quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

VIDA\ ALÉM DA VIDA - LIVRO DE CHICO XAVIER - PARTE 03

CONTINUAÇÃO

SEGUNDA MENSAGEM

Querido papai Lineu e querida mãezinha Elza:

Peço a Jesus fortalecer-nos e abençoar-nos.
Pai, é tão grande a minha alegria ao abraçá-lo que a emoção me constringe a garganta, transmitindo-se aos meus dedos, obrigando-me a escrever com certa dificuldade.
Mãezinha Elza, muito grata por haver insistido com o papai para virem até aqui hoje.
As minhas saudades eram muito grandes e quem não consegue tocas as pessoas queridas, qual me acontece agora, contenta-se com a possibilidade de se desinibir escrevendo, dando expansão aos sentimentos de amor e saudade que nos pressionam o coração.
Meu pai, agradeço a sua disposição de defender-me contra as opiniões dos que me supuseram inerte, incapaz de me movimentar contra o fogo que vinha de fora. (15) Compreendo a extensão da luta de que fui o causador involuntário. Sucede que a filha dos veículos à espera do sinal de passagem crescera muito e, sempre na expectativa de que o movimento se normalizasse, tomei os impactos que me lezaram as veias do cérebro.
Pouco a pouco, estou sendo conscientizado de que o acontecimento infeliz viria a se concretizar naquele dia de mais uma primavera de gente moça (1).
Importante é que eu tive a intuição de que a mãezinha Elza e a nossa Sandra Maria poderiam preparar a nossa mesa de meu aniversário, a fim de esperar a sua chegada depois do meio dia. (3) Preparei-me. Creia que o senhor era o meu personagem central para a festa. Nunca me vira de tal modo alegre e otimista, mal sabendo o que me esperava.
Do que se realizou em matéria de sofrimento já lhes dei as minhas notícias. Agora desejo falar de meus agradecimentos aos pais queridos, que me abençoaram e me fizeram feliz durante a minha vida toda.
Desejo, com o meu reconhecimento, falar de minhas saudades da terra de que o seu paternal carinho me fez presente para ter um pedaço de chão a cultivar e um pedaço de céu azul para ver com exclusividade (16).
Sinto saudades de minha soja, cujo verde me impressionava e do gado que me habituei a querer bem; tenho saudades da Sandra Maria, do Saturnino e dos meus sobrinhos pequenos, que se achegavam a meu colo. (13) Tenho muitas saudades da vovó Joana, (17) sempre compreensiva e prestimosa, abraçando todos que chegassem à sua casa em Ituverava; tenho saudades de Luciana (11), principalmente quando líamos juntos algum texto espiritual que nos fazia pensar muito mais no futuro além da Terra do que nos bens da Terra mesma. (11) Lemos juntos algumas páginas inesquecíveis que me prepararam para esta vida nova que estou vivendo com esperança e otimismo e, vezes várias, era ela que me favorecia com a cessão de livros espíritas e outros, que me serviram com eficiência, porque, ao que julgo, os que chegam por aqui sem qualquer conhecimento espiritual, se me figuram pessoas analfabetas, encontrando grandes embaraços para compreender a renovação compulsória a que foram induzidas pela desencarnação (18)
Devo muito a Ituverava e à namorada que, afinal consubstanciava as qualidades que eu desejava surpreender numa jovem para me casar, de futuro.
Vovó Joana está sempre em minha memória.
Aqui, a nossa querida bisavó me lembra sempre aquele carinho irradiante e constante. A propósito, desejo contar-lhes que passei a não chamar minha bisavó por bisavó Filhinha, (6) porque o tempo lhe refez a beleza. A chamada bisavó Filhinha é uma senhora de nobre juventude espiritual que se lhe derrama de todos os gestos.
Falando nisso a ela, eis que ela me disse: “Lineuzinho, ficarei contente se você me chamar por vovó Telva, um nome que me agrada.” Pois em companhia da vovó Telva, tenho tido belos momentos, que somente não são completos porque me faltam aos pais queridos e a Sandra Maria com os meninos, para completarem a paisagem doméstica iluminada de espiritualidade que a vovó Telva nos proporciona.
Em vista de minha liberação, considerada aqui muito recente, vejo-me ainda no instituto de tratamento a que fui conduzido por meu avô Aristides (4).
A vida aqui prossegue repleta de encantos para quem trouxe a vontade de trabalhar e o espírito de aceitação dos desígnios de Deus (19).
Há poucos dias o vovô Aristides me buscou para receber, com ele e vovó Alayde, (20) uma visita confortadora.
Fui até à moradia cercada de gerânios e rosas que o vovô Aristides faz questão de cultivar e esperei alguns momentos.
A visita era de um casal cuja bondade criava um ambiente de paz e tranquilidade . Ele já era meu conhecido – o benfeitor Aristides Nery (5) e a senhora que o acompanhava era a esposa dele, que eu não conhecia, Dona Agripina Nery.
Fiquei encantado com o carinho de meus avós na recepção íntima em que todos os assuntos foram de interesse espiritual, sem a menor parcela de curiosidade ou lembrança de lutas da terra.
Tudo isso me reconforta e espero, um dia, ser mais precioso e mais claro em minhas notícias, não para criar qualquer fascínio a favor da desencarnação e sim ampliar a nossa convicção de como é útil e belo poder trabalhar e servir na terra para encontrar tanta alegria e paz no Grande Além.
Mãezinha Elza, perdoe-me se me excedi nos comentários.
Desejo fazer-lhes um pedido, à mãezinha e a meu pai. Não conservem objetos e utilidades que me pertenceram. Ficarei satisfeito se a Sandra Maria selecionar algumas lembranças para os meus sobrinhos, a fim de guardarem alguma lembrança do tio quando crescerem e, a maior parte, estimaria que a vovó Joana se incumbisse de distribuir com os rapazes amigos de Ituverava, a critério dela mesma (21).
Mãezinha perdoe-me se formulo esta solicitação; desejo apenas que conserve os nossos retratos, porque eles são as imagens de nossos momentos mais belos e mais felizes.
Se estou a contrariá-los, desculpem a minha infantilidade de gente ainda verde.
Meu pai, mais uma vez lhe agradeço por todo o seu devotamento de pai e amigo.
Mãezinha Elza, mais uma vez reafirmo-lhe o reconhecimento que reina no coração de seu filho.
O vovô Aristides, que me faz companhia, julga que devo encerrar esta carta do coração.
Recebam os pais queridos, com a nossa Sandra Maria e o nosso Saturnino, com as crianças, com a querida vovó Joana e com a estimada Luciana, todo o coração do filho reconhecido, que agradece a Deus o privilégio de lhes haver sido filho e companheiro, ontem e hoje – no hoje que desejo ser o sempre de nossa feliz união.
Lineu de Paula Leão Junior
01 de março de 1986.

