Ninguém é tão pequeno que não possa ensinar, nem tão grande ao ponto de não ter o que aprender
A principal finalidade deste blog é a divulgação da Doutrina Espírita, codificada por ALLAN KARDEC, através de trechos do Evangelho Segundo o Espiritismo, preces, orações, crônicas e comentários.Queremos, também, transformar esse blog em uma CASA ESPÍRITA VIRTUAL.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
AS VIDAS DE CHICO XAVIER- O APRINDIZ DE CURANDEIRO - PARTE 4
CONTINUAÇÃO
Jesus atendeu ao pedido, curou a menina e convidou Publius a segui-lo. O pai de Flávia agradeceu o convite, virou as costas e saiu de fininho.
Anos depois, abandonou a esposa, Lívia, por suspeitar de sua infidelidade. Cristã, a mulher terminou devorada pelos leões no Circo Máximo, diante dos braços cruzados do ex marido. Resultado: Publius se deu mal cinqüenta anos mais tarde.
Voltou à Terra como o escravo Nestório e terminou seus dias entre os dentes e garras dos leões.
Chico Xavier só conheceria o capítulo mais edificante da biografia de seu mestre em 1949. Emmanuel exibia no currículo uma identidade bem mais honrosa: a do padre Manuel da Nóbrega. Ao lado de José de Anchieta, ele teria desembarcado no Brasil no século XVI para implantar o cristianismo no país. Com algum atraso, começou a pagar sua dívida com Jesus.
Poucos sabiam, mas Chico se sentia ainda mais endividado do que Emmanuel. Naquela história de dois mil anos atrás, ele teria sido Flávia, a leprosa curada por Cristo, a filha de Emmanuel.
O mundo das reencarnações não tem fim nem começo. Alguns espíritas insistem em descobrir quem teriam sido em séculos passados. Chico sempre tentou escapar das especulações com bom humor.
Uma vez, uma senhora chegou perto dele feliz da vida. Tinha feito uma descoberta.
- Fui mártir. Morri na arena devorada por um leão. E você Chico?
- Ah, eu fui a pulga do leão.
Ficava cansado daqueles tantos heróis à sua volta. De vez em quando, um amigo abria um sorriso e se apresentava a ele, orgulhoso, como um ex Napoleão, um ex rei, um ex apóstolo. Ninguém enchia a boca para dizer: "Fui um perdedo ". Todos tinham histórias edificantes para contar.
Chico ouvia as revelações grandiloqüentes e, às vezes, não resistia a uma ironia:
- Eu, aqui, no meio destas cabeças coroadas, com a cabeça decepada.
Ficou feliz da vida quando um vizinho comunicou:
Lá em casa há mais uma criadinha às ordens. Nasceu uma menina e dizem que é o espírito de uma índia que reencarnou. Chico quase bateu palmas:
- Graças a Deus. Até que enfim nasceu uma índia.
Só sentia vontade de vaiar quando alguém especulava sobre as vidas passadas dele. Certo, ele teria sido Flávia mesmo. E daí? Qual a importância disso? O tema, para ele, era pura perda de tempo. Cada um deveria se preocupar com esta vida.
Chico precisava trabalhar. E trabalhava muito para cumprir o combinado com Emmanuel. Em 1941, colocou no papel uma de suas obras preferidas, Paulo e Estevão, ditada por seu guia. Durante oito meses, ele se trancou no porão da casa do patrão Rômulo Joviano, na Fazenda Modelo, após o expediente. Todas as noites, das 17h15 à 1h, desfilaram, diante de seus olhos, numa tela imaginária, cenas de 2 mil anos atrás, seqüências da vida dos apóstolos de Cristo, imagens de Roma antiga.
O trabalho era pesado. Chico preenchia as páginas em branco com textos assinados por seu guia, passava a limpo os originais, datilografava tudo na máquina emprestada pelo patrão e apagava o que tinha escrito a lápis para reaproveitar o papel. O salário continuava curto.
A mulher de Rômulo, Wanda Joviano, mandava uma empregada lhe servir um lanche e escalava um funcionário para deixar o rapaz em casa de charrete. Havia apenas uma condição: ele deveria estar de volta, pontualmente, às 7h30 no dia seguinte.
Enquanto escrevia Paulo e Estevão, Chico teve um companheiro constante e compene-trado: um sapo enorme. No início, o rapaz olhou desconfiado para o bicho. Emmanuel acalmou o protegido. O animal também era filho de Deus, uma forma de transição. Chico se acostumou com o espectador, embora o achasse estranho.
Todas as tardes, o bicho o esperava na entrada do porão, acompanhava-o até a mesa e ficava quieto num canto. Quando o escritor saía, ele saía junto e sumia no mato.
No dia seguinte, estava lá, a postos, pronto para outra. Chico teve crises de choro durante os oito meses de trabalho. Quando pingou o ponto final na obra, viu um espírito desmontar uma espécie de painel, que transformava aquele cômodo numa cabine isolada do mundo. Começou a sentir saudades dos personagens do livro, saudades da viagem no tempo, gratidão a Emmanuel. Precisava agradecer.
Correu os olhos pelo quarto subterrâneo e deparou com o sapo. Tudo resolvido. Encarou o animal e garantiu:
- Irmão sapo, a graça divina há também de brilhar para você.
Daquele dia em diante o bicho sumiu. A Roma antiga também, mas outras imagens nítidas entraram em cartaz no cinema particular do ex matuto de Pedro Leopoldo. Algumas seqüências eram assustadoras. Assombrações o ameaçavam de morte, espíritos encapuzados invadiam seu quarto, visitas com pés caprinos chegavam à beira da cama dele.
Nem sempre seu guia estava por perto.
Numa das "tardes de folga " de Emmanuel, Chico escrevia um relatório na Fazenda Modelo quando, de repente, seu rosto ficou branco, quase transparente, e se contraiu.
O datilógrafo deixou escapar um gemido enquanto lançava a mão sobre o ombro.
Parecia infartado. O colega de repartição correu em busca de ajuda e, quando voltou, com um veterinário a tiracolo, encontrou a vítima já recuperada. Quis saber o que houve e escutou uma história mirabolante.
Há dias, dois espíritos ameaçavam matar o autor de Paulo e Estevão. Naquela tarde, eles apareceram de supetão. Um deles sacou um revólver e, sem dizer uma só palavra, apertou o gatilho. Ao ouvir o estampido, Chico saltou para o lado, mas não foi ágil o suficiente para impedir que a bala atingisse seu ombro de raspão. Ninguém viu nem ouviu nada e Chico ficou oito dias seguidos com o ombro dolorido.
De vez em quando, o espírita surpreendia os amigos mais íntimos com revelações espantosas. Numa noite, uma jovem aproximou-se dele no Centro Luiz Gonzaga e reclamou de uma dor de cabeça insuportável. Chico pediu para ela acompanhar a leitura do Evangelho. Foi tiro e queda. A moça ficou boa. A cura repentina recebeu uma explicação surpreendente. A tal mulher havia tido uma discussão violenta com o marido e quase foi agredida por ele com uma bofetada. O golpe foi evitado, mas o marido a atingiu "vibracionalmente ", provocando uma concentração de fluidos negativos que invadiram seu aparelho auditivo, causando a enxaqueca. Logo que a reunião começou, Dr. Bezerra colocou a mão sobre a cabeça dela e Chico viu sair de dentro de seu ouvido um cordão fluídico escuro, negro, responsável pela dor.
