quarta-feira, 23 de maio de 2012

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO

CAPÍTULO 33 
A CAMINHO DA CROSTA 

Após nos refazermos pela manhã, considerando a viagem ainda longa, despedimo-nos, comovidos. Pelo menos, quanto a mim, podia afirmar que me afastava com mágoa, tão belas as lições ali colhidas! 
Alfredo e a esposa nos abraçaram, sensibilizados, desejandonos jornada feliz e êxito no trabalho. 
Vários amigos da véspera estavam presentes, saudando-nos jubilosos. 
Tomamos o carro, agradavelmente surpreendidos. 
Ser-me-ia muito difícil descrever a pequena máquina, que mais se assemelhava a pequeno automóvel de asas, a deslocar-se impulsionado por fluidos elétricos acumulados. Sempre atencioso, Aniceto explicou: – Aceitei a cooperação do aparelho, não porque os deseja escravizados ao menor esforço, mas porque a permanência, embora ligeira, no Posto de Socorro, constituiu ensejo dos mais frutuosos à aquisição de conhecimentos necessários. Receberam vocês lições intensivas, relativamente aos nossos irmãos perturbados e sofredores, bem como sobre os efeitos da prece. Desse modo, temos nosso expediente bastante adiantado, considerando que se encontram ambos em tarefa de observação e aprendizado, acima de tudo. 
E, depois de pequena pausa, continuou: – Não creiam, todavia, que possamos aproveitar a máquina até a Crosta. 
Calculo que só poderemos voar até ao meio-dia. Em seguida, prosseguiremos a pé.   
Aniceto calou-se por instantes, sorriu noutra expressão fisionômica, e acentuou: – Isto, porém, acontecerá somente enquanto não hajam vocês criado asas espirituais, que possam vencer todas as resistências vibratórias. 
Semelhante realização pode não estar distante. 
Dependerá do esforço que desejarem despender no trabalho aquisitivo. 
Todo aquele que opere, e coopere de espírito voltado para Deus, poderá aguardar sempre o melhor. 
Não é promessa de amizade. 
É lei. 
O pequeno aparelho nos conduziu por enormes distâncias, sempre no ar, mas conservando-se a reduzida altura do solo. 
Quase precisamente ao meio-dia, estacionamos em humilde pouso, destinado a abastecimento e reparação de maquinaria de natureza daquela em que havíamos viajado. 
Despediu-se de nós o condutor, que nos desejou boa viagem, preparando-se para regressar. 
A paisagem tornou-se, então, muito fria e diferente. 
Não estávamos em caminho trevoso, mas muito escuro e nevoento. 
Tornara-se densa a atmosfera, alterando-nos a respiração. 
Aniceto contemplou, conosco, a vastidão caliginosa e falou em tom grave: – Com quatro horas de locomoção, estaremos na Crosta. 
Reparem as sombras que nos rodeiam, identifiquem a mudança geral. 
Infelizmente, as emissões vibratórias da Humanidade encarnada são de natureza bastante inferior, em nos referindo à maioria das criaturas terrestres, e estas regiões estão repletas de resíduos escuros, de matéria mental dos encarnados e desencarnados de baixa condição. 
Atravessaremos grandes zonas, não propriamente tenebrosas, mas muito obscuras ao nosso olhar. 
Daqui a duas horas, porém, encontraremos sinais da luz solar.  
Nossa peregrinação, francamente, foi muito pesada e dolorosa, e, somente aí, avaliei, de fato, a enorme diferença da estrada comum, que liga a Crosta a “Nosso Lar” e aquela que agora percorríamos a pé, vencendo obstáculos de vulto. 
Imaginei, comovido, o sacrifício dos grandes missionários espirituais que assistem o homem, compreendendo, então, quão meritório lhes é o serviço e como necessitam disposições especiais e extraordinário bom ânimo, para auxiliarem as criaturas encarnadas, de maneira constante. 
Os monstros, que fugiam à nossa aproximação, escondendose no fundo sombrio da paisagem, eram indescritíveis e, obedecendo a determinações de Aniceto, não posso ensaiar qualquer informe nesse sentido, a fim de não criar imagens mentais de ordem inferior no espírito dos que, acaso, venham a ler estas humildes notícias. 
No horário previsto por nosso orientador, começamos a vislumbrar, de novo, a luz do Sol, como se estivéssemos em madrugada clara. 
O espetáculo era magnífico e novo para mim. 
Calor brando começou a revigorar-nos. 
Aniceto fixou o quadro maravilhoso dos raios de luz atravessando as sombras, e falou, de olhos úmidos: – Agradeçamos ao Senhor dos Mundos a bênção do Sol! Na Natureza física, é a mais alta imagem de Deus que conhecemos. 
Temo-lo, nas mais variadas combinações, segundo a substância das esferas que habitamos, dentro do sistema. 
Ele está em “Nosso Lar”, de acordo com os elementos básicos de vida, e permanece na Terra segundo as qualidades magnéticas da Crosta. É visto em Júpiter de maneira diferente, ilumina Vênus com outra modalidade de luz. Aparece em Saturno noutra roupagem brilhante. 
Entretanto, é sempre o mesmo, sempre a radiosa sede de nossas energias vitais!  
Avançamos, comovidos, e, dai a algum tempo, surgiu-nos o astro sublime, na posição que antecede o crepúsculo. 
Doutras vezes, viajando sempre através da estrada luminosa e fácil de ser percorrida, em vista das possibilidades de volitação, não fizera maior reparo. 
Agora, porém, que atravessara névoas compactas, anotava diferenças profundas. 
A certa distância, surgia a Terra, não na forma esférica, porque nos achávamos não longe da Crosta, mas como paisagem além, a interpenetrar-se nas extensas regiões espirituais. 
O Sol resplandecia, rumo ao Poente, como enorme lâmpada de ouro. 
Aniceto, que parecia alegrar-se sobremaneira, exclamou: – Entramos na zona de influenciação direta da Crosta. 
Poderemos, doravante, praticar a volitação, utilizando nossos conhecimentos de transformação da força centrípeta. 
A luz que nos banha resulta do contacto magnético entre a energia positiva do Sol e a força negativa da massa planetária. Prossigamos. 
Não tardaremos a entrar no Rio de Janeiro. 
A essa altura, assaltou-me o desejo de perguntar alguma coisa relativamente à direção. – Como nos orientaremos? – indaguei, curioso. – Antes de tudo – respondeu o instrutor – é preciso não esquecer que nossas colônias estão situadas no campo magnético da América do Sul. 
Qualquer bússola seria sensível, de agora em diante, mas, em nosso caso, é indispensável educar o pensamento e orientar-nos dentro da energia que lhe é peculiar. 
Empregamos, de novo, a capacidade volitante e, dentro em pouco, as matas de Petrópolis estavam à vista. 
Mais alguns minutos e perlustrávamos as grandes artérias cariocas. Por sugestão do instrutor, abeiramo-nos do mar, em exercício respiratório de maior expressão. 
Vicente e eu estávamos positivamente exaustos. Reconhecíamos que o esforço fora significativo para nossas escassas forças. 
Indiferentes à nossa presença, os transeuntes passavam apressados, de mente chumbada aos problemas de ordem material. 
Fonfonavam ônibus repletos. A grande baía figurava-se-nos cheia de forças renovadoras. 
Quando se acendiam as primeiras luzes elétricas, Aniceto convidou-nos, amavelmente: – Vamos ao reconforto! Vocês estão fatigadíssimos. 
Irei mostrar- lhes que “Nosso Lar” tem, igualmente, alguns refúgios na Crosta. 

