A experiência é uma professora muito severa pois, primeiro ela aplica a prova e, só depois, ensina a lição
A principal finalidade deste blog é a divulgação da Doutrina Espírita, codificada por ALLAN KARDEC, através de trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo, preces, orações, crônicas e comentários.Queremos, também, transformar esse blog em uma CASA ESPÍRITA VIRTUAL.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
MENSAGEM DIÁRIA
Em Japonês, não existe a expressão BOA SORTE. A mais aproximada é ESFORCE-SE
Autor: Fábio Neves
SEXO E DESTINO - CHICO XAVIER E ANDRÉ LUIZ
CONTINUAÇÃO
O amigo, contudo, ponderou com razão que a filha se abeirava do transe final, que receava não dispor da serenidade precisa, caso fosse defrontado, sozinho, por obstáculos constrangedores.
Era humano, adorava aquela filha padecente. Queria afagá-la, alentá-la, conquanto não se presumisse com merecimento bastante
para estender-lhe apoio e consolação.
Não seria recomendável se mantivesse, em caráter permanente, no lar dos Torres, ao passo que me reservaria o compromisso de cooperar na pacificação dos Nogueiras.
Isso apenas por alguns dias, enquanto a liberação de Beatriz estivesse pendente.
Tanto quanto possível, por outro lado, poderia, de minha parte, tornar para junto dele, partilhando-lhe o clima da filhinha agonizante, onde nos acomodaríamos aos imperativos de nossa edificação moral, estudando e servindo, para mais amplo rendimento das horas.
Aquiesci, contente, àquelas nótulas sensatas.
Foi assim que, refeito, regressei, manhã alta, ao apartamento de Cláudio, no intuito de investigar, a sós, a paisagem que me pautaria o quadro fundamental de aplicação ao dever assumido.
Cabia-me conhecer as minudências, suscetíveis de adquirir maior importância, de momento para outro, esquadrinhar pontos de apoio, tomar contactos e, se possível, ouvir pessoalmente os dois irmãos desencarnados, que ali desempenhavam lamentável papel.
Entrei. Apenas Dona Márcia, conversando com a senhora que se incumbia das mais pesadas obrigações no recinto doméstico, a comentarem os tópicos engraçados de certo programa de televisão, que a família acabava de instalar, com espírito de novidade e alegria. (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 129).
Tudo calmo, os vampirizadores ausentes. Limpeza e ordem.
Em dado instante, a figura de Marita invadiu-me o cérebro.
Afeiçoara-me à pobre menina. Era uma filha espiritual que me tocava resguardar solicitamente.
Desassossegado, precipitei-me para a rua e, a breve trecho, vi-a na loja colorida e simpática, ensaiando sorrisos para as freguesas bem-postas.
Abracei-a, paternalmente, expressando-lhe em silêncio votos de paz e otimismo. Ela respondeu, de modo instintivo, acalentando vagas idéias de reequilíbrio e esperança.
Registrava-se-lhe a melhora inequívoca.
O amparo magnético assimilado funcionara, eficiente. Ignorando por que motivo, acusava-se tranqüila, mais forte. Repousara, reconstituíra-se. Retomara o gosto pelo trabalho, palestrava animadamente, selecionando algodões estampados.
Nossa presença passou a despertar-lhe reflexões. Não obstante opinasse nisso ou naquilo, entre as clientes amigas, começou a pensar, pensar...
Depois de alguns minutos, pressionada pelas lembranças, caminhou para o telefone e chamou Dona Márcia, perguntando se
ela viria, na parte da tarde, a Copacabana, e, informada afirmativamente, rogou à mãezinha adotiva a procurasse, se possível, às quatro. Lanchariam juntas, tinha algo a dizer-lhe.
Concluí que significaria abuso incomodá-la no trabalho, em que se obrigava a retalhar atenções, através dos pensamentos descontínuos, e aguardamos a ocasião adequada, a fim de inteirarnos acerca de atividades ou problemas em que nos fosse possível desenvolver algum préstimo. (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 130).
No horário previsto, acompanhamos mãe e filha até pequenino recanto de hospitaleira sorveteria, considerando a gravidade da tarefa de que fôramos investidos.
Postadas ambas em clima de segredo, Marita desafogou-se com dificuldade, começando a falar, discreta e humilde.
Que Dona Márcia lhe perdoasse os aborrecimentos daquela hora; entretanto, não tinha culpa. Não desconhecia a extensão da mágoa que lhe cortaria a alma, daria tudo para não feri-la, mas sentiria remorsos se não lhe contasse o sucedido. Hesitara muito, antes de resolver situá-la no assunto, adiantou, acanhada. Sentiase, porém, sua filha pelo coração, devia confiar-lhe tudo.
E, na ingenuidade de moça inexperiente, relatou a confissão que Cláudio lhe fizera, a descrever-lhe os modos, lance por lance.
Espantara-se, sofrera muitíssimo. Jamais esperava por semelhante
ocorrência. Tivesse parentes e não vacilaria mudar-se para evitar escândalos. Era, contudo, dependente, sozinha. A única família que possuía eram eles mesmos, os Nogueiras, cujo nome usava, orgulhosa, desde a infância. Andava desorientada, receosa. Pedia conselhos.