TERCEIRA MENSAGEM

Querido papai Lineu
E querida mãezinha Elza:

Não posso me retirar sem lhes falar do meu carinho e reconhecimento.
Tenho mantido a minha situação de estudante da vida, buscando com meus avós e com os amigos de que disponho as informações exatas do meu novo plano de vivência espiritual.
Hoje para mim é um dia de graças porque me reconheço concentrado nas melhoras do papai Lineu, que resistiu valorosamente à implantação das pontes de safena para continuar sendo o nosso apoio e a nossa alegria.
Rendo valores à bondade infinita de Deus que no-lo devolveu nas melhores condições orgânicas. (22)
Papai refletiu tanto em mim que não conseguiu afastar de si o percurso coronariano que o deprimia.
Pai, é necessário viver e suportar as atribulações com que sejamos visitados. Tenho estado consigo nas suas meditações, especialmente da fazenda, em vista do seu amor à natureza. Pense nos corações que se nos ligam ao espírito e fique tranqüilo. (23)
Durante a intervenção de que foi objeto, formamos na própria sala em que foi cirurgiado um grupo de orações em prece com o desejo de inflar-lhe energias renovadoras. Éramos nós os amigos e familiares de sempre: o Aristides Waldomiro e esposa, Dª Agripina (5); o vovô Aristides de Paula (4) e a vovó Alayde Silveira (20); a nossa querida Etelvina Augusta (6) e eu mesmo. Explicou-nos o irmão Aristides que as nossas orações teriam fins bactericidas para a limpeza completa do ambiente hospitalar em que encontraria as medidas providenciais de que necessitava. Até então, não sabia que, carregadas pelas forças de nossos desejos reunidos, as preces que iríamos formular em silêncio, atuariam no âmago do estabelecimento, afastando os corpúsculos negativos suscetíveis de interferir em sua posição orgânica. Aprendi mais essa lição: que a prece funciona como recurso preservativo, garantindo a higienização integral do meio ambiente em que nos reunimos ao seu lado, com o firme propósito de extinguir quaisquer focos ambulantes de bactérias que não se harmonizavam com as suas necessidades de cura.
Sensibilizado, registrei igualmente as petições de mãezinha Elza e de nossa Sandra Maria (7) que torciam por sua volta à saúde. Agora papai, é preciso proteger-se, o que sempre se lhe faz difícil, porque o seu coração abnegado palpita em nosso auxílio, com o esquecimento de si mesmo.
Sei que a vovó Joana e os nossos de Ituverava se nos associaram ao movimento socorrista e vemo-lo novamente em forma para a continuidade de nossas tarefas.
Peço-lhe dizer ao nosso amigo Saturnino (13) que espero seja ele o protetor da minha terra que, em princípio, consagrei à soja, como ocorreu com tanta gente, que largou da cultura do café e de outros agentes mantenedores da vida para o cultivo de canaviais, que lhes melhorassem os rendimentos com o álcool, agora mais assentado, com o preço moderado da gasolina. Sempre pensei na soja porque vejo nela um grande futuro para os nossos irmãos brasileiros.
Não renunciei à sua doação da terra a que me referi e é por isso que rogo ao nosso irmão Saturnino que auxilie a garantir a propriedade em atividade plena, até mesmo refletindo com otimismo nas exigências da chamada reforma agrária.
Penso hoje em minha própria renovação para a vida maior, mas não perco a oportunidade de fazer o Saturnino e a Sandra Maria esboçarem os melhores sorrisos, diante de meus cuidados.
Afinal, estou entre dois mundos: o mundo físico e o mundo espiritual e não posso esquecer de ambos. Peço a mãezinha Elza, se possível, dizer à Sandra Maria que, neste ano, o desejo dela de me ver aniversariando num sábado, ao que me parece, será satisfeito, de vez que, recordando os dias próximos, creio que o meu natalício será mesmo num sábado. Não desejo que façam da tristeza a supervisora de nossa festa em família, porque já sabem que vivo e estou atuante em nossos caminhos. Nada de pensamentos dedicados à morte porque não podemos crer na grande ilusão em que caminham na terra milhões de pessoas. A Sandra Maria com a mãezinha Elza serão as autoras das novidades culinárias que, no mundo, são sempre os enfeites nas comemorações de aniversário.
Pai peço-lhe atender às sugestões médicas, sem adotar qualquer improvisação. Andar sem pressa e evitar a barra dos pesos realmente pesados. Tantas exigências para que sobrevivamos aí! Em verdade, isso é indispensável.
Todos os nossos daqui se rejubilam com as suas melhoras e estamos felizes ao sabê-lo com o pensamento em descanso, depois de muitos dias com as atribuições das extra-sístoles.
Termino aqui, enviando muitas lembranças à querida irmã, ao cunhado amigo e os queridos sobrinhos em Campo Grande.
Muito carinho à vovó Joana (17), e à Luciana (7) em Ituverava (8) e para os queridos pais todo amor e muitas saudades do filho que lhes pertence pelo coração.

Lineu de Paula Leão Junior
04 de julho de 1986

CONTINUA AMANHÃ

OS 4 GIGANTES DA ALMA - DIVALDO FRANCO - PARTE 05

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PENSAMENTO DO DIA

Se eu fosse imortal, inventaria a morte para ter o prazer de viver

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA

A língua que calunia mata três (3) pessoas ao mesmo tempo: a que profere a calúnia, a que escuta, e a pessoa sobre a qual se fala

Autor: Paulo Coelho

VIDA ALÉM DA VIDA - LIVRO DE CHICO XAVIER - 2ª PARTE

CONTINUAÇÃO

O ACIDENTE

Na manhã de 12 de julho de 1985, quando completava 27 anos de idade, o engenheiro Lineu de Paula Leão Junior que na véspera havia dirigido sua camioneta por 860 quilômetros, viajando de Ituverava (SP) a Campo Grande (MS), dirigia-se para o centro comercial desta última cidade, através de sua avenida principal (com duas vias de tráfego e largo canteiro central) quando, em um dos seus principais cruzamentos, com o carro parado, aguardando o sinal verde, acabou sendo abalroado pela trazeira por um velho caminhão FNM. Este, desde que havia entrado na avenida, estava sem o funcionamento do cardã (a cruzeta não foi achada), o que demonstra o precário estado de sua conservação. Sem também a corrente obrigatória que seguraria o eixo do carda, esta peça começou a bater no asfalto e a ricochetear, de tal modo que inutilizou os canos dos freios e deu início às primeiras fagulhas de incêndio.
Utilizando uma via de tráfego proibida a caminhões, só o veterano motorista deve saber porque preferiu descer o acentuado declive da avenida, tendo certeza (tal o “rush” do momento) que o enorme caminhão vazio que dirigia só poderia parar utilizando como amortecedor um carro pequeno. O lógico seria guiar o veículo para o canteiro central, onde as árvores o parariam, sem perigo para ninguém.
Três quarteirões abaixo, realmente, motivou um dos maiores acidentes de trânsito da capital do Mato Grosso do Sul, com 10 veículos envolvidos. Apenas Junior morreu. Carbonizado, segundo o atestado de óbito.
A dor instalou-se na família enlutada e em muitos corações o desespero e o sofrimento fizeram seus ninhos.


