quinta-feira, 10 de maio de 2012

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUÇÃO

CAPÍTULO 20
DEFESAS CONTRA O MAL

 Descemos as escadarias e, em frente dos muros altos, pude observar a extensão das defesas do soberbo edifício. 
Aquela construção grandiosa era muito mais importante que a de qualquer castelo antigo, transformado em fortaleza. Novamente no exterior, podia detalhar a visão panorâmica com mais exatidão. 
Reconhecia, agora, que entráramos por um baluarte avançado, identificando a imponência da construção majestosa. 
Apresentavam-se-me as linhas gerais com nitidez. Impressionavam-me, sobretudo, as fortificações. 
Via a torre de mensagem, consagrada, por certo, ao serviço de resistência; o baluarte agudo, elevando-se acima dos fossos que deixavam transbordar a água corrente; a torre de vigia, esbelta e alterosa. 
Observei o caminho da ronda, a cisterna, as seteiras e, em seguida, as paliçadas e barbacãs, refletindo na complexidade de todo aquele aparelhamento defensivo. 
E as armas? Identificava-lhes a presença na maquinaria instalada ao longo dos muros, copiando os pequenos canhões conhecidos na Terra. Entretanto, vi com emoção, no cume da torre de vigia, a enorme bandeira de paz, muito alva, tremulando ao vento como largo penacho de neve... 
O administrador percebeu a estranheza que se apossara de Vicente e de mim. – Já sei a impressão que a nossa defesa lhes causa – disse Alfredo, detendo-se para explicar. Fixando-nos com o olhar muito lúcido, continuou: – Naturalmente, não imaginavam necessárias tantas fortificações. 
Conforme vêem, nossa bandeira é de concórdia e harmonia; no entanto, é imprescindível considerar que estamos em serviço que precisaremos defender, em qualquer circunstância. 
Enquanto não imperar a lei universal do amor, é indispensável persevere o reinado da justiça. 
Nosso Posto está colocado, aqui, igualmente, como “ovelha em meio de lobos” e, embora não nos caiba efetuar o extermínio das feras, necessitamos defender a obra do bem contra os assaltos indébitos. As organizações dos nossos irmãos consagrados ao mal são vastíssimas. 
Não admitam a hipótese de serem, todos eles, ignorantes ou inconscientes. A maioria se constitui de perversos e criminosos. 
São entidades verdadeiramente diabólicas. 
Não tenham disso qualquer dúvida. – Deus meu! – exclamou Vicente, admirado – mas porque se organizam deliberadamente para o mal? Não sabem, porventura, que todos os patrimônios universais pertencem à Majestade Divina? Não reconhecem o Soberano Poder? – Ah! meu amigo – falou Alfredo em tom grave –, fiz as mesmas perguntas quando aqui cheguei pela primeira vez. As respostas que tive foram incisivas e concludentes. 
Poderíamos, Vicente, formular na Crosta as mesmas interrogações. 
Os criminosos que fazem as vítimas da guerra, os exploradores da economia popular, os avarentos misérrimos, os sedentos de injustificado predomínio e os vaidosos cheios de fatuidade sabem, tão bem quanto os nossos adversários daqui, que tudo pertence a Deus, que o homem é simples usufrutuário dos divinos bens. 
Não ignoram que os antepassados foram chamados à verdade e a contas pela morte, e que eles seguirão os mesmos caminhos; entretanto, atormentam- se na Crosta como verdadeiros loucos, amontoando possibilidades para a ruína e abusando das oportunidades mais santas. 
Aqui se verifica a mesma coisa. Querem dominar antes de se dominarem, exigem antes de dar e entram em perene conflito com o espírito divino da lei. Estabelecido o duelo entre a fantasia deles e a verdade do Pai, resistem às corrigendas do Senhor e transformam-se, esses desventurados, em verdadeiros gênios da sombra, até que, um dia, se decidam a novos rumos. 
Intrigado com as profundas observações, perguntei: – Mas, como explicar as bases de semelhante atitude? Na Terra, compreendemos certos enganos, mas aqui... 
O generoso interlocutor não me deixou terminar e prosseguiu: – Na Crosta, nossos irmãos menos felizes lutam pela dominação econômica, pelas paixões desordenadas, pela hegemonia de falsos princípios. 
Nestas zonas imediatas à mente terrestre, temos tudo isso em identidade de condições. 
Entre as entidades perversas e ignorantes, há cooperativas para o mal, sistemas econômicos de natureza feudalista, baixa exploração de certas forças da Natureza, vaidades tirânicas, difusão de mentiras, escravização dos que se enfraquecem pela invigilância, doloroso cativeiro dos Espíritos falidos e imprevidentes, paixões talvez mais desordenadas que as da Terra, inquietações sentimentais, terríveis desequilíbrios da mente, angustiosos desvios do sentimento. 
Em todo o lugar, meu amigo, as quedas espirituais, perante o Senhor, são sempre as mesmas, embora variem de intensidade e coloração. – Mas... e as armas? – perguntei – acaso são utilizadas? – Como não? – disse Alfredo, pressuroso – não temos balas de aço, mas temos projéteis elétricos. 
Naturalmente, a ninguém atacaremos. 
Nossa tarefa é de socorro e não de extermínio. – No entanto – aduzi, sob forte impressão –, qual o efeito desses projéteis? – Assustam terrivelmente – respondeu ele, sorrindo – e, sobretudo, demonstram as possibilidades de uma defesa que ultrapassa a ofensiva. 
Mas apenas assustam? – tornei a interrogar. 
Alfredo sorriu mais significativamente e acrescentou: – Poderiam causar a impressão de morte. – Que diz! – exclamei com insofreável espanto. 
O administrador meditou alguns instantes e, ponderando, talvez, a gravidade dos esclarecimentos, obtemperou: – Meu amigo! meu amigo! se já não estamos na carne, busquemos desencarnar também os nossos pensamentos. 
As criaturas que se agarram, aqui, às impressões físicas, estão sempre criando densidade para os seus veículos de manifestação, da mesma forma que os Espíritos dedicados à região superior estão sempre purificando e elevando esses mesmos veículos. Nossos projéteis, portanto, expulsam os inimigos do bem através de vibrações do medo, mas poderiam causar a ilusão da morte, atuando sobre o corpo denso dos nossos semelhantes menos adiantados no caminho da vida. 
A morte física, na Terra, não é igualmente pura impressão? 
Ninguém desaparece. 
O fenômeno é apenas de invisibilidade ou, por vezes, de ausência. 
Quanto à responsabilidade dos que matam, isto é outra coisa. 
E além desta observação, que é da alçada da Justiça Divina, temos a considerar, igualmente. que, nesta esfera, o corpo denso modificado pode ressurgir todos os dias, pela matéria mental destinada à produção dele, enquanto que, para obter o corpo físico, almas há que trabalham, por vezes, durante séculos... 
Vicente e eu caláramos, estupefatos. 
Alfredo sorriu serenamente e perguntou, bem humorado: – Vocês conhecem a lenda hindu da serpente e do santo? Ante a nossa expressão negativa, o administrador continuou: – Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. 
Ninguém se aventurava a passar por lá, receando-lhe o assalto. 
Mas um santo homem, a serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que em si mesmo. 
A serpente o atacou, desrespeitosa. 
Ele dominou-a, porém, com o olhar sereno, e falou: – Minha irmã, é da lei que não façamos mal a ninguém. 
A víbora recolheu-se, envergonhada. Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente. 
Procurou os lugares habitados pelo homem, como desejosa de reparar os antigos crimes. 
Mostrou-se integralmente pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela. 
Quando lhe identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças davam-lhe pedradas. 
A infeliz recolheu-se à toca, desalentada. Vivia aflita, medrosa, desanimada. 
Eis, porém, que o santo voltou pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la. 
Espantou-se, observando tamanha ruína. A serpente contou-lhe, então, a história amargurada. 
Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas perseguiam-na e apedrejavam-na. 
O sábio pensou, pensou e respondeu após ouvi-la: – Mas, minha irmã, houve engano de tua parte. 
Aconselhei-te a não morderes ninguém, a não praticares o assassínio e a perseguição, mas não te disse que evitasses de assustar os maus. 
Não ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor. 
Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso a distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos. 
Nesse momento, Aniceto sorriu de maneira expressiva. 
O administrador fez longa pausa e concluiu: – Creio que a fábula dispensa comentário. 