A interlocutora, todavia, escutara sorrindo, nem mesmo interrompendo, de leve, a deglutição da taça de creme, que saboreava, com requintes de paladar.
Tamanha impassibilidade esfriou a disposição da jovem, que passou a resumir, quanto pôde, as confidências e alegações que se inclinava a expender; e, com indizível surpresa, não somente para Marita que lhe aguardava, ansiosa, a palavra, mas igualmente para nós, que não contávamos com o ardiloso expediente de Cláudio, defendendo-se previamente, Dona Márcia patenteou, no semblante sereno, absoluta incredulidade e participou que o marido, na véspera, a convidara para conversação, à parte, comunicando-lhe certas apreensões. Dissera-lhe que, à noite, no entendimento mantido, não tivera coragem de mencionar o assombro que o (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 131) perseguia, porquanto julgara prudente refletir sobre o acontecimento que tanto o penalizava, antes de avançar em qualquer conclusão.
Entretanto, após meditar, aturadamente, deduzira que ela, Marita, necessitava da proteção de um psiquiatra.
Dona Márcia perfilhou um tom de voz em que se conjugavam inquietação e advertência, e continuou informando, informando...
Dissera-lhe Cláudio haver experimentado imenso alívio, ao vê-la penetrando no quarto, na noite da antevéspera, porquanto, momentos antes, ao despertar a filha adotiva sonambulizada, fora assaltado por ela com muitos beijos, que lhe ouvira frases inconvenientes, que se forçara à reação, pelo que a esposa percebera as vozes com as quais tanto se assustara. Anunciara-lhe ter refletido suficientemente e acabara aceitando a hipótese de um desequilíbrio.
Rogara-lhe concurso para que um psiquiatra interferisse no problema. Assumiria ele a responsabilidade das despesas e, preocupado qual se achava, faria mais ainda... Envidaria esforços para que uma excursão à Argentina lhe restaurasse as energias, evidentemente alteradas.
Diante da estupefação que nos dominava, a senhora Nogueira tomou posição conselheiral.
Recomendou à menina procurasse esquecer, distrair-se. Explicou que não viera ao encontro, no intuito de abordar o caso.
Ante as alegações da filha, entretanto, não encontrava outra saída, além daquela em que lhe abria o coração. Esposa e mãe, defenderia a paz de todos. Não concordava em que se tomasse partido.
Cláudio, efetivamente, contraíra contas com ela, Dona Márcia, nas ingratidões de marido. Isso sim. Mas, no tocante às filhas, sempre tivera a conduta de pai exemplar. Nada justo incriminá-lo.
Tudo não passava de imaginação enfermiça dela própria, Marita.
Fase de moça namoradeira.
CONTINUA AMANHÃ
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
MOMENTO DE REFLEXÃO
TRANSFORMADO, MAS NEM SEMPRE CONVERTIDO.
Durante a existência todos nós passamos por várias transformações.
Além das transformações que a idade nos traz, há aquelas causadas por doenças, e mais aquelas intelectuais e morais.
No geral, as transformações podem ser rápidas e passageiras, ou podem vir para ficar, dependendo do que as gerou.
Um acidente, por exemplo, pode causar transformações passageiras ou duradouras, dependendo das circunstâncias e das consequências que acarrete.
Se do acidente resultou uma limitação física, uma paralisia qualquer, nosso comportamento pode mudar radicalmente, tanto em nível físico quanto psicológico.
Um fato ou uma circunstância também pode ser agente de transformação em nosso comportamento.
Quando vemos, nos tempos de inverno, uma pessoa tremendo de frio, o fato nos leva ao sentimento de compaixão e há uma transformação moral, uma vez que sentimos vontade de atender ao próximo.
No entanto, essa transformação necessariamente não será duradoura. Nem sempre fica para sempre em nosso comportamento.
As transformações intelectuais se dão no campo das ideias. Lemos um livro e nos deixamos influenciar pelas ideias do autor.
Assistimos um filme e transformamos nossa maneira de pensar e agir. Folheamos uma revista de moda e nos deixamos levar pela proposta dos modistas.
Ou ainda, assistimos a determinados programas ou novelas e transformamos nossa maneira de vestir e falar, segundo os personagens.
Essas transformações surgem do exterior e são temporais, passageiras, acabam juntamente com as causas que as provocaram. Logo vem outra ideia, outra moda.
Contudo, distinta das transformações ditas psicológicas, há a chamada conversão cristã, que é efetiva e duradoura.
Essa conversão pode acontecer aos poucos ou de uma única vez, instantaneamente.
Um exemplo de conversão instantânea é a que se passou com Saulo de Tarso. Ele não hesitou ante a visão que teve do Cristo, às portas de Damasco.
Jamais voltou atrás, sua conversão foi efetiva. Mudou até mesmo seu nome para Paulo de Tarso, por ter este um significado condizente com sua nova postura, pois que Paulo significa "o pequeno".
