segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PENSAMENTO DO DIA



Um dia a lágrima disse ao sorriso: invejo-te porque vives sempre feliz. O sorriso respondeu: engana-te, pois muitas vezes sou apenas o disfarce de tua dor.
 

MENSAGEM DIÁRIA



Criamos os medos pelos pensamentos e atitudes que cultivamos.
 

SEXO E DESTINO - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO

Entretanto, Nemésio, de formação materialista e de índole utilitária, conquanto generoso, desconhecia que as almas nobres colhem no amor esponsalício da Terra o fruto da alegria sublime, cuja polpa o tempo sazona e torna mais doce, eliminando os caprichos transitoriamente necessários da casca.
Insistia na conservação de todos os impulsos emotivos da juventude corpórea. 
Andava em dia com todas as teorias da libido.
Vez por outra, demandava cidades próximas, em noitadas boêmias, asseverando, de retorno, aos amigos que assim procedia para desenferrujar o coração. 
Dessas escapadas, voltava trazendo à esposa corbelhas de alto preço que Beatriz acolhia, enlevada. 
No decurso de algumas semanas, mostrava-se para ela mais compreensivo e mais terno. 
Reconduzido, porém, mais dilatadamente, aos freios do hábito, não sabia consagrar-se às construções espirituais que só a disciplina favorece e garante. 
Varava, de novo, as fronteiras que os compromissos morais estabeleciam, à maneira de animal arrombando cerca.
Em determinadas ocasiões, acontecia fixar a esposa, invariavelmente abnegada e fiel, perguntando à própria alma o que sucederia se ela adotasse conduta igual à dele, e aterrava-se.
Isso nunca, pensava. 
Se Beatriz pusesse, ainda que de leve, o voto feminino em outro homem, era capaz de matá-la. 
Não hesitaria.
Nesses momentos, impressões contraditórias agitavam-lhe o espírito limitado. 
Não se interessava absolutamente pela mulher, mas não toleraria concorrência à posse daquela a quem confiara o seu nome.
Inquietava-se, imaginava coisas, mas recompunha-se, tranqüilo, recordando a esquisita conceituação de velho amigo que consumira a existência alcoolizado entre os despojos endinheirados de parentes ricos, e que lhe tisnara os sonhos do lar, quando menino, a repetir-lhe, freqüentemente: “Nemésio, mulher é chinela no pé do homem. Quando não presta mais, é preciso arranjar outra.”
Compreensível que, regando a raiz do caráter com as águas turvas de semelhante filosofia, atingisse o genro de Neves o marco dos sessenta anos com os sentimentos deteriorados, no tocante ao respeito que um homem deve a si mesmo.
Por todos esses motivos, na quadra difícil e obscura que atravessava, reaprendera os cuidados da preservação individual.
Readquirira o gosto de vestir-se com distinção, selecionando figurinos e alfaiates. 
Refinara a sensibilidade masculina, afeiçoara-se aos programas radiofônicos de ginástica, no que, aliás, lograra despojar-se da adiposidade oscilante. 
Disputava o ingresso em agremiações festivas para atualizar a linguagem e requintar o porte.
Não lhe importavam as tochas brancas que lhe esmaltavam de prata a cabeleira densa. 
Elegia nos perfumes raros e nas gravatas coloridas motivos de leveza e elegância sempre novos.
Pagara habilmente instruções e pareceres de improvisados professores em renovação da personalidade e embelezara-se, vaidoso, lembrando antigo edifício sob nova decoração.
Evidentemente, não – raciocinava, apreensivo –, não se resignaria a qualquer terapêutica que não fosse a de se lhe acentuar disposições ao prazer. Recusaria, peremptório, toda medida endereçada a suposto reajustamento orgânico, já que se supunha perfeitamente idôneo para comandar as próprias sensações. Euforia, o problema. 
Providência medicamentosa, apenas a que lhe arejasse o espírito, rejuvenescendo-lhe as forças.