CONTINUA AMANHÃ

UM MOMENTO DE CHICO XAVIER

quarta-feira, 9 de maio de 2012

PENSAMENTO DO DIA


Não importa quantos passos você deu para trás. Importa quantos passos você vai dar para frente.

 Autor: Décio Melhem

MENSAGEM DO DIA


A sinceridade é a corda que puxa a confiança.

 Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO 

CAPÍTULO 19

O SOPRO 

 Depois de interessantes considerações relativamente à situação dos círculos carnais, Aniceto voltou a examinar nossas necessidades de serviço. 
Muito amável, Alfredo ponderou: – Em virtude da tormenta iminente, poderiam demorar conosco algumas horas, seguindo amanhã, ao alvorecer. 
E, com profunda surpresa, ouvi-o afirmar: – Poderão utilizar meu carro, até à zona em que se torne possível. Fornecerei condutor adestrado e ganharão muito tempo com a medida. 
Não podia caber em meu espanto. Embora conhecendo as operações dos Samaritanos em “Nosso Lar”, que empregavam grandes veículos de tração animal, em trabalhos de salvamento nas regiões inferiores e considerando as dificuldades de vulto que defrontáramos na caminhada longa, rumo ao Posto de Socorro, não supunha possível semelhante condução naquele instituto de auxilio. 
Soube, mais tarde, que os sistemas de transporte, nas zonas mais próximas da Crosta, são muito mais numerosos do que se poderia imaginar, em bases transcendentes do eletromagnetismo. 
Nosso orientador, que parecia meditar gravemente a situação, observou preocupado: – Entretanto, temos serviços urgentes nos círculos carnais. Vicente e André precisam iniciar aprendizado ativo. Alfredo sorriu, bondoso, asseverando: – Quanto a isso, não necessitaremos de maiores cuidados. Há sempre quefazeres em toda a parte. 
Onde houver espírito de cooperação da criatura, existe igualmente o serviço de Deus. 
Nossos amigos poderiam colaborar conosco, ainda hoje, nas atividades de assistência. 
Acompanhar-nos-iam, por exemplo, nos trabalhos da prece, nos quais há sempre muita coisa a fazer e muita lição a aprender. – Excelente sugestão! – exclamou nosso instrutor. – A oração individual, ou coletiva, é sempre vasto reservatório de ensinos edificantes. – Aliás – falou Ismália, afetuosa –, não devemos demorar. 
Estamos quase na hora. 
Nesse momento, como se fora chamado, de súbito, à lembrança de grave compromisso de trabalho, falou o administrador, dirigindo-se à companheira: – É preciso prevenir Olívia e Madalena das providências que se fazem imperiosas para a noite. 
Necessitaremos a colaboração de mais alguns técnicos do sopro. 
Temos alguns irmãos em estado grave, tomados de impressões físicas mais fortes. – Técnicos do sopro? – indaguei, assombrado, antes que Ismália pudesse fazer qualquer observação referente aos serviços. – Sim, meu amigo – respondeu Alfredo, atenciosamente –, o sopro curador, mesmo na Terra, é sublime privilégio do homem. No entanto, quando encarnados, demoramo-nos muitíssimo a tomar posse dos grandes tesouros que nos pertencem. 
Comumente, vivemos por lá, perdendo tempo com a fantasia, acreditando em futilidades ou alimentando desconfianças. 
Quem pudesse compreender, entre as formas terrestres, toda a extensão deste assunto, poderia criar no mundo os mais eficientes processos soproterápicos. – Mas, semelhante patrimônio está à disposição de qualquer Espírito encarnado? – perguntou Vicente, compartilhando minha surpresa. 
Nosso interlocutor pensou alguns instantes e respondeu, atencioso: – Como o passe, que pode ser movimentado pelo maior número de pessoas, com benefícios apreciáveis, também o sopro curativo poderia ser utilizado pela maioria das criaturas, com vantagens prodigiosas. Entretanto, precisamos acrescentar que, em qualquer tempo e situação, o esforço individual é imprescindível. 
Toda realização nobre requer apoio sério. 
O bem divino, para manifestar-se em ação, exige a boa vontade humana. 
Nossos técnicos do assunto não se formaram de pronto. 
Exercitaram-se longamente, adquiriram experiências a preço alto. 
Em tudo há uma ciência de começar. 
São servidores respeitáveis pelas realizações que atingiram, ganham remunerações de vulto e gozam enorme acatamento, mas, para isso, precisam conservar a pureza da boca e a santidade das intenções. 
Compreendendo o interesse que suas palavras despertavam, continuou o administrador, depois de pequena pausa: – Nos círculos carnais, para que o sopro se afirme suficientemente, é imprescindível que o homem tenha o estômago sadio, a boca habituada a falar o bem, com abstenção do mal, e a mente reta, interessada em auxiliar. 
Obedecendo a esses requisitos, teremos o sopro calmante e revigorador, estimulante e curativo. 
Através dele, poder-se-á transmitir, também na Crosta, a saúde, o conforto e a vida. 
E, como Vicente e eu não pudéssemos ocultar a perplexidade, Alfredo considerou: – Isto não é novo. 
Jesus, além de tocar naqueles a quem curava, concedia-lhes, por vezes, o sopro divino. O sopro da vida percorre a Criação inteira. 
Toda página sagrada, comentando o principio da existência, refere-se a isso.
Nunca pensaram no vento, como sopro criador da Natureza? 
Quanto a mim, desde o ingresso em Campo da Paz, quando fui ali recolhido em péssimas condições espirituais, tenho aprendido maravilhosas lições nesse particular. 
Tanto assim que, chefiando este Posto, tenho incentivado, com as possibilidades ao meu alcance, a formação de novos cooperadores nesse sentido, oferecendo compensações aos que se decidam iniciar a tarefa de especialização, nem sempre fácil para todos. 
A esse tempo, Ismália recebia algumas colaboradoras de importância, que se preparavam para a tarefa. Impressionado com o que ouvira, acompanhei de perto as providências que se organizavam. Encontrando-me, porém, mais a sós com Aniceto, transmitilhe minha enorme surpresa, respondendo-me ele em tom confidencial: – Esquecem-se vocês de que a própria Bíblia, aludindo aos primórdios do homem, narra que o Criador assoprou na forma criada, comunicando-lhe o fôlego da vida. Referindo-nos aos nossos irmãos encarnados, faz-se preciso reconhecer, André, que, mesmo partindo de homens imperfeitos, mas de boa vontade, todo sopro com intenção de aliviar ou curar tem relevante significação entre as criaturas, porque todos nós somos herdeiros diretos do Divino Poder. 
Aliás, é necessário observar também que não estamos diante de uma exclusividade. 
Você, por certo, passou muito ligeiramente pelo nosso Ministério do Auxílio. 
Temos, ali, grande instituto especializado nesse sentido, onde nobres colegas se votam a essa modalidade de cooperação. 
No plano carnal, toda boca, santamente intencionada, pode prestar apreciáveis auxílios, notando-se, porém, que as bocas generosas e puras poderão distribuir auxílios divinos, transmitindo fluidos vitais de saúde e reconforto. 
Esperava que Aniceto prosseguisse, mostrando-me as qualidades magnéticas do sopro, mas Alfredo acercara-se de nós, operoso e solícito, exclamando: – Estamos no momento destinado aos trabalhos de assistência e oração. – Segui-lo-emos com prazer – respondeu nosso instrutor, sorrindo. Era necessário interromper a lição, atendendo a deveres 

 CONTINUA AMANHÃ

O AMOR ONIPOTENTE - VOZ DE CHICO XAVIER

terça-feira, 8 de maio de 2012

PENSAMENTO DO DIA


Quando há novos desafios, já não há lugar para principiantes.

 Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA



O rio somente alcança seus objetivos porque aprendeu a superar os obstáculos, seja como ele.
 
Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER -

CONTINUAÇÃO

CAPÍTULO 18

INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS

A volta de Ismália ao circulo da conversação impediu o prosseguimento do assunto. Aproveitando, talvez, a oportunidade, Aniceto perguntou ao administrador: – Que me diz da continuação de nossa viagem? 
Estimaríamos alcançar, ainda hoje, as esferas da Crosta. Dirigiu-nos Alfredo significativo olhar e falou: – Não me sinto com o direito de alterar-lhes o plano de serviço, mas seria conveniente pernoitarem aqui. 
Nossos aparelhos assinalam aproximação de grande tempestade magnética, ainda para hoje. Sangrentas batalhas estão sendo travadas na superfície do globo. 
Os que não se encontram nas linhas de fogo permanecem nas linhas da palavra e do pensamento. 
Quem não luta nas ações bélicas está no combate das idéias, comentando a situação. Reduzido número de homens e mulheres continuam cultivando a espiritualidade superior. 
É natural, portanto, que se intensifiquem, ao longo da Crosta, espessas nuvens de resíduos mentais dos encarnados invigilantes, multiplicando as tormentas destruidoras. 
Aniceto escutava com atenção. – Não me preocupo com sua pessoa – continuou Alfredo, dirigindo- se de maneira particular ao nosso instrutor –, mas estes dois amigos, penso, seriam desagradavelmente surpreendidos. – Tem razão – concordou Aniceto. E, esboçando significativa expressão fisionômica, prosseguiu: – Avalio o sacrifício dos nossos companheiros espirituais, nos trabalhos de preservação da saúde humana. – São grandes servidores – disse o senhor do castelo. – De quando em quando, observo-lhes, pessoalmente, os núcleos de atividade santa. A Humanidade parece preferir a condição de eterna criança. 
Faz e desfaz os patrimônios da civilização, como se brincasse com bonecas. 
Nossos amigos suportam pesados fardos de serviço para que as tormentas magnéticas, invisíveis ao olhar humano, não disseminem vibrações mortíferas, a se traduzirem pela dilatação de penúrias da guerra e por epidemias sem conta. 
As colônias espirituais da Europa, mormente as de nosso nível, estão sofrendo amargamente para atenderem às necessidades gerais. 
Já começamos a receber grandes massas de desencarnados, em conseqüência dos bombardeios. “Nosso Lar”, pela missão que lhe cabe, ainda não pode imaginar todo o esforço que o conflito mundial vem exigindo da nossa colaboração nas esferas mais baixas. 
Os Postos de Socorro de várias colônias, ligadas a nós, estão superlotados de europeus desencarnados violentamente. 
Fomos notificados de que as súplicas da Europa dilaceram o coração angélico dos mais altos cooperadores de Nosso Senhor Jesus-Cristo. Aos terríveis bombardeios na Inglaterra, na Holanda, Bélgica e França, sucedem-se outros de não menor extensão. 
Depois de reiteradas assembléias dos nossos mentores espirituais, resolveu-se providenciar a remoção de, pelo menos, cinqüenta por cento dos desencarnados na guerra em curso, para os nossos núcleos americanos. 
Temos aqui o nosso campo de concentração com mais de quatrocentos. – Mas não há dificuldade no socorro a essa gente? – indagou Aniceto em tom grave. – E a questão da linguagem? – Os serviços de socorro, apesar de intensos na Europa, têm sido muito bem organizados, explicou Alfredo –; para cada grupo de cinqüenta infelizes, as colônias, do Velho Mundo fornecem um enfermeiro-instrutor, com quem nos possamos entender, de modo direto. Desse modo, o problema não pesa tanto, porque nossa parte de colaboração consta de fornecimento de pessoal de serviço e de material de assistência. – Não seria, porém, mais justo – indagou Vicente – que os desencarnados dessa espécie fossem mantidos nas próprias regiões do conflito? Alfredo sorriu e explicou: – Nossos instrutores mais elevados são de parecer que essas aglomerações seriam fatais à coletividade dos Espíritos encarnados. Determinariam focos pestilenciais de origem transcendente, com resultados imprevisíveis. Inúmeros de nossos irmãos que perdem o corpo nas zonas assoladas não conseguem subtrair-se ao campo da angústia; mas, quantos ofereçam possibilidades de transferência para cá, dentro das nossas cotas de alojamento, são retirados dali, sem perda de tempo, para que seus pensamentos atormentados não pesem em demasia nas fontes vitais das regiões sacrificadas. 
Nesse ínterim, Aniceto interveio, esclarecendo: – Embalde voltarão os países do mundo aos massacres recíprocos. 