O mesmo não se deu com Pedro, o Apóstolo. Sua conversão se deu paulatinamente. Seu temperamento era distinto do de Paulo.
Ele não aceitava as ideias novas sem antes questioná-las até entendê-las.
Eram espíritos em estágios evolutivos diferentes. Paulo, antes de conhecer o Mestre de Nazaré, já era um homem austero e fiel à sua crença.
Lutava com decisão e coragem por suas ideias.
Quando encontrou Jesus, só mudou a direção dos ideais, já que a firmeza fazia parte da sua vida.
Tomé foi outro exemplo de conversão paulatina. Questionou várias vezes, observou outras tantas, convenceu-se enfim. Mas levou mais tempo.
Nesse pequeno paralelo traçado entre as transformações e a efetiva conversão cristã, poderemos perceber em qual nos situamos.
É importante que nos deixemos influenciar pelas idéias saudáveis de autores nobres.
Também é importante que nos deixemos envolver pelo sentimento de compaixão, ainda que fugidio.
Mas é imprescindível que pensemos nos exemplos de conversão cristã, e empreendamos esforços por conseguir nossa própria conversão, que certamente está se dando paulatinamente. Mas que seja contínua e persistente.
* * *
Maria de Magdala é um dos maiores exemplos de conversão cristã, contida no Evangelho.
É também um dos exemplos mais nobres, uma vez que a mudança foi radical, passando de uma vida dissoluta à renúncia total.
Ela doou tudo o que tinha e abraçou a causa cristã com vontade e disposição. Não foi outro o motivo pelo qual Jesus se mostrou a ela após a ressurreição.
Redação do Momento Espírita.
PENSAMENTO DO DIA
A provação vem, não só para testar o nosso valor, mas para aumentá-lo, o carvalho não é apenas testando, mas enrijecido pelas tempestades
Autor: Lettie Cowman
MENSAGEM DIÁRIA
Tentar não significa conseguir. Mas, certamente, todos os que conseguiram tentaram..
Autor: Desconhecido
SEXO E DESTINO - CHICO XAVIER E ANDRÉ LUIZ
CONTINUAÇÃO
CAPÍTULO 12
Neves e eu permutávamos conjeturas, quando alguém nos abraçou, de afetuosa maneira.
Era o irmão Félix, a despedir-se.
Espírito admirável pela abnegação e pela ciência, reverenciado por todos os seareiros do bem, onde passasse, em se referindo aos protagonistas do drama familiar que se nos oferecia à atenção, apresentava os olhos marejados de pranto.
Via-se-lhe, não somente a piedade fraterna, mas também o imenso amor àquelas quatro almas, reunidas ali, naquele aprazível recanto do Rio.
Parados, agora, respirando as aragens que encrespavam docemente as águas da Guanabara, enquanto o céu da madrugada
imprimia mais amplo realce às estrelas, enternecia-nos reconhecer-lhe o paternal carinho, qual se fora um homem comum descansando conosco, à frente do mar.
Tão grande e tão puro o devotamento de que dava mostras, ao descerrar-nos os tesouros do coração, através das palavras, que o próprio Neves, irrequieto às vezes, ao escutar-lhe as apreciações, cumpria espontaneamente o que prometera. Nenhuma observação impulsiva, nenhuma interjeição impensada.
A atitude do instrutor, ao deter-se nas lutas escabrosas do plano físico, educava cativando. Elevação em cada frase, luz do sentimento em cada idéia.
Conquistava, sem pedir, o nosso interesse na prestação de assistência voluntária ao lar de Cláudio, cuja estabilidade periclitava, na conceituação dele mesmo.
Compadecia-se – elucidava, prestimoso – daquelas quatro criaturas, atiradas ao oceano da experiência terrestre, sem a bússola (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 125) da fé. A princípio, esforçara-se por abrir-lhes um caminho espiritual, mas debalde. Afundavam-se em profunda névoa de ilusão, hipnotizados pelas gratificações transitórias dos sentidos carnais, ao jeito de passarinhos agarrados à casca apodrecida de um fruto, sem a mínima disposição de consultar a saborosa riqueza da polpa.
Descobrindo algo mais à própria intimidade, relatou-nos que vira Cláudio renascer, que acompanhara Dona Márcia no berço, que seguira, de perto, a reencarnação de Marina e Marita, deixando ver nas reticências as lágrimas que semelhantes realizações lhe haviam custado, sem alardear virtude ou superioridade, em torno dos empeços vencidos.
Hipotecara dedicação, amizade, confiança e tempo, a fim de entrosá-los em alguma obra de benemerência, de maneira a cultivar-lhes a espiritualidade latente; no entanto, Cláudio e Márcia, de novo no estágio físico, sob o esquecimento inevitável e providencial do pretérito, haviam recapitulado certas experiências infelizes.
No mundo espiritual, antes de recomeçarem o trabalho terrestre, analisando as necessidades e os remorsos que lhes atenazavam
as consciências, haviam prometido empregar o prêmio da internação no veículo carnal, edificando a sublimação íntima e corrigindo excessos de outras épocas, através do suor no serviço ao próximo; contudo, imperfeitamente chegados à juventude das forças corpóreas, tinham abraçado paixões que lhes frustravam todas as possibilidades de libertação próxima. Ele, Félix, e outros companheiros empenhavam-se em auxiliá-los, mas infrutiferamente. Os quatro resistiam a toda espécie de sugestão reparadora; repeliam, de pronto, qualquer projeto construtivo.