O protegido de Emmanuel tinha os poderes cada vez mais afiados. Em 1943, começou a colocar no papel seu best seller, Nosso Lar, assinado por um tal de André Luiz.
O texto pegou o mineiro de surpresa. Era diferente de tudo o que ele já tinha escrito.
Descrevia o cotidiano numa cidade espiritual próxima à Terra, uma zona de transição fundada por portugueses em algum ponto do espaço, mais perto do Sol do que da Terra, no século XVI. Era para ali, ou para comunidades parecidas com aquela, que muita gente ia após a morte. Nada de céu, de inferno, de purgatório. A população, formada por cerca de 1 milhão de habitantes, vivia às voltas com uma burocracia tão intrincada quanto à terráquea. Os moradores do Nosso Lar se submetiam a regras ditadas por instâncias como a Governadoria Geral, o Ministério da Regeneração, o Ministério do Esclarecimento e o Ministério da Elevação. Mas nem tudo era tédio. O meio de transporte, por exemplo, era bem divertido: um aerobus carro comprido suspenso a cinco metros de altura que parecia ligado a fios invisíveis. Entre os animais à solta na cidade estavam as aves ibis viajores, capazes de devorar as formas mentais odiosas e perversas e de enfrentar, assim, as trevas do Umbral.
O moço de Pedro Leopoldo, acostumado com carroças, charretes e bois, parecia ter se transformado, de repente, em autor de ficção científica.
A trama renderia um bom videogame. Para vencer, basta seguir as instruções: o segredo de sucesso nesta zona de transição é faturar os "bônus-trabalho ". Quem quiser alcançar níveis superiores de evolução ou se candidatar a uma nova encarnação deve superar os obstáculos. O principal deles é a preguiça. Uma dica é cumprir a cota mínima diária de oito horas de serviço útil. Os mais empenhados podem fazer quatro horas de serão, no máximo. O esforço vale a pena. Quem acumula tempo de trabalho dedicado à assistência aos outros recebe provisões extras de pão e de roupa e ganha certas prerrogativas, como visitas a amigos e parentes também mortos, acesso a locais de lazer e a palestras nas escolas dos ministérios. Mas todo cuidado é pouco.
O Nosso Lar está longe de ser o céu, e o governador geral, longe de ser um anjo.
A cidade já enfrentou conflitos nada celestiais. Um dia, habitantes recém-chegados da Terra se rebelaram contra a escassez de comida e começaram a exigir provisões mais fartas de pão e mais criatividade nas receitas. O clima ficou tenso, a população dividiu-se e abriu espaço para o assédio de multidões de regiões inferiores.
Legiões vindas do Umbral aproveitaram brechas nos serviços de Regeneração para invadir a cidade. Resultado: o governador mandou ligar as baterias elétricas das muralhas da cidade, destinadas à emissão de dardos magnéticos, isolou os rebeldes recalcitrantes em calabouços da Regeneração, fechou provisoriamente o Ministério da Comunicação e proibiu temporariamente os auxílios às regiões inferiores. Por mais de seis meses, os serviços de alimentação foram reduzidos à inalação de princípios vitais da atmosfera, através da respiração, e a água misturada a elementos solares, elétricos e magnéticos.
O livro foi um marco para o espiritismo. Ele convenceu muita gente da necessidade de trabalhar, e muito, em favor dos necessitados. Quem se dedicasse à caridade evoluiria mais depressa. Quem ajudasse o outro se ajudaria. A generosidade poderia soar, às vezes, como egoísmo. Mas o discurso deu bons resultados, estimulou o auxílio aos pobres.
Chico Xavier suou para traduzir aquelas lições do outro mundo. Escutava as frases e titubeava com o lápis na mão, perplexo diante do mundo novo. Numa das noites de trabalho, em julho, ele se sentiu fora do corpo e, durante duas horas, ao lado de André Luiz e de Emmanuel, visitou uma faixa suburbana da cidade descrita por ele. Para Chico, a tal viagem, uma das maiores surpresas de sua vida, não ocorreu por merecimento, mas por necessidade
CONTINUA AMANHÃ
quarta-feira, 18 de maio de 2011
MOMENTO DE REFLEXÃO
Serena confiança
A história é narrada pelo filósofo Huberto Rohden. Ele viajava em um navio rumo à Europa.
A travessia era serena e festiva, marcada pelo conforto e pelo luxo do moderno transatlântico, sobre águas calmas e sob um céu límpido e azul.
De repente, porém, tudo mudou. O que era serenidade e calma se transformou em um violento temporal. Desses que assustam desde os marinheiros de primeira viagem até os mais experimentados.
Com medo, os passageiros se recolheram aos camarotes. O filósofo, porém, preferiu contemplar o espetáculo da natureza.
Em meio a toda aquela confusão a bordo, ele notou uma criança, cuja idade andava entre os seis e os sete anos. A criança estava totalmente despreocupada. Brincava, cantarolava, indiferente ao que acontecia.
Impressionado com a tranqüilidade da criança, o filósofo se aproximou e perguntou: Você não está com medo?
A resposta veio rápida, inocente, e ao mesmo tempo profunda: Não, eu não tenho medo. Papai está no leme.
Quando o temporal passou, a viagem prosseguiu serena para todos. Menos para o filósofo, que não conseguia esquecer a resposta da criança.
Que imensa confiança! Se papai está no leme, nenhum mal pode acontecer.
Papai é mais forte que os ventos, mais forte que as ondas! Não há o que temer!
* * *
A confiança é própria das crianças. Elas se entregam sem temor àqueles em quem confiam. E, pai e mãe representam para elas a maior segurança.
Se todos os homens confiassem em Deus como as crianças confiam em seus pais, mais amena seria a vida, porque essa confiança significa ter fé.
A fé é essa chama divina que aquece o Espírito e lhe dá forças para tudo superar: mágoas, revoltas, traições.
Com fé, o homem sobrevive ao clima de aflição, não se deixando jamais desesperar.
Enquanto outros param à borda do abismo, acreditando que ele seja intransponível, o homem de fé procura passagens diversas para alcançar o outro lado em segurança.
O homem de fé é o que não se inquieta com as notícias que falam de crises e de tempos difíceis. Prossegue trabalhando sem cansaço porque está seguro de que terá forças para vencer.
E para que a fé não esmoreça, ele a sustenta com os valores da reflexão e da prece, porque nenhuma chama prossegue ardendo sem combustível para sustentá-la.
* * *
Jesus usou a figura do grão de mostarda para falar a respeito da fé, afirmando que quem a possuísse daquele tamanho, poderia remover montanhas.
E a mulher, portadora de hemorragia há vários anos, provou ser verdade. Bastou-lhe tocar a barra do manto de Jesus para ficar curada da sua problemática.
