao gerente. Não se devia perder a oportunidade, nada de lamentar sobre o inevitável. Ensaiou apontamentos de bom-humor, emprestou comicidade ao drama que lhes cabia viver, endereçando o pensamento ao futuro, e inventou notas alegres para a dificuldade, qual se dependurasse guirlandas numa sala encrespada de espinhos, conseguindo que Torres filho, chorando e rindo, trincasse alguns pastéis, antes de sair.
O diretor de Nogueira acolheu o candidato com simpatia; no entanto, não relacionava meios para colocá-lo em regime de urgência.
Aguardasse um mês. Não se admitiam aspirantes ao serviço, sem provas de habilitação, previamente ordenadas, mas prometia entender-se com os chefes. Acreditava na possibilidade de aproveitar-lhe o concurso, em caráter de interinidade.
Gilberto agradeceu.
A sós com o protetor, referiu-se com humildade ao problema de moradia.
Afinal, sabia-se expulso de casa a pontapés.
Cláudio tranqüilizou-o.
Certo, não calhava, por enquanto, a presença dele no lar do Flamengo, embora julgasse a medida irrepreensível. Competialhes, porém, imunizar Nemésio contra qualquer novo ataque de fúria. Conhecia pensão de estudantes corretos e pediu-lhe para que não lhe recusasse as garantias. Entre moços respeitáveis, esperaria a convocação. Depois, resgataria os pequenos débitos que viesse a contrair. Que não se vexasse. Acariciou a cabeça do jovem e salientou que se achavam na condição de pai e filho e que, em razão disso, o dinheiro entre ambos deveria ser gasto em condomínio.
O rapaz, não obstante constrangido, aquiesceu.
Daí a algumas horas, ciente de que o genitor se ocupava em serviço, contratou caminhão e colheu da residência os pertences que julgou indispensáveis, sossegando a dedicada governante com a informação de que se ausentava para trabalhar, durante algum tempo, com o pai de Marina, a fim de tentar a sorte.
O comunicado surtiu efeitos imediatos.
Dispensando a possível assistência ao ânimo inquieto de Nogueira, vimos, no dia seguinte, quando Nemésio entrou no banco, às duas da tarde, a esbaforir-se. Enraivado, no centro de vasto grupo de Espíritos galhofeiros, solicitou a presença de Nogueira em recinto particular. Um funcionário acenou para o companheiro e Cláudio veio; mas, pressentindo que seria intimado a rigoroso testemunho de tolerância, preferiu atender no vestíbulo, rente ao público.
O visitante começou dizendo que lhe exigia contas do filho, acentuando que não lhe permitiria influenciá-lo.
Cláudio mobilizou todas as reservas de humildade e rogou licença para informar que o moço tão-somente o tratava por amigo, sem, no entanto, abdicar do livre-arbítrio; que não se via autorizado a responder por ele; que...
O genro de Neves, todavia, interceptou-lhe a palavra e rugiu: – Cale-se, besta!... joão-ninguém! paspalhão! Tome lá, seu espírita de meia-tigela!...
O punho do negociante batia no rosto de Cláudio, arremessando-lhe pescoções violentos, enquanto a vítima procurava defender-se, debalde, escondendo a cabeça entre as mãos.
A agressão fora rápida.
Antes que os circunstantes se refizessem do choque, o bancário jazia no pavimento e somente a cooperação de intercessores anônimos impediu que o esmurrador asselvajado lhe pisasse o corpo em decúbito. Contido à força, berrava insultos, assessorado por Espíritos infelizes.
O injuriado ergueu-se disposto a revidar. Irado, contundido.
Referviam-lhe no peito as dores acumuladas. Tomaria desforra. O comerciante audacioso conhecer-lhe-ia o desagravo. Massacrá-lo-ia naquele mesmo instante como se achata um verme. Num átimo, contudo, ao levantar a destra para medir punhos com o adversário, sentiu o reflexo de Marita. Aquela mão pequena e fria que se elevara da morte, a fim de abençoá-lo, estava na dele. A menina atropelada surgia-lhe na memória, como a perguntar-lhe pelos votos de melhoria. Prometera-lhe renovar-se, ser outro homem...
Impossível quebrar o compromisso. Recordou-a padecente, o corpo recoberto de escaras dolorosas. Não tinha sido ele o culpado? não fora a Divina Providência suficientemente compassiva, deixando que a falta de que se acusava passasse despercebida, à frente dos homens? não recebera, acaso, o perdão da filha que amava? que diria ela, do Além, se também não perdoasse ao carrasco que lhe seduzira a primogênita e lhe furtara a mulher? Abraçara princípios que lhe preceituavam clareza de raciocínio, a fim de que aprendesse a conjugar bondade e discernimento, justiça
e caridade... Cabia-lhe ver, nos inimigos gratuitos, enfermos exigindo socorro e benevolência. De que modo condenar alguém naquilo em que se inculpava? Não trazia, porventura, o espírito endividado, em meio de falhas e tentações?