Nobres amigos de outras eras, aplicados a estender-lhes apoios preciosos, acabaram desiludidos, largando-os ao próprio arbítrio.( Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 126).
Cláudio e Márcia, principalmente, ao elegerem o dinheiro e o sexo desgovernados por chaves dos próprios dias, nada mais estavam conseguindo que desajustar os fundamentos da tranqüilidade doméstica. Em razão disso, Marina e Marita não obtinham alicerces para a felicidade real. Jovens ainda, complicavam-se as duas em perigos e tentações, de que muito dificilmente se desvencilhariam, sem dolorosas marcas na alma.
Tamanha se evidenciara a rebeldia de Cláudio que, naquela hora significativa e ameaçadora da existência, não contava, além da Providência Divina, senão com raros amigos. Ainda assim, esses amigos – acrescentava modesto, certamente ponderando quanto às dificuldades dele mesmo – não se viam com direito a solicitar socorros especiais e, absorvidos por responsabilidades numerosas, achavam-se na contingência de apenas dispensar-lhe auxílios esporádicos, incertos.
Compreendemos onde o benfeitor categorizado e humilde se propunha chegar e adiantamo-nos, prometendo nossa adesão decidida ao programa assistencial que ele delineasse.
Dispúnhamos de oportunidade, não nos seria difícil.
Além do tempo que me era lícito despender, atento à concessão dos meus superiores para colaborar em apoio de Neves, possuía um requerimento em trânsito, junto das autoridades competentes, para que me fosse concedido um estágio de dois anos, em alguma das organizações destinadas, em Nosso Lar4, aos serviços de psicologia sexual, com finalidades reeducativas, e ciente de que ele, irmão Félix, responsabilizava-se pela direção de um dos melhores institutos desse gênero, pedia-lhe, por minha vez, me endossasse a petição.
4 Cidade consagrada à educação e ao reajustamento da alma, no Plano Espiritual. (Nota do Autor espiritual) (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 127)
Sentir-me-ia feliz com o ensejo de estudar e trabalhar, assimilando-lhe a experiência e recebendo-lhe o patrocínio.
O instrutor reafirmou a sua simplicidade, declarando que a obra pela qual respondia talvez não pudesse satisfazer-nos a expectativa, mas obrigava-se – acentuava Félix, sem alarde – a favorecer-nos os estudos que intentaríamos.
Notando-me o entusiasmo, Neves não vacilou compartilharme os propósitos.
Faria requisição idêntica.
Nosso interlocutor, comovido, esclareceu que isso vinha reconfortá-lo, sobremaneira, porque, atendendo a ditames de afetividade e reconhecimento, alcançara permissão para recolher Beatriz, em sua própria residência, tão logo a esposa de Nemésio pudesse retirar-se da esfera física, depois da desencarnação.
Hospedá-la, junto de Neves, o genitor que a filha jamais apartara da lembrança, ser-lhe-ia contentamento enorme.
Ambos desfrutariam abençoada convivência, regozijar-se-iam unidos, recordando o passado e articulando novos planos de trabalho e alegria.
Enquanto o devotado coração paterno se desmanchava em agradecimentos, Félix se despediu, afetuoso.
Demandando algum refazimento, esboçávamos projetos, ideando medidas de ação.
Manifestava-se Neves tocado de energias e esperanças novas.
Aguardaria a filha, sim, confiante no futuro. Almejava o reequilíbrio total, ansiava reeducar-se, a fim de lhe ser mais útil. Empregaria todos os recursos, de modo a ampará-la, fortalecê-la.
Eufóricos, deliberamos concentrar, a partir do dia que se anunciava, todas as nossas atividades de vigilância ao lado de Dona Beatriz, prestes a se desobrigar das células doentes, e, (FranciscoCândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 128) certificando-nos de que a moradia dos Nogueiras reclamava plantão, urgia revezar-nos em serviço.
CONTINUA AMANHÃ
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
PENSAMENTO DO DIA
A dor é uma advertência, assim como os pequenos prejuízos nos negócios, nos ensinam a ser prudente
Autor: Desconhecido
SEXO E DESTINO - CHICO XAVIER E ANDRÉ LUIZ
CONTINUAÇÃO
respondia, com admirável senso materno, sem a menor expressão
de chiste ou desagrado, qual se palestrasse com uma filha doente,
procurando reajustá-la dentro de amorosa solicitude, comportamento esse com que nos impelia à imitação. Nem Neves e nem eu nos sentíamos, dessa forma, inclinados a considerar, de maneira negativa, nenhuma daquelas frases francas de menina e moça, que lhe denotavam os estímulos sexuais, limpos e inocentes, convertendo-a, naquela hora, em criança extrovertida.
Alcançando o recinto de atividades espirituais que se nos erguia por meta, fomos acolhidos pelo irmão Félix, em pessoa, acompanhado de mais dois amigos.