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PRECE DE CÁRITAS

terça-feira, 22 de maio de 2012

CONSELHO DO DIA

Põe-te sempre no ínfimo lugar, e dar-te-ão o supremo, porque o mais alto não existe sem o apoio do inferior. 
Os maiores santos diante de Deus são os que se julgam menores e quanto mais glorioso, tanto mais humildes são no seu conceito. 
Como estão cheios de verdade e glória celestial, não cobiçam a glória vã. Em Deus, fundados e firmados, nada os pode ensoberbecer. 
Atribuindo a Deus todo o bem que receberam, não pretendem a glória uns dos outros; só querem a glória que procede de Deus; seu único fim, seu desejo constante é que ele seja louvado neles e em todos os santos, acima de todas as coisas. 

 ( Do agradecimento pela graça de Deus)

PENSAMENTO DO DIA


Dificuldades reais podem ser resolvidas apenas as imaginárias são insuperáveis. 

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA


Amar é ter vontade de continuar a caminhada para fazer alguém feliz. 

Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER

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CAPÍTULO 32 
MELODIA SUPLIME 

Num gesto nobre, Aniceto pediu a Ismália que executasse algum motivo musical de sua elevada esfera. 
A esposa de Alfredo não se fez rogada. Com extrema bondade, sentou-se ao órgão, falando, gentil: – Ofereço a melodia ao nosso caro Aniceto. 
E, ante nossa admiração comovida, começou a tocar maravilhosamente. 
Logo às primeiras notas, alguma coisa me arrebatava ao sublime. 
Estávamos extasiados, silenciosos. 
A melodia, tecida em misteriosa beleza, inundava-nos o espírito em torrentes de harmonia divina. 
Penetrava-me o coração um campo de vibrações suavíssimas, quando fui surpreendido por percepções absolutamente inesperadas. 
Com assombro indefinível, reparei que a esposa de Alfredo não cantava, mas no seio caricioso da música havia uma prece que atingia o sublime – oração que eu não escutava com os ouvidos mas recebia em cheio na alma, através de vibrações sutis, como se o melodioso som estivesse impregnado do verbo silencioso e criador. 
As notas de louvor alcançavam-me o âmago do espírito, arrancando-me lágrimas de intraduzível emotividade: “O Senhor Supremo de Todos os Mundos E de Todos os Seres, Recebe, Senhor, O nosso agradecimento De filhos devedores do teu amor! Dá-nos tua bênção. 
Ampara-nos a esperança,  Ajuda-nos o ideal Na estrada Imensa da vida... 
Seja para o teu coração, Cada dia, Nosso primeiro pensamento de amor! Seja para tua bondade Nossa alegria de viver!... Pai de amor infinito Dá-nos tua mão generosa e santa. Longo é o caminho. Grande o nosso débito, Mas inesgotável é a nossa esperança. 
Pai Amado, Somos as tuas criaturas, Raios divinos De tua Divina inteligência. 
Ensina-nos a descobrir Os tesouros imensos Que guardaste Nas profundezas de nossa vida, Auxilia-nos a acender A lâmpada sublime Da Sublime Procura! Senhor, Caminhamos contigo Na eternidade!...   
Em Ti nos movemos para sempre. 
Abençoa-nos a senda, Indica-nos a Sagrada Realização. 
E que a glória eterna Seja em teu eterno trono!... Resplandeça contigo a Infinita Luz, Mane em teu coração misericordioso A Soberana Fonte do Amor, Cante em tua Criação Infinita O sopro divino da eternidade. 
Seja a tua bênção Claridade aos nossos olhos, Harmonia ao nosso ouvido, Movimento às nossas mãos, Impulso aos nossos pés. 
No amor sublime da Terra e dos Céus!... Na beleza de todas as vidas, Na progressão de todas as coisas, Na voz de todos os seres, Glorificado sejas para sempre, Senhor.” Que melodia era aquela que se ouvia através de sons inarticulados? 
Não pude conter as lágrimas abundantes. 
Cecília comovera- nos a sensibilidade. lembrando as harmonias terrenas e os afetos humanos. 
Ismália, no entanto, arrebatava-nos o Espírito, elevando-nos ao Supremo Pai. 
Nunca ouvira oração de louvor como aquela! Além disso, a esposa de Alfredo glorificava o Senhor de maneira diferente, inexprimível na linguagem humana.  
Os prece tocara-me as recônditas fibras do coração e reconhecia que nunca meditara na grandeza divina, como naquele instante em que uma alma santificada falava de Deus, com a maravilha de suas riquezas espirituais. 
E não era só eu a chorar como criança. Aniceto enxugava os olhos, de maneira discreta, e algumas senhoras levavam o lenço ao rosto. 
Compreendi que a oração terminara, porque a música mudou de expressão. 
O caráter heróico cedeu lugar a lirismo encantador. 
Experimentando a profunda serenidade ambiente, vi que luzes prodigiosas jorravam do Alto sobre a fronte de Ismália, envolvendo-a num arco irisado de efeito magnético e, com admiração e enlevo, observei que belas flores azuis partiam do coração da musicista, espalhando-se sobre nós. Desfaziam-se como se feitas de caridosa bruma anilada, ao tocar-nos, de leve, enchendo-nos de profunda alegria. 
A maior parte caía sobre Aniceto, fazendo-nos recordar as palavras amigas da dedicatória. 
Impressionavam-me profundamente aquelas corolas fluídicas, de sublime azul-celeste, multiplicando-se, sem cessar, no ambiente, e penetrando-nos o coração como pétalas constituídas apenas de colorido perfume. 
Sentia-me tão alegre, experimentava tamanho bom ânimo que não conseguiria traduzir as emoções do momento. Mais alguns minutos e Ismália terminou a magistral melodia. 
A esposa do administrador desceu até nós, coroada de intensa luz. Alfredo avançou, beijando-a no rosto, ao mesmo tempo que Aniceto lhe estendia a destra, agradecido. – Há muito tempo não ouvia músicas tão sublimes como as desta noite – exclamou nosso orientador, sorrindo. Cecília falounos do sublime amor terrestre, Ismália arrebatou-nos ao divino amor celestial. 
Idéia feliz a de permanecermos no Posto! 
Fomos igualmente socorridos pela luz da amizade, que nos revigorou o bom ânimo!  Aproximaram-se os Bacelares, eminentemente comovidos. – Que maravilhosas flores nos deste, querida amiga! – disse a mãezinha de Cecília, abraçando a esposa de Alfredo. – Voltaremos ao trabalho, repletos de energia nova! – acrescentou o senhor Bacelar, sorridente. 
A extensa sala estava cheia de notas de reconhecimento e júbilo sincero. A melodia de Ismália constituíra singular presente do Céu. A alegria e o bom ânimo transpiravam em todos os rostos. 
Observando que Aniceto se retirava para um canto do salão, procurei-o, ansioso. 
Desejava esclarecer o fenômeno da prece sem palavras, das harmonias, das luzes e das flores. Antes, porém, das interpelações do aprendiz, o orientador amigo sorriu, amável, e explicou: – Conheço a sua sede, André. 
Não precisa perguntar. Impressionou- se você com a grandeza espiritual da nobre companheira do nosso amigo. Não precisarei alinhar esclarecimentos. 
Recordase de Ana, a infeliz criatura que dorme nos pavilhões, entre pesadelos cruéis? 
Lembra-se de Paulo, o caluniador? 
Não os viu carregando pesados fardos mentais? 
Cada um de nós traz, nos caminhos da vida, os arquivos de si mesmo. 
Enquanto os maus exibem o inferno que criaram para o íntimo, os bons revelam o paraíso que edificaram no próprio coração. 
Ismália já amontoou muitos tesouros que as traças não roem. 
Ela já pode dar da infinita harmonia a que se devotou pela bondade e pelo divino amor. A luz que vimos é a mesma que jorra do plano superior, de maneira incessante, inundando os caminhos da vida, mas a melodia, a prece e as flores constituem sublime criação dessa alma santificada. 
Ela repartiu conosco, neste momento, uma parte dos seus tesouros eternos! Peçamos ao Senhor, meu amigo, que não tenhamos recebido em vão as sublimes dádivas! 