O erro de uma nação influirá em todas, como o gemido de um homem perturbaria o contentamento de milhões. 
A neutralidade é um mito, o insulamento uma ficção do orgulho político. 
A Humanidade terrestre é uma família de Deus, como bilhões de outras famílias planetárias no Universo Infinito. 
Em vão a guerra desfechará desencarnações em massa. 
Esses mesmos mortos pesarão na economia espiritual da Terra. 
Enquanto houver discórdia entre nós, pagaremos doloroso preço em suor e lágrimas. A guerra fascina a mentalidade de todos os povos, inclusive de grande número de núcleos das esferas invisíveis. 
Quem não empunha as armas destruidoras, dificilmente se afastará do verbo destruidor, no campo da palavra ou da idéia. 
Mas, todos nós pagaremos tributo. É da lei divina, que nos entendamos e nos amemos uns aos outros. 
Todos sofreremos os resultados do esquecimento da lei, mas cada um será responsabilizado, de perto, pela cota de discórdia que haja trazido à família mundial. Alfredo, que parecia ponderar seriamente os conceitos ouvidos, observou: – É justo. Aniceto voltou a considerar, após silêncio mais longo: – Estive pessoalmente, a semana passada, em “Alvorada Nova”, que fica em zonas mais altas, e vim a saber que avançados núcleos de espiritualidade superior, dos planetas vizinhos, desde as primeiras declarações desta guerra, determinaram providências de máxima vigilância, nas fronteiras vibratórias mantidas conosco. 
Ensinam-nos os vizinhos beneméritos que devemos suportar, nos próprios ombros, toda a produção de mal que levarmos a efeito. 
Somos, finalmente, a casa grande, obrigada a lavar a roupa suja nas próprias dependências. 
Sorrimos todos, com essa comparação. 
Ismália, que permanecia em silêncio, não obstante a funda impressão que se lhe estampara no rosto, considerou com delicadeza: – Infelizmente, na feição coletiva, somos ainda aquela Jerusalém escravizada ao erro. 
Todos os dias somos curados por Jesus e todos os dias conduzimo-lo ao madeiro. 
Nossas obras estão reduzidas quase a simples recapitulações que fracassam sempre. 
Não saímos do estágio da experiência. E, dolorosamente para nós, estamos sempre a ensaiar, no mundo, a política com os Césares, a justiça com os Pilatos, a fé religiosa com os Fariseus, o sacerdócio com os rabinos do Sinédrio, a crença com os Jairos que acreditam e duvidam ao mesmo tempo, os negócios com os Anases e Caifases. Neste passo, não podemos prever a extensão dos acontecimentos cruciais. Encantado com as definições ouvidas, aventurei-me a dizer: – Como é angustiosa, porém, a destruição pela guerra! – Nestes tempos, contudo – observou Alfredo, bondosamente –, a prece é uma luz mais intensa no coração dos homens. Bem se diz que a estrela brilha mais fortemente nas noites sem luz. 
Imaginem que, para iniciar providências de recepção aos desencarnados em desespero, já fui, mais de uma vez, aos serviços de assistência na Europa. Há dias, em missão dessa natureza, fomos, eu e alguns companheiros, aos céus de Bristol. 
A nobre cidade inglesa estava sendo sobrevoada por alguns aviões pesados de bombardeio. 
As perspectivas de destruição eram assustadoras. 
No seio da noite, porém, destacava-se, à nossa visão espiritual, um farol de intensa luz. 
Seus raios faiscavam no firmamento, enquanto as bombas eram arremessadas ao solo. 
A chefia da expedição recomendou nossa descida no ponto luminoso. 
Com surpresa, verifiquei que estávamos numa igreja, cujo recinto devia ser quase sombrio para o olhar humano, mas altamente luminoso para nossos olhos. 
Notei, então, que alguns cristãos corajosos reuniam-se ali e cantavam hinos. 
O Ministro do Culto lera a passagem dos Atos, em que Paulo e Silas cantavam à meia-noite, na prisão, e as vozes cristalinas elevavam-se ao Céu, em notas de fervorosa confiança. 
Enquanto rebentavam estilhaços lá fora, os discípulos do Evangelho cantavam, unidos, em celestial vibração de fé viva. 
Nosso chefe mandou que nos conservássemos de pé, diante daquelas almas heróicas, que recordavam os primeiros cristãos perseguidos, em sinal de respeito e reconhecimento. 
Ele também acompanhou os hinos e depois nos disse que os políticos construiriam os abrigos antiaéreos, mas que os cristãos edificariam na Terra os abrigos antitrevosos. – Às vezes – concluiu o senhor do castelo, em tom significativo – é preciso sofrer para compreender as bênçãos divinas. 