O instrutor inteirou-nos de que nos recebera o comunicado,
acentuando, modesto, que, dispondo de algum tempo, deliberara vir, ele próprio, examinar o que sucedia.
Marita contemplou-o extática, indiferente, figurando-se aparvalhada, absolutamente inepta e distante para avaliar a importância do sábio que a brindava com paternais gentilezas.
Mentalmente encravada nas recordações do jovem Torres, as indagações que propunha dariam decerto para escandalizar, não estivéssemos preparados a fim de auscultar-lhe os conflitos.
Amparada por Félix que nos dirigia, tolerante, entrou no edifício,
inquirindo se havia chegado, por fim, ao clube onde comumente surpreendia Gilberto; encaminhada ao compartimento espaçoso, em que recolheria o necessário socorro magnético, quis saber o motivo pelo qual se imprimira tanta mudança ao salão de baile; mirando, distanciada, pequena equipe de servidores desencarnados, que desenvolvia tarefa assistencial, em ângulo oposto, alegou que a orquestra não devia adotar silêncio contínuo, e, escutando as buzinas que guinchavam, na rua, procurou descobrir se Gilberto vinha chegando para dançar. (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 122).
De raciocínio obliterado, qual se achava, lobrigava por fora as criações mentais que arquitetava por dentro, sem ligeira noção da
realidade exterior.
Félix, no entanto, ouvia-lhe todas as manifestações inconsideradas, com a ternura de um pai. Grave sem aspereza, compreensivo sem atitudes açucaradas que lhe comprometessem a autoridade de educador. Replicava sempre entre a bondade e a circunspeção devidas a um enfermo, abstendo-se de melindrar-lhe os sentimentos ou de encorajar-lhe as ilusões.
Instalando-a em ampla cadeira, fê-la descansar na hipnose
tranqüila.
Calou-se Marita, ilhada nas memorizações em que se comprazia, ao passo que o instrutor lhe ministrava passes balsâmicos.
A operação magnética foi longa, minuciosa.
Em seguida, Félix rogou-lhe falar, expondo o que mais anelasse de nós, ao que a moça gaguejou acanhada, suplicando a presença de Gilberto e asseverando que alimentava dúvidas sobre se aquele era realmente o grêmio em que se entrevistavam... Pediu socorro, proteção... Inclinou-se para Percília, no impulso da criança, quando tem fome do colo materno, e chorou, de manso, como a implorar que não a detivéssemos.
O irmão Félix, compassivo, informou-nos, sem que a paciente lhe penetrasse o fundo das elucidações, que, infelizmente, a intervenção efetuada em favor dela não poderia ultrapassar a superfície, prevalecendo tão-só para a sustentação do repouso físico; que a paixão juvenil se convertera em psicose grave; que a pobre menina se deixara arrastar pelo desvario afetivo, a ponto de cair no pior tipo de possessão, aquele no qual a vítima adere, gostosamente, ao desequilíbrio em que se consome.
E acentuou que lhe consultara o organismo, no sentido de se
lhe atalhar a alienação mental começante, com o socorro de alguma (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 12) enfermidade séria que, ao arrojá-la no leito, lhe modificaria a mente, predispondo-a a diferentes impressões; entretanto, o corpo da jovem não se mostrava habilitado a receber esse gênero de amparo. Marita, sumamente desorientada e enfraquecida, desencarnaria no desajuste orgânico mais pronunciado que viesse a sofrer, em caráter providencial. Não surgia outra alternativa, senão a de esperar pela resistência moral dela própria.
Convidados a escoltá-la até a casa, Neves, Percília e eu colocamo-
nos, de volta.
Marita não revelava aspecto algum para melhor, quanto à condição mental, mas o auxílio magnético surtira efeito imediato e salutar, porquanto, reajustada ao corpo denso, passou a repousar sem agitação, pelo que deixamo-la a dormir profundamente.
Despedimo-nos de Percília, ante o céu estrelado, e, de novo a sós, talvez porque me sentisse a indagação inarticulada, Neves confidenciou:
– André, você conhece essa senhora?
E, ao meu sinal negativo:
– Essa é a mesma que eu vi no cabaré, quando agredi meu genro, num gesto impensado; a desconhecida que me apoiou, no regresso ao aposento de Beatriz, apenas com a diferença de que hoje não traz consigo o distintivo luminoso... Mas, não tenho dúvida alguma. É a mesma pessoa...
COBNTINUA AMANHÃ
terça-feira, 2 de agosto de 2011
PENSAMENTO DO DIA
Leva tempo para alguém ser bem sucedido porque o êxito não é mais do que a recompensa natural pelo tempo gasto em fazer algo direito
Autor: Desconhecido
MENSAGEM DIÁRIA
Seja cortês com todos, sociável com muitos, íntimo de poucos, amigo de um e inimigo de nenhum
Autor: Desconhecido
SEXO E DESTINO - CHICO XAVIER E ANDRÉ LUIZ - PARTE 28
CONTINUAÇÃO
CAPÍTULO 12
Colaborando nós na assistência a Dona Beatriz, que enlanguescia sempre, tornamos a ver Marita, no encerramento da tarefa diária.