A FAMÍLIA

Junior, solteiro, era filho de Lineu de Paula Leão e Elza Telles Faleiros Leão. Ambos aposentados: ele, como ex-Deputado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; ela, como professora do magistério oficial daquele Estado. Dedicam-se atualmente à agropecuária em propriedades agrícolas localizadas nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Em janeiro de 1985 mudaram seu domicílio da capital de São Paulo para Campo Grande, por ser esta cidade, geograficamente, ponto central em relação às suas atividades. E, também, porque em Campo Grande, pelo mesmo motivo, já residia a filha, Sandra Maria, casada com o Dr. Saturníno Fernandes, possuidores de um casal de filhos, de 6 e 3 anos.
O pai Lineu, foi criado em lar tradicional espírita, eis que seus progenitores, Aristides de Paula Leão e Alayde de Paula Silveira, praticavam, enquanto vivos, o kardecismo, sendo que Aristides, por mais de três decênios foi presidente do Centro Espírita “Fé, Esperança e Caridade”, de Ituverava (SP). Lineu, como a maioria dos homens, distanciou-se de sua religião, na ânsia da conquista de bens materiais. Jamais tentou passar aos filhos, Junior e Sandra, sua crença.
A mãe, Elza, formou-se professora em escola de freiras e praticava o catolicismo, ainda que concordasse com temas básicos da teoria espírita, mormente o da reencarnação.
Seus filhos, com liberdade de optarem pela religião que quisessem, frequentaram o curso ginasial em educandários católicos.


O ACIDENTADO

Lineu de Paula Leão Junior nasceu em Ituverava (SP), em 12 de julho de 1958. cursou o ginasial no Arquidiocesano e o colegial no Objetivo, ambos em São Paulo. Formou-se engenheiro civil em Belo Horizonte.
Há um ano antes do acidente, praticava com sucesso a sojicultura e a pecuária em imóveis seus e ajudava seu pai na administração das propriedades deste.
Em carta de 15 de outubro de 1985, dirigida à Câmara Municipal de Ituverava (SP), em agradecimento a homenagem que a mesma prestara à memória de Junior, seus pais lhe traçaram o perfil.
“Modesto e humilde a mais não poder, jovial, honesto e sincero, simbolizava sempre a alma reta, do povo ituveravense, ao qual, sempre proclamava, com alto e bom som, tinha a satisfação de pertencer. Filho boníssimo e carinhoso, tinha sempre nos lábios o sorriso franco e uma palavra de amizade aos que dele se acercavam.”
Dentre seus livros, seus pais encontraram inúmeras obras espíritas, dentro as quais “O Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec. Souberam ainda que Junior, quando em Ituverava, frequentava, em companhia de sua namorada, o Centro Espírita do qual seu avô Aristides fora presidente.


APÓS O ACIDENTE

Como uma mortalha, o sofrimento cobriu todos os sentimentos dos pais de Junior, tão inesperada e violenta foi sua morte, que o colheu no esplendor da vida, quando começava a colher o fruto de seus estudos e de seu trabalho.
O sofrimento, nas personalidades bem formadas, faz com que o amor se sobreponha à revolta e nos conduz ou nos retorna a Deus. E quando retornamos aos estreitos caminhos que nos conduz ao Ser Supremo, observamos, com Leon Denis, que “a tristeza, o sofrimento, fazem-nos ver, ouvir, sentir mil coisas, delicadas ou fortes, que o homem feliz ou o homem vulgar não pode perceber”.
Mostra-nos o sofrimento pela perda de um ente querido, que as conclusões para psicológicas apenas estão confirmando os princípios da Ciência Espírita. Assim, as faculdades paranormais ou psi; a natureza extra física da mente e do pensamento; os fenômenos tétaagêneres, a mecânica quântica da consciência, a psigama ou psicapa (mediunidade inteligente e de efeitos físicos) e outros, vêm sendo proclamados pelo espiritismo desde sua codificação.
O sofrimento e o desespero não conduziram os pais de Junior à revolta e à vingança. Fizeram-nos, sm retornar, humildes, à religião. E levaram-nos a Chico Xavier.


FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

A humildade, a brandura, a honestidade transparente, a alegria na dor, a resignação no sofrimento do grande médium levaram às suas almas os primeiros lenitivos. Suas mentes começaram a sair do tumulto em que se encontravam.
A simples presença de Francisco Xavier tranqüiliza; ela como que harmoniza as mentes presentes em pensamentos de fraternidade e amor; expulsa do ambiente, como em passe de mágica, os pensamentos mesquinhos ou falsos.
Pobres ou ricos; cultos ou analfabetos; pretos ou brancos,; poderosos ou humildes, todos, diante da presença física daquele homem, sentem-se iguais como iguais devem ser todos os filhos de Deus.
Ao ouvir suas palestras e suas respostas aos múltiplos problemas que lhe são expostos, mais o admiramos, tal a tranquilidade que advém de suas palavras.
Os ambientes humildes de sua residência e de sua casa de preces recendem paz e transmitem serenidade.
Que é um homem bom, simples e modesto, tudo o indica. Mas deve ser também um homem culto, ainda que sem ostentar láureas e acadêmicas. Senão, como dissecar tantos e complexos temas com a habilidade do mais exímio cirurgião? Senão, como comentar conceitos de “ A Grande Síntese”, de Pietro Ubaldi, à frente de seu autor, com nos conta o Prof. Clóvis Tavares em seu livro “Trinta Anos com Chico Xavier”?