Assim como deram prova de fé Jairo, que veio rogar a Jesus pela cura de sua filha e o soldado que Lhe veio pedir por seu servidor de muitos anos.
Todos, por terem fé, movimentaram forças interiores que atraíram as energias curativas de Jesus, atingindo os objetivos que buscavam: a saúde daqueles a quem amavam.
PENSAMENTO DO DIA
Quarta feira, 18 de maio de 2011.
A mais alta vingança de uma injúria é o esquecimento
Autor: Francis Bacon
MENSAGEM DIÁRIA
Quarta feira, 18 de maio de 2011.
Isto é a liberdade: sentir o que o seu coração deseja, independente da opinião dos outros
Autor: Paulo Coelho
AS VIDAS DE CHICO XAVIER- O APRINDIZ DE CURANDEIRO - PARTE 3
CONTINUAÇÃO
Numa noite, Chico foi chamado às pressas pela família. José tinha desmaiado e estava mal. Quando chegou à casa do irmão, o médico lhe deu uma esperança:
- José vai voltar.
A alegria durou segundos. Logo, ele ouviu um desconsolo de Emmanuel:
- Ele vai voltar, mas não vai reconhecer ninguém. Consta de suas provas cármicas que ele deve ficar onze anos num hospício.
Algumas horas se passaram e Chico viu, em volta da cama do irmão, um círculo de espíritos. Era uma assembléia. A explicação veio do amigo invisível:
- José conversou com tantos obsediados estes anos todos... Vamos pedir ao Senhor que sua dedicação seja levada em consideração e, em vez de ficar todos esses anos alienado, ele desencarne já.
Minutos depois, Chico foi surpreendido por outra visão:
- José se desprendeu do próprio corpo e, como uma cópia de si mesmo, se levantou e sumiu.
O velório foi constrangedor. João Cândido Xavier estava inconformado. Encarava as pessoas, muitas delas em busca das receitas de Chico, e gritava:
- Vieram aqui para se curar? Vocês não enxergam? Ele não cura ninguém. Não curou nem o próprio irmão. Voltem para casa. Deixem de ser idiotas.
José Cândido não entendia, por exemplo, por que o tal Dr. Bezerra de Menezes não curava de uma vez a catarata no olho esquerdo do filho. As dores aumentavam, Chico sofria, corria o risco de ficar cego. Onde estavam os milagres? Por que os espíritos viravam as costas para quem os ajudava todos os dias? Era ingratidão demais.
Numa noite, se contorcendo de dor, o próprio Chico tomou coragem e pediu socorro a Emmanuel. Não agüentava mais aquela agonia na vista. Se fosse saudável, poderia aumentar a produção de livros. Ouviu mais uma resposta dura.
- Sua condição não exonera você da necessidade de lutar e sofrer, em seu próprio benefício, como acontece às outras criaturas. Se nem Cristo teve privilégios, por que você os teria?
Chico devia carregar suas cruzes sem resmungos, como um dublê de Jesus.
Seu olho às vezes sangrava. Durante uma das crises, ele ficou dois dias em casa deitado no fim de semana. Teve o repouso interrompido pela aparição de Emmanuel.
- Por que você está aí parado?
- O senhor não vê que meu olho está doente?
- E o que o outro está fazendo? Ter dois olhos é um luxo.
Em pouco tempo, Chico definiria a "enfermidade " como a "melhor enfermeira ", agradeceria a Deus por suas dores e abençoaria o sofrimento como forma de evolução, uma maneira de resgatar dívidas de encarnações anteriores e de compensar escorregões da temporada atual. Difícil era se conformar com a falta de apoio de Emmanuel em momentos críticos. Em 1940, ele enfrentou outra prova médica. De repente, deixou de urinar. A bexiga inchou e o doente, como simples mortal, procurou um médico em vez de recorrer aos céus. O diagnóstico não foi nada animador. Se a retenção urinária se prolongasse por mais 24 horas, o ataque de uremia seria inevitável e fatal.
Diante da perspectiva da morte, Chico pediu ajuda a Emmanuel. Desta vez, nem insinuou um pedido de cura. Queria apenas ser recebido por ele no "outro mund ".
Nada feito. Emmanuel tinha mais o que fazer.
Estarei ocupado. Mas se você sentir que a hora chegou, recorra aos amigos do Luiz Gonzaga e, depois, não se descuide das sessões de quarta-feira [dedicadas aos espíritos sofredores]. Espere pacientemente a sua vez de ser atendido. Você não é melhor do que os outros.
Chico se livrou da retenção urinária e, aliviado, se animou até a criar uma letra para a marcha composta por seu companheiro de trabalho, Oswaldo Gonçalo do Carmo, autor do hino de Pedro Leopoldo. Escreveu Nossa Festa e, para evitar o assédio da crítica, atribuiu os versos a uma amiga dos dois, Maria Geralda Carrusca, a Zinha, que tinha ajudado em algumas rimas. Nem sinal de Augusto dos Anjos no poema.
Muita música, maestro
No programa colossal
Todo Sete de Setembro
É nossa data ideal
Cantemos a nossa festa
que alegria não faz mal
Pandeiros e tamborins
Cantemos de coração
É mais um ano que passa
De harmonia e vibração
Marchas, sambas, rumbas, foxes
Nossa gente é do barulho
Cantemos a noite inteira
Nosso jazz é nosso orgulho.
Chico tinha pouco tempo para estripulias profanas. Carregava um vulcão na cabeça. As erupções, incessantes, geravam bateladas de livros. Em 1940, ele lançou três novos títulos ainda faltavam dezenove para ele atingir a cota de trinta combinada com Emmanuel. Mas os romances e poemas do além causavam menos impacto do que os textos que ele começava a escrever em sessões realizadas entre amigos espíritas: os recados enviados do céu por parentes mortos a suas famílias.
Naquele ano, Chico colocou no papel uma carta assinada por um garoto de onze anos, Sílvio Lessa, destinada a seu pai, Amaro. O menino tinha morrido e mandava lembranças do outro mundo. Estava feliz. Sua morte foi útil.
Graças ao sofrimento provocado por ela, seu pai se aproximou do espiritismo e passou a ajudar crianças pobres. Sílvio estimulava a caridade paterna no texto escrito por Chico: "Quando for em auxílio dos pequeninos desfavorecidos pelo mundo, o seu coração há de me ver no sorriso de todas as crianças a quem estimar como seus próprios filhos..."
Para os críticos distanciados, o texto pecava por pieguice.
Para a família, as frases provavam a sobrevivência do morto e davam novo sentido à vida.
O pai apostou em cada palavra da carta:
- Ela é absolutamente autêntica. Sílvio tocou em pontos absolutamente desconhecidos, mesmo de muitas pessoas de nossa família, cuja realidade é indiscutível.
Em sua carta, o garoto contava uma parábola indiana ouvida no colégio. A história era exemplar: um camponês tentava atravessar um rio com uma vaca e um bezerrinho.
Mas a vaca se recusava a fazer a travessia. Ele empurrava, puxava, chicoteava o animal, mas nada. Exausto, após várias tentativas frustradas de mover o bicho, ele segurou o bezerro nos braços e atravessou o ribeirão. Para alcançar o filhote, a vaca finalmente se mexeu e passou de uma margem à outra.