Chegara novembro com chuvas torrenciais.
Naquele dia, depois de algumas horas marcadas de canícula intensa, nuvens gigantescas ocultaram os picos, abreviando o crepúsculo, que se adensava, abastecido de água e névoa. Copacabana molhada, nas horas de movimentação culminante, acentuara a algazarra. Todo o povo que transitava nas ruas parecia disputar a melhor num concurso de pressa. Maratona improvisada.
Veículos despejavam filas enormes de pessoas, evidentemente sequiosas de tranqüilidade doméstica, que vinham do norte e do centro, carros fonfonavam no espelho irrigado do asfalto, pedindo vez. Transeuntes encapuzados acotovelavam-se, esperando as conduções que vinham do extremo sul.
A filha adotiva de Cláudio alcançou o vasto edifício, arrostando
o aguaceiro.
De Copacabana ao Flamengo, o trajeto de ônibus, tão logo iniciado, fora rápido, e do coletivo até a casa o trecho de caminho constara simplesmente de alguns passos; contudo, mesmo assim, despiu a capa, diante do elevador, como quem deixava a piscina.
Tudo frio e sombra, em torno; entretanto, mais dolorida que a tarde caliginosa, surgia-lhe a alma atormentada, através dos olhos
pisados de cansaço e vigília.
De subida, a vizinha solicitou-lhe a atenção para os adornos leves que carregava numa cesta de arame. A jovem, chamada a si, examinou ligeiramente os papéis pintados para festiva noite de aniversário, em apartamento próximo, pronunciou automaticamente breves palavras de admiração e ensimesmou-se, abafada, (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 118) para somente aliviar-se, de algum modo, ao reconhecer-se no recanto familiar.
Ninguém a esperava.
Sozinha, estirou-se no leito, procurando recapitular os acontecimentos da véspera, mas o estômago reclamava alimento.
Recordou que varara o dia em absoluto jejum. Levantou-se. Consultou os recursos da copa; entretanto, os pratos que haviam sobejado não lhe acordaram o apetite. Não obstante a temperatura
baixa a se lhe refletir nas mãos álgidas, sentia excitação, calor.
Fatigara-se de pensar, trazia os nervos tensos. Desejou mate frio.
Abriu a geladeira e serviu-se. Parou os olhos pestanejantes no telefone a distância curta. Não se conteve. Discou. Da residência dos Torres, porém, uma voz imprecisa informou que Gilberto saíra, não estava. Ela esmoreceu ainda mais ...
Arrastou-se, tornando ao quarto, e descerrou a janela. Queria desafogar-se no ar fresco.
Debruçou-se no parapeito, contemplando a cidade, lá em baixo.
Sob a chuva, os automóveis figuravam-se animais fugitivos.
A moça refletia, refletia... Mirando o casario iluminado, deduziu que milhares de pessoas aí se aglomeravam, suportando talvez problemas piores ou semelhantes aos dela, inquirindo, em vão, de si mesma, o porquê de encontrar-se tão entranhadamente agrilhoada a Gilberto, quando centenas de rapazes respiravam, não longe, com excelentes predicados para lhe interessarem o coração.
Sentia-se desalentada, insatisfeita. Aspirava a entreter-se, fugir de si mesma.
Inutilmente fez menção de envergar um casaco e descer à rua, a fim de se distrair, apesar do mau tempo. Entretanto, não era apenas a chuva copiosa que lhe frustrava os impulsos. O espírito almejava deslocar-se, o corpo não. Exacerbação e fadiga. Tentou (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 119) engolfar-se na leitura, reacomodando-se no leito, depois de apanhar uma novela, em que o marcador lhe indicava o lance interrompido, mas lembrou-se de Cláudio. O pai adotivo raramente atrasava e, desde a véspera, não conseguia recordá-lo sem temor.
Reergueu-se e preparou-se para o descanso. Precavida, apagou todas as luzes. Quando chegasse, decerto acreditá-la-ia distante.
Trancada agora na sombra, atirou-se à cama, com o abandono de quem larga um fardo importuno, e passou a meditar... Realinhavou na memória todas as esperanças e sonhos, provas e inibições da existência curta, deitando lágrimas no linho do travesseiro.
Daí a instantes, escutou os passos do chefe da casa, que se movia de uma peça para outra. Pela sutileza do andar, percebeu quando Cláudio veio, muito de leve, espreitar-lhe o aposento.
Experimentou a maçaneta, mas não insistiu. Ela e Marina guardavam o hábito da vedação, ao se ausentarem à noite. Ouviu o barulho inconfundível da garrafa em atividade e, logo após, assinaloulhe o regresso à rua, ao mesmo tempo que lhe notava o nervosismo pela maneira violenta de cerrar a porta, ao sair. Aliviada, fez-se menos inquieta.
Marita achava-se realmente só, de vez que até mesmo os dois vampirizadores do apartamento, ao que presumíamos, andavam fora, ajustados ao companheiro.