UM DIA ANTES DA PRIMEIRA MENSAGEM

Os pais de Junior sabiam que suas preces poderiam ser efetuadas em qualquer ambiente. Contudo, as ondas de fogo que consumiram o corpo físico do filho querido, comumente brotavam em seus corações, incendiavam suas mentes e turvavam suas vistas. Por mais que corressem em suas faces, silenciosas e tristes, eram poucas suas lágrimas para abrandarem o fogo do sofrimento e da saudade.
A paz que emana de Chico Xavier e dos ambientes em que ele se encontra, todavia, fazia com que as preces que pronunciavam em sua casa ou em seu centro, como que os aproximavam mais de Deus e do filho que partira tão cedo.
Na sexta visita ao “Grupo Espírita da Prece”, de Chico Xavier, dia 1.11.85, os pais de Junior observaram que uma senhora da mesa diretora dos trabalhos os observava constantemente.
Posteriormente, esta senhora dirigiu-se à Da. Elza, perguntando-lhe:
“ — Seu filho desencarnou recentemente?”
Diante da resposta afirmativa, continuou:
“— Ele parecia consigo. Apenas o rosto era mais fino e comprido. Sorriso largo, com os bonitos dentes superiores se mostrando todos, à frente, não?”
Surpresa, novamente Elza confirmou os dizeres da interlocutora e mostrou-lhe um retrato recente do filho, no qual, por defeito fotográfico, Junior estava mais moreno que na realidade era.
“— Este mesmo. Mas bem mais claro.”, disse a senhora.
Os pais de Junior se admiraram e perguntaram-lhe se havia conhecido seu filho e onde ela o havia visto.
“— Não o conheci quando em vida. Mas, durante os trabalhos desta noite, não pude deixar de observar aquele rapaz ao lado de vocês, sorrindo. E, quando a senhora chorava, lágrimas também desciam dos olhos dele.”
Citada senhora, Da. Guiomar Albaneze, diretora do “Centro Espírita Perseverança”, de São Paulo, e de outras obras sociais daquela Capital, com seus dizeres, animou os pais do falecido, pois se ela, médium vidente, observara Junior ao lado deles seria porque ele estaria próximo a lhes transmitir algo.
Realmente, na madrugada do dia seguinte 2.11.85, pela mediunidade assombrosa de Chico Xavier, Junior transmitiu a seus pais sua primeira mensagem, 3 meses e 20 dias após sua morte.


PRIMEIRA MENSAGEM

Querida mãezinha Elza
E querido papai Lineu:

Agradeço-lhes a presença confortadora e tentarei alinhar algumas notícias minhas.
Naquele dia 12 as horas amanheceram com a fisionomia de festa.
Notava a mãezinha Elza preocupada com a mesa que nos oferecia naquela marca dos vinte e sete anos. ( 1 ).
Não sei se estou enfileirando dados exatos, porque estou em convalescença e recuperação.
Quero dizer-lhes porém, que em mim tudo respirava vigor e tranquilidade, sempre escudado na dedicação dos pais queridos.
Dispus-me a sair pela manhã de sol alto, (2) certamente o papai Lineu viria a fazenda ao nosso encontro. (3) Pensei que deveria necessitar de algum dinheiro, trocando alguns de meus cheques com amigos nossos.
As horas seguiam na matemática dos ponteiros.
Parei o carro na retaguarda de outros vários que aguardavam o sinal, quando senti que um corpo pesado em demasia prensava o meu Alfa, ao mesmo tempo que aquele impacto me atingia a cabeça com violência.
Entontecido, de repente observei que algo de estranho me espancava a vida intracraniana e compreendi que fora vítima da ruptura de vasos importantes, sem que fosse permitido falar.
Aquela estranha convulsão me apagara o raciocínio. Tentei recorrer à oração; entretanto, a coordenação de meus vocábulos, mesmo no pensamento, se fazia impossível.
Como se fora transportado da inconsciência ao sono, vi a mim próprio fora do meu corpo, espantando-me com a dualidade de que o choque me fazia objeto.
Naquela atmosfera de penumbra, embora soubesse que o sol claro estaria brilhando por fora de minha sonolência, avistei um homem de olhar compassivo que me estendeu as mãos, esclarecendo:
“— Lineuzinho, venha conosco; seu avô Aristides também está a sua espera!”
Tudo aquilo transcorria numa partícula mínima de tempo, quando ouvi barulho de explosão à retaguarda.
“— Filho, sigamos! – falou o amigo generoso – Não olhe para trás, porque de agora em diante, os seus caminhos se desdobram para a frente!”
Nesse mesmo instante, vi que vovô Aristides finalmente chegava e os dois entrelaçaram as mãos para que eu pudesse dispor de um abrigo para descanso (4).
Procurei ainda exercitar a palavra a fim de avisar que me achava à espera de meu pai Lineu, quando um torpor irresistível me submeteu a um sono agitado, que até hoje não consigo compreender.
Aquele sono era um labirinto de pesadelos, no qual observava estampados quadros vivos de minha própria existência.
Quis relutar contra o repouso, de modo a definir o que me ocorria; entretanto, o sono se fez mais profundo e perdi de todo a noção de mim.
Despertei num ambiente agradável, em que os dois amigos pareciam aguardar-me a conscientização.
Meu avô, embora entendendo as minha dificuldades da voz, apresentou-me o companheiro da primeira hora:
“— Lineuzinho, este é o nosso Aristides Nery, de Igarapava. Ambos temos o mesmo nome”. (5)
Fiz um aceno, movimentando levemente a cabeça dolorida, na intenção de demonstrar a minha simpatia para com o desconhecido.
Nesse ponto de minhas lembranças, entrou uma senhora que se me deu a conhecer por mãe da vovó Joana e que até hoje me dispensa especial carinho. (6)
Demorei um tanto a retomar a minha capacidade vocal e perguntei a meu avô se tudo aquilo que estava acontecendo era a morte. Ele confirmou, trocando a expressão “morte” por “desencarnação”.
Reconhecendo-me transferido à força para a vida diferente que, de certo, me aguardava para novas obrigações, passei a chorar, recordando os pais queridos, a nossa Sandra Maria e a nossa Luciana, que não acreditariam naquela mudança compulsória. (7 – 11).
Recordei Ituverava, os amigos da fazenda, além dos meus laços mais íntimos e desatei o pranto que me banhou todo o rosto. (8)
Meu avô compadeceu-se de mim e falou-me palavras de consolo e esperança, que me ficariam impressas na memória.
Depois de alguns dias pude rever a família em Campo Grande e começava a pensar em suicídio, quando o vovô Aristides se incumbiu de erradicar de mim tais pensamentos, explicando com bom humor que eu já não conseguiria destruir o meu corpo de novas expressões e, usando o melhor de mim, de que poderia dispor, deliberei aceitar a situação com a possível serenidade. Com isso, tranquilizei os amigos que me cercavam e pude retornar a Campo Grande, amargurando-me com a tristeza da mamãe Elza, que não conseguia me esquecer.
Foi então que ao ler-lhe os pensamentos, como quem senhoreia textos de páginas e páginas, vim , a saber, que Instituto Médico Legal me considerava vítima de queimaduras que a nenhum corpo humano é dado resistir.(9)
Com todo o meu respeito ao I.M.L., desejei aclarar a idéia de minha mãe sobre a intensa hemorragia interna que me expulsou do corpo.
Hoje venho confirmar isso, para arredar da cabeça da mãezinha e do pensamento de nossa Sandra Maria, a suposta informação de que eu teria sido vítima de queimaduras cruéis. (10)
Isso não aconteceu. Não me lembrei de queimadura alguma, de vez que não retratara nenhuma.
Se o fogo desmantelou o meu carro, não me alcançou de modo algum.
Mãe peço-lhe coragem e fé em Deus.
As queimaduras mencionadas nas perícias, tanto me tocaram como as chamas atingem a roupa de alguém sem ferir esse alguém.
Peço à mãezinha Elza diga minhas notícias à nossa Sandra e à nossa Luciana, a companheirinha, que eu tomaria, em breve, se Deus permitisse, para a condição de minha esposa e tutora espiritual, no casamento que nos reuniria as esperanças. (11)
Agora, peço aos queridos pais serenidade e bom ânimo, com a certeza de que continuo em vida diferente mas ligado à nossa existência comum.
Rogo ao papai Lineu conformação e paz em nosso favor, porque há muito que fazer para ele, unido a mim.
Nós ambos trabalharemos, quanto possível, para que o bem se estenda aos outros, porque na verdade sou seu filho mas junto de outros rapazes, filhos de Deus quanto nós, que esperam quem lhes estimule o propósito de trabalhar e estudar. (12)
Papai, a nossa vida não terminou e os nossos planos de agir para a execução do bem comum continuam comigo.
Mãezinha Elza, abençoe-me e fique tranquila. As saudades são de nossa plantação recíproca.
Lembremo-nos de que a nossa Sandra e nosso amigo Fernandes, com a familhinha iniciante, precisam de nós e tenhamos paz e coragem para a travessia das renovações do momento. (13)
Muito carinho à nossa Luciana e muitas lembranças aos nossos de Campo Grande, da Fazenda e de Ituverava.
O meu avô Aristides e de parecer que já transmiti as notícias que se faziam convenientes e que devo terminar.
É o que faço saudosamente, beijando-lhes reconhecidamente as mãos de pais queridos, lutadores fiéis e obreiros do bem, com o imensurável amor e o maior respeito do filho que lhes deve as maiores alegrias e pede a Deus conservá-los sempre e cada vez mais felizes.
Lineu de Paula Leão Junior (14)
2 de novembro de 1985