A parábola guardava uma lição dolorosa: o afastamento, ou melhor, a morte de um filho, serviria, muitas vezes, para levar a pessoa ao outro lado da vida. Ao espiritismo, por exemplo. As chamadas "mensagens particulares " ainda eram raras. Só a partir de 1967, após completar quarenta anos de contatos com o além, Chico receberia em sessões públicas, todas as semanas e em série, os recados de mortos para a família. Muitos céticos seriam convertidos.
As sessões com a presença do Dr. Bezerra de Menezes e os recados do outro mundo serviam à divulgação do espiritismo. As pessoas chegavam em Pedro Leopoldo em busca de ajuda médica, de conselhos espirituais ou de textos do além e voltavam para casa com livros embaixo do braço. De autógrafo em autógrafo, Chico difundia as lições de Allan Kardec, defendia a vida após a morte, consolava. Mas às vezes ficava inconsolável.
Em 1941, a viúva de José Cândido Xavier, Geni Pena, enlouqueceu. As rezas, os passes, as sessões de leitura do Evangelho no Centro Luiz Gonzaga foram inúteis. Chico teve de internar a cunhada num hospício em Belo Horizonte. Arrasado, ele acompanhou a doente até o quarto, ficou ao seu lado algumas horas e voltou para casa à noite.
Estava arrasado. O filho caçula da moça, paralítico, chorava na cama, sozinho.
Chico se ajoelhou e começou a rezar. As lágrimas corriam, ele se lembrava do irmão, se sentia culpado, impotente.
De repente, Emmanuel entrou em cena, incomodado com a choradeira:
- Por que você chora?
Chico contou o drama da cunhada, lamentou a situação do sobrinho e foi interrompido por um sermão do recém-chegado:
- Não. Você está chorando por seu orgulho ferido. Você aqui tem sido instrumento para cura de alguns casos de obsessão, para a melhoria de muitos desequilibrados.
Quando aprouve ao Senhor que a provação viesse para debaixo de seu teto, você está com o coração ferido, porque foi obrigado a recorrer à assistência médica, o que, aliás, é muito natural. Uma casa de saúde mental, um hospício, é uma casa de Deus.
Chico ouviu as críticas em silêncio, mas, entre um soluço e outro, pediu a recuperação da cunhada o mais rápido possível. O discurso se estendeu:
- Imaginemos a Terra como sendo o Palácio da Justiça, e a mulher de José como sendo uma pessoa incursa em determinada sentença da justiça. Eu sou o advogado dela e você é serventuário do Palácio da Justiça. Nós estamos aqui para rasgar ou para cumprir o processo?
Para cumprir respondeu Chico e, ainda aos prantos, insistiu: O senhor tem que saber que ela é minha irmã também.
Emmanuel perdeu a paciência de vez:
- Eu me admiro muito, porque, antes dela, você tinha lá dentro, naquela casa de saúde, trezentas irmãs e nunca vi você ir lá chorar por nenhuma. A dor Xavier não é maior do que a dor Almeida, do que a dor Pires, do que a dor Soares, a dor de toda a família que tem um doente. Se você quer mesmo seguir a doutrina que professa, em vez de chorar por sua cunhada, tome o seu lugar ao lado da criança que está doente, precisando de calor humano. Substitua nossa irmã e exerça, assim, a fraternidade.
Chico engoliu o choro, enxugou o rosto e abraçou o sobrinho.
Com os braços e pernas atrofiados, a expressão atormentada, o filho de Geni Pena, Emmanuel Luiz, era o retrato do sofrimento. Revirava-se na cama, contorcia-se em convulsões, sacudia-se em crises de choro. Um amigo de Chico ficou impressionado com o estado da criança. Como Deus, tão onipotente, admitia tanta dor?
A resposta veio de acordo com a lógica espírita: você colhe o que planta. Cada um volta à Terra com as seqüelas provocadas por si mesmo em vidas anteriores.
Deus não tinha nada a ver com as tragédias alheias. Cada um é responsável pelo próprio céu ou inferno. Emmanuel repetiria a Chico várias vezes:
- O ontem fala mais alto do que podemos admitir no tempo que chamamos hoje.
Na roda viva das reencarnações, tragédias se sucediam. Chico fazia incursões pelo mundo cão. De vez em quando, visitava um jovem deformado num barraco à beira de um matagal. Paralítico, ausente, ele vegetava sobre a cama. Sua mãe, doente, já não tinha forças para cuidar dele. O protegido de Emmanuel arregaçava as mangas, ajudava a dar banho no rapaz e a alimentá-lo. Um médico, diante de quadro tão desolador, chegou a sugerir a eutanásia.
Chico mudou de assunto e deu uma explicação estranha para tanto sofrimento.
Em sua última temporada no planeta, o infeliz tinha sido responsável pela tortura e morte de uma multidão de inocentes. Sua herança: uma legião de inimigos raivosos, loucos por vingança. Quando ele morreu, suas vítimas o agarraram e o torturaram de todas as maneiras durante vários anos. O corpo disforme e mutilado representava um abrigo contra os inimigos do outro mundo.
Enquanto ele dormia, seu espírito se desprendia do corpo, saía mundo afora e era atacado pelos adversários. Aterrorizado, em pânico, ele voltava para a tranqüilidade de seu organismo destroçado e se refugiava ali, entre os próprios escombros. A deformidade funcionava como esconderijo. A debilidade servia como fortaleza.
Chico deixava os amigos boquiabertos com histórias como esta. Para muitos, o autor do Parnaso de Além Túmulo tinha acesso a dados privilegiados sobre as vidas passadas de cada um. Mas o vidente evitava desperdiçar revelações. Só abria exceções em casos críticos. Como o da mãe desesperada no Centro Luiz Gonzaga, com restos do filho no colo:
- Meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele.
Chico pensava numa resposta, quando ouviu o vozeirão de Emmanuel:
- Explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente. Agora que está aproximadamente com cinco anos, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise que os médicos estão com a razão. As duas pernas dele serão amputadas, em seu próprio benefício.
A lei de causa e efeito é implacável no espiritismo.
Que o diga Emmanuel. Quem leu o livro Há Dois Mil Anos ditado a Chico por seu tutor invisível oito anos após o primeiro encontro dos dois levou um susto. O conselheiro do rapaz estava longe de ser santo. Na pele do prepotente senador Publius Lentulus, ele teve um único contato com Jesus. Numa noite, protegido pela escuridão, abriu mão de seu orgulho e correu até as margens do lago Tiberíades para pedir socorro a Cristo. Sua filha, Flávia, sofria com lepra e corria risco de vida.
CONTINUA AMANHÃ
terça-feira, 17 de maio de 2011
PENSAMENTO DO DIA
Terça feira, 17 de maio de 2011.
Um dia você vai entender, como eu já entendi, que existe uma diferença entre conhecer o caminho e trilhar o caminho
Autor: Desconhecido
MENSAGEM DIÁRIA
Terça feira, 17 de maio de 2011.