CONTINUA AMANHÃ

A CAMINHO DA LUZ - MENSAGEM DE CHICO XAVIER - AUXILIAREMOS

segunda-feira, 7 de maio de 2012

PENSAMENTO DO DIA


Aquele que recebe um favor deve recordar-se dele, quem o faz deve esquecê-lo. 

 Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA


A vida é um fogo que nos aquece, se um dia esse fogo se apagar nós vamos embora com tudo que fizemos ou deixamos de fazer. 

Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER

CONTINUAÇÃO

 CAPÍTULO - 18

 INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS

 A volta de Ismália ao circulo da conversação impediu o prosseguimento do assunto. Aproveitando, talvez, a oportunidade, Aniceto perguntou ao administrador: – Que me diz da continuação de nossa viagem? 
Estimaríamos alcançar, ainda hoje, as esferas da Crosta.
 Dirigiu-nos Alfredo significativo olhar e falou: – Não me sinto com o direito de alterar-lhes o plano de serviço, mas seria conveniente pernoitarem aqui. 
Nossos aparelhos assinalam aproximação de grande tempestade magnética, ainda para hoje. 
Sangrentas batalhas estão sendo travadas na superfície do globo. 
Os que não se encontram nas linhas de fogo permanecem nas linhas da palavra e do pensamento. 
Quem não luta nas ações bélicas está no combate das idéias, comentando a situação. Reduzido número de homens e mulheres continuam cultivando a espiritualidade superior. 
É natural, portanto, que se intensifiquem, ao longo da Crosta, espessas nuvens de resíduos mentais dos encarnados invigilantes, multiplicando as tormentas destruidoras. 
Aniceto escutava com atenção. – Não me preocupo com sua pessoa – continuou Alfredo, dirigindo-se de maneira particular ao nosso instrutor –, mas estes dois amigos, penso, seriam desagradavelmente surpreendidos. – Tem razão – concordou Aniceto. 
E, esboçando significativa expressão fisionômica, prosseguiu: – Avalio o sacrifício dos nossos companheiros espirituais, nos trabalhos de preservação da saúde humana.  – São grandes servidores – disse o senhor do castelo. – De quando em quando, observo-lhes, pessoalmente, os núcleos de atividade santa. 
A Humanidade parece preferir a condição de eterna criança. 
Faz e desfaz os patrimônios da civilização, como se brincasse com bonecas. 
Nossos amigos suportam pesados fardos de serviço para que as tormentas magnéticas, invisíveis ao olhar humano, não disseminem vibrações mortíferas, a se traduzirem pela dilatação de penúrias da guerra e por epidemias sem conta. 
As colônias espirituais da Europa, mormente as de nosso nível, estão sofrendo amargamente para atenderem às necessidades gerais. 
Já começamos a receber grandes massas de desencarnados, em conseqüência dos bombardeios. “Nosso Lar”, pela missão que lhe cabe, ainda não pode imaginar todo o esforço que o conflito mundial vem exigindo da nossa colaboração nas esferas mais baixas. 
Os Postos de Socorro de várias colônias, ligadas a nós, estão superlotados de europeus desencarnados violentamente. 
Fomos notificados de que as súplicas da Europa dilaceram o coração angélico dos mais altos cooperadores de Nosso Senhor Jesus-Cristo. 
Aos terríveis bombardeios na Inglaterra, na Holanda, Bélgica e França, sucedem-se outros de não menor extensão. Depois de reiteradas assembléias dos nossos mentores espirituais, resolveu-se providenciar a remoção de, pelo menos, cinqüenta por cento dos desencarnados na guerra em curso, para os nossos núcleos americanos. 
Temos aqui o nosso campo de concentração com mais de quatrocentos. – Mas não há dificuldade no socorro a essa gente? – indagou Aniceto em tom grave. – E a questão da linguagem? – Os serviços de socorro, apesar de intensos na Europa, têm sido muito bem organizados, explicou Alfredo –; para cada grupo de cinqüenta infelizes, as colônias, do Velho Mundo fornecem um enfermeiro-instrutor, com quem nos possamos entender, de modo direto. 
Desse modo, o problema não pesa tanto, porque nossa parte de colaboração consta de fornecimento de pessoal de serviço e de material de assistência. – Não seria, porém, mais justo – indagou Vicente – que os desencarnados dessa espécie fossem mantidos nas próprias regiões do conflito? 
Alfredo sorriu e explicou: – Nossos instrutores mais elevados são de parecer que essas aglomerações seriam fatais à coletividade dos Espíritos encarnados. 
Determinariam focos pestilenciais de origem transcendente, com resultados imprevisíveis. Inúmeros de nossos irmãos que perdem o corpo nas zonas assoladas não conseguem subtrair-se ao campo da angústia; mas, quantos ofereçam possibilidades de transferência para cá, dentro das nossas cotas de alojamento, são retirados dali, sem perda de tempo, para que seus pensamentos atormentados não pesem em demasia nas fontes vitais das regiões sacrificadas. 