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CARIDADE DO PENSAMENTO - MENSAGEM ESPÍRITA

segunda-feira, 21 de maio de 2012

CONSELHO DO DIA

Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje: 

A natureza preza-se de muitos amigos e parentes, ufana-se de sua posição elevada e linhagem ilustre, procura agradar aos poderosos, lisonjeia os ricos, aplaude os seus iguais. 
A graça, porém, ama os próprios inimigos, não se gaba do grande número de seus amigos, não faz caso de posição e nobreza, se lhes não vê unida maior virtude. 
Favorece mais ao pobre que ao rico, tem mais compaixão do inocente do que do poderoso, alegra-se com o sincero, e não com o mentiroso. 
Estimula sempre os bons e maiores progressos, para que se assemelhem, pelas virtudes, ao Filho de Deus. 
A natureza logo se queixa da penúria e do trabalho. 
A graça sofre com paciência a pobreza. 






( Dos diversos movimentos da natureza e da graça)

PENSAMENTO DO DIA


Dificuldades reais podem ser resolvidas apenas as imaginárias são insuperáveis 

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DO DIA


Amar é ter vontade de continuar a caminhada para fazer alguém feliz 

Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER


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CAPÍTULO 21 
CECÍLIA AO ORGÃO 

Poucas vezes, no circulo carnal, tivera o prazer de assistir a reunião tão seleta. 
Todos os lustres estavam magnificamente acesos e, lá fora, as grandes árvores, docemente agitadas pelo vento brando, pareciam refletir o clarão lunar. 
Pares graciosos passeavam ao longo da varanda e das escadarias extensas. 
O castelo enchera-se de alegria, com a crescente multiplicação de convidados. 
O administrador mostrava-se orgulhoso de confraternizar com os colaboradores diretos da sua obra, na recepção condigna aos amigos da colônia próxima. 
O júbilo transparecia em todos os rostos e eu, observando a beleza do espetáculo, meditava na ventura da vida social, no ambiente daqueles que começavam a compreender e praticar o “amai-vos uns aos outros”, distanciados da hipocrisia e das convenções aviltantes. Conversávamos, animadamente, quando Alfredo nos convidou para o Salão de Música. 
Houve geral contentamento. 
A senhora Bacelar, dando o braço à nobre Ismália, parecia encantada com a lembrança. 
Dirigimo-nos para o grande recinto, prodigiosamente iluminado por luzes de um azul doce e brilhante. 
Deliciosa música embalava-nos a alma. Observei, então, que um coro de pequenos músicos executava harmoniosa peça, ladeando um grande órgão, algo diferente dos que conhecemos na Terra. 
Oitenta crianças, meninos e meninas, surgiam, ali, num quadro vivo, encantador. 
Cinqüenta tangiam instrumentos de corda e trinta conservavamse, graciosamente, em posição de canto.. 
Executavam, com maravilhosa perfeição, uma linda barcarola que eu nunca ouvira no mundo. 
Comovidíssimo, ouvi o administrador explicar: – As crianças do Posto são as nossas flores vivas. Dão-nos perfume, encantamento, alegria, suavizando-nos todos os trabalhos. Abeiramo-nos do órgão, sentando-nos todos em confortáveis poltronas. 
Quando as crianças terminaram, sob aplausos calorosos, Ismália pediu a Cecília executasse alguma coisa. – Eu? – disse a jovem, corando – se a senhora vem das altas esferas, onde a harmonia é santificada e pura, como poderei executar para os seus ouvidos? – Não diga isso, Cecília – tornou, sorridente, a generosa esposa do administrador –, a música elevada é sublime em toda parte. Vá, minha filha! lembre-me o lar terreno nos dias mais belos!... 
E, antes que a jovem Bacelar perguntasse qual a peça preferida, Ismália continuou: – Os serviços musicais do Posto levam-me a recordar a velha Fazenda, quando voltava do Internato... 
Meus pais estimavam as composições européias e, quase todas as noites, ensaiava ao piano... E, fixando em Cecília os olhos úmidos e brilhantes, rematou: – Sua mamãe deve lembrar comigo a música predileta de meu velho e carinhoso pai... Notei que a senhora Bacelar disse alguma coisa à filha, em voz baixa, e vimos Cecília caminhar para o grande instrumento, sem hesitação. 
Com emoção indizível, ouvimo-la executar, magistralmente, a ‘Tocata e Fuga em Ré Menor”, de Bach, acompanhada pelas crianças exultantes. 