Cuidado com as pessoas: elas nem sempre falam o que pensam e nem sempre pensam o que falam
Autor: Desconhecido
AS VIDAS DE CHICO XAVIER - O APRENDIZ DE CURANDEIRO - 2ª PARTE
CONTINUAÇÃO
Esse Chico é formidável, mas, puxa, como come...
O aprendizado foi indigesto.
Chico engoliria muito sapo até aprender a dize "não ".
Chico trabalhava como um obcecado e queria mais. Além dos poemas e crônicas, sonhava escrever romances do outro mundo como a médium Zilda Gama. Ele se colocou à disposição de Emmanuel, mas foi desestimulado por ele. O trabalho exigia serenidade e Chico estava longe da tranqüilidade, sempre às voltas com os catorze irmãos. O pai desaparecia por algum tempo e a casa ficava por sua conta.
Só dois anos mais tarde, no final de 1938, após assumir com Emmanuel o compromisso de se acalmar, ele começou a preencher as páginas em branco com "lembranças " de 2 mil anos atrás. A primeira cena o pegou de surpresa: dois romanos envoltos em suas túnicas trocavam idéias no jardim, refestelados em longos sofás, quando um temporal desabou. As imagens e sons eram nítidos demais. Chico se sentiu como se estivesse no cinema, ao mesmo tempo como espectador e ator de um filme, dentro e fora da tela. Parou de escrever. E ouviu a explicação de Emmanuel, o autor do romance:
- Você está sob certa hipnose. Você está vendo o que eu estou pensando. Mas não sabe o que eu estou escrevendo.
Chico acompanhou a história como um telespectador diante de novelas. Chegou a torcer por certos personagens. Um deles era o próprio Emmanuel numa de suas vidas pregressas. Na encarnação nada evangélica. Na época de Cristo, ele teria sido não um apóstolo, mas um senador romano orgulhoso chamado Publius Lentulus.
Em 1939, o crítico literário mais rigoroso da época, Agripino Grieco, católico convicto, decidiu conhecer de perto o fenômeno de Pedro Leopoldo. O autor do livro Francisco de Assis e a Poesia Cristã fez o sinal da cruz e foi até um centro kardecista em Belo Horizonte, onde o moço exibiria seus dotes. Chico tinha acabado de lançar um livro com textos de Humberto de Campos (espírito), Crônicas de Além Túmulo - o quarto da série de trinta títu-los, e Agripino, ex colega do jornalista e escritor, queria checar a honestidade do mineiro que tinha a petulância de se apresentar como representante do morto.
O salão estava lotado. Os auxiliares de Chico, avisados da presença de crítico tão ilustre, providenciaram uma cadeira para ele ao lado do matuto. O recém chegado enterrou os olhos no rapaz e registrou, em silêncio, as primeiras impressões: "Um mestiço magro, meão de altura, com os cabelos bastante crespos e uma ligeira mancha esbranquiçada num dos olhos " Em seguida, rubricou, a pedido do orientador da sessão, vinte folhas de papel em branco, destinadas aos garranchos de Chico Xavier.
As rubricas afastariam a suspeita de substituição do texto.
Segundos depois, o rapaz fechou os olhos e o lápis disparou sobre a papelada em velocidade impressionante. Primeiro, apareceu um soneto assinado por Augusto dos Anjos. Depois, foi a vez de uma crônica assinada por Humberto de Campos.
O crítico ficou perplexo. Em entrevista ao jornal Diário da Tarde, em 31 de julho, confessou: "Tendo lido as paródias de Paul Reboux e Charles Muller, julgo ser difícil levar tão longe a técnica do pastiche. De qualquer modo, o assunto exige estudos mais detalhados, a que não me posso dar agora..."
Cinco dias depois, falou ao Diário Mercantil sobre a "profunda emoção " de reencontrar as idéias e estilos do amigo Humberto de Campos. Ainda estava confuso:
- "Pastiche? Mistificação? Imitação? Não nos reportemos somente a isso. O que não me deixou dúvidas, sob o ponto de vista literário, foi à constatação fácil da linguagem inconfundível de Humberto na página que li..."
No dia 21 de setembro, Agripino dava sinais de perplexidade crônica em entrevista ao Diário da Noite:
- Francisco Cândido Xavier compôs o texto com uma agilidade que não teria o mais desenvolto dos escreventes de cartório. Fiquei naturalmente aturdido. Depois disso, já muitos dias decorreram e não sei como elucidar o caso. Fenômeno nervoso? Intervenção extra humana? Faltam-me estudos especializados para concluir.
No fim do ano, cientistas russos se candidataram a estudar o fenômeno mineiro.
Fizeram uma proposta a Chico: ele se submeteria a seis meses de testes em Moscou e receberia em troca trezentos contos de réis, O jovem ficou tentado. O dinheiro era suficiente para construir cinqüenta casas populares. Uma fortuna para quem ainda estava às voltas com a primeira das oito prestações de um novo chapéu.
Emmanuel entrou em cena e quebrou as ilusões do candidato a cobaia:
- Se quiser, pode ir. Eu fico.
Chico precisava ter cuidado. A tal "harpa melodiosa " citada por sua mãe poderia enferrujar se ele cedesse à ambição ou ao orgulho. Para evitar o perigo, começou a castigar o próprio ego com golpes diários e contundentes. A autoflagelação partia de um pressuposto simples: ele não era nada, os benfeitores espirituais eram tudo e um pouco mais.
O segredo do sucesso: abrir mão de si mesmo. "Aquele que quiser ser o maior que se faça o servidor de todo "", lia no Evangelho. E acatava.
Em sua campanha antivaidade, Chico criou, ao longo da vida, alguns slogans para se defender dos elogios. "Sou apenas Cisco Xavier " era um deles. Ele fazia questão de proclamar a própria "absoluta insignificância ". Afinal de contas, era um "servidor quase inútil da doutrina espírit , "o mais pequenino de todos ", O aprendiz de curandeiro "um na ", "mais imperfeito que os outros ". A lista de metáforas auto depreciativas cresceria a cada ano. Chico se apresentaria como um graveto que se confunde com o pó, um animal em serviço, uma besta encarregada de transportar documentos dos espíritos, uma tomada entre dois mundos. Nenhuma das frases de efeito afastava os devotos e os bajuladores.
Um dia, diante de uma mulher quase de joelhos a seus pés, ele apelou:
- Não me elogie assim. É desconcertante. Não passo de um verme no mundo.
No mesmo instante, ouviu a voz de Emmanuel:
- Não insulte o verme. Ele funciona, ativo, na transmutação dos detritos da terra, com extrema fidelidade ao papel de humilde e valioso servidor da natureza. Ainda nos falta muito para sermos fiéis a Deus em nossa missão.
Daí em diante, Chico preferiu se definir, de vez em quando, como subverme.
Para os admiradores, tanta humildade era mais uma prova de santidade. Para os adversários, era pura demagogia, vaidade.
Chico lutava para ser "o servidor de todo "", ou seja, "o maior ".
Um dia, o rapaz se empolgou e apostou nos elogios feitos a ele. Uma carta enviada de um centro espírita de Belo Horizonte definia sua presença numa sessão como "indispensável ".