CONTINUA AMANHÃ

OS 4 GIGANTES DA ALMA - DIVALDO FRANCO - PARTE 04

terça-feira, 29 de novembro de 2011

PENSAMENTO DO DIA

Envelhecer é inevitável. Crescer é opcional

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DIÁRIA

Mantenham a mente aberta, assim como a capacidade de se preocupar com a humanidade e a consciência de fazer parte dela

Autor: Dalai Lama

VIDA ALÉM DA VIDA - LIVRO DE CHICO XAVIER - PARTE 01

INTRODUÇÃO

Lineu de Paula Leão Junior

Era uma tarde chuvosa, logo após o retorno de nossas férias passadas em Mato Grosso, de onde voltei deslumbrada com o verdadeiro “oceano” de soja que lá, e pela maior parte do percurso, pudemos apreciar, quando fui chamada a conhecer os pais de Lineuzinho.
Mais uma dessas “coincidências” que sempre nos ocorrem e nos confirmam a lei da harmonia da vida! Um casal entusiasmado com as experiências vividas após o desencarne de seu filho, e repletos de planos de trabalho, seguindo a orientação dele, para o futuro.
Este jovem afirma e torna a afirmar a importância do cultivo da soja para minimizar as dificuldades de alimentação contemporâneas e do futuro, quando este rico vegetal será utilizado através de recursos ainda mais desenvolvidos.
Para a maioria dos pais, seus filhos são sempre portadores de excelentes qualidades morais. Mas, repetir isto, no caso de Lineu Jr., não é suficiente. É preciso que se ilustre uma afirmativa que poderá parecer oca, relatando alguns dos fatos contados por seus pais com tanto carinho e empolgação naquela tarde.
Quando pequeno, teve cachorros, pássaros, carneiros, gatos, tartarugas, etc., como muitas crianças; porém se a mãe adquirisse um frango caipira vivo, ele se tornava galo pois Junior não permitia a sua morte.
Certa vez, conta Dona Elza, trouxeram da fazenda para a residência em São Paulo um carneiro que seria sacrificado no Natal próximo. O animal acabou sendo criado no jardim pois Junior não deixava matá-lo.
Contaram-nos que Junior era alto, magro, um tanto desengonçado, incapaz de vestir-se para mostrar o que não era, e nem mesmo aquilo que era.
Constantemente Dona Elza pedia que substituísse uma camisa, colocasse um cinta ou trocasse os sapatos. Quando não estava com pressa, obedecia sorrindo:
— Ora “muié”, está bom assim, não estou vestido e calçado?
Não raro, vindo da fazenda, tomava banho, trocava roupas limpas e calçava os sapatos sujos com os quais acabara de chegar. Outras vezes, vindo da cidade, chegava à fazenda e começava a trabalhar, esquecendo-se de trocar os sapatos de cromo pelas botas de serviço.
“Certa feita, diz o pai, cheguei em sua propriedade agrícola e fui encontrá-lo acompanhando a colheita de soja em cima de um colheitadeira, sujo, alegre, risonho e... portanto um relógio Rolex caríssimo que lhe havíamos oferecido anos antes.”
Lineu Jr. Recebia de seus pais uma mesada atualizada para manter-se em Belo Horizonte durante o período de faculdade. Porém, sempre que vinha para casa, nas férias, estava magro e com as roupas puídas pelo uso. Sua mãe comprava-lhe novas indumentárias e o pai reclamava, achando que se alimentava mal.
Como será que ele gastaria sua mesada para estar tão magro e mal vestido?
Bem, uns seis meses após o desencarne, eles o descobriram.
Por três vezes um jovem havia procurado o Dr. Lineu em sua residência de Campo Grande, porém não o encontrara nem deixou nome e endereço, afirmava ser colega de faculdade de Junior e queria estar pessoalmente com seu pai.
Afinal, quando se encontraram, ele explicou: formara-se na mesma turma de Lineuzinho, e residia agora em uma cidade do interior, exercendo sua profissão com sucesso. Procurou Dr. Lineu não só para conhecê-lo como para pagar uma dívida que contraíra com Junior.
“— Seu filho, disse o jovem a Dr. Lineu” era homem de extrema bondade. No último semestre da faculdade perdi meu avô, que ajudava a me sustentar. Eu trabalhava de manhã, frequentava a faculdade à tarde e estudava à noite na pensão. Com a perda de meu avô, vi-me obrigado a parar os estudos, pois o que ganhava não dava para todas as despesas. Resolvi trancar a matrícula e trabalhar o dia todo, a fim de capitalizar-me e terminar o curso no semestre seguinte. Estava triste, pensando se não haveria outra solução, quando seu filho chegou perto de mim e, com seu eterno sorriso, perguntou:
— Problemas? Quem sabe posso ajudar?
Confiei nele e contei-lhe meu drama. Ele ficou sério alguns instantes mas, logo depois, sorrindo novamente, disse:
— Ora, não seria o fim do mundo você terminar o curso no próximo semestre e não neste. Mas, quem sabe? Apertemos os cintos e eu poderei emprestar-lhe um pouco de minha mesada. Mais tarde você me paga.
Assim fez nos cinco meses seguintes. Ao término do curso, com emprego já assegurado, perguntei-lhe quanto haveria de lhe pagar, se iria cobrar juros, etc. Ele sorriu, bateu-me nas costas e disse:
— Amigo, tudo é fato passado. Esqueça. Vá em frente, pois sei que você está de casamento marcado.”