Nesse ínterim, Aniceto interveio, esclarecendo: – Embalde voltarão os países do mundo aos massacres recíprocos. 
O erro de uma nação influirá em todas, como o gemido de um homem perturbaria o contentamento de milhões. 
A neutralidade é um mito, o insulamento uma ficção do orgulho político. 
A Humanidade terrestre é uma família de Deus, como bilhões de outras famílias planetárias no Universo Infinito. 
Em vão a guerra desfechará desencarnações em massa. 
Esses mesmos mortos pesarão na economia espiritual da Terra. 
Enquanto houver discórdia entre nós, pagaremos doloroso preço em suor e lágrimas. A guerra fascina a mentalidade de todos os povos, inclusive de grande número de núcleos das esferas invisíveis. 
Quem não empunha as armas destruidoras, dificilmente se afastará do verbo destruidor, no campo da palavra ou da idéia. 
Mas, todos nós pagaremos tributo. 
É da lei divina, que nos entendamos e nos amemos uns aos outros. 
Todos sofreremos os resultados do esquecimento da lei, mas cada um será responsabilizado, de perto, pela cota de discórdia que haja trazido à família mundial. 
Alfredo, que parecia ponderar seriamente os conceitos ouvidos, observou: – É justo. Aniceto voltou a considerar, após silêncio mais longo: – Estive pessoalmente, a semana passada, em “Alvorada Nova”, que fica em zonas mais altas, e vim a saber que avançados núcleos de espiritualidade superior, dos planetas vizinhos, desde as primeiras declarações desta guerra, determinaram providências de máxima vigilância, nas fronteiras vibratórias mantidas conosco. Ensinam-nos os vizinhos beneméritos que devemos suportar, nos próprios ombros, toda a produção de mal que levarmos a efeito. 
Somos, finalmente, a casa grande, obrigada a lavar a roupa suja nas próprias dependências. 
Sorrimos todos, com essa comparação. 
Ismália, que permanecia em silêncio, não obstante a funda impressão que se lhe estampara no rosto, considerou com delicadeza: – Infelizmente, na feição coletiva, somos ainda aquela Jerusalém escravizada ao erro. 
Todos os dias somos curados por Jesus e todos os dias conduzimo-lo ao madeiro. 
Nossas obras estão reduzidas quase a simples recapitulações que fracassam sempre. 
Não saímos do estágio da experiência. E, dolorosamente para nós, estamos sempre a ensaiar, no mundo, a política com os Césares, a justiça com os Pilatos, a fé religiosa com os Fariseus, o sacerdócio com os rabinos do Sinédrio, a crença com os Jairos que acreditam e duvidam ao mesmo tempo, os negócios com os Anases e Caifases. 
Neste passo, não podemos prever a extensão dos acontecimentos cruciais. Encantado com as definições ouvidas, aventurei-me a dizer:  
Como é angustiosa, porém, a destruição pela guerra! – Nestes tempos, contudo – observou Alfredo, bondosamente –, a prece é uma luz mais intensa no coração dos homens. 
Bem se diz que a estrela brilha mais fortemente nas noites sem luz. 
Imaginem que, para iniciar providências de recepção aos desencarnados em desespero, já fui, mais de uma vez, aos serviços de assistência na Europa. 
Há dias, em missão dessa natureza, fomos, eu e alguns companheiros, aos céus de Bristol. A nobre cidade inglesa estava sendo sobrevoada por alguns aviões pesados de bombardeio. 
As perspectivas de destruição eram assustadoras. No seio da noite, porém, destacava-se, à nossa visão espiritual, um farol de intensa luz. 
Seus raios faiscavam no firmamento, enquanto as bombas eram arremessadas ao solo. 
A chefia da expedição recomendou nossa descida no ponto luminoso. 
Com surpresa, verifiquei que estávamos numa igreja, cujo recinto devia ser quase sombrio para o olhar humano, mas altamente luminoso para nossos olhos. 
Notei, então, que alguns cristãos corajosos reuniam-se ali e cantavam hinos. 
O Ministro do Culto lera a passagem dos Atos, em que Paulo e Silas cantavam à meia noite, na prisão, e as vozes cristalinas elevavam-se ao Céu, em notas de fervorosa confiança. 
Enquanto rebentavam estilhaços lá fora, os discípulos do Evangelho cantavam, unidos, em celestial vibração de fé viva. 
Nosso chefe mandou que nos conservássemos de pé, diante daquelas almas heróicas, que recordavam os primeiros cristãos perseguidos, em sinal de respeito e reconhecimento. 
Ele também acompanhou os hinos e depois nos disse que os políticos construiriam os abrigos antiaéreos, mas que os cristãos edificariam na Terra os abrigos antitrevosos. – Às vezes – concluiu o senhor do castelo, em tom significativo – é preciso sofrer para compreender as bênçãos divinas. 