Chico pediu a Rômulo Joviano dois dias de licença na Fazenda Modelo e embarcou no trem rumo à capital mineira. No vagão, foi surpreendido pela aparição de Emmanuel:
Então, você se julga indispensável e, por isso, rompeu todos os obstáculos para viajar como quem realiza uma tarefa fundamental? Já refletiu que o serviço do ganha pão é indispensável a você?
Chico desceu do trem e tomou outro de volta. Até se aposentar, não faltaria a um dia de trabalho.
Os problemas se sucediam em Pedro Leopoldo. O número de pessoas à procura de Chico Xavier aumentava e muitas delas já iam até a Fazenda Modelo pedir socorro. Rômulo Joviano começou a se irritar. Era preciso encerrar aquela romaria no horário do expediente. Numa tarde, uma mulher desesperada chegou ao escritório e foi barrada pelo patrão de Chico no meio do caminho. Para despachar a visita, ele garantiu que seu empregado estava em casa. A mulher foi até lá e recebeu a informação verdadeira: Chico estava no emprego. Irritada, ela voltou a Fazenda e ouviu outra mentira: o datilógrafo tinha saído a serviço. Após resmungar um palavrão, desapareceu batendo os saltos no chão.
À noite, foi a primeira a entrar no Centro Luiz Gonzaga.
Nem pensou duas vezes. Avançou contra Chico Xavier e encheu seu rosto de bofetões. Com a voz e as mãos trêmulas, berrou:
- Está pensando que tenho tempo para andar atrás de você para cima e para baixo? Vá já para aquela sala. Você vai me dar um passe agora, cachorro.
Chico ficou paralisado. Não conseguiria ajudar ninguém.
Precisava estar calmo para transmitir energia positiva. Emmanuel apareceu com mais um conselho:
- Converse com ela, mostre compreensão.
Ainda com o rosto ardendo, ele tomou fôlego e começou a se desculpar:
- A senhora me perdoe por ser uma pessoa tão ocupada. Não pude atendê-la em meu emprego porque meu chefe não permite. A senhora compreende. Estou ali para servir à empresa que me paga. Não posso ser demitido porque tenho irmãos para ajudar.
A mulher começou a chorar, Chico voltou ao normal e obedeceu a ordem. Quando ela virou as costas, ele perguntou ao seu companheiro invisível se não teve razão de ficar irritado.
Você está com a razão, mas ela está com a necessidade.
Para se acalmar, se lembrou de um dos mandamentos ouvidos de Emmanuel:
- Sua missão é formar livros e leitores. Formar leitores é suportar suas exigências, sem censuras. Formar livros é se esquecer de você.
No dia seguinte, quando chegou à Fazenda Modelo, Chico foi recebido pelos olhares inquisidores de Rômulo Joviano. Que inchaço era aquele no rosto do funcionário? Chico disfarçou:
- Bati na porta.
E preferiu o silêncio quando o patrão retrucou:
- Dos dois lados?
Para evitar cenas como essa, José Xavier decidiu ajudar o irmão. Os visitantes poderiam ser encaminhados à sapataria onde ele trabalhava. Conversaria com todos até a hora em que Chico saísse do serviço para atendê-los. Alguns doentes chegavam amarrados, arrastados pela família, para serem submetidos às sessões de desobsessão promovidas por Chico. José atendia aos desesperados com educação e paciência.
CONTINUA AMANHÃ
segunda-feira, 16 de maio de 2011
PENSAMENTO DO DIA
Segunda feira, 16 de maio de 2011.
Às vezes à distância e a ausência tornam a amizade e o amor mais doces e mais profundos
Autor: James Howell
MENSAGEM DIÁRIA
Segunda feira, 16 de maio de 2011.
Há três coisas na vida que não voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida
Autor: Provérbio Chinês
AS VIDAS DE CHICO XAVIER - O APRENDIZ DE CURANDEIRO - 1ª PARTE
O APRENDIZ DE CURANDEIRO
A maioria dos visitantes saía do Rio de Janeiro e de São Paulo atraída pelo porta-voz dos poetas mortos e voltava para casa impressionada com as consultas médicas do Dr. Bezerra. Bastava escrever o nome e o endereço numa ficha para receber, no fim da noite, receitas sempre homeopáticas assinadas pelo espírito do médico.
Ninguém precisava revelar a doença para ter acesso ao diagnóstico escrito por Chico Xavier.
Muitos, impressionados com os poderes do protegido de Emmanuel, chegavam a oferecer dinheiro ao rapaz pobre como prova de gratidão. Ele recusava:
- Ajude o primeiro necessitado que encontrar.
Outros lhe entregavam presentes. Chico se livrava deles com pressa e discrição.
Numa noite, ganhou um relógio de ouro suíço. Na tarde seguinte, visitou uma doente, Glória Macedo. Pobre, ela costumava perder a hora de tomar os remédios receitados pelo Dr. Bezerra por falta de relógio. Chico deixou o presente da véspera sobre a mesa da "paciente ".
Mas nem todos saíam satisfeitos do Centro Luiz Gonzaga. Alguns ficavam decepcionados com recados médicos vagos como "buscaremos cooperar espiritualmente em seu favor " ou "confiemos na bênção de Jesus ". Chico esclarecia, com educação: não fazia milagres. Sua prioridade era o livro e não a cura.
Às vezes Chico decepcionava como "doutor " e repetia sempre:
- Todo médium é falível.
Vulnerável a enganos, ele tratava de tomar precauções: nunca receitava antibióticos e, diante de casos mais graves, aconselhava tratamento médico. Ninguém poderia acusá-lo do exercício ilegal da medicina.
Algumas das próprias falas clínico espirituais ele justificava como decisões estratégicas dos "benfeitores espirituais ". Os equívocos serviriam para combater sua vaidade e mostrar seus limites.
Bem ou mal, Chico Xavier atiçava a curiosidade e colocava Pedro Leopoldo no mapa. João Cândido Xavier começou a gostar daquela confusão. Com ares de empresário, sugeriu ao filho:
- Se você construir aí na porta um galinheiro e cada visitante deixar uma galinha, ficaremos ricos...
Chico sacudiu a cabeça e riu. O pai se irritou.
- Ora, Chico, os espíritos que te orientam são tão atrasados, mas tão atrasados que, em vez de escreverem Manuel, escrevem Emmanuel.
O rapaz repetiu a velha história: nunca poderia ganhar dinheiro com sua mediunidade. E ouviu o desabafo paterno:
- Eles mandam você não cobrar nada de ninguém porque não pagam o leite e não têm que comer carne. Pode ficar certo, meu filho, quando eu morrer, vou ser seu guia.
João Cândido só faltava bocejar quando o filho abria O Evangelho Segundo o Espiritismo e lia a recomendação de Jesus:
- "Dai de graça o que de graça recebestes " . A bênção da mediunidade parecia maldição. O pai ficava impressionado: Chico trabalhava tanto para os outros a troco de quê? A recompensa não vinha.