O irmão Félix voltou a dizer-nos: – Nemésio demonstra enorme esgotamento, à vista dos hábitos
demolidores a que se rendeu. 
A inquietação emotiva descontrola-lhe os nervos e os falsos afrodisíacos usados solapam-lhe asenergias, sem que ele mesmo perceba.
Diante da afirmativa, o esposo de Beatriz fixou agoniado vinco mental, entremostrando haver assimilado, mecanicamente, o  impacto do grave enunciado.  – E se piorasse? – considerou de si para si.
A figura de Marina repontou-lhe da alma.
Nemésio divagou, cismarento.
Concordaria, sim, em recuperar a saúde, mas somente depois...
Depois que retivesse a jovem no lar, entregue a ele, em definitivo, pelos laços do matrimônio. 
Enquanto não a recolhesse, nos braços, sob regime de compromisso legal, não aceitaria proteção médica. 
Cabia-lhe sustentar-se capaz e moço aos olhos dela.
Fugiria deliberadamente de conselhos ou disciplinas tendentes a desviá-lo da ronda de passeios, excursões, entretenimentos e bebedices que, na posição de homem enamorado, acreditava
dever-lhe.
O irmão Félix não contrapôs qualquer argumentação. 
Ao revés, administrou-lhe recursos magnéticos em toda a província cerebral, dispensando-lhe assistência.
Ao término da longa operação socorrista, Neves, taciturno, não encobria o próprio desapontamento. 
A desaprovação esguichava-lhe da cabeça, plasmando pensamentos de censura, que, não obstante respeitosa, nos alcançavam em cheio, por chuva de vibrações negativas.
Talvez, por isso, o benfeitor sugeriu ao dono da casa abandonar o recinto, solicitação muda que Nemésio atendeu, de pronto, já que se munira das escoras que o amigo espiritual espontaneamente lhe oferecia.
Os três, a sós, tornamos à conversação.
 Félix, sorrindo, afagou de leve os ombros do meu companheiro e ponderou: – Entendo, Neves, entendo você...
Encorajado pela inflexão de carinho com que semelhantes palavras eram ditas, o sogro de Nemésio desafogou-se: – Quem entende menos sou eu. Não admito tanto resguardo para um cachorro de má qualidade. 
Um homem igual a este, que me desrespeita a confiança paterna! 
Quem não lhe vê no espírito a poligamia declarada? Um sessentão desavergonhado que enxovalha a presença da esposa agonizante! 
Ah! Beatriz, minha pobre Beatriz, por que te uniste a um cavalo?
Dementara-se Neves, diante de nós. 
Retrocedera mentalmente ao círculo acanhado da família humana e chorava, transtornado, sem que lhe pudéssemos cercear a emoção. – Faço força – gemia acabrunhado –, mas não agüento. 
De que me vale trabalhar odiando? Nemésio é um mascarado! 
Tenho estudado a ciência de perdoar e servir, tenho aconselhado serviço e perdão aos outros, mas agora... Divididos por simples parede, vejo o sofrimento e o vício debaixo do mesmo teto. 
De um lado, minha filha conformada, aguardando a morte; de outro, meu genro e essa mulher que me insulta a família. Deus do céu! que me foi reservado? Andarei auxiliando uma filha doente ou sendo chamado à tolerância? 
Mas, como suportar um homem desses?
Não adiantou um aceno à prudência, na pausa curta. – Antigamente – tartamudeou ele, desesperado – acreditava que o inferno, depois da morte, fosse pular em vão num cárcere de fogo; hoje aprendo que o inferno é voltar à Terra e estar com os parentes que já deixamos... Isso é a purgação de nossos pecados!...
Félix aproximou-se e ponderou, segurando-lhe afetuosamente as mãos:

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O SER HUMANO E OS CONFLITOS EXISTÊNCIAIS - PALESTRA DE DIVALDO FRANCO - PARTE 4

domingo, 30 de setembro de 2012

CONSELHO DO DIA



Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
 
Jesus: 
 
Filho, preciosa é a minha graça; não sofre mistura de coisas estranhas, nem de consolações terrenas. 
 