CONTINUA AMANHÃ

MENSAGEM DE NATAL - 2013

domingo, 23 de dezembro de 2012

CONSELHO DO DIA



Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
 
A ALMA:
 
Dilatai-me o amor, para que possa, no âmago do coração, saborear quão doce é amar, no amor desmancharme e nadar. 
 
Prenda-me o amor, e eleve-me acima de mim, num transporte de fervor excessivo. 
 
Cante eu o cântico do amor, siga-vos ao alto, ó meu Amado, desfaleça minha alma no nosso louvor, no júbilo do amor. 
 
Amar-vos quero mais que a mim, e a mim só por amor de vós, e em vós a todos que deveras vos amam, conforme ordena a lei do amor que de vós dimana. ( Dos admiráveis efeitos do amor divino)

Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.



PENSAMENTO DO DIA



Às vezes construímos pequenos sonhos em cima de grandes pessoas, com o passar do tempo descobrimos que grandes mesmo eram os nossos sonhos e as pessoas pequenas de mais.
 

MENSAGEM DIÁRIA



Direcione a mente para seus objetivos sem criar obstáculos.
 

SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO

espírito, com a versão caridosa de que necessitava para reconstituir o caminho.
Em lágrimas de alegria, osculou-lhe as mãos e agradeceu-lhe em palavras quentes de carinho filial. Entendia, sim – comentou –, que o pai, não obstante bondoso, teria obedecido a sugestões de despeito, a fim de apartá-lo da escolhida. Procuraria Marina, prometia olvidar o passado, de modo a não ferir a dignidade maternal com que ela, Dona Márcia, lhe patenteara a nobreza de sentimentos, torturada qual se achava entre a paixão de companheira e o devotamento de mãe. Informou que, na tarde daquele dia, estivera com Marina. Notara-lhe a sinceridade e a tristeza.
Fora rude com ela, espezinhara-lhe o coração, mas voaria naquela mesma hora para o Flamengo e fariam as pazes. Quanto ao futuro, não tinha motivos para incompatibilizar-se com Cláudio; entretanto, já que o desquite se fazia iminente, envidaria todos os esforços para que o genitor e Dona Márcia se consorciassem num país onde o divórcio merecesse aprovação legal.
Da entrevista ao telefone e do telefone a novo encontro com Marina, foi para Gilberto questão de minutos.
Perante os jovens reunidos, Nogueira enlevou-se, regozijando-se em preces de reconhecimento.
Moreira e eu expedimos informações para o irmão Félix, que veio, na noite do dia seguinte, compartilhar-nos as orações de alegria.
Depois de abraçar Cláudio e os dois namorados que demandavam Copacabana, à busca do convívio de Salomão, o benfeitor rumou para a Lapa, em nossa companhia.
Márcia, recostada num divã, fumava cismando, na expectativada chegada de Nemésio para jantarem na Cinelândia, com um filme subseqüente, mas Félix, magnânimo como sempre, acercou-se dela, ignorando as baforadas, e beijou-lhe a fronte, mostrando lágrimas...
Não dispúnhamos de estatura espiritual para auscultar-lhe os pensamentos sublimes. Observamos apenas que ele a contemplou, enlevado, como quem lhe agradecia a inesperada abnegação, e murmurou, ao despedir-se: – Louvado seja Deus!