Fixei o rosto de Ismália, notando, pela luz do seu olhar, que seus pensamentos vagueavam longe, talvez em torno do antigo ninho doméstico. 
Vi-a enxugar as lágrimas discretas e abraçar Cecília carinhosamente, ao findar a execução. – Agora, Cecília, cante alguma canção da própria alma! – falou a nobre senhora com ternuras de mãe – mostre-nos seu coração... 
Os senhores Bacelar estavam satisfeitos e emocionados. Liase-lhes nos gestos o carinho com que acompanhavam os menores movimentos da filha. 
A jovem sorriu, voltou ao teclado, mas permanecia, agora, fundamente transfigurada. Seu belo semblante parecia refletir alguma luz diferente, que vinha de mais alto. 
Começou a cantar, de maneira misteriosa e comovedora. 
A música parecia sair-lhe das profundezas do coração, mergulhando-nos em sublime emotividade. 
Procurei guardar as palavras da maravilhosa canção, mas seria impossível repeti-las integralmente, no círculo dos encarnados na Terra. 
A sombra da meia-noite não poderia traduzir o revérbero da aurora. 
Mas de algo me lembro, para registrar aqui, com a fidelidade de que é suscetível minha memória imperfeita. 
Como se fora rodeada de claridades diversas daquela em que nos banhávamos, Cecília cantou com voz veludosa e cariciante: “Guardei para os teus olhos As estrelas brilhantes do céu calmo... Guardei para tua alma Todos os lírios puros dos caminhos!... Amado meu, amado meu, Como é longa a viagem entre escolhos Neste oceano imenso da saudade, Ao sublime luar da eternidade!... Em vão, a fada Esperança Acende a luz dentro de mim.. 
Os  Porque te foste ao mundo, assim? Volta, amado! Ainda mesmo Que as tuas mãos estejam frias E que teus pés sangrem de dor. 
Trago comigo o bálsamo, a ternura, Volta a mim, Vem respirar, de novo, no jardim Da Imortal união!... Curarei tuas chagas de amargura, Dar-te-ei o roteiro para a estrada, Amarei os que amas, Para que me abençoes com o teu sorriso. 
Volta, amado! Esquece a dor e a sombra do passado, Volta, de novo, ao nosso paraíso!...” Quando desferiu as últimas notas, vi-lhe o semblante lavado em lágrimas, como se fora banhado em pérolas de luz. 
Observei que a senhora Bacelar, muitíssimo comovida, tocou de leve a mão de Ismália, e falou: – Cecília nunca o esquece. 
A esposa do administrador, mostrando-se extremamente sensibilizada, indagou: – Não têm vocês novas notícias de Hermínio? – O pobrezinho tem vivido de queda em queda – esclareceu a nobre interlocutora – e Cecília sabe que não poderá contar com ele, por muito tempo ainda, guardando, por esse motivo, muita  Os mágoa íntima. 
Entretanto, nossa filha não desanima e trabalha, incessantemente, cheia de esperança. 
Nesse momento, porém, a jovem regressava ao círculo familiar, enxugando os olhos. 
A esposa de Alfredo abraçou-a e falou: – Minhas felicitações! não sabia que você progredira tanto na arte divina! 
E que bela canção!... Cecília fez um gesto de timidez, beijou a mão da carinhosa amiga e retrucou: – Perdoe-me, querida Ismália, meu coração permanece ainda muito ligado à Terra!... Ismália, porém, de olhos úmidos e compreendendo-lhe o sofrimento intimo, conchegou-a ao peito  
e murmurou: – Devotar-se não é crime, minha boa Cecília. O amor é luz de Deus, ainda mesmo quando resplandeça no fundo do abismo.

A CARIDADE - SEGUNDO SÃO PAULO

domingo, 20 de maio de 2012

CONSELHO DO DIA

Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje: 

A vida do bom religioso deve ser ornada de todas as virtudes, para que corresponda o interior ao que por fora veem os homens; e com razão, ainda mais perfeito deve ser no interior do que por fora parece, pois lá penetra o olhar perscrutador de Deus, a quem devemos suma reverência, em qualquer lugar onde estivermos, e em cuja presença devemos andar com pureza Angélica. 

Cada dia devemos renovar nosso propósito e exercitar-nos a maior fervor, como se esse fosse o primeiro dia de nossa conversão, dizendo: 

Confortai-me, Senhor, meu Deus, no bom propósito e em vosso santo serviço; concedei-me começar hoje deveras, pois nada é o que até aqui tenho feito. 


PENSAMENTO DO DIA


O que fiz no meu passado não me garante nada no meu futuro. As causas do meu sucesso no futuro tem que ser diferentes das causas dos sucessos passados. 

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DO DIA


Felicidade é aprender com as derrotas e festejar com as vitórias. 

Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO 

CAPÍTULO 30 
EM PALESTRA AFETUOSA 

Voltávamo-nos em conversação amiga para as belezas de “Nosso Lar”, quando Aldonina interveio, acrescentando: – Alguns membros de nossa família visitam a cidade de vocês, de tempos a tempos. 
Nossa irmã Isaura, que se casou em “Campo da Paz”, há três anos, lá reside em companhia do esposo, que é funcionário dos Serviços de Investigação do Ministério do Esclarecimento. 
Percebendo-nos a curiosidade, prosseguiu: – Morava ele conosco, mas, desde muito tempo, foi convocado a serviços por lá, vindo, mais tarde, buscar a noiva. 
Vicente, que se mantinha em atitude expectante, exclamou: – Tocamos num assunto que muita admiração me tem despertado, desde que regressei dos círculos terrenos. 
Não tinha, no mundo, a menor idéia de que pudéssemos cogitar de uniões matrimoniais, depois da morte do corpo. 
Quando assisti a festividades dessa natureza, em “Nosso Lar”, confesso que minha surpresa raiou pela estupefação. 
Cecília, vivaz, acentuou, sorrindo: – Isto se deu também conosco. 
Entretanto, é forçoso reconhecer que tal estado d'alma resulta do exclusivismo pernicioso a que nos entregamos no plano carnal, porque, se o casamento humano é um dos mais belos atos da existência na Terra, porque deixaria de existir aqui, onde a beleza é sempre mais quintessenciada e mais pura? E, além do mais, é imprescindível ponderar que não vivemos à revelia de leis sábias e justas.  
E como são felizes os que se casam em nossos planos! – acentuou o companheiro, denotando aspirações secretas do coração. 
Aldonina esboçou um gesto expressivo e considerou: – Sim, para possuirmos aqui essa ventura, é preciso ter amado na Terra, movimentando os mais nobres impulsos do espírito. 
Para colher os júbilos dessa natureza, é necessário ter amado com alma. 
Os que se consagram exclusivamente aos desejos do corpo, não sabem amar além da forma, são incapazes de sentir as profundas vibrações espirituais do amor sem morte. Desejando, porém, retomar o assunto referente a Isaura, interroguei, curioso: – Continuem falando-nos da irmã que se mudou para “Nosso Lar”. 
Estimaria saber como se realizou o consórcio. Se você, Cecília, está aguardando um prêmio de visita à nossa cidade, como se casou ela, transferindo-se para lá definitivamente? Cecília sorriu e retrucou: – Isto é outro caso. 
Isaura não poderia correr atrás do noivo, porque estava em situação inferior à dele, mas Antônio, como superior, poderia descer a buscá-la. 
Não creiam, porém, que o matrimônio se tenha verificado sem qualquer preparação ou exigência. 
O noivo poderia conduzi-la sem qualquer formalidade, desde que recebesse o devido consentimento, porquanto obtivera permissão das autoridades de “Nosso Lar”, mas um dos chefes de serviço aconselhou a Isaura, nesse sentido, explicando-lhe que, como administrador de uma colônia em condições de inferioridade, não podia opor qualquer embargo, mas pedia à noiva prepararse, por seis anos sucessivos, em “Campo da Paz”, antes da partida definitiva, acrescentando sensatamente que, num casamento de almas, é indispensável apurar o enxoval dos sentimentos. 
Nossa irmã, que foi sempre muito prudente, aceitou a solicitação e trabalhou durante todo esse tempo em nossa colônia, adquirindo valores culturais e aprimorando o campo do pensamento. 
Recebia essas delicadas informações, sem disfarçar a enorme surpresa. – Já fui visitar o casal, uma vez – disse Aldonina, honrada –, quando ganhei o prêmio de assiduidade e bom ânimo. Estive em “Nosso Lar”, durante uma quinzena inesquecível para mim; no entanto, embora visitasse sublimes instituições como o Bosque das Águas, o Salão da Arte Divina, o Campo da Prece Augusta, reconheço ter voltado muito longe de um conhecimento integral da enorme cidade. 
Lá irei, contudo, mais tarde, pois continuo em meu trabalho e nossos instrutores afirmam sempre que tudo de bom deve aguardar do destino quem saiba servir ao bem e trabalhar com esperança. 
Admirando a beleza de sentimentos daquelas jovens, indaguei emocionado: – Mas não têm vocês, em “Campo da Paz”, instituições semelhantes? Não existirão, por lá, templos de alegria abertos à juventude? – Ah! sim – murmurou Cecília como quem não desejava ser ingrata às Bênçãos do Eterno –, muito nos dá o Senhor, em nossa colônia; entretanto, permanecemos na vizinhança dos irmãos encarnados – As tempestades que nos atingem, obrigam-nos a serviços constantes. 
Os quadros interiores que nos cercam são profundamente dolorosos. Nossa cidade não possui Ministérios da União Divina, nem da Elevação. 
Não podemos receber a influência superior com muita facilidade. 
Nossos trabalhos de comunicação e auxílio necessitam ainda de muita gente educada no Evangelho, para funcionar com eficiência. 
Além disso, temos os problemas de finalidade. 
Nossa colônia foi instituída para socorro urgente.  
Ao nosso ver, “Campo da Paz” é, mais que tudo, um avançado centro de enfermagem, rodeado de perigos, porque os irmãos ignorantes e infelizes nos cercam o esforço por todos os lados. 
De dez em dez quilômetros, nas zonas de nossa vizinhança, há Postos de Socorro como este, que funcionam como instituições de assistência fraternal e sentinelas ativas, ao mesmo tempo. 
A jovem fez uma pausa mais longa, observando o efeito de suas palavras, e rematou: – Nosso governador, quando se agravam os serviços, costuma asseverar que estamos num Campo de batalha, com a Paz de Jesus. 
Imagem alguma define tão bem o nosso núcleo, como esta. 
No exterior, o trabalho é rigoroso e incessante, mas, dentro de nós, existe uma tranqüilidade que nós mesmos dificilmente podemos compreender. – O serviço circunscreve-se à cidade? – perguntei. – Não – o trabalho é multiforme. 
Eu e Aldonina, por exemplo, temos grandes tarefas de assistência junto dos recémencarnados. 
Nossa cidade prepara, em média, quinze a vinte reencarnações diárias e torna-se imprescindível assistir os companheiros ou tutelados, pelo menos no período infantil mais tenro, que compreende os primeiros sete anos de existência carnal. 
E talvez porque lesse em nossos olhos a mais viva admiração, a jovem adiantou-se, explicando: – Felizmente, porém, temos as faculdades de volitação bastante adestradas. 
Raramente encontramos empecilhos vibratórios e podemos, por isso mesmo, agir com grande economia de tempo. 
Além disso, somente nossos instrutores vão ao serviço sozinhos. 
Quanto a nós, não saímos, a não ser em grupos. 
Necessitamos auxílio recíproco, não só no que diz com a eficiência, senão também no que se refere ao amparo magnético. 
E, sorrindo de modo singular, concluiu:  No trabalho de assistência aos outros e defesa de nós mesmos, não podemos dispensar a prática avançada e justa da cooperação sincera. 