De outra vez, conversando com uma senhora, esposa de um oficial do exército, e sua filha, que conheceram Lineu Jr. e vieram demonstrar solidariedade pela dor vivida, o assunto encaminhou-se para a possível vingança que poderiam executar contra o motorista do FNM. Dr. Lineu confessou que este era um sentimento que procurava expelir, mas sempre retornava, acenando com o corpo carbonizado de seu filho. Só o tempo e as preces e, principalmente, a compreensão dos fatos foram dissolvendo os sentimentos de ódio e vingança.
Naquele momento porém, em que a senhora falava em vingança, sentiu que maus pensamentos afluíam ao cérebro. A jovem, que pouco dissera até então, observou:
— Se Junior saiu o pai, não creio que o senhor tomará qualquer providência de vingança. Ele era bom demais para se deixar dominar por um sentimento deste tipo...
Os empregados tinham-no como patrão, mas não o temiam. Eram seus amigos.
Certa ocasião, ao chegar em uma de suas fazendas, o capataz explicou que Junior estava na vila próxima, resolvendo certos assuntos e, sentindo a pressa de seu pai, disse:
— Se houver pressa, não carece o senhor ficar. Junior resolve tudo...
Na verdade, Dr. Lineu sentiu que eles preferiam trabalhar o quanto se fizesse necessário para que tudo corresse bem a fim de que a administração de seu filho não pudesse sofrer críticas.
Quando do preparo da terra para o plantio de soja, em que o atraso pode significar uma má colheita, um dos tratoristas sentiu-se mal, na hora do revezamento. À meia-noite Junior foi acordado pela voz alta do capataz, que achava que o cronograma não poderia ser alterado pelo mal estar de um tratorista. Lineu Jr. levantou-se, colocou-se a par da situação, mandou o empregado repousar sem colocar em dúvida sua palavra, tomou a direção do trator e acompanhou os demais trabalhadores para a lavoura.
Até hoje, todos aqueles que com ele trabalharam naquela noite lembram-se da figura magra do patrão, dirigindo um trator pela noite adentro com a pocira envolvendo-os a todos, enquanto a madrugada lançava suas luzes cinzentas no alvorecer. Seu gesto encerrou a discussão sem ninguém sentir-se ofendido, fez com que o serviço não se atrasasse e impôs a todos a marca generosa de sua personalidade.
Ele organizou o time de futebol dos servidores. Forneceu camisas, bolas, mandou construir o campo e, o mais importante ( Dr. Lineu pasmou!) substituía algum jogador caso isto fosse necessário. Logo ele, que nunca jogara ou apreciara futebol!
Junior era apaixonado, além da leitura e da música, por motos e carros. Aos 14 anos, fez uma aposta com seu pai a respeito de suas notas no ginásio. O pai achou que seria impossível a vitória do filho pois só faltavam 2 meses para o final do ano letivo. Mas foi assim que ele ganhou sua primeira moto.
Junior cresceu e a moto tornou-se pequena demais para suas longas pernas; porém seu pai sempre o desestimulava em adquirir outra. Até que, dois meses antes de seu acidente, decidiu-se por comprá-la.
Veio a São Paulo, comprou-a e nela saiu em viagem, para tormento maior de seus pais, que, nos últimos tempos, sentiam forte angustia. Telefonaram para cada localidade em que Lineuzinho esteve, após sua passagem, para certificarem-se de que tudo ia bem.
De São Paulo, visitou amigos pelo interior de Minas, foi a Viçosa visitar a namorada, passou por Belo Horizonte e foi à casa da avó, em Ituverava. De lá, na quarta-feira, telefonou ao pai para combinarem o dia em que comemorariam seu 27º aniversário. A data seria na sexta-feira mas a festa seria no sábado. Disse ao pai pelo telefone:
— Muito perigoso, papai, não creio que faça novas viagens em moto. Experimentei e não gostei devido ao menosprezo dos motoristas para com os motoqueiros. O senhor tinha razão, moto só para espairecer de vez em quando.
Colocou a moto na traseira de sua Pampa e seguiu na manhã seguinte para Campo Grande. No dia seguinte, sexta-feira, antes de sair para ir ao banco, despediu-se da mãe, dizendo:
— Papai virá hoje para meu aniversário.
Não era isto que Dona Elza havia entendido, a festa seria no dia seguinte e resolveu então não acompanhá-lo ao banco, para fazer um almoço adequado à data. Ocorreu então o acidente fatal.
O carinho com que Lineuzinho envolve seus pais e demais familiares continua se fazendo presente, quer seja em sonho, quer seja “marcando presença”, movimentando seu aparelho de barbear que ficara na fazenda para que sua mãe tivesse confirmadas as sensações de sua presença, ou mudando o canal de televisão, que seu pai estava assistindo, para um programa de rock. Música que seu pai quase nunca ouve mas ele, sempre que podia, ouvia.
Suas mensagens, esclarecendo dúvidas de seus familiares, trazem certeza e ensinamentos para muitos, como no caso de sua querida avó Joana, que sempre tivera muito medo de morrer e agora encontra-se plenamente confiante de que a vida é sempre vida, seja aqui, como nós, no plano físico a conhecemos, ou no além, comumente chamado de reino dos mortos.
Na certeza de que este e mais um Novo Companheiro a caminho da luz, despeço-me carinhosamente,
Beatriz Galves
São Paulo, fevereiro de 1988.

