segunda-feira, 2 de julho de 2012

SOMBRAS DO PASSADO - Livro de Haroldo Freitas

CONTINUAÇÃO


     - Muito bem, realmente já está tarde. Vamos para casa e que DEUS nos acompanhe. Boa noite para todos.
     Despediram-se e foram para as suas casas. D. Beatriz, todos os dias, dava carona para Patrícia, uma jovem de vinte e dois anos, que morava perto de sua casa. Patrícia era médium da casa e muito estudiosa do Espiritismo. Dentro do carro ela disse para D. Beatriz.
     - D. Beatriz, o problema da sua nora é muito grave. Enquanto o Sr. Mário falava com a senhora, entrei em sintonia com a minha Entidade e ela disse que, além do problema da encarnação passada entre o seu filho, sua nora e sua neta, a D. Cida é médium e precisa desenvolver a sua mediunidade para poder ajudar os necessitados. Como à senhora bem sabe, a mediunidade não é dom, mas compromisso assumido com a espiritualidade na ocasião da reencarnação.
     - Evidentemente que são compromissos que assumimos na erraticidade, porém, depois de reencarnados optamos para as atividades que nos dão dividendos materiais. Quanto aos esclarecimentos da sua Entidade, ela disse o motivo que impediu a minha nora de vir ao Centro?
     - Não especificamente, mas disse que foi um desentendimento entre ela e a filha.
     - Provavelmente a Cida foi repreendê-la por ter chegado tarde na noite do sábado e, discutiram.
     - Foi mais do que isso. Mas não se preocupe, já está tudo calmo. Amanhã, logo cedo, ela virá em sua casa.
     - Patrícia você não acha melhor eu ir à sua casa agora?
     - Não D. Beatriz. Desde quando comecei a frequentar o Centro a senhora já fazia parte do seu quadro de médiuns, portanto, longe de eu querer dizer como à senhora deve proceder, mas, como se trata de um caso familiar, pediria que o enfrentasse com calma e serenidade. Acho até que seria interessante a senhora passa-lo para outro médium. Temos ótimos médiuns no Centro. Sérios e de confiança, tenho absoluta certeza que não medirão esforços para solucionar este caso.
     - Patrícia você é tão jovem, porém muito experiente e sensata. Se eu levar a minha nora, amanhã à noite no Centro, você conversa com ela?
     - Claro que sim. Terei o maior prazer em ajuda-la, pois ela está precisando de muita ajuda. O seu filho a ama muito, mas se continuar assim, logo o casamento será desfeito.
     - Chegamos à sua casa. Amanhã nos encontraremos no Centro. Boa noite e muito obrigado pelas suas palavras de conforto e esclarecedoras.
     - Boa noite. A senhora não tem nada a agradecer, se não nos ajudássemos mutuamente como seria a nossa passagem neste Planeta?
     Patrícia entrou em sua casa e D. Beatriz seguiu. Chegando em casa, embora com vontade de telefonar para Cida, resolveu seguir os conselhos de Patrícia, que apesar de ter idade de ser sua neta, era uma médium muito bem conceituada no Centro, por seu comportamento, simplicidade, humildade, caráter e, também, pela maneira bondosa de tratar as pessoas que a procuravam.
     Quase não conseguiu dormir e logo ao clarear o dia levantou-se para telefonar para Cida, mas lembrou dos conselhos de Patrícia e resolveu aguardar a vinda ou telefonema da nora, para explicar os motivos que a impediram de ir ao Centro, na noite passada.
     Passava das dez horas e Cida, ainda, não dera noticias. Pegou o telefone e ligou.
     - Bom dia Glória. Gostaria de falar com a minha nora.
     - Bom dia D. Beatriz. A d. Cida não está. Ela saiu cedo, antes das sete horas, dizendo que ia ao aeroporto esperar o Sr. Ronaldo.
     - Ótimo. Esta é uma boa noticia. Ele deve ter telefonado ontem a noite e hoje ela foi busca-lo. Graças à DEUS a vida deles está voltando ao normal.
     - D. Beatriz foi a D. Cida que telefonou para ele e discutiram muito, como sempre, o motivo foi a Carol. D. Cida foi para o aeroporto chorando muito, não tomou nem café.
     - Porque você não telefonou para mim antes dela sair?
     - Desculpe, mas estava tão aflita que nem lembrei.
     - Você sabe o horário da chegada do Ronaldo?
     - Não, mas a Carol disse que ele deveria  chegar às dez horas e viria direto para casa, conversar com ela. Ela, também, está chorando muito.
     - Ela já levantou?
     - Já.
     - Por favor, Glória, gostaria de falar com ela.
     - Um momento vou chama-la.
     Demorou aproximadamente cinco minutos para Carol atender ao telefone, mas, para D. Beatriz, pareceu que foram horas.
     - Bom dia vovó.
     - Bom dia Carol. O que está acontecendo?
     - Nada de anormal para uma mãe normal, mas como à senhora sabe a sua nora não é normal – respondeu Carol com a voz embargada pelo choro.