Horas passaram, lentas, difíceis... Onze em ponto, quando Neves e eu nos dispusemos ao socorro magnético. Oramos, exorando a bênção do Cristo e o concurso do irmão Félix, a beneficio da moça exausta.
Mobilizamos as possibilidades de nosso âmbito estreito.
Ela, a princípio, reagiu negativamente, empenhando-se na vigília,
mas cedeu, enfim. (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 120)
Operamos, cautelosos, reduzindo-lhe a capacidade de movimentação, obrigados que nos víamos a prever-lhe o intento de
reunir-se a Gilberto, qual sucedera na véspera.
Efetivamente, desligada do corpo, expressou completo alheamento, sem manifestar o mínimo interesse pelo ambiente.
Absorvida na paixão que lhe empalmava todas as forças, monologava, ideando alto:
– Gilberto! Onde está Gilberto?
Tentou equilibrar-se; entretanto, rodopiou, vacilante.
– Alguém que me ampare! – mendigou, aflita – preciso encontrá-
lo, encontrá-lo!...
Apoiamo-la, prestos.
Iniciávamos a saída quando se abeirou de nós simpática senhora desencarnada, declarando-se mensageira do irmão Félix, que nos esperava num posto socorrista.
Prestimosa, abraçou a paciente com o jeito característico da mulher e pusemo-nos mais facilmente a caminho.
Demandaríamos bairro próximo, onde respeitável instituição espírita-cristã nos ofereceria aconchego – instruiu a recém chegada, que se nos apresentara sob o nome de irmã Percília.
Notei que Neves e ela permutaram delicadezas mudas, revelando conhecimento anterior. Percília, contudo, não se demorou em qualquer consideração individual. Mais entregue ao trabalho que a si mesma, conversou com a frágil menina, encorajando-a.
Esforçava-se por descentralizar-lhe a atenção, apontando quadros
e ocorrências do trajeto, sem resultado. A moça não apresentava outros pensamentos, palavras e objetivos que não fossem Gilberto.
Fascinação, enredando todos os reflexos. A cada apontamento afetuoso, revidava perguntando em que lugar e a que instante seria finalmente conduzida à presença dele, ao que a
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
MENSAGEM SEMANAL
CRÍTICA
Diante dos acontecimentos chocantes do dia-a-dia e face a determinados comportamentos equivocados que recebem aplauso geral, vem-te a tentação de criticar. Algumas palavras bem colocadas, e serão suficientes para desmascarar mandatários inescrupulosos e indivíduos subservientes de conduta vil. Quase todas as pessoas do círculo onde eles se movimentam, conhecem-lhes as falhas. Não obstante, sorriem com falsa anuência em relação à sua forma de viver, quase os detestando. Tu, que procuras ser honesto contigo mesmo e com o teu próximo, ficas magoado, desejoso de te referires às deficiências que caracterizam essas pessoas e esses fatos. Este procedimento em nada ajudará aos criticados, que se irritarão, carregando-se de ódio contra ti e passando a perseguir-te, piorando a própria situação. A crítica ácida, inspirada pela revolta ou pelo ressentimento, não contribui para a mudança das pessoas ou das ocorrências examinadas. Ninguém gosta de sofrer críticas, mesmo quando merecidas. A palavra gentil de ajuda e de esclarecimento produz melhor efeito do que a acusação irada, a censura severa. A tua melhor maneira de criticar o erro será agir com acerto, diferenciando-te pela forma de atuar, em relação àquele que se comporta irregularmente. A força da retidão se expressa pela conduta, muito mais do que através das palavras. Evita a crítica, forma sutil de vingança e, não raro, de despeito sórdido. A tua vida deve tornar-se uma lição viva de correção e dignidade, sem que estejas apontando os erros e debilidades alheios.
Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis / Livro: Episódios Diários / 29/07/2011
PENSAMENTO DO DIA
Sorria. Sorrir abre caminhos, desarma os mal-humorados, contamina. Mas sorria com a alma, não apenas com os lábios
Autor: Desconhecido
MENSAGEM DO DIA
Felicidade é igual a uma borboleta: quanto mais você corre atrás, mais ela foge... daí um dia você se distrai e ela pousa em seu ombro
Autor: Desconhecido
SEXO E DESTINO - CHICO XAVIER E ANDRÉ LUIZ
CONTINUAÇÃO
Dorme, dorme nos meus braços,
Enquanto a noite não vem.
Dorme, filhinha querida;
Não chores, encanto meu;
Dorme, dorme, minha vida,
Tesouro que Deus me deu...
Qual se fora repentinamente magnetizada, Marita caiu em pesado sono.
Isso feito, a senhora, que tutelava a companheira, atraiu-a brandamente de encontro ao peito, no manifesto propósito de consolá-la e, segurando-a, falou-nos, triste: – Irmãos, nossa Aracélia ainda não está em condições de amparar a filha.
E, ajuntou, entre gentil e desapontada: – Perdoem-nos a interferência. Nós, as mães, em certas dificuldades, nada mais temos que alguma velha canção para dar aos nossos filhos!...
Em seguida, retirou-se, sustendo Aracélia, que se lhe refugiara nos braços, soluçando...