CONTINUA AMANHÃ

CHAMO-ME CARIDADE - PELO ESPÍRITO CÁRITAS

sábado, 19 de maio de 2012

CONSELHO DO DIA

Este é o conselho que a Imitação de Cristo lhe dá para hoje: 

Agradece, pois, os menores benefícios e maiores merecerás. 
Considera como muito o pouco, e o menor dom por dádiva singular. 
Se considerarmos a grandeza do benfeitor, não há dom pequeno ou de pouco valor; porque não pode ser pequena a dádiva que nos vem do soberano Senhor.
Ainda quando nos der penas e castigos, Lhe devemos agradecer, porque sempre é para nossa salvação quanto permite que nos suceda.
Se desejares a graça de Deus, sê agradecido quando a recebes e paciente quando a perdes.
Roga que ela volte, anda cauteloso e humilde, para não vires a perdê-la. 

 ( Do agradecimento pela graça de Deus)

PENSAMENTO DO DIA


O silêncio muitas vezes é a melhor resposta. 

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA


Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional. 

Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER

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CAPÍTULO 29 
NOTÍCIAS INTERESSANTES

 Em vista de apresentação mais íntima de Aniceto, que deixara as jovens em nossa companhia, entramos a conversar animadamente com Cecília e Aldonina. 
A primeira tinha sido filha dos Bacelar, quando na Crosta; a segunda era uma sobrinha do chefe da família, que aguardava a volta da mãezinha para a organização de um lar na cidade próxima. 
Ambas demonstravam magnífico desenvolvimento mental, robusta inteligência e notável capacidade de expressão. E, enquanto os nossos maiores se conservavam afastados, cogitando de assunto privado, Vicente e eu ouvíamos as jovens, encantados com a sua nobreza e vivacidade. 
Verificava que o quadro era idêntico à paisagem social da Terra, apenas diferindo quanto aos sentimentos reais. 
Não havia qualquer nota de falsa apresentação. 
Em tudo a alegria pura, a simplicidade fiel, a sinceridade sem mácula. 
No desenvolvimento espontâneo da palestra, falou Cecília, com graça: – Estou trabalhando, há muito, para alcançar um prêmio de visita a “Nosso Lar”. Minhas superioras prometeram-me semelhante satisfação para o ano próximo... 
E, sorrindo, rematou expressivamente: – Entretanto, para consegui-lo, tenho de atender a umas tantas obrigações importantes. – Pois que! – perguntou Vicente, admirado – é preciso tanto? – Sem dúvida – tornou a jovem, bem humorada – o meu amigo talvez não esteja convencido, quanto ao brilho de sua atual  posição. 
Viver em “Nosso Lar” é uma grande bênção. 
Acaso não o terá compreendido ainda? Sorrimos todos. 
E, reafirmando o conceito, Cecília continuou: – Segundo os instrutores que nos visitam em “Campo da Paz”, os seus Ministérios são verdadeiras universidades de preparação espiritual. O ensejo educativo, neles, é imenso. 
E chego a crer que, para avaliarem a extensão da benesse que Jesus lhes concedeu, seria necessário viverem alguns anos em nossa colônia, onde o trabalho ativo de vigilância, e assistência é mais imperioso, mais exigente. – Em “Nosso Lar”, porém – objetei –, temos igualmente grande número de sofredores. 
A Regeneração é uma colméia de milhares. 
A interlocutora, todavia, revelando profunda acuidade nas observações, considerou: – Você diz muito bem, quando se refere a colméia, significando possibilidades de trabalho. 
Creia que os sofredores que atingem o seu núcleo já se encontram a caminho de excelentes realizações. 
Naturalmente que os irmãos desequilibrados, que por lá existem, já se torturam pelo vagaroso despertar da consciência, já sentem remorsos e arrependimentos indicativos de renovação. 
São sofredores que melhoram progressivamente, porque o ambiente da cidade é de elevação positiva. 
Onde a maioria vive com a bondade, a maldade da minoria tende sempre a desaparecer. “Nosso Lar”, portanto, mesmo para os que choram, possui soberanas vantagens espirituais. 
Impressionado com o que ouvia, lembrei: – Eu mesmo trabalhei algum tempo, em cooperação, nas câmaras retificadoras.  
Os  Já ouvi diversas referências a essa instituição – exclamou Cecília, senhora do assunto –, mas, baseando-me nos informes de mentores amigos, continuo a manter minha opinião. E, como se já conhecesse nossos processos de serviço, asseverou, sorridente: – Vocês conhecem lá muitos Espíritos sofredores, mas, em “Campo da Paz”, conhecemos muitos Espíritos obsessores. 
Lá poderá existir muita gente que ainda chora; mas em nosso meio há muita gente que se revolta. É mais fácil remediar o que geme, que atender ao revoltado. Nas câmaras a que se refere, vocês retificam erros que já apareceram, dores que já se manifestaram; mas aqui, meu amigo, somos compelidos a lutar com irmãos ignorantes e perversos, que se sentem absolutamente certos nas fantasias perigosas que esposaram, e vemo-nos obrigados a atender a doentes que não acreditam na própria enfermidade. Começava a entender a lógica daquela argumentação e, reconhecendo a impossibilidade de qualquer contradita, a jovem continuou, segura de si: – Aliás, é natural que assim seja. Estamos a pouca distância dos homens, nossos irmãos na carne. 
E sabemos que, na Crosta, a situação não é diferente. 
Quantos materialistas se fantasiam, por lá, de filósofos? Quantos demônios com capa de santos? Quanta má fé a fingir generosidade e boas intenções? A influência da Humanidade encarnada em nosso núcleo de serviço é vigorosa e inevitável. 
Vicente, que ouvia atencioso, obtemperou: – Deduzo de tudo isso manifestações sacrificiais muito grandes, mas o trabalho em “Campo da Paz” deve ser altamente meritório. – Incontestavelmente – respondeu a jovem.  
A história da fundação é interessante. 
Alguns benfeitores, reconhecidos a Jesus, resolveram organizar, em nome dele, uma colônia em plena região inferior, que funcionasse como instituto de socorro imediato aos que são surpreendidos na Crosta com a morte física, em estado de ignorância ou de culpas dolorosas. 
O projeto mereceu a bênção do Senhor e o núcleo se criou, há mais de dois séculos. 
Nem todos os Espíritos evolvidos, no entanto, estimam o serviço nesse órgão de assistência constante. 
A maioria dos missionários vitoriosos, ao se ausentarem da Terra, necessitam refazer energias, por direito natural do trabalhador fiel, e os mentores de nobre posição hierárquica têm seus programas de serviços, que não devem quebrar, em obediência aos desígnios do Senhor. 
Desse modo, nosso serviço é ativo, mas nossas aquisições são lentas e devemos sempre esperar por cooperadores que se eduquem na própria colônia, em benefício geral. 
Ganha-se excelente compensação, temos direito a grandes valores intercessórios, mas, por isso mesmo, nossas responsabilidades não são pequenas. 
Conhecendo a utilidade dos que servem em nossa colônia, não passamos nunca sem instrutores abnegados, que procedem da zona superior, alentando-nos o bom ânimo, O que pedimos, com fundamentação legítima, nunca é negado; e, se tarda o recurso, beneméritos orientadores de nossas atividades prestam explicações que nos libertam de qualquer angústia na espera. Por isso, nosso grupo está sempre coeso e muitos preferem adiar certas realizações sublimes, para permanecer ao lado de companheiros antigos, aos quais se unem com desvelado amor. 
Os esclarecimentos da jovem encantavam-me. Naquelas poucas palavras estava todo um resumo de lições sobre o sacrifício e o merecimento, o compromisso fraterno e a solidariedade compensadora. – A sua família sempre viveu lá? – perguntei com interesse. 
A jovem sorriu e explicou:  Meu pai, há mais de cinqüenta anos, foi socorrido pelos benfeitores de “Campo da Paz” e, restabelecida a saúde espiritual, fixou-se na colônia, com razoável impulso de amizade e gratidão. 
Mais tarde, minha mãe reuniu-se a ele e, faz precisamente vinte anos, Aldonina e eu fomos atraídas amorosamente por ambos, a fim de continuarmos, ali, no santuário familiar. 
Desse modo, trabalhamos ao lado deles, desde a primeira hora. – E tem muitos programas para o futuro? – indaguei. 
Cecília fez um gesto que lhe caracterizava o coração de moça sonhadora, e redargüiu: – Tenho muitos projetos e problemas a resolver, mas estou aguardando a chegada de alguém que ainda se encontra na Terra 