CONTINUA AMANHÃ

CONSELHOS FRATERNAIS DE EMMANUEL - CHICO XAVIER


domingo, 1 de julho de 2012

CONSELHO DO DIA




Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje:
 
Oh! Quanto foi o fervor de todos os religiosos, nos primeiros tempos de seus santos institutos! 
Quanta piedade na oração! 
Que emulação nas virtudes! 
Que austera disciplina vigorava então!
Que respeito e obediência aos preceitos do superior reluzia em todos! 
Os vestígios que deixaram ainda atestam que foram verdadeiramente varões santos e perfeitos os que em tão renhidos combates venceram o mundo. 
Hoje já se considera grande quem não é transgressor da regra e com paciência suporta o jugo que se impôs.

PENSAMENTO DO DIA



A felicidade consiste em ter um ideal a buscar e ter a certeza de estar dando passos firmes no caminho da busca.

MENSAGEM DIÁRIA



Não perca tempo maldizendo o mal que lhe fizeram, ou os fracassos que teve. 
Comece a partir de agora a ver o que pode fazer para reconstruir. 
Siga em frente corajosamente, pois a vida sorri somente para aqueles que não param no meio da estrada.
 

SOMBRAS DO PASSADO - Livro de Haroldo Freitas


CONTINUAÇÃO


trabalhar até tarde fazendo horas extra e, logicamente, mais tempo livre para Cida, que a esta altura, estava grávida. Quando Rodrigo nasceu, o amor e a felicidade cresceram. Tudo era motivo de alegria. Até o choro do bebê, durante a noite, era recebido como dádiva de DEUS. Tristeza e brigas não entravam naquela casa, nem como simples palavras. Na sua vida profissional era um vitorioso. Constantemente era elogiado pelos seus superiores, por sua competência e dedicação ao trabalho.
     Todavia, desde a gravidez de Carol, Cida começou a se transformar e as coisas em casa começaram a desmoronar. Na ocasião do nascimento da filha já tinha sido nomeado Gerente Geral da filial do Brasil e, logicamente, a sua situação financeira e econômica melhoraram muito, passando da classe média para a classe média alta. Com referencia ao conforto e bens materiais nada faltava a sua família.
     Entretanto, achava que, por ironia do destino, quanto mais se aproximava do topo de sua carreira profissional e de conquistas materiais, a sua vida familiar, o companheirismo com a esposa e filhos e o diálogo em casa, iam, pouco a pouco, tornando-se mais difícil, mais raro e tortuoso.
Até Cida ficar grávida de Carol, a sua maior alegria era os fins de semana, pois, embora não tivesse condição financeira para levar Cida e Rodrigo para passeios e Restaurantes de luxo, eram felizes passando em casa, fazendo compras na feira, passeando na praça do bairro, visitando D. Beatriz e aos domingos almoçando na Pizzaria. Sempre os três juntos.
     Hoje no quarto do Hotel, relembrando a sua vida, após o nascimento de Carol, não conseguia lembrar o último fim de semana que passara em casa, junto com a família. Apesar de passar mais tempo fora de casa, sentia falta de Cida e ainda a amava muito, porém, parecia que alguém tinha erguido uma barreira invisível, intransponível entre os dois. Bastava transpor o portão de sua casa para ficar ansioso, nervoso e irritado.