CONTINUA AMANHÃ

A CAMINHO DA LUZ - MENSAGEM DE CHICO XAVIER - CANTIGA DO PERDÃO

domingo, 6 de maio de 2012

CRÔNICA DOMINICAL

LUZES DO ENTARDECER 

 Conserva contigo os companheiros idosos, com a alegria de quem recebeu da vida o honroso encargo de reter, junto do coração, as luzes remanescentes do próprio grupo familiar. 

Reflete, naqueles que te preservaram a existência ainda frágil, nos panos do berço; nos que te equilibraram os passos primeiros; nos que te afagaram os sonhos da meninice e naqueles outros que te auxiliaram a pronunciar o nome de Deus.

Já que atravessaram o caminho de muitos janeiros, pensa no heroísmo silencioso com que te ensinam a valorizar os tesouros do tempo, nas dificuldades que terão vencido para ser quem são no suor que lhes alterou as linhas da face e nas lágrimas que lhes alvejaram os cabelos... 

E quando, porventura, te mostrem azedume ou desencanto, escuta-lhes a palavra com bondade e paciência... 

 Não estarão, decerto, a ferir-te e sim provavelmente algo murmurando contra dolorosas recordações de ofensas recebidas, que trancam no peito, a fim de não complicarem os dias dos seres que lhes são especialmente queridos!... 

Ama e respeita os companheiros idosos! 

São eles as vigas que te escoram o teto da experiência e as bases de que hoje te levantas para seres quem és... 

 Auxilia-os, quanto puderes, porquanto é possível que, no dia da existência humana, venhas igualmente a conhecer o brilho e a sombra que assinalam, no mundo, a hora do entardecer. 

 Autor: Meimei.

PENSAMENTO DO DIA


Às vezes perdemos grandes oportunidades pelo simples medo de tentar. Nunca deixe que isso lhe aconteça. Vá em frente e lute pelo que deseja.

 Autor: Desconhecido

MENSAGEM DO DIA


Quantas preocupações desaparecem quando nós preocupamos não, em ter alguma coisa, mas em ser alguém. 