CONTINUA AMANHÃ

OS 4 GIGANTES DA ALMA - DIVALDO FRANCO - PARTE 03

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PENSAMENTO DO DIA

Admitir que há guerras justas é o mesmo que admitir a existência de injustiças justas

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DO DIA

Sucesso é conseguir o que você quer. Felicidade é querer aquilo que você conseguiu

Autor: Desconhecido

A SEMENTE DE MOSTARDA - LIVRO DE CHICO XAVIER - PARTE 05


CONTINUAÇÃO

UM DIA

Um dia, verás a ti mesmo em plano diferente.
Parecer-te-á, então, haver acordado de um sono profundo e, por isso mesmo, tudo te surpreenderá. Amigos que não vias, há muito tempo, se aproximarão de ti, estendendo-te as mãos. Perguntarás a vários deles: onde estavas que não mais te encontrei? Por que te distanciaste de mim? Todos te abraçarão, com a alegria a lhes fulgurar nos olhos, Fitarás as árvores carinhosamente podadas, formando corações que palpitarão de vida, plantas outras, mostrando as frondes entrelaçadas, lembrando mãos que se tocam afetuosamente. Respirarás profundamente, reconhecendo, assim, as qualidades nutrientes do no ambiente em que te virás...

Naquela festa de almas, porém, um homem de olhar manso desce de um torreão brilhante e caminha na direção dele.
Em vão, o recém-chegado tenta retirar dele os olhos magnetizados pelo amor que o desconhecido irradia. Ele caminha serenamente a fixa-lo com bondade, com a familiaridade de quem o conhecia.

- "Ah! - pensou o recém-vindo decerto que este amigo me conhece, de longo tempo".

A custo, venceu a própria indecisão, e indagou do companheiro mais próximo:

- "Quem é este homem que está chegando até nós"?.

- "É o Mensageiro da Vida".

Não houve tempo para outras inquirições.

Efetivamente, aquela simpática e estranha personagem lhe endereçou saudações fraternas e segurando-lhe a destra, qual se nela conseguisse ler todas as minudências da sua vida, não lhe perguntou pelo próprio nome, nada argüiu quanto à família a que pertencera ou à posição que exercera... Apenas pousou nele demoradamente os olhos azuis e perguntou-lhe:

-"Amigo, o que fizeste?"

VALOR

Perante Deus toda pessoa é importante.



Da Obra “A Semente De Mostarda” – Espírito: Emmanuel –
Médium: Francisco Câncido Xavier
Digitado Por: Lúcia Aydir

FIM

OS 4 GIGANTES DA ALMA - DIVALDO FRANCO - PARTE 2

domingo, 27 de novembro de 2011

MENSAGEM SEMANAL

CONVITE À RENÚNCIA.

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.” (Lucas: 14-33.) Enquanto a disputa pela conquista dos valores-sem-valor comanda o desequilíbrio que se generaliza entre os homens; ao tempo em que a criatura se arremessa, desvairada, na corrida do prazer a fim de se não sentir marginalizada; não obstante a sofreguidão com que os indivíduos se vêem a braços de modo o lograr posição e relevo no cenário social; embora a fascinação pelo brilho dos primeiros lugares na ribalta das atividades com que se desajustam muitos seres, convém recordarmos a excelência da renúncia como terapêutica de alta urgência para a saúde física e mental dos que aspiram à paz e ambicionam a perene alegria... Renúncia num exame apressado pode parecer covardia ou significar amolentamento de caráter. Considerando-se que é muito fácil a derrocada na competição das paixões animalizantes em que apenas predominam as potencialidades do instinto, a renúncia, que significa requisito moral, dificilmente logra entendimento ou aceitação. Todavia, possuidor é aquele que cede. Mordomos transitórios do que nos passam pelo caminho: corpo, bens, objetos, valores, somente permanecem os tesouros inapreciáveis que dimanam das fontes geratrizes do espírito: amizade, amor, perdão como títulos de caracterização legítima de cada ser e de todas as criaturas. Renunciar, todavia, não é abandonar a causa ou ideal, antes contribuir de modo edificante para o bem geral, sem a ênfase da egolatria. Renunciando, Jesus conseguiu modificar o estado social da Humanidade, desde a sua hora e o seu dia, facultando ao homem a perfeita identificação entre os valores reais e os transitórios bens a que se dão valor e logo se consomem. Face a qualquer situação ou em qualquer circunstância litigiosa em que as ambições se empenhem, danosas, reflete e renuncia, liberando-te da canga constringente da ambição desvairada, porquanto as conquistas que facultam a paz, como enuncia o Evangelho, em relação ao Reino de Deus, não vêm com aparência externa.

Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis / Livro: Convites da Vida / 25/11/2011

PENSAMENTO DO DIA

Se você focaliza nos resultados, você nunca irá mudar, se você focaliza em mudar, você obterá resultados

Autor: Desconhecido

MENSAGEM DO DIA

Nunca diga a Deus que você tem um grande problema. Diga a seu problema que você tem um grande Deus, que tudo fará por você