Cumpre, pois, remover todos os impedimentos da graça, se desejas que te seja infundida. 
 
Busca lugar retirado, gosta de viver só contigo, e não procures conversa com os outros, mas a Deus dirige tua oração fervorosa, para que te conserve na compunção de espírito e pureza da consciência. 
 
Avalia em nada o mundo todo; antepõe o serviço de Deus a todas as coisas exteriores. 
 
Pois não podes há um tempo tratar comigo e deleitar-te nas coisas transitórias. 
 
Cumpre apartares-te dos conhecidos e amigos, e desprenderes teu coração de toda consolação temporal. 
 
Assim exorta também instantemente o apóstolo São Pedro que os fiéis cristãos vivam neste mundo como estrangeiros e peregrinos (1 Pdr 2,11). 1. 
 
Oh! Quanta confiança terá aquele moribundo que não tem afeição a coisa alguma do mundo. 
 
Mas desprender assim o coração de tudo, não o compreende o espírito ainda enfermo, bem como o homem carnal não conhece a liberdade do homem interior. 
 
Entretanto, se quiser ser verdadeiramente espiritual, cumpre-lhe renunciar aos estranhos como aos parentes e de ninguém mais se guardar do que de si mesmo. 
 
Se te venceres perfeitamente a ti mesmo, tudo o mais sujeitarás com facilidade. 
 
Pois a perfeita vitória é triunfar de si mesmo. 
 
Porque aquele que se domina a tal ponto, que os sentidos obedeçam à razão e a razão lhe obedeça em todas as coisas, este é realmente vencedor de si mesmo e senhor do mundo. ( Que a graça de Deus não se comunica aos que gostam das coisas terrenas)

Certamente estas palavras se referem a alguma necessidade sua.
Mas isso só você saberá entender.




PENSAMENTO DO DIA



Amor é a força que cria vida em todos os seres.
 

MENSAGEM DO DIA



Todo fracasso ensina ao homem algo que ele precisa aprender.
 