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A CARIDADE SEGUNDO SÃO PAULO - MENSAGEM ESPÍRITA

sexta-feira, 18 de maio de 2012

CONSELHO DO DIA

Este é o conselho que Cristo lhe dá para hoje:

 Não te importes muito de saber quem seja por ti ou contra ti; mas trata e procura que Deus seja contigo em tudo que fizeres. 
Tem boa consciência e Deus te defenderá, pois a quem Deus ajuda não há maldade que o possa prejudicar. Se souberes calar e sofrer, verás, sem dúvida, o socorro do Senhor. 
Ele sabe o tempo e o modo de te livrar; portanto, entrega-te todo a ele. 
A Deus pertence aliviar-nos e tirar-nos de toda a confusão. 
Às vezes é muito útil, para melhor conservarmos a humildade, que os outros saibam os nossos defeitos e no-los repreendam.


PENSAMENTO DO DIA


Sorte é um momento em que a oportunidade encontra o preparo. 

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA


A verdadeira amizade é como a saúde perfeita. 

Autor: Desconhecido

PARÁBOLA DO SEMEADOR - MENSAGEM ESPÍRITA

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER

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 CAPÍTULO 28
VIDA SOCIAL 

 À noite, surpreendiam-me os sublimes aspectos do firmamento no Posto de Socorro. O luar safirino envolvia todas as coisas. 
O céu era qual infinita colcha de azul muito límpido, pontilhado de astros fulgurantes. 
As nuvens da tarde haviam desaparecido. 
Contemplando a beleza da noite, Alfredo acentuou: – Felizmente, os fenômenos magnéticos foram deslocados do nosso circulo. 
Os aparelhos, porém, continuam registrando enorme conflito de forças inferiores. 
Ia comentar a beleza do céu, ante a observação do administrador, quando a campainha retiniu suavemente. 
Chamavam à entrada. 
Alfredo e Ismália sorriram. 
Muito gentil, o chefe do Posto asseverou: – Temos a visita de amigos do “Campo da Paz”. 
E, convidando-nos à recepção no baluarte avançado, acrescentou jovialmente: – Temos, também, aqui, a nossa vida social. Como não? É preciso saber viver. 
Encantado com essa nota alegre, acompanhei os donos da casa, verificando, com indizível surpresa, que tínhamos sob os olhos um belo carro tirado por dois soberbos cavalos brancos. 
Tratavase de veículo confortável e interessante, quase idêntico aos velhos carros de serviço público, do tempo de Luis 15, que eu vira, mais de uma vez, em publicações antigas. 
Nele chegara pequena família da colônia próxima, que, pelas informações de Aniceto, demorava a três léguas do Posto, aproximadamente. 
Alfredo apresentou-nos, cavalheirescamente, com exceção de nosso orientador, que era velho amigo dos recém-chegados. 
Constituíam-se os visitantes do casal Bacelar e duas filhas jovens. 
O chefe do grupo mostrava idade avançada, revelando, porém, excelentes disposições. 
A senhora dava impressão de madureza, aparentando, contudo, maravilhosa vivacidade, assim como as duas moças. 
A alegria era enorme. 
Não se observava qualquer nota de convencionalismo menos digno, como na Terra.
Os gestos de cada um, a simplicidade, a despreocupação e as frases afetuosas demonstravam sinceridade pura. Permanecíamos num quadro social inacessível ao fingimento. 
Voltando ao interior doméstico, entre grandes manifestações de júbilo familiar, observei que os recém-chegados eram amigos de muito tempo, que vinham ao encontro de Ismália. 
A nobre senhora pareceu-me contentíssima. 
Expediu recados afetuosos para algumas famílias do Posto e, em breves minutos, o castelo recebia inúmeras pessoas que concorriam ao brilhantismo da seleta reunião. 
Sentindo-me assaz insignificante, ao lado dos novos amigos, limitava-me a ouvir e observar. 
Logo aos primeiros instantes de conversação particularizada, ouvi Aniceto perguntar ao senhor Bacelar: – Como corre o serviço? 
O velho bondoso respondeu num sorriso largo: – Bem, sempre bem. 
Apenas não podemos fixar demasiada atenção nos companheiros encarnados. 
E ajuntou com graça: – É indispensável aprender a servir e passar. 
Nosso instrutor sorriu igualmente e observou: Compreendo, compreendo. 
Aliás, o progresso humano não é uma questão de dias. 
Não tenhamos ilusões. E, percebendo que Vicente e eu poderíamos aproveitar com a palestra, Aniceto indicou o novo hóspede de Alfredo, explicando solícito: – Nosso amigo Bacelar é chefe de turmas de assistência aos nossos irmãos do círculo carnal. 
Tem longa experiência dos homens e conhece-os como ninguém. 
Há muito que aproveitar nas suas observações. – Não tanto, meus caros – exclamou o senhor Bacelar, de bom humor – não tanto. 
Sou simples companheiro de vocês, cumprindo deveres por acréscimo da misericórdia divina. 
Não posso fazer muito, em razão de minhas deficiências naturais. – Estamos certos do grande proveito da sua palavra – objetou Vicente, até então calado. – Tudo o que nos disser sobre o problema de assistência constituirá, para nós, ensinamento precioso – disse por minha vez. 