Nessa época, o rapaz enfrentava dificuldades sérias no armazém de José Felizardo. O patrão tinha sofrido uma trombose cerebral e o salário estava a cada dia mais minguado. Chico teve que recorrer a um bico na Inspetoria Regional do Serviço de Fomento da Produção Animal, na Fazenda Modelo. Nas horas vagas, trabalhava de graça para o doente e fazia companhia a ele.
Em 1935, Felizardo não teve dinheiro para pagar os impostos do segundo semestre, o armazém faliu e o ex caixeiro entrou para o quadro de funcionários da Inspetoria como escrevente datilógrafo. Em vez de servir cachaça, ele escreveria relatórios sobre os bois, cavalos e jumentos puro sangue criados na fazenda do governo e emprestados, para reprodução, a fazendeiros cadastrados no Ministério da Agricultura. Em pouco tempo, seria um especialista em gado zebu.
No escritório, ele encontrou outro "guia" , este de carne e osso, disposto a domar com boas chibatadas seus instintos de "besta espírita " . O administrador da fazenda, o engenheiro agrônomo Rômulo Joviano, mantinha o rapaz no cabresto. Espírita de carteirinha, ele não só acompanhava de perto os relatórios do empregado como também supervisionava seus "textos do além " e acompanhava as sessões do Centro Luiz Gonzaga, do qual se tornaria presidente. Só era distraído mesmo para promoções, aumentos e folgas.
Chico já estava às voltas com memorandos bovinos quando chegou às livrarias a segunda edição do Parnaso de Além-Túmulo, em 1935. O volume, quase três vezes maior do que o da primeira edição, era festejado no prefácio pelo vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, Manuel Quintão. Responsável pela primeira versão do livro, o filólogo espírita festejava as novas aquisições (Olavo Bilac, por exemplo) e transformava em estandarte o texto escrito por Humberto de Campos (espírito).
No artigo, intitulado "De Pé, os Mortos " , o escritor reafirmava a autenticidade dos poemas ditados pelos espíritos ao matuto de Pedro Leopoldo.
Quintão estava entusiasmado: O crítico João Ribeiro disse que o médium não traiu nenhum dos poetas. Ora, esta concisa sentença de J. Ribeiro vale por todos os estultilóquios e paparrotadas que andas, que a crítica de papo amarelo improvisou a propósito de quanto se afaste do seu clássico palmo de nariz.
O texto era um panfleto.
A nova edição saiu com um único, e discreto, reparo.
O perfil de Guerra Junqueiro, escrito pelo indignado Quintão em 1932, em introdução aos versos atribuídos ao poeta, mudou de tom, O "bardo " português, definido como "notável por sua hostilidade à Igreja de Roma na versão original, passou a ser admirável por sua "veia combativa e satírica " . Era início da censura na literatura espírita. Era também uma alteração adequada a quem, como Chico, passaria a vida repetindo:
- Não vim para brigar com ninguém. Não vim para dividir.
Mas dividia. O romancista mineiro João Domas Filho, por exemplo, se irritaria com os poemas assinados por Olavo Bilac na nova edição do Parnaso: "Ele, que nunca escreveu um verso imperfeito, nem em sua pior fase, depois de morto ditou ao médium sonetos inteiros abaixo do medíocre " .
O ferino Osório Borba, autor de A Comédia Literária, decidiu assistir a uma sessão no Centro Luiz Gonzaga. Sem se identificar, viu Chico espalhar versos pelas páginas em branco em velocidade surpreendente, mas não se convenceu. Após o "espetáculo ", ele conversou com o autor do Parnaso e foi honesto: duvidava da possibilidade de os espíritos se manifestarem com sua ajuda, mas acreditava na sua honestidade.
Chico seria apenas uma vítima inconsciente de fenômenos ainda pouco estudados.
Os poemas e poetas recém chegados à nova edição do Parnaso geraram boatos mirabolantes. Os católicos mais empedernidos chegaram a acusar a Federação Espírita Brasileira de manter uma comissão de escritores encarregada de inventar todos aqueles versos em sigilo absoluto. A causa era nobre: convencer os incrédulos da existência de espíritos. Chico Xavier desempenharia o papel do ignorante sem tempo nem cultura para escrever os poemas, mas capaz de ser porta voz dos mortos, em troca de dinheiro e em nome da divulgação do espiritismo.
Os rumores eram tão fortes que Chico tratou de arquivar, com cuidado, os originais de todos os textos vindos do "outro mund ". Quando lhe sugeriram transferir a papelada de Pedro Leopoldo para a sede da Federação Espírita, no Rio, ele recusou. Precisava ter seus garranchos sempre à mão para mostrar aos céticos.
Fez bem.
Mais tarde, ele mostraria suas "provas " a dois padres e três protestantes interessados em desmistificar a "fraude mineira ".
Em meio à polêmica, o rapaz de Pedro Leopoldo ficava famoso e virava atração princi-pal em sessões espíritas de outras cidades. Em 1936, enquanto Boris Karloff provocava calafrios no filme O Morto Ambulante, ele roubava a cena na Sociedade Metapsíquica de São Paulo. Na noite de 29 de março, colocou no papel uma mensagem assinada por Emmanuel, em inglês, e escrita de trás para a frente, em papel timbrado da entidade, previamente rubricado com duas assinaturas. A platéia só faltou aplaudir de pé e pedir bis. Após a exibição, foi convidado para um jantar na casa de uma socialite espírita.
A dona da casa tinha ímpetos de colocar o "embaixador " dos mortos numa de suas baixelas de prata. Diante dos talheres reluzentes e dos figurinos de gala, o rapaz enrubescia, engasgava. Nunca tinha visto tanta comida junta. Nem sabia por onde começar. Estava paralisado.
De repente, saltou em direção à porta da cozinha e arrancou das mãos de uma jovem uma travessa repleta de arroz. A anfitriã chegou a tempo de evitar o pior. O rapaz estava contrariado.
A coitadinha é tão frágil. E nós aqui, à toa, vendo-a fazer tudo sozinha.
Foi difícil convencer o matuto de que a coitada era empregada da casa e recebia um salário por aquele serviço. Só após certa disputa pela posse da bandeja, Chico se conformou e foi à mesa se servir.
A dona da casa fez questão de acompanhar o tour do pobrezinho em torno do bufê.
Isto é gostoso, meu filho. Coma, coma, coma um pouco mais.
Com medo de fazer desfeita, o coitado engolia a miscelânea de carnes, massas e saladas. Sempre que levava à boca os últimos vestígios de comida, escutava a voz estridente ao seu lado:
- Coma um pouco mais. O que é isso? Tão pouco...
O prato se esvaziava e logo se enchia de novo. Chico sorria, agradecia, afrouxava o cinto, desabotoava o colarinho, respirava fundo. Quando chegou a sobremesa, sentiu vontade de chorar. A anfitriã cobriu seu prato de doces. Ele comeu. Ao sair, amparado por amigos, escutou o comentário sussurrado pela dona da casa a uma amiga:
CONTINUA AMANHÃ
domingo, 15 de maio de 2011
PENSAMENTO DO DIA
Domingo, 15 de maio de 2011.
Devemos prosperar por merecimento, e não por proteção
Autor: Plauto
MENSAGEM DIÁRIA
Domingo, 15 de maio de 2011.