SEXO E DESTINO -LIVRO DE CHICO XAVIER

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Capítulo 5

Imperfeitamente refeitos do assombro que semelhante atitude nos causava, passamos a colaborar com o irmão Félix, na aplicação de recursos, a beneficio do amigo que, embora nos desconhecesse a presença, se mantinha agora em aturada reflexão.
Ao contacto das mãos do benfeitor que mobilizava, proficiente, a energia magnética, Nemésio expunha as deficiências do campo circulatório.
O coração, consideravelmente aumentado, denotava falhas ameaçadoras com endurecimento das artérias.
O examinando, rebuçado por fora, era enfermo grave por dentro.
Entretanto, a característica mais constrangedora que apresentava surgia na arteriosclerose cerebral, cujo desenvolvimento conseguíamos claramente positivar, manejando diminutos aparelhos de auscultação.
Comprovando longa experiência médica, o irmão Félix apontou-nos determinada região, em que notei a circulação do sangue reduzida, e informou:
– Nosso amigo permanece sob o perigo de coágulos bloqueadores e, além disso, é de temer-se a ruptura de algum vaso em qualquer acidente mais importante da hipertensão.
Como se nos percebesse a movimentação e nos registrasse os apontamentos, o genro de Neves, na cadeira estofada a que se recolhera, instintivamente respondia ao inquérito afetuoso a que lhe submetíamos a memória, elucidando-nos todas as dúvidas, através de reações mentais específicas. 
Acreditava-se afundado na imaginação, ignorando que se nos revelava, por inteiro, na feição de um doente voltado para os esclarecimentos da anamnese. 
Rememorou as tonturas ligeiras que vinha experimentando amiúde.
Vasculhava a lembrança, atendendo-nos às perguntas. 
Alinhava acontecimentos passados, fixava pormenores. 
Reconstituiu, quanto possível, as fases do desconforto a que se vira atirado, subitamente, com a perda dos sentidos que sofrera, no escritório, dias antes. 
Sentira-se desamparado, de chofre. Ausente. 
O pensamento esvaíra-se-lhe da cabeça, como se expulso por martelada interior.
Pavoroso delíquio que se lhe representara infindável, quando perdurara simplesmente por segundos. 
Retomara a noção de si mesmo, atarantado, abatido. 
Curtira apreensões, ensimesmado, por muitos dias.
Para desafrontar-se, expusera a ocorrência perante velho amigo, na antevéspera, já que não sabia como destrinçar o fenômeno.
A tela rearticulada por ele, na imaginação, salientava-se tão nítida que lográvamos contemplá-los juntos, Nemésio e o companheiro que lhe tomara confidências, como se estivessem filmados.
O marido de Beatriz, inconscientemente, configurava informes precisos, acerca do desmaio experimentado, das inquietações conseqüentes, da entrevista que provocara com o colega de negócios e do entendimento cordial havido entre ambos.
Consignamos os avisos que o interlocutor lhe transmitira.
Não lhe cabia adiar providências. Devia procurar um médico, analisar as próprias condições, definir os sintomas. 
Traçou advertências.
Verificava-se-lhe facilmente a fadiga. 
No Rio, obteria melhoras em alguma clínica de repouso. 
Umas férias não lhe fariam mal. 
Qualquer síncope, a seu ver, equivalia a puxão de campainha, no apartamento da vida. 
Sério vaticínio, enfermidade à porta.
Nemésio, calado, sem perceber que se comunicava conosco, repetia espiritualmente as alegações que formulara.
Difícil a consulta. 
Responsabilidades em penca, o tempo escasso.
Acompanhava a esposa, na travessia das horas derradeiras, em doloroso término de existência e não encontrava meios de cuidar de si. 
Não discutia a oportunidade das admoestações, mas admitia-se obrigado a transferir o tratamento para quando pudesse.
No entanto, no âmago do pensamento, por noticiário vivo secretamente arquivado no cofre da alma, desvelava, para nós, motivos outros que não tivera coragem de expender.
Enternecido ao toque de amor fraterno do benfeitor que o auscultava, liberou, em silêncio, as mais fundas preocupações.
Semelhava-se a menino peralta, quando espontâneo e obediente no clima dos pais.
Aclarou, positivo, a razão da fuga a qualquer assunto relacionado com a provável submissão a preceitos médicos. 
Receava conhecer o próprio estado orgânico. Amava, novamente, crendose de regresso às primaveras do corpo físico. 
Identificava-se espiritualmente jovem, feliz. Qualificava a afeição de Marina como sendo o reencontro da mocidade que ficara para trás.
Alinhavando recordações e meditações, exibia, diante de nós, a trama dos acontecimentos que lhe sedimentavam as noções precárias da vida, possibilitando-nos retratar-lhe a realidade psicológica.
Beatriz, a companheira em vésperas de desencarnação, erigiase-lhe, agora, no ânimo, em forma de relíquia que situaria, reverentemente, em breve, no museu das lembranças mais caras.
Imperturbavelmente correta e simples, transformara-lhe a volúpia em admiração e a chama juvenil em calor de amizade serena.
Estranho ao benefício da rotina construtiva, colocara a esposa no lugar da genitora que a morte levara. 
Disputava-lhe, por instinto, o sorriso benevolente e a bênção da aprovação. 
Queria-lhe a presença, como quem se acostuma ao serviço de um traste precioso.
Harmonizava-se consigo próprio, ao chegar, suarento, em casa, descansando a cabeça fatigada em seu olhar.

CONTINUA AMANHÃ

O SER HUMANO E OS CONFLITOS EXISTÊNCIAIS - PALESTRA DE DIVALDO FRANCO - PARTE 3