O novo amigo fitou-nos com inteligência, e perguntou: – Foram médicos no mundo? – Sim – respondemos a um só tempo. 
O senhor Bacelar pensou alguns momentos e acentuou: – Sempre gostei de conversar com os amigos, recorrendo aos símbolos sugeridos pela profissão que exercem. 
Mas, no tocante às minhas atividades, não teria muito o que dizer a médicos militantes. – Pelo contrário – aduzi –, seus esclarecimentos enriquecerão nossas experiências. 
O interlocutor sorriu, otimista, e declarou:  Não creia. 
Recorde os seus doentes comuns. 
Muito raramente lembram a medicina preventiva. 
De modo quase invariável, esperam a positivação das moléstias para buscarem o recurso preciso. 
Necessitam de anestésicos para o socorro do bisturi. 
Fogem ao regime tão logo surja a primeira melhora. 
Confundem o método de tratamento, apenas se registre o primeiro sinal de cura. 
Detestam a dor que restabelece o equilíbrio. 
Descontentam-se com a indicação de purgativos. 
Preferem a medicação de sabor agradável. 
E, sobretudo, quase sempre querem saber muito mais que os médicos. 
Esta síntese aplicável a corpos doentes representa, em nosso campo de serviço, o resumo do programa de assistência aos Espíritos enfermos, encarnados na Terra, e com agravantes de vulto, porque, em nosso setor, não podemos manipular a alma, à maneira do cirurgião que opera as amídalas. 
Somos forçados à preparação do campo mental conveniente, a proceder à semeadura de pensamentos novos, velar pela germinação, ajudar os rebentos minúsculos e aguardar a obra do tempo. 
Nossa luta não é simples, porque, se o clínico do mundo encontra sempre familiares amorosos, dispostos a cooperar com ele em benefício do doente, o que encontramos, por nossa vez, são enormes legiões de elementos adversos à nossa atividade restauradora e curativa. 
Em geral, o médico do mundo presta socorro a quem deseja recebê- lo, pelo menos nas ocasiões de graves perigos; nós, porém, meus amigos, muitas vezes temos de prestar assistência aos que não a desejam, por viverem sob véus de profunda ignorância. – Tem razão – murmurei, ouvindo comparações tão lógicas –; entretanto, vale por conforto a certeza de que há muitos cooperadores encarnados no mundo prontos a colaborar na tarefa. 
O senhor Bacelar teve uma expressão fisionômica muito significativa, e revelou: – Nem sempre. 
A cooperação é outro problema. 
A maioria dos irmãos que se propõem ao serviço, partem daqui prometendo, mas gostam de viver descansados, no planeta. 
Poucos fogem ao estalão comum. 
Raramente encontramos companheiros encarnados com bastante disposição para amar o trabalho pelo trabalho, sem idéia de recompensa. 
A maioria está procurando remuneração imediata. 
Nessas condições, não percebem que a mente lhes fica como aposento escuro, atulhado de elementos inúteis. 
À força de viciarem raciocínios, confundem igualmente a visão. 
Enxergam tormentas onde há paisagens celestes, montanhas de pedra onde o caminho é gloriosa elevação. 
De pequenos enganos a pequenos enganos, formam o continente das grandes fantasias. 
Daí por diante, a recapitulação das experiências terrenas inclina-os, mais fortemente, para a exigência animal e, chegados a esse ponto, raros voltam ao dever sagrado, para considerar a grandeza das divinas bênçãos. 
Nosso interlocutor fez uma pausa e tornou: – E o “desculpismo”? Nesse terreno de assistência espiritual, verão, um dia, quantos pretextos são inventados pelas criaturas terrestres por fugir ao testemunho da verdade divina, nas tarefas que lhes são próprias. 
Os mordomos da responsabilidade alegam excesso de deveres, os servidores da obediência afirmam ausência de ensejo. 
Os que guardam possibilidades financeiras montam guarda ao patrimônio amoedado, os que receberam a bênção da pobreza de recursos monetários aconselham-se com a revolta. 
Os moços declaram-se muito jovens para cultivar as realidades sublimes, os mais idosos afirmam-se inúteis para servi-las. 
Os casados reclamam quanto à família, os solteiros queixam-se da ausência dela. 
Dizem os doentes que não podem, comentam os sãos que não precisam. 
Raros companheiros encarnados conseguem viver sem a contradição. 
O senhor Bacelar parecia disposto a prosseguir, mas as duas jovens foram buscá-lo, a ele e Aniceto, em nome de Alfredo, a  fim de providenciar solução de problema intimo que lhes dizia respeito.

CONTINUA AMANHÃ

quinta-feira, 17 de maio de 2012

PENSAMENTO DO DIA


Antes de partires em busca dos teus direitos, deves examinar até onde cumpriste os teus deveres.

 Autor: Andreotti

MENSAGEM DIÁRIA


Não bloqueie sua mente para suas realizações.

 Autor: Desconhecido