Se você vibrar só com pensamentos positivos, suas ações conseqüentemente também serão positivas.
Autor: Desconhecido
AS VIDAS DE CHICO XAVIER - A PELE DO RINOCERANTE - 2ª PARTE
CONTINUAÇÃO
Em maio, Clementino de Alencar, um correspondente do jornal O Globo, desembarcou em Pedro Leopoldo. O carioca estava disposto a desmascarar a "fraude mineira e teve a primeira oportunidade em sessão espírita no Centro Luiz Gonzaga. Naquela noite, ele se sentou ao lado de Chico na mesa tosca de madeira e acompanhou, de perto, os movimentos vertiginosos de sua mão sobre o papel. O lápis percorria a folha na contramão - da direita para a esquerda e rabiscava frases incompreensíveis. Um dos espectadores arriscou: É árabe. Era inglês, escrito de trás para frente. A mensagem invertida, que só poderia ser lida no espelho ou contra a luz, foi publicada em letras garrafais no jornal carioca:
My dear spiritualist friends, Men s learning is nothing over against of the death: letyou support your cross with patience and courage. The pain and faith are the greater earthly trea-sure and the work is thegold of the lífe. Butfor ali you, believing either not, here is the our-great message: God is our Father. We are brothers. Let us love one another. Emmanuel.
(Meus caros amigos espiritualistas, o conhecimento dos homens não é nada contra a morte; suportem as suas cruzes com paciência e coragem. A dor e a fé são os maiores tesouros terrenos e o trabalho é o ouro da vida. Para todos, entretanto, crentes ou não, aqui está a nossa grande mensagem: Deus é nosso Pai. Nós somos irmãos. Amemo-nos uns aos outros.)
O repórter apontou o erro crasso de gramática inglesa o uso do the antes do possessivo ou na quinta linha e divulgou a desculpa do tal Emmanuel para o deslize: ele ainda estava estudando inglês num curso no além.
A noite de boas-vindas ao jornalista foi movimentada. Após a exibição bilíngüe, Chico colocou no papel, em minutos, de olhos fechados, dois poemas de um certo Olavo Bilac "Aos Descrentes e Ideal.
Clementino de Alencar avançou sobre o primeiro:
Vós que seguis a turba desvairada
As hostes dos descrentes e dos loucos
Que de olhos fechados e ouvidos moucos
Estão longe da senda iluminada
Retrocedei dos vossos mundos ocos
A noitada só terminou depois de Chico Xavier rabiscar um poema de Augusto dos Anjos - sobre o fim das forças do "plasma agonizante' e outro de João de Deus.
No quarto de hotel, Clementino passava os olhos pelos poemas do outro mundo e registrava as próprias sensações nas páginas de O Globo:
- Nossos olhos correm, a um tempo curiosos e ansiosos, sobre aquelas páginas incríveis, que o caixeiro bisonho e humilde afirma ter recebido, em transe, do mundo das sombras invisíveis, que ficam para lá das nossas percepções normais. Devemos crer nesse parnaso do além? Esqueçam por hora as dúvidas. Fique para mais tarde a análise.
Nem tudo era poesia na série de reportagens. Clementino também divulgou um texto atribuído a Emmanuel, a quem sempre se referia como o "guia " de Chico. O artigo, sobre o "corpo espiritual ", soava como grego escrito de trás para frente.
A vida, em suas causalidades profundas, escapa aos vossos escalpelos, e apenas o embriogenista observa, na penumbra e no silêncio, a infinitésima fração do fenômeno assimilatório das criações orgânicas.
O repórter se empolgou e decidiu, então, submeter o matuto de Pedro Leopoldo a uma série de testes. Chico aceitou o desafio. Questionários elaborados por especialistas foram entregues a ele.
As primeiras perguntas, sobre economia, vieram do gerente do Banco Agrícola de Sete Lagoas, Francisco Teixeira da Costa. Chico levou a prova para casa iria submetê-la aos espíritos - e apresentou as respostas na manhã seguinte.
A primeira questão era muito difícil: Dado o aumento da população mundial e a escassez de ouro necessário à circulação, a socialização do sistema monetário, tendo por base certa percentagem de exportação de cada país, conseguiria, pela emissão naquela base, regular o fenômeno da troca?
A resposta veio em economês à altura, se arrastou por parágrafos e mais parágrafos, repletos de referências ao lastro regulador e às emissões fiduciárias, e terminou com a assinatura do português Joaquim Pedro d'Oliveira Martins, ex-deputado, ex-ministro da Fazenda e ex-membro da Academia de Ciências de Lisboa, morto em 1894.
Na reportagem publicada no dia 31, Clementino estava quase convertido ao espiritismo:
- Sente-se o repórter no dever de anotar, já agora, aqui, esta impressão: torna-se cada vez mais remota a idéia de fraude grosseira que tenha porventura surgido com as primeiras notícias relativas ao jovem médium de Pedro Leopoldo.
O jornalista fez questão de esclarecer que não era o único ex-cético da cidade.
Muitos curiosos desembarcavam desconfiados em Pedro Leopoldo e saíam de lá assombrados.
Um dos observadores atentos entrevistados por Clementino foi o professor de Psiquiatria da Universidade de Belo Horizonte, Melo Teixeira. Ele se sentou próximo ao rapaz e cravou nele seus olhos clínicos. Quando Chico Xavier largou o lápis sobre o papel repleto de frases do além, o médico perguntou quais as sensações do transe.
O matuto falou sobre o torpor e a impressão vaga de uma tênue irradiação.
O psiquiatra deu o diagnóstico:
- Não se pode negar: estamos diante de um fenômeno lídimo, visto, presenciado.
Haverá, naturalmente, os que acusam este rapaz de fabricar pastiches. É uma hipótese para observador distante e superficial. Sentimo-nos diante de uma força ultranormal.
Clementino precisava de mais evidências. Decidiu fazer perguntas em inglês. Uma das questões:
Have you, spirits, any power upon thefuture of our living friends?
(Vocês, os espíritos, têm algum poder sobre o futuro de nossos amigos vivos?).
A resposta, assinada por Emmanuel, começava com uma censura à referência aos amigos vivos.
"Todos nós estamos vivendo " garantiu em bom português.
O repórter de O Globo leu os parágrafos escritos pelo rapaz, mas não se convenceu. Queria respostas em inglês. Em vez de fazer o pedido ao entrevistado, ele resolveu experimentar uma técnica espírita: a de enviar uma "espécie de prece insistente ao rapaz " "Inglês, inglês " mentalizou. O texto veio em português. Quando Clementino já estava prestes a voltar ao ceticismo habitual, apareceram, sob a resposta, dezoito linhas em inglês. Do you have more questions?
Clementino de Alencar mudou. Emmanuel, citado como "guia " de Chico Xavier nas primeiras reportagens, virou o Amigo Invisível (com letras maiúsculas e sem aspas).
O repórter voltou para o Rio, um mês depois, convencido da honestidade do autor de Parnaso de Além-Túmulo. E suas reportagens atraíram caravanas de curiosos a Pedro Leopoldo.
CONTINUA AMANHÃ
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