Ainda não nos refizéramos da emoção, quando vimos Marita, em espírito, afastar-se do corpo denso, guardando a inquietação da criança que anseia inutilmente pelo calor materno... Qual ocorre, porém, à maioria das criaturas encarnadas, no plano físico, mostrava lucidez oscilante, insegura... Cambaleou no quarto e, percebendo eu que Neves se dispunha a amimá-la, sustive-lhe o impulso, fazendo-lhe sentir que a nossa intervenção direta poderia frustrar-lhe os desejos e que, a fim de prestar-lhe auxílio eficiente, era mister deixá-la à vontade, sob vigilância discreta, de modo a examinar-lhe as necessidades mais íntimas. Sucedeu, quase que de imediato, o que não prevíamos. (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 114).
Esfumaram-se os arroubos da filha saudosa, esmaeceram-se atitudes infantis, a menina de Aracélia desaparecera e ressurgiu nela a personalidade feminina, estuante e clara.
A moça não nos via. Guardava a mente nebulosa que caracteriza os pequeninos ainda tenros, incapazes de particularizar as impressões, quando se transferem de lugar; entretanto, qual lhes acontece, quando ao reterem idéias fixas, quais sejam o brinquedo ou a guloseima, concentraram-se-lhe todos os pensamentos num ponto só: Gilberto.
Queria ver Gilberto, ouvir Gilberto.
Semelhantes impulsos a se lhe conglomerarem na cabeça, repetidamente emitidos, galvanizavam-lhe a vontade, revestindo-lhe o pensamento de uma certa clareza, que a favorecia, porém, tão só na direção dos seus anseios de mulher. Essa penetração parcial como que lhe conferia agora seguro apoio íntimo e Marita, figurando-se-nos senhora de si, conquanto absolutamente presa ao desejo ardente em que se obstinava, largou o aposento e, descendo os largos trechos da escadaria que contornava o elevador, deixou para trás o enorme edifício, qual sonâmbula, magnetizada pelos próprios reflexos.
Seguimo-la, atentos, não obstante confiando-a à própria discrição.
Cabia-nos estudar-lhe os ímpetos extrovertidos, consultar-lhe as inclinações. Não tivemos, todavia, qualquer dificuldade para adivinhar-lhe o rumo.
Em tempo reduzido, a filha adotiva de Cláudio alcançou a residência de Nemésio, que já se nos fizera conhecida.
Na certeza instintiva de quem se endereça a determinada pessoa, pelos recursos do olfato, sem atender a quaisquer convenções de forma e número, avançou casa a dentro, acalentando a imagem de Gilberto, que lhe substancializava o pensamento dominante. (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 115).
Impulsionada pelas percepções indefiníveis da alma, demandou amplo dormitório, localizado nos fundos da moradia, e, sem que nos fosse possível avaliar, de pronto, a resolução de garantirlhe a liberdade, a fim de analisar-lhe as reações, sobreveio o choque doloroso.
Naturalmente sobressaltados, apenas conseguimos ampará-la pela retaguarda.
Entrando no quarto, Marita surpreendeu Gilberto nos braços da irmã, e bradou, estarrecida: – Canalha! Canalha!...
Aquelas imprecações, entretanto, nem de longe atingiram o jovem par, completamente absorto na permuta de gratificações afetivas.
Neves e eu não trocamos palavra. Precipitamo-nos, automaticamente, para a menina atribulada, intentando anular-lhe a agitação convulsiva.
Mais alguns minutos e despertou no corpo denso, obrigandonos a pensar numa pequena fera aguilhoada, retornando à gaiola.
Descerrando as pálpebras, vagarosamente, denotava no olhar a feição dos loucos, quando relaxam os músculos em seguida a perigoso acesso de fúria. Tateou, espantada, a fronte suarenta. Fez luz, com fome de realidade física. Atarantada, sentou-se para fixar as paredes, com mais segurança, e certificar-se de que se achava no leito e no lar.
A pouco e pouco, readquiriu a confiança, acalmou-se, refazendo energias; no entanto, acusava uma espécie de tranqüilidade constrangida e amarga.
Pesadelo? – indagava-se, aterrada – ou quem sabe os padecimentos simultâneos lhe acarretavam crises de loucura?
Doía-lhe a cabeça, sentia-se desajustada, febril. (Francisco Cândido Xavier - Sexo e Destino - pelo Espírito André Luiz 116).
Marita regressara ao agasalho físico, sob pressa demasiada, sem que nos fosse possível adotar qualquer providência para anestesiar-lhe a memória.
Retinha no pensamento particularidades do quadro visto e ouvido, e encarcerada, de novo, entre as impressões superficiais dos sentidos corpóreos e a noção da verdade profunda, que não lograva apalpar, entrou em pranto agoniado, para somente dormir, com relativa calma, aos clarões do dia.
CONTINUA AMANHÃ
sexta-feira, 29 de julho de 2011
PENSAMENTO DO DIA
Só mesmo no fim, olhando a estrada que percorremos, vemos quantas coisas podíamos tido e perdemos
Autor: Desconhecido
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