Autor: Desconhecido

OS MENSAGEIROS - LIVRO DE CHICO XAVIER


CONTINUAÇÃO


CAPÍTULO 16 
NO POSTO DE SOCORRO

 Deslumbrava-me a visão do castelo soberbo! Incapaz de exprimir a admiração que me dominava, acompanhei Aniceto em silêncio. Com grande surpresa, entretanto, verifiquei que a construção magnífica não se mantinha sem defesa. 
Cercavam-na pesados muros numa extensão que meus olhos não conseguiam abranger. 
Quem imaginasse uma tal instituição, localizada nas zonas invisíveis, dificilmente conceberia contrafortes daquela natureza. 
A noção de céu e inferno, fundamente arraigada na mente popular, não deixa perceber que os homens, de modo geral, não se modificam com a morte física, como a troca de residência não significa mudança de personalidade para a criatura comum. 
Espantado, notei que o nosso orientador fazia mover quase imperceptível campainha, disfarçada na muralha. 
Creio que, se Aniceto estivesse só, não precisaria desse expediente, dado o seu poder espiritual acima de todas as resistências grosseiras; no entanto, estávamos em sua companhia e, mais uma vez, quis igualar-se a nós, por fidalguia de tratamento. 
Ocultar a própria glória é do código do bom-tom nas sociedades espirituais nobres e santas. Atendendo-nos, dois servidores abriram a porta extremamente pesada, que rodou nos gonzos, como se daria em qualquer edificação mais antiga do plano terrestre. – Salve! mensageiros do bem! – disseram ambos ao mesmo tempo, fixando Aniceto, em atitude reverente. 
Aniceto levantou a mão, que se fez luminosa nesse instante, e balbuciou algumas palavras de amor, retribuindo a saudação respeitosa. 
Entramos. 
Fiquei admirado! Pomares e jardins maravilhosos perdiam-se de vista. 
A sombra, aí, não era tão intensa. Sentíamo-nos banhados em suavidade crepuscular, graças aos grandes focos de luz radiante. 
O interior apresentava aspectos inesperados. Somente agora eu compreendia que a muralha ocultava a maioria das construções. 
Pavilhões de vulto alinhavam-se como se estivéssemos diante de prodigioso educandário. 
Turmas variadas de homens e mulheres dedicavam-se a serviços múltiplos. Ninguém parecia dar conta de nossa presença, tal o interesse que o trabalho despertava em cada um. 
Acompanhávamos Aniceto através de numerosas fileiras de árvores senhoris, que se assemelhavam a carvalhos antiqüíssimos. Observava, todavia, que nesse abençoado Posto de Socorro a Natureza se fizera maternal. 
Havia, agora, mais luz no céu e o vento era mais fagueiro, sussurrando brandamente no arvoredo farto. 
O bondoso instrutor, notando a nossa admiração, esclareceu: – Esta paz reflete o estado mental dos que vivem neste pouso de assistência fraterna. 
Acabamos de atravessar uma zona de grandes conflitos espirituais, que vocês ainda não podem perceber. 
A Natureza é mãe amorosa em toda a parte, mas, cada lugar mostra a influenciação dos filhos de Deus que o habitam. 
A explicação não poderia ser mais clara. 
Atingindo o edifício central, construído à maneira de formoso castelo europeu dos tempos feudais, fomos defrontados por um casal extremamente simpático. – Meu caro Aniceto! – falou o cavalheiro, abraçando o nosso orientador. – Meu caro Alfredo! minha nobre Ismália! – respondeu Aniceto, sorridente. Após as saudações afetuosas, apresentou-nos, lisonjeiro. 
O casal abraçou-nos, evidenciando cordialidade e atenção amiga. – Nosso prezado Alfredo – continuou Aniceto, elucidando – é o dedicado Administrador deste Posto de Socorro.
 Há muito tempo consagrou-se ao serviço de nossos irmãos ignorantes e desviados. – Oh! Oh! não prossiga – revidou o apresentado, como a fugir às referências elogiosas –, consagrei-me simplesmente ao dever. 
E, como se quisesse modificar a conversação, prosseguiu, atencioso: – Mas, que surpresa agradável!
 Há muitos dias não temos visitas de “Nosso Lar”! 
Ainda bem que vieram hoje, quando Ismália veio igualmente ter comigo!... Pois quê? – considerei intimamente. 
Não seria aquela senhora, de lindo semblante, a esposa dele? 
Não viveriam ali juntos, como na Terra? 
Antes, porém, que pudesse chegar a qualquer conclusão, Alfredo conduzia-nos ao interior doméstico.
 As escadas de substância idêntica ao mármore, impressionavam-me pela transparente beleza. De varanda extensa e nobre, onde as colunatas se enfeitavam de hera florida, muito diferente, porém, da que conhecemos na Terra, penetramos em vasto salão mobiliado ao gosto mais antigo. 
Os móveis delicadamente esculturados formavam conjunto encantador. Admirado, fixei as paredes, de onde pendiam quadros maravilhosos. Um deles, contudo, impunha-me especial atenção. 
Era uma tela enorme, representando o martírio de São Dinis, o Apóstolo das Gálias rudemente supliciado nos primeiros tempos do Cristianismo, segundo meus humildes conhecimentos de História. Intrigado, recordei que vira, na Terra, um quadro absolutamente igual àquele. 
Não se tratava de um famoso trabalho de Bonnat, célebre pintor francês dos últimos tempos? 
A cópia do Posto de Socorro, todavia, era muito mais bela. 
A lenda popular estava lindamente expressa nos mínimos detalhes. 
O glorioso Apóstolo, seminu, com a cabeça decepada, tronco aureolado de intensa luz, fazia um esforço supremo por levantar o próprio crânio que lhe rolara aos pés, enquanto os assassinos o contemplavam, tomados de intenso horror; do alto, via-se descer um emissário divino, trazendo ao Servo do Senhor a coroa e a palma da vitória. 
Havia, porém, naquela cópia, profunda luminosidade, como se cada pincelada contivesse movimento e vida. 
Observando-me a admiração, Alfredo falou, sorrindo: – Quantos nos visitam, pela primeira vez, estimam a contemplação desta cópia soberba. – Ah! sim – retruquei –, o original, segundo estou informado, pode ser visto no Panteão de Paris. – Engana-se – elucidou o meu gentil interlocutor –, nem todos os quadros, como nem todas as grandes composições artísticas, são originariamente da Terra. 
É certo que devemos muitas criações sublimes à cerebração humana; mas, neste caso, o assunto é mais transcendente. 
Temos aqui a história real dessa tela magnífica. 
Foi idealizada e executada por nobre artista cristão, numa cidade espiritual muito ligada à França. 
Em fins do século passado, embora estivesse retido no círculo carnal, o grande pintor de Bayonne visitou essa colônia em noite de excelsa inspiração, que ele, humanamente, poderia classificar de maravilhoso sonho. 
Desde o minuto em que viu a tela, Florentino Bonnat não descansou enquanto não a reproduziu, palidamente, em desenho que ficou célebre no mundo inteiro. 
As cópias terrestres, todavia, não têm essa pureza de linhas e luzes, e nem mesmo a reprodução sob nossos olhos tem a beleza imponente do original, que já tive a felicidade de contemplar de perto, quando organizávamos, aqui no Posto, homenagens singelas para a honrosa visita que nos fez o grande servo do Cristo. 
Para movimentar as providências necessárias, visitei pessoalmente a cidade espiritual a que me referi. 
Grande espanto apossara-se-me do coração. 
Via, agora, explicada a tortura santa dos grandes artistas, divinamente inspirados na criação de obras imortais; agora, reconhecia que toda arte elevada é sublime na Terra, porque traduz visões gloriosas do homem na luz dos planos superiores. 
Parecendo interessado em completar meus pensamentos, Alfredo considerou: – O gênio construtivo expressa superioridade espiritual com livre trânsito entre as fontes sublimes da vida. 
Ninguém cria sem ver, ouvir ou sentir, e os artistas de superior mentalidade costumam ver, ouvir e sentir as realizações mais altas do caminho para Deus. 
Mas, voltando-se, afável, para Aniceto, exclamou: – No entanto, o momento não comporta divagações. 
Sentemo-nos. 
Devem estar cansados da peregrinação difícil. Necessitam refazer energias e repousar algum tanto.

 CONTINUA AMANHÃ

A CAMINHO DA LUZ - MENSAGEM DE CHICO XAVIER - SEMEIA, SEMEIA