Do dia imediato em diante, azedou-se o intercâmbio entre pai e filho. Nemésio, intrigado; Gilberto, arredio. E, decorridas algumas semanas, ao inteirar-se de que o rapaz e a menina Nogueira passeavam de relações reatadas, o negociante viajou para o sul, em companhia de Márcia, no intuito de situar o filho junto de antigos camaradas de juventude, residentes em Porto Alegre. Por
lá se deteve o par, semanas e semanas, trazendo, na volta, expressivo programa de serviço e de estudo que Gilberto, convidado pelo genitor a entendimento, recusou, cortês, desistindo das vantagens
que lhe eram oferecidas.
Presenciando-lhes o diálogo em ambiente fechado, consignamos a respeitosa ternura com que o jovem se dirigiu ao genitor, implorando-lhe auxílio. Tivesse a bondade de não transferi-lo, que o deixasse no Rio. Rogava desculpas se o magoava, mas reconhecia-se em maioridade e aspirava ao casamento com Marina, de quem se reaproximara. Desde cedo, acostumara-se a trabalhar com o pai, a colaborar com ele, na imobiliária. Aguardava-lhe, por isso, a proteção.
Nemésio ouvia, ressentido, revoltado. Marina reconquistada pelo filho significava para ele bancarrota moral insuportável.
Nunca a amara tanto, quanto naquela hora em que se lhe esvaiam as esperanças. Entrevia-se calcado, vencido. A pouco e pouco se desinteressara de Márcia, conquanto a conservasse. Marina significava-lhe mocidade, euforia, entusiasmo, improvisação. Justamente quando ruminava desígnios de recuperar-lhe o carinho, adiantava-se o filho, frustrando-lhe os projetos.
Certificando-se de que Gilberto concluíra, vibrou rude golpe na mesa com uma régua pesada e, enceguecido pela cólera que o envolvia por juba de fogo, esbravejou: – Nunca!... Você nunca se casará com essa...
E multiplicou pejorativos e desaforos que o moço agüentou, estonteado e ferido. Mesmo assim, depois da tirada de injúrias, retorquindo aos apelos e intimações de última instância, assegurou que saberia tolerar todas as conseqüências, mas não renunciaria ao compromisso que assumira consigo próprio.
O genitor, possesso, entregou-se às vias de fato, esmurrandolhe o rosto.
Gilberto rodou nos calcanhares e tombou no piso, para reerguer-se e cair de novo sob pancadaria grossa, até que Nemésio, semelhando fera solta, infligiu-lhe tremendo chute, vociferando: – Rua, miserável!... Rua, rua!... Suma daqui! Não me apareça mais!...
Acompanhamos o menino atônito, que alcançou a via pública tentando estancar com o lenço um filete de sangue a escorrer-lhe num dos cantos da boca.
Daí a quarenta minutos, um ônibus despejava-nos no Flamengo.
Os Nogueiras terminavam o almoço e, antes de rumar para o banco, Cláudio recolheu, junto da filha, o relatório doloroso.
O trio machucado entendia perfeitamente a gravidade da situação. Nogueira, porém, ofereceu-se para ajudar. Diligenciaria obter para Gilberto um emprego no estabelecimento de crédito em que trabalhava. Considerava o dirigente por amigo. Solicitar-lhe-ia

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PALESTRA ESPIRITA - DIVALDO FRANCO - VITÓRIA SOBRE A DEPRESSÃO - PARTE 6