Autor: Desconhecido

A SEMENTE DE MOSTARDA - LIVRO DE CHICO XAVIER - PARTE 04

CONTINUAÇÃO

O INSTITUTO E A INTELIGÊNCIA

A controvérsia prosseguia...
Alfredo e Pirilo, dois amigos dedicados ao estudo da filosofia, permaneciam, horas inteiras, dialogando sobre a função da alma humana.
Qual teria sido a primeira força a desdobrar-se na criatura recém-criada pela Sabedoria Divina? A inteligência ou o instinto?
Alfredo admitia que a inteligência teria tido a prioridade, enquanto Pirilo acreditava que o instinto teria sido o começo das tarefas evolutivas da alma humana.
O primeiro exaltava os méritos da razão, filha da inteligência, e o segundo se reportava ao instinto como sendo o agente da natureza que operava lentamente, preparando o caminho para o discernimento e, muitas vezes, Pirilo justificava o seu ponto de vista, acentuando:
-Do instinto para a inteligência, a estrada é longa a percorrer. De forma em forma ou de experiência em experiência, o instinto vai despindo a própria inferioridade, ou perdendo os impulsos selvagens, até conquistar a inteligência que o conduzirá ao discernimento e à razão. Por isso é que devemos usar de muita tolerância e paciência, de uns para com os outros, porque muitos irmãos se fazem delinqüentes por excesso de agressividade, pelo estado de evolução deficitária em que se encontram.
Alfredo ouvia, esboçando gestos de incredulidade, até que, um dia, propôs ao amigo:
-Façamos uma experiência em que provarei a você que a educação cultivada pela inteligência dispensa todas as afirmativas que colocam o instinto na base do processo evolutivo. Demonstrarei que basta educar a inteligência e todo o primitivismo do instinto desaparecerá.
E continuou:
-Compraremos junto um gato comum, em cuja impulsividade o instinto esteja reinando... O gato ficará comigo em minha casa e me disponho a educa-lo esmeradamente. Daqui a um ano; convidarei você para almoçarmos juntos e o animal se portará com as características de um menino carinhosamente preparado para a vida social.
Concordaram ambos com o empreendimento e Alfredo levou o felino para sua própria residência.
Decorrido um ano, Alfredo solicitava a presença de Pirilo para o almoço do dia seguinte e comunicou:
-Você verá o prodígio da educação. O gato assimilou todos os meus ensinos. Tem os hábitos de um rapaz de certo nível intelectual.
Pirilo aceitou o convite com satisfação e na hora aprazada pela manhã do dia imediato, ei-lo com Alfredo na sala de estar. O dono da casa trouxe o gato ao exame do amigo. O visitante ficou encantando. O felino obedecia a todas as ordens do dono. Sentava-se, erguia-se sobre as patas dianteiras e retornava à posição certa, atendendo ao pedido do educador. Ao almoço alimentava-se em um prato especial, levando a comida à boca com a patinha direita.
Terminada a refeição, disse Alfredo, entusiasmado:
-Você viu, Pirilo, a superioridade da inteligência educada sobre o instinto?
-Estou vendo - respondeu o amigo.
Foi o momento em que Pirilo voltou à palavra e pediu ao companheiro que fechasse as portas do aposento em que se achavam e pediu licença para ver até que ponto chegaria o experimento do bichano.
Alfredo apoiou a solicitação, e Pirilo, enfiando a mão direita num dos bolsos do paletó, dali tirou uma caixinha da qual escapou um rato pequeno que saltou para a mesa, saltitando e correndo qual se estivesse sedento de liberdade. Bastou isso e o gato pulou apressado, perseguindo o rato e quebrando todas as peças em que o almoço fora servido, até que pegou o animalzinho e pôs-se a devora-lo à vista dos amigos espantados.
Foi quando Pirilo dirigiu-se a Alfredo, perguntando:
-Você vê, Alfredo, o poder do instinto que antecede a inteligência e a educação?
Alfredo sorriu com desapontamento, mas não disse palavra.


PAZ

Quem diz "paz em nome de Cristo", nem sempre observa que a paz, na maioria das vezes, nasce de perigosas situações.
Pensemos em Jesus nas últimas horas do convívio com as criaturas humanas. Preso na véspera do Supremo Sacrifício trazia o espírito preocupado ante a deserção dos discípulos; é conduzido ao cárcere onde sofre agressões e vexames; passa a noite injuriado e açoitado pelos agentes do Sinédrio; é vestido pelos próprios verdugos, de modo a que a multidão não lhe veja as feridas que eles próprios lhe abriram no transcurso da noite; é duramente humilhado na cada de Ãntipas; volta ao julgamento e Pilatos, perante o público que o cobria de impropérios, coloca-o inferior a Barrabás, o criminoso; é obrigado a carregar a cruz do suplício e, quase cambaleando, ao peso do lenho, após depô0lo no chão, foi nele cruelmente crucificado.
Esse mesmo Cristo é que volta das sombras do túmulo e fala aos amigos envergonhados:
- "A minha paz vos dou...".
-o-
Quem estiver esperando a paz e especialmente a paz de Cristo, recorde o preço da paz obtida por ele, o Divino Mestre e Senhor, e acabará reconhecendo que a paz, muitas vezes, vem até nós, mas através das mais dolorosas e difíceis situações.


PACIÊNCIA E PRODÍGIO

O Homem perguntou ao Trabalho:
-Qual o elemento mais resistente que encontraste, observando a Natureza?
-A pedra, respondeu o Trabalho.
A água que corria brandamente em derredor; escutou o que se dizia e, em silêncio, descobriu um meio de pingar sobre a pedra e, com algum tempo, abriu-lhe grande brecha, através da qual a água passava de um lado para outro.
O Homem anotou o acontecido e indagou da água sobre o instrumento que ela usara para realizar aquele prodígio.
A água humilde respondeu simplesmente:
-Foi a Paciência.


PRECE

Senhor, ensina-nos:
A orar sem esquecer o trabalho;
A dar sem olhar a quem;
A servir sem perguntar até quando;
A sofrer sem magoar seja a quem for;
A progredir sem perder a simplicidade;
A semear o bem sem pensar nos resultados;
A desculpar sem condições;
A marchar para frente sem contar os obstáculos;
A ver sem malícia;
A escutar sem corromper os assuntos;
A falar sem ferir;
A compreender o próximo sem exigir entendimento;
A respeitar os semelhantes, sem reclamar consideração;
A dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxas de reconhecimento.
Senhor, fortalece em nós a paciência para com as dificuldades dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros para com as nossas dificuldades;
Auxilia-nos, sobretudo, a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será invariavelmente, aquela de cumpri-Te os desígnios onde e como queiras, hoje, agora e sempre.


RENOVAÇÃO

Renova sempre, mas, renova para o bem.


SABEDORIA

Os historiadores contam que Tibério quando induzido por seus próprios assessores a aumentar a carga dos impostos para benefício do Império, terá respondido: - sou grato ao vosso conselho, no entanto, de minha parte devo considerar que um pastor consciente e sábio naturalmente tosquia ovelhas, mas, nas as degola.



SILÊNCIO

Se plantares no coração a árvore do silêncio, notarás em breve que de todas as frondes surgirão em teu próprio benefício os frutos nutrientes da paz.



SIMPLICIDADE E GRATIDÃO

Um pai muito rico, ao morrer, deixou imensa fortuna para quatro filhos que, para logo, se engalfinharam em rixas e discussões, chegando mesmo ao homicídio.
Pouco tempo depois veio a falecer um pai pobre que se esmerava em educar igualmente os quatro filhos que lhe sobreviveram à desencarnação, deixando a cada um laboriosa vida de trabalho e simplicidade. Os rapazes choraram a perda do pai dedicado, por muitas semanas, reuniram-se em oração e rogaram a Deus a bênção do amor e da paz em favor daquele que lhes fora o maior amigo.



SOLIDARIEDADE

Se já dominas a ti mesmo, ampara aqueles que ainda não conseguem evitar a própria irritação.
Se te sentes com saúde, socorre o doente.
Se estás forte, auxilia aos mais fracos.
Se tens algum dinheiro, faze a doação de alguma parcela ao necessitado que espera a bênção de um pão.
Solidariedade é lei da vida.
Hoje consegues apoiar alguns, amanhã, talvez precisarás do apoio de todos.

CONTINUA AMANHÃ

OS 4 GIGANTES DA ALMA - DIVALDO FRANCO - PARTE 1