     As relações sexuais, entre os dois, cada vez ficavam mais raras, chegando a uma ou duas vezes ao mês e tudo feito mecanicamente, por dever ou obrigação de um casal. Até a segunda gravidez de Cida tinham relações, praticamente, todos os dias. Não existia hora ou lugar determinado, bastava estar com vontade. Também não existiam regras, valia tudo. O importante era a satisfação e a felicidade de ambos, e como eram felizes.
     Hoje, nem por telefone, a milhares de km distante, conseguia ter um diálogo amoroso com a esposa, muito menos nos raros momentos íntimos.
     Ronaldo resolveu esquecer aquelas lembranças, que tanto o magoavam e saiu para uma volta pela cidade. Aproveitaria para ir ao cinema ou, talvez, ao Teatro e depois jantaria em um Restaurante na praia de Boa Viagem.
     D. Beatriz chegou antes das dezoito horas no Centro Espírita. Estava ansiosa aguardando a chega de Cida, que combinou ir diretamente para o Centro e chegar cedo para conhecer melhor o local e as atividades ali desenvolvidas.
     Às  dezenove horas Cida ainda não chegara e o Sr. Mário, presidente do Centro, iniciou os trabalhos daquela segunda feira.
     Primeiramente, fez a oração do dia e leu um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, depois passou a palavra à D. Beatriz, que faria a Palestra daquela noite.
     D. Beatriz levantou-se e dirigindo-se aos presentes disse: “Meus queridos irmãos Boa noite e que a paz de DEUS esteja com todos”. A nossa Palestra de hoje será sobre Obsessão.
     Depois da palestra, D. Beatriz fez uma prece em intenção aos obsessores e obsedados, pedindo ao Senhor para iluminar a mente de todos os obsedados para que possam perdoar todos as aqueles que, nesta ou em outras encarnações procederam mal para com eles. Acrescentou, ainda, que só através do amor ao próximo, poderemos perdoar sem restrições. No final, todos os presentes rezaram o Pai Nosso e, o irmão Mário encerrou os trabalhos.
     D. Beatriz, juntamente com outros médiuns, ficou atendendo alguns frequentadores, que interessados na Doutrina Espírita, faziam muitas perguntas sobre as suas dúvidas.
     Como sempre acontecia às segundas feiras, a Diretoria do Centro reuniu-se para analisar as atividades da semana anteriores e programar as da semana corrente. No final o Sr. Mário perguntou:
     - Beatriz a sua nora não ficou de vir hoje ao Centro?
     - Ficou sim. Estou preocupada com ela.
     - Não se preocupe, deve ter havido algum imprevisto de última hora, de menor importância.
     - O problema é justamente isso. O caso dela é de obsessão e, como o senhor sabe, eles farão de tudo para impedi-la de vir ao Centro.
     - É verdade, porém, a senhora e todos nós temos a obrigação de reverte este quatro. Entre em contato com ela e a traga amanhã para a sessão de desobsessão.
     - Sr. Mário, eu não quero forçá-la a vir ao Centro, prefiro que ela venha por sua livre e espontânea vontade.
     - Neste caso, conforme você me contou, temos que convencê-la a vir imediatamente. Veja como eles estão trabalhando. Estava tudo certo para ela vir r na última hora deve ter acontecido alguma coisa para impedi-la. Nós conhecemos casos idênticos e só com muito trabalho e perseverança conseguimos êxito.
     - É, o senhor tem razão. Hoje já está tarde, mas amanhã logo cedo telefono para ela.

CONTINUA AMANHÃ

PACIÊNCIA EM TI - DIVALDO FRANCO